Os fins e os meios



Para muita gente José Maria Marin, atual presidente da CBF, é um dirigente que representa uma mudança em relação à gestão de Ricardo Teixeira por estar mais aberto ao diálogo.

Será? É possível, mas, a meu ver, não porque ele tenha de fato a intenção de conhecer o que os outros pensam e mudar a estrutura do futebol brasileiro. Até porque ele mesmo já deixou claro que representa a gestão de Ricardo Teixeira, a qual não para de elogiar e de quem era o vice mais velho.

O que Marin faz (e sabe fazer como poucos) é média. Pouco a pouco vai afagando aqueles que criticam sua gestão ou questionavam sua chegada ao poder. Seja se reunindo mais vezes com clubes e federações, dando um mimo a A ou B, nomeando um antigo desafeto pra chefiar a delegação ou bajulando veículos de comunicação antes esquecidos por Teixeira.

Os métodos, no entanto, são curiosos. As reuniões com dirigentes de clubes e federações, por exemplo, são todas separadas. Assim o que diz para um não necessariamente repete para outro. Dividir para reinar talvez seja o lema de Marin.

Mas os recados vão sendo dados. Inclusive a Mano Menezes, que pensa em sacar em caso de fiasco na Olimpíada. O último foi nas respostas às críticas de Luís Álvaro, o presidente santista, à CBF, que usou Neymar e Rafael nos quatro amistosos da seleção, descontentando o time da Vila devido ao cansaço da dupla para a disputa das semi da Libertadores.

Marin, ao contrário do que poderia fazer um Ricardo Teixeira, que nunca foi político, não bateu de frente com o santista. Pelo contrário. Elogiou Luís Álvaro por ter mantido Neymar no Brasil, aproveitando pra alfinetar Mano Menezes, que gostaria de ver o atacante na Europa antes da Copa de 2014.

Marin ainda prometeu a dirigentes do Santos, entre ouvidos, que haverá espaço no calendário nacional para excursão dos times ao exterior. Justamente como quer Luís Álvaro.

Quando? Depois do Mundial no Brasil. Ou seja, em 2015, justamente quando termina o mandato de Marin. E talvez comece o de seu mentor, Marco Polo Del Nero, que será quem ficará com a batata no colo. E irá administrá-la de sua forma, que não é a de Marin nem a de Teixeira. É a sua. E enquanto isso o futebol brasileiro segue com as mazelas estruturais que não são de hoje. São de ontem e pelo andar da carruagem serão de amanhã também.



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