E o torcedor, ó…



Numa época em que tanto se fala do torcedor como cliente, de modernização das arenas esportivas e na Copa de 2014, o torcedor segue sendo tratado como… Muitas vezes como gado, sim.

Para citar os três estádios paulistanos hoje em funcionamento (Morumbi, Pacaembu e Canindé), filas pra comprar ingresso seguem uma constante. Em Corinthians x Figueirense, no Pacaembu, jogo válido pela terceira rodada do Brasileiro, faltavam bilheteiros para vender entradas para os setores mais caros, formando uma longa fila instantes antes do jogo. Em São Paulo x Atlético-MG, no Morumbi, no último domingo, para o setor cadeira azul especial, ingresso a 80 reais, havia apenas dois guichês abertos pouco antes das 15hs, o que fazia o torcedor ter de esperar cerca de 15 minutos pra adquirir o seu. Até em Portuguesa x Atlético-GO, no Canindé, quem queria entrada tinha que ficar de 15 a 20 minutos na fila.

E o preço dos ingressos não para de subir, tendo aumentado quase 8% nos últimos 12 meses, um índice maior do que a inflação no período, que ficou em cerca de 5%.

Para jogos do Corinthians na Libertadores boa parte das entradas é vendida via internet, o que exclui dos jogos quem não tem acesso ao mundo virtual. E os preços são salgados, mas os serviços, ruins. Os três estádios paulistanos citados são arcaicos e não falta, mesmo nos setores mais caros, assentos desconfortáveis, cadeiras quebradas…

Com os estádios de primeiro mundo prometidos pra Copa é possível que os preços subam ainda mais _e hoje já são mais caros do que muitas peças de teatro_ na continuação do processo de elitização do futebol.

Acho que os setores populares não podem ser esquecidos, como lembra o diretor de futebol de seleções da CBF, Andrés Sanchez, de quem discordo em relação a muitos temas, mas não esse. Só que os serviços também devem ser condizentes com o preço. Se não teremos cada vez mais torcedores de poltrona e menos gente presente nas arenas. Resta às TVs preencher os lugares vazios nos estádios com público virtual e intensificar o som ambiente, passando a impressão de que o público presente é maior, quando muitas vezes é bem reduzido.



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