A decisão de Valdívia



Seja qual for a decisão de Valdívia em relação a seu futuro no Palmeiras e no futebol brasileiro nós devemos respeitar.

O chileno, que foi vítima de um sequestro-relâmpago ao lado de sua mulher, explicou ter ficado assustado, se não traumatizado, com o episódio e dividido com a vontade de sua família de permanecer no Chile e não voltar mais a morar no Brasil.

Mostrou-se à disposição do Palmeiras para retomar os treinos, mas o desejo é de buscar outros ares, provavelmente no Chile, já que do ponto de vista familiar sua passagem pelo Brasil parece não ter sido nada boa.

Muitos podem até dizer que, ao aceitar jogar no futebol paulista, Valdívia deveria saber dos riscos que corria devido à violência urbana e que o Palmeiras não pode pagar a conta por isso. Não pode mesmo. Mas tem de ser flexível ao negociar uma saída que satisfaça as duas partes.

Há multa contratual? Sim e pelo que dizem se aproxima de 100 milhões de reais. Algum clube vai pagar o valor? É alto, bem alto, especialmente se levarmos em conta que Valdívia não vinha jogando muito e enfrentava uma série de contusões.

Mas continuo achando que o jogador tem que lutar por aquilo que for melhor pra ele e sua família, lembrando que, além deste episódio, Valdívia foi vítima, no ano passado, de uma invasão de privacidade que teria abalado seu casamento. Natural que sua mulher queira seguir a vida em outros cantos. Não é uma decisão minha nem sua. É do chileno e de seus familiares. E do Palmeiras, claro, que justamente por isso tem de negociar e bem uma possível saída pro impasse, pensando no clube e no jogador.

Numa sociedade em que todos são suspeitos de antemão houve até quem duvidasse do sequestro-relâmpago, inclusive porque a própria imprensa divulgou informações contraditórias no início. Alguns falavam que o crime tinha sido cometido em estacionamento de shopping, outros que foi na saída de uma locadora ou algo assim, como de fato acabou constatado.

Valdívia tem o direito de optar pela segurança e voltar ao Chile. Sua família também. Sendo essa a decisão do chileno resta ao Palmeiras negociar, negociar e negociar. Porque não é correto que arque com todo o prejuízo pelo episódio, episódio, aliás, pelo qual não tem culpa nenhuma.

Valdívia sabe que o clube investiu muito em seu futebol. Tanto que voltou ao país, colocou-se à disposição pra treinar e, principalmente, negociar. Com boa vontade os dois lados chegam a um acordo e encontram uma solução para o caso. Espero que seja boa para as duas partes. E se não for a melhor que seja a “menos pior”.

 



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