Camisa “suja”?



Estive conversando com especialistas em marketing e gestão esportiva para matérias que estou fazendo e de repente a conversa chegou à falta de um patrocinador master para os dois times mais populares do Brasil. Corinthians e Flamengo têm jogado sem patrocínio master, ou seja, sem um patrocinador principal nas suas camisas.

Por que seria? Por que estão cobrando muito caro? Por que o mercado não está para peixe? Por que não confiam no retorno da exposição ou na administração dos dois clubes? Mas o Corinthians é o atual campeão brasileiro e está na final da Libertadores…

Não houve um consenso nas respostas, mas lembraram que o São Paulo também sofre com a questão e não consegue um patrocinador master.

Um dos problemas apontados foi a “sujeira” no uniforme dos clubes, que pulverizaram os parceiros comerciais, cedendo espaço pra uns na manga da camisa, pra outros no ombro ou no calção, além do cansaço no olhar do público que estaria cheio de tanta propaganda e prefere a camisa limpinha. Sem patrocínio master.

Será? Confesso que não sei. Nem os especialistas em marketing esportivo, cada um com uma teoria diferente.

O que sei é que é legítimo os clubes quererem faturar mais, dividir a camisa e o uniforme entre vários patrocinadores, mas acho estranho não conseguirem um patrocinador master. Corinthians, Flamengo e São Paulo não são os únicos da Série A com problemas. Na B também há dificuldades.

Talvez seja a economia, com a previsão do PIB caindo. Talvez seja a crise europeia, que atinge os chamados mercados emergentes. Talvez seja a falta de visibilidade internacional do futebol brasileiro, cujo campeonato, apesar de vendido para mais de 80 países, é visto em poucos lares mundo afora. Talvez, talvez, talvez… Uma questão pra gente refletir. Porque não tenho a resposta. Que talvez esteja numa mistura de tudo isso.



  • Felipe Lima

    Eu acredito que seja mais pelo fator “custo-benefício” por parte dos anunciantes. Um comercial na TV pode sair até mais barato do que estampar o logotipo no peito da camisa de um clube, pois este espaço está (por aqui) extremamente supervalorizado! Flamengo, Corinthians e (acho) São Paulo já disseram que não fecham acordo por menos de R$50 milhões, por 1 ou 2 anos de contrato. E, pra pagar isso, o anunciante tem que ter a certeza do retorno de visibilidade ser positivista: a imagem do clube e do patrocinador atrelada à fartura de conquistas, o que por aqui no Brasil é meio relativo. Com gestões próximas às temerárias, as equipes oscilam muito, e a tal da “visibilidade se torna uma coisa mais negativa, podendo até afugentar futuros investimentos. E o ciclo se repete…

    • janca

      Oi Felipe. Não sei se se torna uma coisa negativa, como você diz, mas é claro que um projeto esportivo decente é importante e no caso do Corinthians, pelo menos nos últimos tempos, você tem tido um retorno dentro de campo. Muitos patrocinadores ou possíveis patrocinadores de fato pensam na possibilidade de fazer propaganda ou inserções na TV como alternativa e comparam as duas hipóteses. Querem retorno de mídia, mas patrocinar um clube pode dar muito retorno e atingir efeitos “intangíveis”, digamos assim, ou pelo menos que não conseguiriam com mera inserção comercial. E se o valor pedido estiver fora do alcance do mercado aí a história muda. Por que não abaixar a pedida, então? Abs. e ótima terça pra você, Janca

      • Felipe Lima

        Valeu pela resposta, Janca!

        Bom, vou responder a sua última questão no comentário; por quê os clubes não reduzem a pedida?
        Porque é um caminho sem volta! Com o sucesso que o Corinthians conseguiu com valores de patrocínio (muito graças ao Ronaldo), nenhum clube acha que sua camisa valha tão menos quanto. E que NUNCA se desvalorizarão! Reduzir o valor pedido seria o mesmo que dizer que o clube “perdeu tamanho” para sua torcida, o que seria negativo para a imagem do dirigente que estiver no comando. E, convenhamos, com a cabeça dos dirigentes que existem por essas bandas, isso seria o fim do mundo!
        Espero que dê pra entender o que eu disse, chefe! Valeu.

        • janca

          Oi Felipe, claro que deu pra entender. E faz sentido. Mas os outros clubes têm que pensar que o Corinthians, assim como o Flamengo, para o Rio, é o que mais aparece na TV, tem mais exposição, mais mídia, sem falar que é o time que tem a torcida com o maior poder de consumo do Brasil. Então os valores de patrocínio não podem ser iguais. Ah! E o mercado consumidor de São Paulo é o mais forte também. Abs. e boa quarta procê, Janca

  • A. Pimentel

    Eu acredito que são três situações diferentes. Corinthians quer muito dinheiro, ouvi dizer que a pedida é maior que Flamengo e São Paulo. Estranho que tem um bom marketing e não vendeu camisa nem naming rights do estádio. Flamengo é desorganização pura. Quem vai por patrocínio num time que é sinônimo de confusão e má administração? São Paulo tem bom marketing mas time instável, dificuldades pra conseguir vaga na Libertadores, hoje é time comum. Perdeu glamour. É isso que acredito.

    • janca

      De fato o Corinthians está demorando demais pra vender os “naming rights”, o Andrés Sanchez pretendia vendê-los em dezembro, depois o prazo passou pra fevereiro, entrou a nova administração, estamos em julho, até agora nada… Em relação ao Flamengo, por mais desorganizado e mal administrado que esteja o clube _e está_ tem fortíssimo apelo comercial, mas o departamento de marketing do clube é fraco, sim. E o São Paulo já teve um bom marketing, hoje não tem mais. Anda devagar, quase parando. Como o departamento de futebol.

  • Marcos

    Janca, um patrocinador master, não vai querer colocar sua marca em time perdedor, porisso acho que a equipe do meu Corinthians , apenas esta aguardando a finalização da Libertadores,pois patrocinadores com certeza deve ter.Imagine como Campeão da Libertadores a repercução Mundial que vai dar.Se perder(acho muito,muito improvavel),apenas vai abaixar mais o seu preço,o que não pode é aceitar o mesmo preço de um Palmeiras/Santos e outras coisas que tem por aí.
    Abraços, felicidades,saúde e muita cerveja.

    • janca

      Pode até ser, Marcos, afinal é o que o Luís Paulo Rosenberg está dizendo. Com o título da Libertadores a marca fica muito mais forte. E ele diz que já tem um grande grupo interessado e que o valor, pelo que entendi, seria astronômico. Vamos esperar, até porque o jogo contra o Boca ainda não aconteceu. Abs.

  • Anderson Canha

    Concordo janca, mais acredito que o Corinthians pretende segurar mais esse tempo, ate pq com estadio pronto pode se arrecadar mais, Quanto ao Flamengo imagino que sua instabilidade Politica o atrapalhe, já o São Paulo parou no tempo, talvez um back por não fazer a abertura da copa, outra coisa que talvez atrapalhe alguns clubes seja o tempo que se dá a uma diretoria, pois alguns contratos são assinados antes de alguns mandatos, e posso estar enganado mais deve atrapalhar um projeto de marketing.

    • janca

      Mas no caso do São Paulo nem essa questão dos mandatos serve como desculpa, afinal o Juvenal Juvêncio está em seu terceiro mandato devido a uma mudança _contestada na Justiça, é verdade_ no estatuto do clube. No caso do Corinthians o argumento da diretoria é esse, esperar o final da Libertadores pra ver a marca do clube valorizada ainda mais. E no caso do Flamengo o que talvez atrapalhe seja mesmo a instabilidad política. Fora que o setor de marketing do clube trabalha muito mal. Abs.

  • Sergio

    Bom dia Janca.
    Quem vai se dar bem, no caso do Corinthians, é a Iveco, que terá sua marca estanpada em jornais do mundo todo, caso o titulo venha para o Pq. São Jorge.
    Acho que fica a Iveco mesmo, para umas duas temporadas, pagando pelo menos os R$30 milhões que o Corinthians pede.
    Pois, se o time for campeão, não terá tanta vantagem para outro patrocinador, que vera o time patrocinado com fotos de outra marca estampada mundo a fora. Por isso, acredito na permanencia da Iveco.

    • Manuelson

      Deve fechar com a própria Iveco. Se fosse para fechar com outra empresa isso teria acontecido antes da final da Libertadores, que é quando a marca fica mais exposta, como citou o nosso amigo Sergio.
      Mas que a camisa fica feia com tantos patrocinadores, isso fica.

    • janca

      Mas se for campeão um patrocinador master tem muito a ganhar. No final do ano tem Mundial de Clubes e até lá só vai dar Corinthians em termos de mídia. Abs.

  • @R9Sal

    Primeiro esclarecendo que o Corinthians sempre disse que não tinha pressa nenhuma em vender os naming-rights. Não foi uma, nem duas, foram diversas vezes que o Rosemberg calmamente explicou que preferia vender o nome quando a construção estivesse mais adiantada, que ele acha que vai faturar mais assim.

    *****

    Segundo que o Futebol Brasileiro vive uma bolha. Hoje em dia qualquer jogador chega num grande clube ganhando R$150 mil/R$200 mil. “Professores” ganhando entre R$400 mil e R$700 mil. Pra ter condições de pagar a folha salarial absurda os clubes começaram a pedir mais $$ pelo patrocinio e a ter mais patrocinadores.

    Parece que as empresas chegaram no limite. Próximo passo deve ser a volta a realidade dos salários dos jogadores e tecnicos nos proximos anos

    • janca

      Mas não é o que dizia o Andrés Sanchez… E o clube já negociou com BMG e Brahma, por enquanto sem sucesso.

  • Johannes

    Bom Dia João Carlos,
    Creio que sendo o valor de todo bem ou serviço variável ao longo do tempo, o valor desses patrocínios precise ser ajustado pelos clubes de acordo com o valor de mercado, talvez para o momento os valores estejam abaixo do que os clubes almejam. Em relação a poluição visual da camisa, penso que ela tire sim um pouco do valor para o patrocinador, mas essa análise de percentual de perda de valor é tarefa para os conhecedores do assunto, o seguidor do blog aqui não teria condições de avaliar e nem arriscará um pitaco..rs

    • janca

      Nem eu tenho, Johannes. É uma discussão mais pra marketeiros, mas mesmo eles não se entendem. Cada um tem uma opinião diferente…

  • Janca, há vários fatores que ajudam a explicar. Alguns deles:

    1 – Os valores absurdos que os clubes andam pedindo.

    2 – Crise econômica, que, por enquanto, não aflige o Brasil, mas detona boa parte do planeta. Ecos da globalização.

    3 – A falta de comprometimento de alguns atletas, que acabam por afastar os eventuais patrocinadores. Ninguém quer associar a marca a quem não cuida bem da própria imagem.

    4 – A poluição das camisas. Marca é igual mulher. Nenhuma quer dividir a atenção com outra.

    Abraço!

    • Concordo inteiramente com seus argumentos, Roberto.

      O principal deles, aliás, você enumerou em primeiro: está claro que a pedida dos clubes está baseada numa projeção, e não na realidade em que se encontra o primário estágio do marketing empregado nos grandes clubes brasileiros.

      Não exatamente sobre a questão abordada pelo Janca, mas versando sobre o mesmo tema (os uniformes), escrevi “Virou todo Mundo Japonês”, no meu blog. Se interessar, leia em http://borogodofutebolclube.blogspot.com.br/2012/06/virou-todo-mundo-japones-ou-o-volatil.html

      Um abraço,

      João Sassi

    • janca

      Pode ser, Roberto, pode ser. E a crise econômica de certa forma já chegou por aqui, veja o PIBinho de 2012, as projeções cada vez mais pra baixo e a inadimplência crescendo no país.

  • Flavio Rodrigues

    Acho que estão pedindo alto demais! No caso do Corinthians, o retorno de mídia que eu já considerava o maior, mesmo com maus resultados, depois da série B e a ascenção que teve, é escancarado e não dá mais pra negar, acho que apesar do atraso, vai conseguir bem próximo do objetivo, Flamengo e São Paulo eu dúvido… Qto ao naming rights que li em alguns comentários, acho q tb vai conseguir bem próximo do valor pretendido… Abertura de Copa do Mundo não é pouca coisa, e o Corinthians mostra que a exposição continuará em alto nível mesmo depois… 400milhões? não sei, mas, vai ser bem alto… e nem to puxando saco da diretoria, que acho que trabalha bem, mas, faz o básico, pode fazer muito mais… é simplismente pela força das marcas “Copa do Mundo” e “Corinthians”.

    • janca

      400 milhões de reais é o que o Corinthians dizia que queria pelos “naming rights”. Vamos ver se consegue mesmo vender por este valor, Flavio.

  • Adalberto Franco

    Janca, acredito que não é só o futebol que esta perdendo espaço com publicidade, outros esportes tambem estão tendo o mesmo problema, é muito oneroso investir em esporte coletivo e os investidores estão procurando outros meios para a publicidade de suas empresas ou produtos, e isso acaba com muitos times de volei, basquete até mesmo futebol, essa crise tá geral é no mundo todo, e quem paga o maior preço é o esporte de todos os niveis.

    • janca

      Se bem que no futebol a exposição é tremenda, ainda mais em times de massa como Corinthians e Flamengo, Adalberto. Abs.

  • Filipe

    Janca, o grande problema no Brasil é falta de “ativação do patrocínio”, ou seja, ações de marketing entre os clubes e os patrocinadores.
    Tomando como exemplo a parceria na Stock Car (que tem bem menos visibilidade que o futebol) da Equipe do Andrea Mateis, e da Red Bull, que leva alguns de seus clientes, normalmente donos de mercados de varejo, para assistir as corridas.
    No Futebol poderia ser feito algo parecido entre clubes e patrocinadores, não necessariamente levar clientes para ver o jogo, mas para tours e jogos entre esses clientes no estadio, nada que atrapalhasse o lado esportivo, mas que o patrocinador não só estampasse o nome na camiseta, mas sim participasse, criasse, e botasse em pratica ações de marketing entre clube-patrocinador-cliente.
    Abraços!

    • janca

      Concordo totalmente, Filipe, muito bem colocado. E na Europa ainda se faz uma série de ações como dia do torcedor, o trabalho do clube com o patrocinador é muito forte, eles atuam, de certa forma, em conjunto. Abs.

  • Carlos Eduardo

    Janca, creio que seja uma junção do que você disse e mais uma situação.
    A camisa suja, fiquei sabendo por intermédios de amigos, que um patrocinador MASTER, não pois sua marca na camisa do Fla pois achou a camisa “SUJA”, muitos logos, eles estavam até dispostos a pagar o valor estipulado, porém teria queser apenas eles, além de Master o único.
    Agora especula-se que uma fornecedora de material esportivo que entrar, por isso ainda não tem um patrocinio master, após entrar o MASTER será anunciado. Que fique claro, é uma especulação!
    abrs.

    • janca

      Oi Carlos Eduardo. A questão da camisa “suja”, digamos assim, foi colocado por alguns especialistas que consultei. Mas há outros que acham não só válido como necessário no mundo de hoje você pulverizar os patrocínios. E vamos ver o que acontece com o Flamengo… Quem sabe não consiga mesmo um patrocínio master? Abs.

  • flaminas

    O Problema e que o Corinthians mente, e o Flamengo que tem um diretoria amadora acredita! essa historia do Corinthians ter 50 milhões em patrocinio e igual historia de pescador, identica a historia de ter 30 milhões de torcedores! ai a diretoria amadora do Flamengo pede alto e não consegue! que empresa ia deixar de patrocinar o Flamengo: maior torcida do Brasil com torcedores em todas as partes do pais para patrocinar o Corinthians: time com 90 por cento de sua torcida estado de São Paulo! agora e melhor divulgar para o estado de São Paulo do que para todo o Brasil! a hipermarcas patrocinou o Flamengo em 2009, existem camisas do flamengo com a marca bozzano em todo o Brasil e não essas da Jontex apenas no estado de São Paulo.

    O dia que o Estado de São Paulo tiver 100 milhoes de habitantes o Corinthians terá 30 milhoes de torcedores, quando o estado de São Paulo tiver 100 milhões de habitantes o Brasil tera 300 milhões de habitantes e o Flamengo time verdadeiramente nacional tera 80 milhões de torcedores.

  • Marco Aurelio

    Sou totalmente contrário ao patrocínio em camisas de futebol. É patrocínio no peito, nas costas, nas mangas, no sovaco, na bunda. É ridículo. Desfigura a camisa do time, que, em última análise, é a marca registrada da equipe. Eu não compro camisa de meu time com patrocínio. Na Europa as equipes, em geral, possuem apenas um patrocínio e com logo discreto na camisa, não estas barbaridades que a gente vê no Brasil.

    • janca

      Desfigura mesmo, Marco Aurelio, mas não será um mal necessário? Os clubes têm que arrecadar, afinal das contas.

  • Reunião na diretoria da empresa. Assunto : Patrocinio de clube de futebol. Depois de alguma discussão sobre qual time patrocinar, veio a pergunta : Porque patrocinar um time que não passa na TV aberta ? porque patrocinar um time que não joga domingos as 16h00 na Tv aberta ? porque patrocinar um time se o outro mesmo com reservas passa na Tv aberta ? Se eles tem mais torcida, mais espaço nos jornais, mais divulgação na Tv porque vou gastar dinheiro a toa ? Salve-nos Edir Macedo !

    • janca

      ??? E a emissora do Edir Macedo não tem o mesmo alcance e a mesma audiência da Globo, você tem que pensar nisso também. E são os clubes que têm fechado com a Globo, o que, aliás, é um direito deles.

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