Construção de hotéis



Representantes das 12 cidades que receberão jogos da Copa de 2014 devem se encontrar em setembro para uma avaliação do número de novos leitos disponíveis em hotéis até o início do evento.

As três que mais estão investindo no setor hoteleiro são São Paulo, Rio e Belo Horizonte, mas ainda não há uma previsão sobre o montante de projetos que estarão finalizados até 2014. Em BH devem ficar estar disponíveis 15 mil novos leitos. No Rio, 18 mil. Em São Paulo, 20 mil.

Em Minas houve flexibilização da legislação para favorecer a construção de hotéis, mas um terço dos projetos acabou não sendo licenciado porque não teria condições de ficar pronto até a Copa. Depois do Mundial a ideia é transformar a capital mineira em sede do chamado turismo de eventos do Brasil, concorrendo com Rio e São Paulo. O problema é que as outras nove sedes tem o mesmo objetivo para assegurar a ocupação de seus hotéis.

No encontro previsto para setembro esse tipo de discussão, além de uma política nacional para o setor, estará em pauta. Pena que só agora, a menos de dois anos do início do torneio.



  • Cássio

    Ministério do Turismo tinha de pensar sobre isso em 2007, quando Brasil foi escolhido sede, não em 2012, às vésperas da Copa das Confederações. Cidades como Natal, Manaus e Fortaleza têm um potencial turístico que se esgota e é difícil que virem centros de turismo de negócios. Belo Horizonte competir com São Paulo não é fácil. Falta uma política sincronizada, mas se você se lembrar bem o Turismo da Marta Suplicy (e do pessoal que ela deixou por lá) estava preocupado com as denúncias de corrupção, monte de gente presa, desvio de verba, acha que temos política de turismo no Brasil? Nunca tivemos. Temos potencial, não temos política, Janca. Abraço, Cássio

    • janca

      Concordo que tudo isso deveria ter sido visto lá atrás, Cássio, mas como não foi, pelo menos não como deveria ter sido, que agora tentem fazer um plano nacional para o setor tendo em vista a Copa de 2014. Abs. e boa semana, Janca

  • Alexsander

    Caro Janca,
    Fico muito triste com algumas das colunas que vc publica por aqui. Calma que não é por conta da qualidade das mesmas (são sempre ótimas) mas sim por conta do conteúdo delas. Eu não tenho dúvidas que o Brasil fará uma grande Copa do mundo e as olpimpiadas também serão muito boas, mas a que preço? Esses atrasos nas obras e essas aprovações tardias de projetos na verdade são uma maneira de liberarem ainda mais dinheiro público, aumentando a corrupção e o desvio do dinheiro dos nossos impostos.
    É realmente uma vergonha passarmos por situações tão vexatórias quanto essas onde tentam nos fazer de idiotas. A vontade que dá é de não continuar a financiar essa palhaçada, ou seja, não pagar mais nenhum imposto, mas isso é impossível pois já estão incluídos nos valores dos produtos e os que não estão se deixarmos de paga-los nossa vida vira de pernas pro ar.
    Desculpe esse desabafo mas é incrível como eles fingem que enganam e nós fingimos que somos enganados.
    No mais eu quero parabenizar a vc pelo seu trabalho, sempre acompanho as suas colunas e sou um grande fã delas apesar dessa ser a primeira vez que publico algo nesse espaço.
    Grande abraço

    • janca

      Oi Alexsander, obrigado pelos elogios e pelo comentário. Parece mesmo uma tragédia anunciada, a velha história, que você bem cita aí, de deixarmos tudo para a última hora, o que acaba fazendo os preços subirem e alguns ganharem muito com isso, enquanto nós, contribuintes, vemos o dinheiro que pagamos em impostos indo para o espaço. Ou para a conta de empreiteiras, por exemplo. Denúncias não faltam. É mesmo uma lástima. Abs. pra você e uma boa semana, Janca

  • Tiago

    Aqui no Rio taxa de ocupação de hotéis fica perto dos 90%. Isso mostra que setor tem carência de quartos. Fizeram albergues em Botafogo, Copacabana e Ipanema que estão sempre cheios. Até as Olimpíadas devem fazer mais empreendimentos. Abraço

    • janca

      Até já tratei disso aqui. Albergues, hotéis-contêineres e outras opções baratas de hospedagem, especialmente em cidades como São Paulo e Rio mas também nas praias do Sul e do Nordeste, são fundamentais para um país que quer desenvolver o turismo. Inclusive o interno. Que é para todos os bolsos. Ou pelo menos deveria ser.

      • Tiago

        Vc. não falou dos elefantes brancos em alguns estádios. Vai ter cidade com estádio pra 60 mil pessoas desocupado o mês todo ou com jogo pra público de 3 ou 5 mil torcedores no máximo.

        • janca

          Já tratei disso sim. Mas no caso do setor hoteleiro normalmente os investimentos são privados. No caso dos estádios pra Copa, mesmo os de clubes privados, não.

  • Luiz Fernando

    Janca,
    Acompanho seu blog e sou um grande fã seu!!
    O Brasil tem o seu “jeitinho” próprio de fazer negócios e politica (não estou dizendo que não ocorra em outros países do mundo, mas aqui é muito aberto e franco!!). Concordo com os três leitores que escreveram anteriormente. Podemos reduzir tudo a uma pequena frase: “Falta de planejamento”. E isto não ocorre só no setor público, conheço empresas privadas de pequeno e médio porte que não tem um minimo de planejamento.
    Trabalho na área de planejamento estratégico de um grupo privado e procuro sempre responder a duas perguntas básicas que um ex-diretor meu sempre brincava: “Onco tô?” e “Pronco vô?”, isto é, “Onde estou?” e “Para onde vou”, sempre tentando fazer cenários de curto, médio e longo prazo.
    Em resumo, isto me deixa pu…. da vida a final quem trabalha com isso sabe como é importante fazê-lo bem feito.
    Abs.

    • janca

      Oi Luiz Fernando. De fato é uma pena não terem feito um mínimo de planejamento seja para a Copa, seja para a Olimpíada, pois assim acabamos repetindo o exemplo do Pan de 2007, cujo orçamento acabou multiplicado por dez e o legado, reduzido a quase nada. Valeu pelo comentário, grande abraço, Janca

  • Adalberto Franco

    Janca, mais uma vêz estamos vendo o famoso jeito brasileiro, é abençoada mania de deixar tudo para a ultima hora, isso só funciona aqui no resto do mundo é diferente você já esteve lá fora sabe como a coisa funciona, principalmente nos paises do primeiro mundo onde em qualquer evento primam pela organização, parece que aqui estão esperando as coisas cairem do céu para poderem tomar alguma iniciativa. Fora isso existem obras super faturadas, propinas e etc… Depois quando falam que o Brasil, não é um país sério nós temos que engolir por causa de uns poucos corruptos que enlameam o nome do nosso país. Boa semana prá você.

    • janca

      E deixando as coisas para a última hora a tendência é que elas fiquem mais caras, Adalberto. Tem gente que ganha com isso, tem gente que perde. No caso, o contribuinte, claro. Abs. e ótima semana procê também, Janca

  • Roberto Jr.

    O que ninguém comenta é a nossa idolatrada “iniciativa” privada, que não tem iniciativa nenhuma… Um monte de oportunidades, dinheiro disponível no BNDES… e nenhum grupo nacional se interessa, apenas alguns grupos multinacionais que não são suficientes para cobrir a demanda gerada na copa.

    Mas é isso aí, o governo aprece que não conhece os “capitalistas” brasileiros, que não sabem o que significa lucro a curto prazo, acham que investimento em pesquisa é dinheiro jogado fora (mais barato comrpar coisa pronta da China e revender, ou colocar o dinheiro em aplicação financeira…), morrem de medo de riscos em investimento (preferem guardar dinheiro embaixo do colchão a se arriscar) e não sabem, nem querem saber, o que é competição por mercado: pra que competir, se podem montar cartéis e venderem produtos e serviços a preços escorchantes, como montadoras de automóveis, bancos, etc. fazem?

    O governo vacilou, sim. E a nossa iniciativa privada tá bem feliz em ser “dona de boteco”, pra eles tá ruim, mas tá bão!

    • janca

      Oi Roberto. Em relação a suas críticas à nossa iniciativa privada, muitas vezes de fato com uma bela mão do BNDES, acho que tem toda razão. Como também acho que tem razão quando cita montadoras, bancos, não só os daqui, mas os de fora também, a coisa anda feia no nosso planeta…

  • vaz

    Aproveitando o gancho, como fica a segurança pública? Venho acompanhando a tempos esta matéria e não leio quase nada sobre o assunto. Deveríamos ter começado a muito tempo a criar e implementar em nossas cidades e estádios um modêlo de politica de segurança, equipamentos, treinamento e principalmente de cadastro e de processo legal contra arruaceiros e bandidagens em geral objetivando não só a Copa do Mundo (e o seu legado) mas nada disso aparentemente vem sendo feito.
    A politica de prevenção em eventos públicos é sempre a mesma, em vez de levar detido a meia dúzia de arruaceiros de sempre passam em meio a mulheres, crianças, idosos e torcedores de fato, jogando cavalos sobre as pessoas e atirando bombas de gás e balas de borracha além de pescoções, tapas, socos ou seja porrada mesmo. Alguém é de fato preso? Não. É a politica de dispersão e prevenção. Na dúvida, baixa o “pau”.
    Imaginem nossas cidades com torcedores estrangeiros, chegando escoltados pela policia e ficando acomodados em cocheiras, Ops! Setores separados, chegando antes e saindo depois, pois os arruaceiros de sempre e agora unidos por uma só causa querendo briga e apedrejando ônibus.
    A comemoração que são habituais e junta sempre os vencedores e perdedores para tomar uma cervejas como é tradicional em copas do mundo não serão permitidas(Ok! sempre a alguns beberrões violentos mas que terminam em cana e expulsos do país, e aí vai o preparo para agir só contra os baderneiros). Vamos dispersá-los com a habitual gentileza policial. Isto sem falar na bandidagem e arrastões nos bares e restaurantes (provocados pelos mesmos) trocando tiros com a policia na maior naturalidade.
    Deixaremos na última hora para comprar equipamentos de vigilância caros e com certeza ineficientes, elaborar sistemas e processos de prevenção na correria e as costumeiras ciumeiras entre PM, policia civil e PF, contratações de emergência regadas a muita grana e viagens mundo afora para “aprender” justamente quem não vai resolver nada e sim fazer turismo.
    Acredito que não teremos problemas maiores com hotéis (apesar da filosofia do “relaxa e goza” e da falta de visão de negócio do Ministério do Turismo) são empreendimentos privados e ninguém está neste negócio para perder dinheiro (concluir hotéis depois da Copa) mas o que é de responsabilidade pública…….

    • janca

      Oi Vaz. Que eu saiba haverá Fan Fests, sim, e a política de segurança deverá ser adequado, como o Brasil já fez na Rio-92, por exemplo. O problema é que deveriam pensar num plano de segurança pública que não se restringisse ao evento, mas que ficasse como legado também para a população, para nosso dia a dia, enfim. E isso não vejo sendo feito, ainda mais com os salários pagos a policiais, o mesmo servindo pra professores (educação está do jeito que está…) e médicos (saúde pública melhor nem comentar).

      • Felipe Lima

        Eu penso que isso nada mais é que a “Privatização” da Segurança! Estes dias eu estava assistindo TV e reparei num espaço de 15 min a quantidade de anúncios de rastreadores/bloqueadores de carros (uns 5 ou 6, não lembro ao exato). Todos com a promessa de “Segurança pra você e sua família”. Aí eu pensei: poxa, já não temos polícia militar, civil, federal, guardas municipais, pagamos seguro do automóvel, agora tenho que colocar um rastreador no meu carro (dependendo do local onde o carro for bloqueado, o serviço NÃO busca o mesmo – caso vivenciado por um taxista que conheço, que teve o carro levado e encontrado dentro de uma favela. Parece que a esfera pública está terceirizando a Segurança Pública, pois deve sair mais em conta para os cofres (nada) públicos!
        O mesmo pode-se aplicar à Saúde, em vista a quantidade de planos de saúde que existem. Não sou contra a existência dos mesmos (tenho dois por necessidade), mas eles crescem em demasia, em detrimento da saúde pública. Com os planos crescendo, a tendência é que as pessoas migrem para eles, e a Saúde Pública seja enviada de vez ao limbo!

        • janca

          Nem tinha pensado neste aspecto, mas talvez haja uma tendência à privatização da segurança, sim, que aliás, em geral, não tem dado certo. Mas acho que em jogos de futebol os clubes deveriam ser responsáveis pela segurança dentro dos estádios. O mandante, digo, deveria arcar com os gastos com segurança e se responsabilizar por eventuais “incidentes”, recorrendo à segurança privada, sim. Abs.

          • Felipe Lima

            Nesse ponto concordo com você, Janca. Mas aí entramos num pequeno problema: que tipo de poder teria uma equipe de seguranças privados num estádio? Como agiriam? Bons profissionais custam caro (ainda mais nesta área delicada). Dirigentes (o nome é “auto-explicativo”) não gostam de gastar no que é necessário, apenas no que pode lhes render algo.
            Temo que entreguem os estádios para gente que ao menor empurra-empurra, saia sacando a pistola e aconteça o pior!

          • janca

            Entendo sua preocupação, mas se isso acontecesse os clubes e os dirigentes deveriam ser responsabilizados. E segurança privada não poderia atuar armado. Mas sei que é uma faca de dois gumes. Por outro lado não acho que caiba à segurança pública cuidar de um jogo de futebol e evitar brigas em estádios. Como não cabe em outros locais, como peças de teatro, espetáculos de música, shows de rock etc. etc. etc. Cabe à polícia, a meu ver, cuidar do que acontece fora, nos arredores, inclusive. Mas o contingente é limitado para ainda assim ter que deslocar profissionais para um campo de futebol. É o que acho, até já tratei disso no LANCE!, tem gente que concorda, tem gente que não, é apenas uma ideia para ser debatida. Mas repito que entendo sua posição, que é legítima. E também tenho um pé atrás com seguranças particulares, digamos assim, muitos se acham “otoridade” absoluta.

  • Fora Nuzman

    Boa tarde Janca.
    Só espero que não aconteça como na véspera da Rio + 20, em que os hotéis tentaram explorar os turistas aumentando demais os valores, causando constrangimento ao Brasil. Inclusive muitas delegações ameaçaram boicotar o evento.
    Nossa sociedade é corrupta, todo mundo quer se dar bem engando os outros.
    Acho que vamos mostrar ao mundo a nossa falta de capacidade de organização e que somos uma nação corrupta, além de não sabermos receber os turistas. Acho muito pouco tmepo para que as coisas mudem.

    • janca

      Também acho que já perdemos muito tempo, mas no caso dos hotéis, mesmo com os estrangeiros reclamando, não vejo muito problema em ver o setor tentando se aproveitar, afinal é a lei da oferta e procura. Em Londres ou Nova York os preços de hospedagem são muito caros, mas o Brasil poderia se aproveitar desses dois grandes eventos para melhorar uma série de pontos e isso até agora não foi feito. Lamentavelmente, Thiago. Abs. Janca

  • renato sa

    Quem é o empresário sério, sem perspectivas de negociatas e ilegalidades, que construiria um hotel com 300/500 leitos em Cuiabá? Um dia após o último jogo na cidade nunca mais verá seu hotel com mais de 80% de ocupação…

    Idem para muitas outras cidades.
    O Mundial é projetado para 8, no máximo 10 sedes. No Brasil, para se agradar algumas figuras e tal, estamos arcando com 12 cidades, 12 estadios, 12 fontes de desvio de verbas e praticamente ZERO linhas eficientes de metrô, sistemas integrados de transportes, ferrovias, aeroportos…..

    • janca

      Você tem razão, Renato. Por isso que uma coisa teria que estar atrelada à outra. Se houvesse uma política pública de turismo para Cuiabá e arredores, por exemplo, é possível que surgisse não só um mas vários empresários interessados. Enquanto não houver, fica complicado. Afinal o Brasil não terá depois 12 cidades que serão palco de turismo de negócios e eventos. Certamente não.

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