O dia seguinte



Apesar de uns e outros reclamarem que temos tratado muito do Corinthians nos últimos dias, não dá pra fugir do assunto, é o jogo tão esperado pela torcida corintiana e por torcedores rivais que vão secar, também. Assim reproduzo neste espaço coluna que publiquei ontem no diário LANCE!:

“Como será o 5 de julho de 2012 se o Corinthians ganhar a Libertadores? Além da festa madrugada adentro, cinco meses de preparação para o Mundial de Clubes, onde poderá enfrentar o Chelsea e pensar de verdade no projeto de internacionalização da marca do clube, que até hoje teve um ensaio aqui, outro acolá, mas nunca decolou.

Se perder? Fora a ressaca e as gozações dos rivais, a volta de cabeça cheia para um Brasileiro em que ganhou apenas 4 de 18 pontos disputados, tendo que se esforçar muito para tentar vaga à Libertadores no ano que vem.

Só espero que, em caso de derrota em casa, que pode ser o “Maracanazo do Corinthians”, a torcida reconheça o trabalho do grupo e do técnico Tite, que demonstraram muita competência e garra até aqui.

Em 5 de julho de 2012, o dia seguinte do jogo, comemoramos 30 anos da tragédia do Sarriá, estádio que já não existe mais e em que o Brasil de Telê, Sócrates, Zico, Falcão e Cia. perdeu para a Itália, os 3 a 2 que nos tiraram da Copa de 1982.

Quando escrevi “comemoramos”, apesar de ter sido uma derrota, quis dizer isso mesmo, afinal não canso de repetir que na dor também se aprende. Aquela foi uma das melhores Seleções que vi jogar. Acompanhei parte da Copa no Brasil, festejando com colegas de escola nas ruas as vitórias da Seleção, triunfos de um time identificado com o povo, o que hoje não se vê mais. A derrota para a Itália vi no exterior, num vilarejo dinamarquês chamado Snekkersten, que fica ao lado da belíssima cidade de Helsingor. Não consegui pegar no sono à noite, mas no dia seguinte coloquei a camisa amarela e fui pra Copenhagen, capital da Dinamarca, recebendo, no trem, solidariedade de muitos que me encontravam e lamentavam a derrota da Seleção. Daquela Seleção.

Passados 30 anos e revendo o jogo, talvez tenha sobrado confiança aos brasileiros, que davam a impressão de achar que poderiam vencer a qualquer momento. Quando não podiam. E como não venceram. Que sirva de lição para o Corinthians que, apesar de jogar em casa, tem que continuar se esforçando e lutando por cada palmo de gramado. Como querem seus torcedores, para os quais não vai ser fácil controlar a ansiedade e o grito entalado na garganta.

Mas o melhor exemplo para o Corinthians não é a Seleção de 82 e sim a de 94. Amanhã fará 18 anos do jogo do Brasil contra os Estados Unidos pelo Mundial de 94. Mesmo fora de casa e no Dia da Independência norte-americana, os brasileiros, com um a menos em campo graças à expulsão de Leonardo, jogaram com tudo no segundo tempo, deram sangue e coração, e comandados por Bebeto e Romário venceram por 1 a 0, passando às quartas de final. Contamos também com a sorte, que agora parece estar ao lado do Corinthians. Resta saber se continuará amanhã. Mas aconteça o que acontecer, vida que segue.”



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