Os próximos passos



Conquistada a América, o Corinthians, com um forte projeto de marketing, pode partir para a internacionalização de sua marca, além de consolidá-la no Brasil, atingindo com mais força ainda outras regiões do país.

Segundo Luís Paulo Rosenberg, que comanda o marketing do Timão, o clube deve anunciar um patrocinador master com preços acima dos praticados no mercado e que vão assustar alguns. Negociações já teriam começado e o valor, com o título sul-americano, tende a crescer.

Resta ainda vender os “naming rights”, os direitos de dar o nome à futura arena corintiana, que também sai valorizada. Afinal, além de ser o palco de abertura da Copa, trata-se do estádio do atual campeão sul-americano, representante brasileiro no Mundial de Clubes.

Mas há nuvens no caminho. Uma delas está ligada ao próprio estádio. Até hoje não ficou muito clara qual a participação do Corinthians na construção e administração do mesmo, qual a da construtora responsável pela obra. O Timão será sócio minoritário do consórcio gestor? Esse é um ponto importantíssimo e que segue, insisto, nebuloso.

Especulam que pelo menos três jogadores podem sair na janela de transferência para o exterior. Haverá reposições? Quais? Ganhando força no cenário internacional, por que o Corinthians não passa a importar boas peças de fora também? Com a crise na Europa há espaço para os clubes brasileiros reforçarem seus times. Basta procurar. O Botafogo tem mostrado isso.

A própria gestão corintiana, ao contrário do que muitos dizem por aí, está longe de ser um exemplo de gestão, embora tenha avançado muito e em pouquíssimo tempo. Mas tem muito a melhorar. Afinal o Corinthians tem o departamento de futebol misturado com o clube social e muitas vezes isso cai para o amadorismo. A bocha, o xadrez, o tênis de mesa, o que for, são setores muitas vezes contentados apenas por interesses políticos, já que influem nas eleições. Por que não enxugar a estrutura, então, reduzindo a administração a quatro vice-presidências? Uma de futebol, outra contemplando o departamento social, a terceira de marketing e a quarta de finanças?

Marketing não é improviso e Rosenberg sabe disso. Em vez de ações pontuais no setor, por que nao implantar um modelo pra ficar, com visão de médio e longo prazo? Talvez isso até já esteja começando a ser feito. O Corinthians tem o maior potencial de mercado do Brasil, graças ao poder de consumo de sua torcida. Assim como o São Paulo cresceu em várias outras regiões especialmente com os títulos do início dos anos 90, títulos internacionais, o Corinthians pode crescer ainda mais.

Um outro ponto de que vou tratar melhor futuramente é a torcida no estádio, que tende a ficar cada vez mais restrita aos endinheirados que possam pagar o show. É a elitização do futebol, um processo que começou na Inglaterra e chegou aqui também. Como abrir espaços para a emergente classe C? E as D e E? É possível, é possível, inclusive criando “Fan Fests corintianas”, como se esboçou ontem com o jogo exibido por dois telões no Anhembi.

É difícil chegar ao topo, mas se manter nele pode ser tão complicado quanto. É um outro desafio. Mas hoje, repito, a hora de festejar. E festejar muito, pois a Libertadores estava engasgada na garganta de quase todo corintiano. Não está mais. Uma ótima quinta, com ou sem ressaca, pra todos, Janca



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