A jogada de Blatter



Muito conveniente para Joseph Blatter atirar aos lobos Ricardo Teixeira e João Havelange, que segundo a Justiça suíça receberam de suborno mais de 45 milhões de reais juntos nos anos 90, e tentar aparecer como “moralizador”.

Blatter era “braço direito” de Havelange, foi secretário-geral da Fifa quando o brasileiro comandou a entidade, e ele mesmo já admitiu que sabia do pagamento de propinas. Por que calou, então? Porque, segundo ele, na época o pagamento era permitido por lei. Bolas, se era permitido por lei, ele deveria estar pedindo a expulsão de Havelange da presidência de honra da entidade?

Blatter, Havelange e Teixeira são farinha do mesmo saco, embora hoje de lados opostos. E Blatter, no comando da Fifa, coloca a cabeça de Havelange a prêmio para ver se consegue salvar a sua. Não deveria. Inclusive porque teve papel ativo na escolha conjunta de Coreia e Japão como sedes da Copa de 2002, decisão que teve suspeitas de compras de voto, como pairam denúncias de corrupção na escolha das sedes das Copas de 2018 e 2022. E agora vem Blatter e insinua que os alemães compraram votos para levar a de 2006. As três últimas sob sua administração e a primeira sob gestão de Havelange, tendo Blatter como seu secretário-geral.

Direta ou indiretamente o atual presidente da Fifa está metido até o pescoço _e põe pescoço nisso_ nos escândalos que marcam a Fifa, entidade que preside desde 1998. Como pedem os alemães, deveria sair já. Não dá agora para tentar bancar o moralizador, nem jogar toda a culpa nos brasileiros, como se ele fosse o único “santinho”. De santo Blatter não tem nada. Quanto mais rica ficou a Fifa, maiores a ganância, os escândalos, as brigas políticas e as traições. E em traição o suíço está mostrando que é PhD.

Traição à parte, se houve corrupção para a escolha das sedes de 2006, como insinua o próprio Blatter, 2018 e 2022, a apuração tem de ser agora. E os responsáveis punidos. Inclusive quem chefia a Fifa, que deveria se afastar do cargo para as investigações poderem correr melhor.



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