Sabemos torcer?



Reproduzo abaixo coluna que publiquei no diário LANCE! na última terça. Volto a postar na próxima segunda, 25, mas até lá sigo respondendo comentários de vocês. Bom final de semana a todos, João.

“Um dos desafios da Seleção para a Copa de 2014 é se reaproximar do torcedor brasileiro de quem tem estado afastada de um tempo pra cá. Como sede do próximo Mundial custava o Brasil fazer mais amistosos em casa? Não poderia ter levado o recente jogo contra a Argentina pra seu território, ainda mais tendo nossos vizinhos acabado de atuar em Buenos Aires pelas eliminatórias?

Talvez com um bom desempenho em Londres iniciemos um processo de reconquista do torcedor, que, assim como pode ser um fator favorável no próximo Mundial, não deixa de ser uma ameaça, especialmente se as coisas dentro de campo não forem bem. Em vez de jogar a favor a galera pode acabar jogando contra. E uma coisa é torcida de time, outra, de Seleção, uma torcida que engloba pessoas com diferentes equipes de coração, vindas de diversas regiões e que não estão acostumadas a torcer junto.

É uma turma exigente que se comporta diferente das torcidas europeias. Fui a cinco Copas do Mundo e vi várias vezes os brasileiros, mesmo em grande número nos estádios, engolidos pelos europeus. Talvez porque quem vai à Copa no exterior não seja o típico torcedor de futebol. Não tem cânticos, gritos de incentivo ou o que for para incentivar o time. Ao contrário dos europeus, que cantam o jogo todo. E quando a Seleção atua em casa, como vai acontecer em 2014, não é raro vê-lo dividido em grupos, cada um pedindo um jogador, reclamando de A ou B e não gritando em uníssono como se faz na Europa.

Lembro bem de Inglaterra x Brasil na Copa de 2002, quando viramos pra 2 a 1 e avançamos às semifinais. Os ingleses estavam em maior número, é verdade, e tinham David Beckham que encantava os japoneses, mas no estádio mal se ouvia a torcida brasileira que não era tão pequena assim. Ficou encolhida, encolhida, quase não se fazendo ouvir.

Já na Copa da França, em 1998, conseguimos dividir o estádio com dinamarqueses e quase repetir a façanha contra os holandeses, mas tanto uns quanto outros gritavam mais do que a gente. E eram cânticos bonitos, misturando letras de músicas de rock com “melodias sinfônicas”.

Quanto mais distante a Seleção, mais difícil “educar” nosso torcedor. Não acho que tenhamos que ser iguais aos europeus, que têm seu próprio estilo e cujas torcidas são marcadas por um nacionalismo exacerbado e rivalidades históricas e territoriais que não temos por aqui. Felizmente. Mas não é por isso que não poderemos encontrar nossa própria forma de torcer, apoiar e participar. Mas com a Seleção por perto. E correspondendo.

Temos que aprender, inclusive, a valorizar derrotas, lembrar da lição de 1982, uma equipe que dava gosto de ver e nem às semifinais chegou. Estava na Dinamarca naquela Copa e quando me encontravam na rua usando camisa do Brasil vinham logo conversar e elogiar nosso futebol. Dava orgulho vestir a amarelinha mesmo na derrota. Podemos até perder, mas que percamos encantando. E lutando até o final.”



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