O limite é…



Outro dia conversava com um amigo sobre a essência e a filosofia dos esportes. Ele dizia não entender o porquê de o mundo parar para ver 22 jogadores correndo atrás de uma bola, como se aquilo fosse questão de vida ou morte. O mesmo vale para uma Olimpíada, onde o objetivo talvez seja superar os próprios limites, ou os limites do homem. Alcançar a sonhada _e talvez inatingível_ perfeição.

Como dizem alguns o esporte (e o futebol, em particular) não é a coisa mais importante do mundo, mas certamente é a mais importante entre as menos importantes. Será? Para alguns, talvez.

Pensando nisso e diante da proximidade dos Jogos Olímpicos, que começam semana que vem, deparei-me com um texto de Fernando Sabino que tratava de natação. Ele dizia: “Havia algo de silício naquela longa e obstinada mortificação do corpo para conquistar a vitória. Ou era a simples vaidade humana de ser um animal veloz? Participar de uma disputa (…) para conquistar alguns décimos de segundo? Tudo isso para quê?”

O texto faz parte do livro “Gente”, do próprio Fernando Sabino, lançado em 1975. De lá para cá o esporte ganhou muita força, força econômica, inclusive, e tornou-se lucrativo negócio para alguns. Mas a questão levantada pelo escritor continua. Pois como ele mesmo já dizia “enquanto houver progresso na ciência, haverá progresso na natação”. Pode ser. Mas qual o limite? Sinceramente não sei. Não tenho resposta, como não tenho resposta pra tantas outras questões. Só perguntas.



  • Alexandre

    Essência do esporte de hoje é $$$. Direitos de TV, venda de produtos, ser humano passou a ser secundário nisso tudo. No Brasil as Olimpíadas vão ser Sportv x Record. Sportv vai com quatro canais e deve ganhar a disputa. Record não tem muita tradição em esporte. Novidade vai ser Globo sem Olimpíadas. Quero ver do que que ela vai falar.

    • janca

      Acho que a questão é mais abrangente, Alexandre. Esporte virou negócio, mas ainda é algo maior do que apenas cifrão ou cifrões, como você colocou. E uma coisa é audiência em TV aberta, só a Record tem os direitos para o Brasil, outra é audiência em TV por assinatura.

  • Tato I

    Na minha visão o esporte deveria ser uma grande festa de confraternização. Tragicamente o ser humano é muito competitivo, e, via de regra, desprovido do “espírito esportivo”. Na antiguidade acho que as olimpíadas também eram usadas, ainda que subconscientemente, para uma nação se mostrar, tentar se impor, se achar superior a outra. É claro que o esporte precisa do capital, é claro que o esporte consegue gerar lucros e visibilidade para várias marcas por aí. Porém não podemos misturar as coisas (primeiro o esporte, depois a promoção das marcas). É claro que o maior adversário de um atleta de modalidade individual é ele mesmo, seu próprio limite. Quando ele se supera está também superando os outros ou se aproximando deles.

    • Tato I

      Agora o “por quê” disso tudo eu não sei. Desde sempre nós estamos nos testando, subimos montanhas com ar rarefeito, mergulhamos a centenas de metros de profundidade, alçamos vôos em asas delta e similares, quebramos a barreira do som, enfretamos nossas fobias, e uma infinidade de coisas. Para alguns os desafios à morte intensificam a sensação de viver, outros amam a “adrenalina” o prazer. É muito estranho esse tal “bicho homem”.

      • janca

        Oi Tato. Sobre sua primeira colocação, aproveito para lembrar do uso que os nazistas tentaram fazer dos Jogos de 1936, em Berlim. Ou seja, não é de hoje que há um uso político dos Jogos, no passado também havia, inclusive na Antiguidade, como você citou. Como há até hoje e houve em Pequim-2008, aliás a China não foi escolhida por acaso. Com um mercado consumidor de quase 1,5 bilhão de pessoas… Já sobre sua segunda colocação é bem interessante mesmo e tem muita relação com algumas colocações que o próprio Fernando Sabino fazia no texto que citei, aliás é um livro interessantíssimo e que eu não conhecia.

  • Felipe Lima

    Quanto à questão dos limites humanos, creio

    • janca

      Você crê…

    • Felipe Lima

      OPS! Enviei sem concluir!

      Quanto à questão dos limites humanos, creio que já estejamos próximos deste limite. Vide a quantidade de atletas de alta performance que estão com problemas de saúde e até os que faleceram durante um treino ou competição. O corpo humano não está preparado para certas solicitações, e nos avisa com a dor. Mas, na ânsia de superar esta dor, o atleta simplesmente ignora e/ou faz esforço extra. Alguns até pela tal da “adrenalina”, outros pela glória e fama que podem alcançar ao serem considerados “os maiores”! Mas, de certa forma, vale a pena tanto extra-esforço? Assim como um carro, se forçar além da conta, ele simplesmente abre o bico e pára de funcionar.

      • janca

        Sabe que não tinha pensado sob este ponto de vista? Veja no atletismo, o ser humano acaba avançando sempre, nem que seja um milésimo de segundo. Na natação idem. Sem falar que há grande luta contra o doping, mas também cada hora inventam uma nova “modalidade” de doping, até o doping genético. Por isso realmente não sei aonde está o limite, Felipe. Mas que esporte de alto rendimento não é sinal de saúde, não é. Ou melhor, atletas de alto rendimento muitas vezes têm sérias lesões e sacrificam o próprio corpo em busca de resultados melhores.

  • Hail Corinthians

    Janca, por que a imprensa não critica o corrupto do Nuzman e a sua corja de pilantras do COB, que enriquecem com dinheiro público e atrasam o esporte em massa do Brasil?

    Com exceção da ESPN e de alguns blogueiros, não vejo mais ninguém cobrar o fim da impunidade e mudanças no COB. A imprensa e o governo estão comprados? A Dilma não fará nada?

    Já investigaram o patromônio do Nuzman antes e depois do COB?
    O Nuzman já explicou o superfaturamento do PAN?
    E os salários acima de 100 mil reais pagos pelo COB com dinheiro público?
    O Nuzman já completou 70 anos e não larga o osso.
    O que deram os depoimentos no congresso?

    O Nuzman não disse que iria transformar o Brasil em potência olímpica? Vejamos os resultados:
    Atlanta 1996 – 15 medalhas (3 de ouro)
    Pequim 2008 – 15 medalhas (3 de ouro)

    O Nuzman é pior que o Ricardo Teixeira, se a nação tivesse vergonha na cara, boicotaria as Olimpíadas.

    • janca

      O Nuzman praticamente não tem oposição e o COB chama menos atenção da mídia e do público em geral porque o Brasil ainda é o país da bola. Talvez depois da Copa de 2014 e com os olhos voltados à Olimpíada no Rio a administração do Nuzman fique mais em foco. Eu tenho pregado rotatividade no poder, inclusive no COB, escrevi várias vezes sobre isso. Acho que o exemplo do Pan foi o pior possível, com orçamento multiplicado por dez e legado reduzido. Não vejo nem imprensa nem governo comprados pelo COB, pelo contrário, o COB que depende do governo para existir, ao contrário da CBF. Mas as denúncias que pesavam contra o Ricardo Teixeira não pesam contra o Nuzman, então são casos diferentes. O que questiono é a estrutura. Ninguém consegue tirá-lo do poder, o COB, a meu ver, virou uma monarquia e neste sentido fica muito difícil pensar em uma potência olímpica, mesmo com os Jogos de 2016 por aqui.

      • Hail Corinthians

        Só não entendo porque a imprensa não critica o Nuzman e a corrupção no COB como faziam com o Ricardo Teixeira. Só pode ser rabo preso. Praticamente só a ESPN critica e exige mudanças.
        A ESPN fez até um documentário chamado “Brasil – uma candidatura passada à limpo”.
        E o Sr. Alberto Murray (do COB) é um dos poucos que prestam lá dentro e que exige mudanças, inclusive prestou depoimento no congresso falando da corrupção.
        O blog “Alberto Murray Olímpico”diz muito sobre a corrupção do COB e do Nuzman.

        http://albertomurray.wordpress.com/

        • Hail Corinthians

          Sr. Alberto Murray (do COB) sobre os altos salários pagos com dinheiro público:

          “Um dos erros mais graves do Comitê Olímpico Brasileiro foi inflar a valores estratosféricos a sua folha de pagamentos. Já provamos e comprovamos que cerca de metade do que arrecada o Comitê Olímpico, é gasto em sua própria burocracia. E, por essa razão, sobra menos para as Confederações, para os atletas.

          É uma inversão de valores o dinheiro público sustentar salários muito altos de seus executivos, com dinheiro público, muito mais do que ganham a Presidência da República, Ministros de Estado, Ministério Público, Magistrados e Procuradores.

          Um Comitê Olímpico que vive de dinheiro do povo para satisfazer seus próprios caprichos, não pode se dizer, juridicamente, entidade privada. Perde essa condição, do ponto de vista legal. E mais do que isso, vários de seus serviços contratados com terceiros, também pagos com dinheiro do povo, tais como jurídicos, consultorias, contábeis e outros NÃO são feitos por licitação pública, como os obriga o Decreto regulamentador da Lei Piva.

          É certo que agora o Comitê Olímpico Brasileiro colocará seus lobistas e serviçais para abafar esse escândalo, no Congresso Nacional e na imprensa. Mas que eles não sucumbam às pressões implacáveis da trupe do Comitê Olímpico Brasileiro. Que a imprensa denuncie esse fato. E que as autoridades competentes investiguem”.

          • Hail Corinthians

            http://albertomurray.wordpress.com/
            Os Estafetas de Imprensa de Carlos Arthur Nuzman.
            maio 8, 2012

            Já escrevi aqui sobre esse assunto. Tirando o bom salário que deve receber, muito acima da média de seus colegas de jornalismo, ser assessor de imprensa de Carlos Nuzman deve ser o fim da picada. Fico na dúvida se a assessoria de imprensa de Nuzman realmente acredita no que seu patrão diz, ou se apenas exerce o ofício porque todos nós precisamos trabalhar. Assim, eles tapam o nariz e engolem o sapo. Não é possível que o desejo de um jornalista seja cercear o próprio livre arbítrio e a independência de opinar livremente, sob qualquer tema.

            Quando fui falar no Senado Federal, naquele dia famoso em que Orlando Silva e Carlos Nuzman fugiram do debate comigo, havia um desses assessores de imprensa de Nuzman que ficou o tempo todo assitindo a tudo. De vez em quando se sacudia na cadeira do fundo e murmurava qualquer coisa, sempre que se imputava ao seu chefe e ao COB alguma culpa pelo estouro no orçamento dos Jogos Panamericanos Rio 2.007. Resmungava ele que a culpa do “orçamento muito flexível” não era do COB, nem do Co-Rio, mas dos níveis de govermo, como se as duas entidades “privadas” não estivessem envolvidas até a alma com a organização daqueles jogos.

            Eu olhava para o fundo da sala e sentia pena daquele assessor de imprensa, ávido em anotar tudo para depois, provavelmente, relatar tim tim por tim tim ao patrão. Pensei que um dia aquele profissional da imprensa ingressou na faculdade e sonhou ser livre, desapegado de interesses, para escrever, falar, noticiar segundo os fatos reais e dando a própria opinião sobre as coisas. Imaginava quão frustante não deveria ser para aquela pessoa estar ali, em uma audiência pública no Senado Federal, servindo não como jornalista, mas, talvez, como um cão de guarda de seu dono. Ele, jornalista, tolhido, encuralado, não poderia sair dali com opinião própria. Não lhe seria possível expressar sua opinião. Teria que rezar pela cartilha de quem lhe paga o alto salário. Vale a pena um jornalista sacrificar sua carreira para bem servir a um senhor e defender publicamente posições extremanente polêmicas? Qual é o grau do desgaste da imagem que sofre um profissional como esse? Qual é a credibilidade que esse jornalista terá quando deixar o posto, ou for demitido? Para mim, aqueles jornalistas que em algum momentos serviram aos generais da ditadura, ficaram com um indelével carimbo na testa.

            Também já disse que na estrutura de poder do Comitê Olímpico Brasileiro existe uma rigorosa fiscalização de tudo que sai publicado contra a entidade. Há umas pastas em que se guardam artigos que referenciam aqueles que, segundo as suas próprias avaliações, são contrários ”ao regime”. Quando falei isso (as pastas de fato existem!), Nuzman processou-me. E perdeu (processe de novo!). Quando um jornalista escreve algo que desagrade ao dono do COB, não demora para que esse jornalista receba um convite para visitar a entidade, com as despesas de passagens devidamente pagas. Os bons jornalistas não se furtam à visita. Vão no rastro da notícia, da investigação. Mas não aceitam receber as passagens do COB. Pagam as suas despesas. E esses mesmos bons jornalistas saem dessas visitas cada vez mais convictos de que o COB está muito mais preocupado em organizar eventos, construir grandes obras, pagar alta folha de salários, do que incentivar a prática desportiva no Brasil. Claro que também devem haver jornalistas desfrutáveis, que se deixam seduzir por um faustoso almoço em algum restaurante caro. Quando isso ocorre, talvez o assessor de imprensa respire aliviado e pense: “Ufa. Missão Cumprida.”

            Nuzman muitas vezes, antes de falar alguma coisa em entrevistas, olha para a sua assessoria de imprensa, como quem pede o consentimento para respnder àquela pergunta. Vocês que entrevistam o Nuzman, reparem nisso. Fico aqui pensando que ele e seus jornalistas assessores ficam dias e dias ensaiando expressões, caras, sorrisos, olhares, tudo para, no mundinho deles, cultuar a “boa imagem do líder”. Acho que esse trabalho não tem dado muito certo, vez que o COB e sua gente só tomam pauladas.

            Ser um assessor de imprensa desse jeito, a pessoa está mais para estafeta, guarda costas, do que para exercer o trabalho jornalístico em sua plenitude.

          • janca

            Não é questão de corporativismo, mas tem muito assessor de imprensa do COB extremamente competente. Quem sou eu para julgar o trabalho deles? A imprensa que tem de ir atrás do que está errado no COB e colocar o dedo na ferida. Aliás, ao contrário da assessoria da CBF, que nunca funcionou direito, a do COB funciona. Mas posso dar um depoimento pessoal. Fiz várias matérias que desagradaram ao “dono do COB”, como você diz, e nunca visitei a entidade com despesas pagas pelo comitê. E nunca recebi tal convite. E mesmo fazendo matérias contrárias ao COB e ao próprio Nuzman um mérito reconheço nele. Respondia as questões, dava a cara a bater, mesmo que não gostasse do que era escrito. E muitas vezes não gostou. Sigo crítica à gestão do Nuzman, favorável à mudança na estrutura do COB e da CBF, porque do jeito que está temos a fabricação de “Nicolás Leoz” nas duas entidades, o presidente vitalício da Conmebol.

          • janca

            Acompanho o blog do Alberto Murray, de quem sou amigo, e acho incrível ele colocar o dedo na ferida. O COB vive prioritariamente de dinheiro público e deveria tentar, principalmente com os Jogos de 2016 em vista, procurar mais recursos da iniciativa privada e não mamar nas tetas do governo. Com meu, seu, nosso dinheiro. Concordo com isso. E é sério o ponto em que o Alberto Murray aborda a questão da licitação pública. Agora que estamos às vésperas dos Jogos de Londres e em seguida teremos Jogos no Brasil é hora de mexer a fundo nessas questões todas.

        • janca

          Amigo corintiano, continuo insistindo que um dos fatores para os holofotes sempre terem ficado mais ligados na CBF do que no COB é pelo interesse despertado pelo futebol. O Brasil sempre foi fraco nos chamados esportes olímpicos, o país não tem uma política esportiva, uma política olímpica, digamos assim, até hoje, mas não há denúncias contra o Nuzman como havia contra o Teixeira _contra o Teixeira eram abundantes. Na época em que trabalhei na “Folha” e mesmo depois fiz várias matérias críticas ao COB, conheço o Alberto Murray, um sujeito por quem tenho o maior respeito, e lamento que seja uma voz quase solitária no mundo esportivo. O COB, como a CBF, controla as confederações, quem está no poder pode ficar eternamente por lá, mesmo que seja participante de um Pan que considero um escândalo em termos de estouro de orçamento e de legado, a meu ver, reduzido, que o próprio LANCE! já alertara que terminaria assim. Vide matéria “Querida, Encolhi o Pan”, numa das edições da revista A+ de 2005.

          • Hail Corinthians

            Parabéns Janca pela sua coerência, visão dos fatos e interação aos fatos.
            Como você disse, o Sr. Murray é um dos poucos que levantam essa bandeira, juntamente com a ESPN e alguns blogueiros.
            Na minha opinião, a imprensa está longe de fazer papel de imprensa. Claro que há exceções.
            Abraços…

          • janca

            E concordo com você que no caso da cobertura do COB e da condução da Olimpíada, como já acontecera com a condução do Pan, e dos chamados esportes olímpicos no Brasil a imprensa está longe de exercer bem seu papel. Você tem razão neste ponto. Abs.

          • Hail Corinthians

            E o “dono” do COB anda se achando “dono do Rio” e também dono do esporte da nação.

          • janca

            E é uma lástima ter a complacência do governo municipal do Rio. E também do estadual e da própria União, que não para de bancar o próprio COB, uma entidade que funciona como se fosse privada, mas adora ser irrigada de dinheiro público. E sem ele não existiria.

  • adams

    Essa é uma boa questão… Já me peguei perguntando pq eu me importo tanto com situações q DIRETAMENTE, não me dizem respeito… Já me peguei vendo, torcendo por atletas, q eu nem conheço, ou virei a conhecer, ou me importo particularmente… Isso é a essência do esporte: torcer por alguém, em algum lugar, q vai fazer algo q eu gostaria ou não tenho condições de fazer. Ex.: Se Usain Bolt disser, q em Londres fará 9,50″ nos 100 mts, o mundo todo irá parar, pq seria um feito ‘cientificamente’ (por alguns) IMPOSSÍVEL (o recorde é 9,56″). Mas o sentimento mundial faríamos parar para ver, torcer por ele. E no fim lembraríamos de Sabino: “Tudo isso para quê?” rs… abs Janca.

    • janca

      Pois é, Adams, muitas vezes também me faço as mesmas perguntas que você. E esporte não deixa de ser uma forma bem bacana de lazer. Gosto de torcer por recordes, em caso de Olimpíada, gosto de torcer muitas vezes pelo mais fraco, acho que esporte mexe também com a paixão humana, com superação, com a possibilidade de se dedicar um pouquinho mais, muitas vezes serve como exemplo, seja do que fazer, seja do que não fazer… Abs. e boa tarde de quarta pra você, Janca

  • Rodrigo

    Acredito que o esporte guarda aquele negócio de “o importante é competir”. Mas, por que é importante? Por que cada esporte, quando se quer vencer, acaba desenvolvendo uma característica sua. Pra vc jogar bem futebol, tem que ter confiança no cara que tá no seu time, assim como ele em vc. Se o Gérson não confiasse no Pelé, será que ele lançaria aquela bola pra ele matar no peito dentro da área? E se o Pelé não confiasse no Gérson, será que ele se posicionaria lá? No Tênis, vc acaba trabalhando muito a concentração, o autoconhecimento, a ser frio. Cada esporte tem aquela característica com que nos identificamos mais. Daí a importância da derrota, que mostra que vc ainda tem o que evoluir. Agora, quando o cara se dopa, trapaceia, joga sujo para vencer, o importante acaba sendo a vitória, e não a evolução até ela. Penso por aí, apesar de ser notório hoje vivermos em uma época de espetacularização das coisas, então o que vale é a medalha, os contratos etc., o processo de chegar até lá acaba ficando meio de lado.

    • janca

      É, Rodrigo, você fez uma boa distinção, aquela entre o esporte coletivo e o esporte individual. E nos dois tem muito de psicologia humana também. O trabalhar em grupo, o aprender a se concentrar, a ser frio, como você colocou. Acho que é por aí mesmo. Abração, Janca

  • Janca, eu posso dizer por mim mesmo, como jogador que sou de xadrez, pôquer e outros jogos: o jogador joga pelo simples prazer de superar o adversário. Superar recordes e ganhar competições fazem parte do orgulho do jogador. E nunca ficava satisfeito, porque sempre achava que poderia jogar ainda melhor.

    E isso também faz parte do torcedor. Ele não está em campo ou em quadra, mas ele não estaria torcendo se não houvesse alguém contra quem competir e depois vangloriar-se.

    Essa história de “o importante é competir” é apenas um discurso vazio. Quem entra em campo quer ganhar e poder exibir a vitória. E se os esportes crescem, é justamente porque há alguém a ser superado.

    A Espanha tornou-se campeã do mundo no futebol porque seus rivais já tinham conquistado. O mesmo vale para o Corinthians, campeão da Libertadores. Sem dúvida, o título não teria o mesmo gosto para eles se seus principais rivais não tivessem sido campeões antes.

    A competitividade é o que chama torcida, patrocinadores e tudo o mais.

    • janca

      Pode ser, Rodrigo, mas quantas vezes você não viu um time que não é campeão entrar na história e ser mais badalado do que o que ganhou o título? Veja o caso do Sócrates, por exemplo, que nunca foi campeão mundial e jogou numa das seleções do Brasil mais comentadas de todos os tempos, a de 1982. Acho que um dos ingredientes para isso é encantar, mexer com a emoção, algo que aquela seleção fazia, a de 1994 já nem tanto.

  • Emerson Luiz Fonseca

    O esporte é o que diferencia o ser humano dos outros animais. O homem compete para seu ego, o animal pela sua existencia. O esporte é “alimento” que só o homem conhece, por isso é o que é.
    O homem desfruta deste alimento desde os primordios.
    O esporte é tão antigo quanto o homem, esta é sua importancia. valeu.

  • Luiz Fernando

    Janca,
    Está na natureza humana ser competitivo, vide Caim e Abel, Davi e Golias, entre outros casos que temos relatos.
    O esporte prende a nossa atenção justamente por isso o ser humano é competitivo e isso nos faz torcer, vibrar e nos imaginarmos nas situações em que os atletas estão…Não por inveja e sim por sentirmos que se fizermos bem feito e com perseverança podemos superar obstáculos. Quais são estes obstáculos eu não sei te responder, mas uma coisa é certa, a cada geração (isso você pode colocar 10 ou 15 anos) o ser humano melhora seu biotipo e suas condições de saúde e preparação física, o que nos leva a um resultado melhor. Isto prova que as espécies evoluem e ficam melhores a cada geração.
    Abraços.

  • Emerson Luiz Fonseca

    O esporte pode ser visto como vetor da evolução humana, mais alto,mais rapido,mais forte.
    O conceito do esporte é imutavel,o homem se torna mutante.

  • Willy Milane

    Eu tenho a resposta. O esporte hoje, acima de tudo, serve para o eniquecimento de quem o pratica profissionalmente e para seus agentes e clubes? Sim e isso já se transformou em comércio e, por isso, é lamentável, mas ao mesmo tempo é saúde e lazer para quem pratica e para quem assiste e torce por seus atletas favoritos de áreas diversas e, inclusive, os clubes de futebol. Na parte boa que é o esporte por si só que proprociona saúde e lazer, por que não torcer? Enfim, o esporte foi criado pelo homem e por isso tem seu lado bom e o ruim. Cabe a cada um saber aproveitar da melhor forma e ignorar ou não o lado podre disso tudo.

  • Delegado Jair

    O progresso só é atingido com pessoas qualificadas, competentes e esforçadas. Pego como exemplo a grande massa corintiana, você que é possível atingir algum progresso num país onde tem 20 milhões de corintianos? Evidente que não. Os corintianos são, por natureza, vagabundos. Buscam no crime uma forma de sustento pois não são muito chegados a trabalho. Não são também muito familiarizados com os estudos, preferem viver e morrer analfabetos. Falo com isso com conhecimento prático. Foram 25 anos trabalhando como delegado e cansei de prender corintiano. Eles mesmo me confessavam que jamais abririam mão de roubar pra se sustentar, pois trabalhar não fazia parte do cotidiano deles. Além de tudo, é uma torcida que ve seu time roubar e roubar e roubar. Dentro e fora dos gramados. Um clube corrupto que se vende por qualquer dinheiro sujo. Já teve negócios até com a máfia russa. Agora ganham um estádio com dinheiro que é do povo. O clube é corrupto e sujo por natureza, a torcida, não muito diferente, é composta por criminosos e analfabetos. Como prosperar num país assim? Impossível.

    • janca

      Sem comentários, “delegado”. Você deve estar brincando…

    • janca

      Aliás é “delegado” Jair ou Jairo, como você colocou no seu e-mail?

      • Hail Corinthians

        Deve ser delegado da zona em que a mãe dele trabalha.

        • Hail Corinthians

          Com certeza à noite deve ser Jacira.

  • Adalberto Franco

    Pelo que tenho visto nos ultimos jogos olimpícos o atleta tem evoluido muito em todos os esportes para a busca de novos recordes, e pricipalmente aos vencedores que ganham status, fama e dinheiro cito Cesar Cielo, hoje está no topo da natação e também rico e famoso, isso é meritos dele porque ele treina bastante todos os dias e assim é a vida de todos atletas mas poucos chegam lá. Quanto ao futebol nosso país respira esse esporte porisso é que ainda não somos um país olimpíco, quem sabe daqui mais alguns anos esse quadro mude. Boa Tarde Janca.

  • Vaz

    Na natureza, basta olhar e o que se vê é a luta pelo domínio do grupo , da demonstração de força, domínio territorial que é o que preserva as espécies. Conosco (ainda somos animais) o instinto de defesa e de poder é igual. O esporte é a forma civilizada (as vezes nem tanto) de satisfazermos este istinto que inconcientemente ainda está presente. Nos vemos no lugar dos atletas, encaramos aquilo como vida ou morte, se perdem, ficamos p da vida, achamos que a pátria perdeu, a coisa é pessoal, aquela coisa de brios feridos e vontade de ir lá e derrotar o adversário, como ousa ser melhor do que nós, bate aquela coisa territorial. O animal humano ainda presente na sua forma mais primitiva quando vemos o comportamento de alguns componentes de torcidas uniformizadas.

    A grande contribuição dos gregos e dos jogos Olímpicos da antiguidade(e berço da prática de esportes) e válido até hoje, foi o de proporcionar a sujeitos sem qualquer relevância em sua sociedade atingir a glória e o reconhecimento através da competição (que não deixa de ser uma forma de batalha), a cidade venceu e se sente poderosa (hoje a pátria) e o sujeito conquista “privilégios” e boa vida, sem o que não teria conseguido. Ou seja a glória já naquela época aliado a “grana”
    Atenção: apesar de ganhar apenas uma coroa de louros, em sua cidade, o cara virava Deus e recebia todas as mordomias pelo resto da vida, portanto aos inocentes que acham que antigamente o sujeito competia pela pátria, pelo amor ao esporte, lamento decepcioná-los isto nunca aconteceu. Os caras já naquela época queriam ganhar pelo status, sair do lugar comum e conquistar mordomias para o resto da vida. Viravam deuses e a única diferença é que não havia ainda os tais procuradores de hoje em dia.
    Porque diabos acham que alguém vai ficar se arrebentando todo dia, dormindo cedo, acordando ídem, pegando ônibus com dinheiro contado as 4 da matina para treinar, cheio de regimes, dores, controles, sem vida própria para o que? Glória da pátria ou do time enquanto os outros estão no bem bom? Isso nunca existiu.O negócio é a fama, dinheiro e tudo mais que vem junto.
    Hoje só mudou a escala. A coisa já ultrapasou o local (como no início) e transformou os vencedores em “hiperstars” em escala global.
    Quanto ao fato de um atingir um grau de reconhecimento maior ou simpatia, vai do carisma pessoal e um fator que hoje em dia é poderoso, a capacidade de usar a mídia. Alguns tem isto instintivo (como Sócrates por exemplo), muitos aprendem e outros não o conseguem.

    • janca

      E o esporte não deixa de ser, como a música, por exemplo, as artes, enfim, importante instrumento de inserção social, o que também merece ser ressaltado.

  • nilú

    O único limite, na verdade é a morte!!! Todos os outros podem com vontade e empenho ser ultrapassados…

    • janca

      Mas sabe que eu fico me perguntando, Nilú, sobre ultrapassar alguns limites, a que preço? E com qual custo? Boa quinta pra você, João

      • nilú

        João, eu disse que só a morte limita, me referindo ao corpo, ao atleta que sempre procura dar o máximo de si, a alguns, por uma” fatalidade”, falta de um acompanhamento médico sério, vão além do que poderiam aguentar e acabam morrendo, bem jovens até.
        Mas acho que não me coloquei com clareza.
        E nesse caso o custo, preço, é altissimo, a vida.
        Quanto a outros limites, ultrapassa-los, vai de cada um…
        E a possibilidade de falhar, errar, ir além do permitido, também se encontra presente, só que não morremos…aliás, morremos sim, de vergonha_rs, as vezes.
        “Não ultrapasse o limite da cerca”, está aí um tipo de limite que tem que ser respeitado…rsrs.
        Bom fim de quinta. Nilú

        • janca

          Obrigado, Nilú, pra você também _quer dizer, uma ótima sexta, pois a sexta está quase aí_ e agora sim acho que entendi melhor o que você quis dizer, João

  • inFLUente

    Jean Marie Havelange merece mais respeito, pois fez muito pelo futebol mundial, principalmente, quebrando o eixo Europa-América com a inserção dos países africanos na Copa do Mundo. Até hoje os africanos enaltecem Havelange.

    • janca

      O que não justifica eventual recebimento de propina em parceria com o ex-genro.

MaisRecentes

Verdão vai às compras



Continue Lendo

Contas corintianas



Continue Lendo

Timão em 2018



Continue Lendo