Ex-jogadores comentando



Muita gente pergunta o que acho de ex-jogadores ocupando espaço na TV comentando jogos de futebol. Sei que há jornalistas que não gostam, talvez até por verem um lugar que poderia ser seu preenchido, mas considero uma “concorrência saudável” e com a qual todos podem ganhar. Especialmente o público.

Não vejo problema nenhum e sou contra reserva de mercado pra quem tem diploma, inclusive porque jornalismo se aprende na prática e não deve excluir profissionais com outras formações. Um biólogo pode virar um excelente jornalista especializado em ciência, um economista/administrador, um ótimo jornalista econômico, um cientista social/político, um baita jornalista político. E por que não um ex-jogador se tornar um bom comentarista ou jornalista esportivo?

Se dá audiência e o público gosta, se emissora x tem interesse em contratar um ex-atleta porque gosta de seu trabalho, qual o problema?

Hoje temos vários que têm se dado bem em canais de TV aberta ou fechada e acho legítimo. Gosto do trabalho de alguns, não gosto do trabalho de outros, mas não é difícil agradar a gregos ou troianos?

Um ex-jogador, como um ex-técnico ou um ex-árbitro, para citar outros dois casos também, cada um pode dar uma visão diferente sobre o esporte, a visão de quem já esteve lá dentro, de quem viveu a concentração, o vestiário, a pressão da torcida, uma visão que a maioria de nós não têm.

Dominar a língua portuguesa é importante? É uma premissa básica, claro. E há vários ex-jogadores de diferentes modalidades, seja do futebol, do vôlei, do basquete, da ginástica, do que for, que dominam, como há vários que não dominam bem e têm de aprimorar a “linguagem” antes de ir à telinha. Isso depende deles e das emissoras que os contratam.

Nunca gostei de comentar, como já disse algumas vezes não é minha praia, prefiro a periferia do futebol, observar e estudar o comportamento da torcida, os bastidores, ações de marketing, nunca tive um olho tático apurado, gosto mais de um jogo pela emoção do que pela técnica e/ou esquema adotado pelos times e sou contra notas pra jogadores.

Quando trabalhei no dia a dia de Esporte da “Folha”, entre 1994 e 2004, e depois no LANCE!, em 2004/2005, evitava ao máximo cair na roubada de avaliar a atuação dos 22 jogadores (às vezes 28 com as substituições). Porque aí a subjetividade é tão grande que você pode cometer e certamente comete uma série de injustiças. Mas isso é outra história.

O que defendo é que no jornalismo haja espaço pra todos se expressarem. E que os ex-jogadores possam ocupar seu espaço, seja como técnicos, olheiros, comentaristas, apresentadores, dirigentes, por que não?, ou até em outros ramos de atividade. Pois, como costumo dizer, o mundo é muito mais do que uma bola.



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