Deus da Carnificina



Na quinta vi a pré-estreia de um filme que entrou em cartaz ontem no Brasil e trata dos desencontros da vida, problemas de comunicação, brigas e competições, mostrando um jogo verbal tenso que acaba tornando os personagens criaturas raivosas, verdadeiras caricaturas de si mesmo.

Mas qual a relação de “Deus da Carnificina”, o nome do filme de Roman Polanski, com este blog, o futebol, a (des)organização da Copa e Olimpíada no Brasil e as mazelas de nossa política esportiva em geral? Toda, a meu ver.

Quando começamos a debater um assunto volta e meia a discussão cai pra rivalidades clubísticas, bairrismo ou disputa entre siglas partidárias, o que dificulta a comunicação. Parece que ficamos cegos e presos dentro de nossos conceitos, queremos vencer o “debate” destruindo e não enxergando o outro, atacando um “rival” que nem conhecemos e talvez reflitamos aqui o que acontece na sociedade em geral.

O filme de Polanski exibe quatro personagens, os casais Penelope e Michael (os “anfitriões”) e Nancy e Alan (os visitantes) que se encontram num apartamento de Nova York pra discutir a briga entre seus filhos de 11 anos, que terminou com um deles agredido no rosto com o taco de beisebol do outro.

Os desentendimentos e as diferentes visões de mundo dos casais e de cada um dos personagens acabam levando o conflito a proporções inimagináveis e mostram um pouco de cada um de nós. Apesar de definido como um drama, a história tira boas risadas da plateia e está mais para tragicomédia do que para outro gênero de filme.

Em vários momentos lembrei de um jogo de futebol em que o técnico ou os jogadores reclamam do árbitro até não poder mais, berram uns com os outros e xingam, xingam e xingam como se estivessem sendo ouvidos. Será que estão?

Pra quem gosta de um bom filme, fica aqui a dica de um que leva a marca de Polanski, tem uma atuação brilhante de Jodie Foster e parece ambientado no teatro. De certa forma talvez seja, já que foi levado às telonas a partir da adaptação de uma peça com o mesmo nome: “Deus da Carnificina”.

Bom final de semana a todos, Janca

 

 



  • Tiago

    É um filme pra mostrar na Gávea. Aqui cada um fala uma língua diferente, ninguém se entende, esculhambação total, Janca. Não vou ver o filme porque não gosto muito de cinema, mas sei o que você quer dizer. A imprensa tem muita culpa, não sei se concorda. Aquele executivo que foi assassinado em São Paulo, foi esquartejado, muito sensacionalismo da imprensa, a mulher confessou, tirou a graça dos jornalistas que queriam sangue. Se ela não confessasse iam continuar caindo em cima, criando milhões de hipóteses e prendendo audiência. Confessou, acabou a festa. Com o Flamengo é igual. Pode ver que o R10 era tratado de um jeito aqui, a imprensa está mais na boa com ele em Minas. Um pingo aqui vira tempestade.

    • janca

      Já que estamos tratando de problemas de comunicação _rs_, espero pelo menos ter entendido o que você quis dizer. E de fato talvez a cobertura em torno de Flamengo ou Corinthians acabe sendo diferente ou tendo suas particularidades. Aquele papo de um espirro vira… Vira o quê? Pneumonia? Ou um pingo vira tempestade, como você colocou. Sobre a imprensa acho que tem responsabilidade, sim, inclusive porque acontece o que você colocou em relação à audiência, talvez notícia ruim venda mais, não sei, o ser humano tem um lado sádico muito forte. Aí talvez uma das razões do sucesso do MMA. E em relação ao Flamengo você me deu até ideia pra uma coluna, pois a falta de comunicação e a falta de habilidade em negociar, principalmente, são gritantes, Tiago. Abs.

  • Tiago

    Outra coisa que tem alguns comentários que não da. Outro dia um cara que deve ser de Brasília, do governo, defendendo corrupção, que lá fora também é assim, que tudo bem aqui ser assim, que vale tudo. Dei uma cortada no cara porque tava demais. Ainda era mala sem alça kkk. Não tinha condição. Falou, Tiago

    • janca

      Mas a gente tem que ter paciência até pra entender o raciocínio. Embora seja muito difícil entender a agenda dos políticos e seus assessores, o jogo político é muito complicado, o jogo do poder, admito que tenho enormes dificuldades de entender os meandros. Ontem, aliás, a Fernanda Torres escreveu um artigo interessante que não deixa de ser sobre isso, os meandros da política e da sociedade. E da corrupção, talvez. Ela tem uma coluna muito boa na “Folha”, várias vezes nem concordo com o que escreve, mas são reflexões interessantes e que nos levam a pensar. Isso que é bom, Tiago. Abs.

  • nilú

    Bom dia João

    Ainda não vi o filme, lógico, mas a situação, o clima em si não é difícil de imaginar, acho que cada um de nós já passou por uma momento_mais ou menos_assim, infelizmente, mas como já disse, não vi o filme e posso estar falando besteira.
    Agora João, essa agressidade verbal, e muitas vezes também física, da onde vem?
    Dentro dos meus limites, pois não tem base profissional, acho a que indole de uma pessoa, seu temperamento, e seus conflitos interiores, são postos pra fora nesses momentos.
    Não sei se eu me faço entender?
    Se a pessoa não está mal com ela mesma, e usa uma discussão para externar seu desequilibrio, as situações poderiam se resolver com diálogo, buscando o entendeimento, não mais agressão.
    Só que não é nada fácil, olhar para dentro, muito menos descobrir o porque dos sentimentos que nos desequilibram, como a raiva, a iria, a culpa…

    Quanto ao que escrevem no blog, acho sim que muita gente é estupida demais, e deve ser melhor poder faze-lo usando um meio como a internet, sem mostrar a cara.

    Já me alonguei demais e quando faço isso acabo me enrolando e escrevendo besteira.

    Ótimo sábado.
    Nilú

    • janca

      Não, Nilú, acho que talvez seja por aí mesmo, se bem que confesso que nem eu sei ao certo. Mas penso como você. Se estivermos em paz conosco podemos ficar mais abertos, inclusive, para escutar o outro, entender o outro, colocar-mo-nos no lugar dele e chegar a um diálogo. Mas muitas vezes (se não sempre _rs) estamos em conflito com a gente mesmo. E acho que há um quê de sadismo na sociedade, como acho, também, que há um quê de… procura de entendimento, que isso também existe. Com empatia sincera pelo outro podemos chegar a algum lugar, respeitando e entendendo as diferenças que sempre vão existir. Talvez esteja me estendendo muito, enfim, acho que é por aí. Nós, em primeiro lugar, temos que nos acolher e ficar em paz, dentro do possível, com nossas escolhas e possibilidades. Não sei se o inferno são os outros ou nós mesmos. Ou os dois. Sobre o uso da internet, concordo com você. O anonimato ajuda as pessoas a botarem toda sua ira, preconceitos, raiva, enfim, pra fora. O que pode não ser saudável… Para os outros, pelo menos, acho que não é. Ótimo sábado também, João

  • Leandro

    Jogador e técnico reclama muito não pra que o juiz os escute. O juiz tomou sua decisão e não vai mudar. 0,0001% de chance de mudar? Não se reclama pelo 0,0001%, se reclama pra jogar pra platéia. Porque quem vai crucificar ou condenar o jogador é o público. Ele depende do público. Acho que é isso o que acontece dentro de campo.

    • janca

      Pode até ser, Leandro, não tinha considerado este ponto de vista. E o público e a imprensa muitas vezes não perdoam. Querem ver sangue… Abs.

      • Leandro

        Ontem o grego expulso na Euro saiu jogando pra torcida. O goleiro polonês gostei de ver. Fez o pênalti, era o último homem, sabia que tava errado, cartão vermelho, saiu sem fazer ceninha. Gostei da Rússia, pra mim é favorita pra ganhar a Euro, é azarão como a Grécia em 2004 e vai surpreender. Polônia e Grécia não têm chance nenhuma.

        • janca

          Também gostei de ver o goleiro polonês saindo na boa. Mas no caso do grego eu, se fosse o juiz, não teria expulsado, embora falar de fora seja fácil… Não consegui ver o jogo da Rússia, só os gols, mas parece que foi bem mesmo. É um time bem treinado, sede da Copa de 2018, vem forte. Pode até ser que chegue lá. Já do jogo Polônia x Grécia gostei muito, muito mesmo. Pode não ter tido muita qualidade técnica, mas teve muita emoção. E pra mim a emoção vale mais do que a qualidade técnica.

          • janca

            E também pensei outra coisa sobre o jogador que sai de campo xingando, jogando pra plateia, como você diz. Isso às vezes acontece em jogos de várzea também. Não deixa de ser uma forma de extravasar. Ou, no caso, de jogar nem tanto pra plateia, que é reduzida, mas pros companheiros de time. Pode ser… Abs. e bom sábado pra você, Janca

  • Luiz Marfetan

    Você fala certo quando diz que num papo sobre um assunto qualquer, logo salta a paixão clubistica, a politica, o bairrismo. Por exemplo acho, acho, que: a corrupção sempre foi muito grande, mas nunca foi escancarada como agora. Estão deixando averiguar, deixando dar nome aos bois. Coisa que em governos anteriores não era permitido. Futebol por exemplo: Um assunto tem um monte de opinioes diferentes, uns defendem, outros acusam, sempre com a paixão antes do raciocinio. Carioca corneta paulista, que corneta gaucho, que corneta mineiro. Corintiano que briga com o mundo todo, porque no seu modo de ver? o mundo esta contra o clube. Flamenguista que quer que a Patricia saía, mas que apoia a contratação do adriano. Va entender a mente do ser humano! De novo um muito bom artigo!

    • janca

      Valeu, Luiz. Abs. Janca (PS. E também tem muita gente que acha que sempre há um complô favorável ao Corinthians, que a Globo está por trás de tudo, enfim, clubismo, bairrismo, disputas partidárias em geral tendem a cegar as pessoas). Abs. de novo, Janca

  • ADALBERTOFRANCO

    Janca, nós que fazemos parte do povão não temos a menor idéia do que rola nos altos escalões da nossa sociedade, o que sabemos é apenas 10% isso quando cai na mão da imprensa agora imagine quanta sujeira vai prá debaixo do tapete? A corrupção infelizmente anda solta em todos os setores da sociedade tem sempre um querendo levar vantagem. Devido a violência que impera nos estadios eu só assisto futebol pela TV, tenho um filho de 14 anos que adora futebol, mas e a coragem para leva-lo assistir um jogo ao vivo? Em casa estamos mais seguros, sei que é dificil mas fazer o que?

    • janca

      É, Adalberto, é complicado mesmo. Fora que parar o carro e deixar nas mãos de guardadores também assusta. E concordo que não sabemos de um décimo do que acontece nos bastidores da política. É um mundo desconhecido pra muita gente, inclusive pra mim. Abs. e boa tarde de sábado, Janca

  • Cassiano

    Falta de comunicação entre Galvão e as imagens do jogo. Galvão e seu ufanismo comemorando a derrota pra Argentina, que não marcou cinco, seis ou sete porque não quis. Defesa em linha não!!! Marcelo expulso e Galvão indignado com o juiz. Juiz fraquinho, chorava Galvão. Marcelo sai de campo e pede desculpas pro Tino Marcos pela expulsão. Agredi e errei, falou. Só o Galvão não viu o tapa no rosto que deu o Marcelo. Ver na Globo é foda. Sportv faltou, sem Milton e Noriega perde a graça.

    • janca

      Eu vi pelo Sportv, variando entre o canal 38 e o 39, que exibia Alemanha x Portugal, e gostei. Não da defesa do Brasil, muito menos dos quatro gols que a Argentina fez, mas Messi tá bem pacas, repetiu Paolo Rossi de 82, e a seleção mais ou menos. Ainda confio no ouro olímpico, apesar dos pesares. E o Oscar tá muito bem também. Talvez supere até o Neymar, joga muuuito o Oscar.

  • Cassiano

    Repara que a Globo falava time de jovens. A Globo não falou uma vez que é o time que vai pras Olimpíadas. Pra Globo Olimpíadas não existem. Corrigindo só: defesa em linha não digo eu. Porque o Galvão achou lindo o Brasil perder de quatro. Tamos nos acostumando a perder. Seleção não aguento mais.

    • janca

      Calma. E lindo o Galvão não pode ter achado. Tivemos bons momentos, mas abrimos muita brecha lá atrás. E ainda confio no ouro olímpico, como disse antes, apesar dos pesares. E se a Globo não transmite, a Record tem os direitos pra TV aberta e na fechada só o Sportv terá quatro canais mostrando os Jogos.

  • Fabio

    O mal do mundo, leia-se das pessoas e empresas, é exatamente o que esse filme retrata e você aborda.

    Acho que esse é o melhor post que já li na minha vida, pois é exatamente o que falo para meus amigos e na empresa; a comunicação está muito ruim. Falo A, ouve-se B e replica-se C.

    Pode ver que houve poucos comentários, pois o assunto é muito intelectual, e o povo daqui….

    • janca

      É, Fabio, geralmente quando trato de temas como esse os comentários são mais escassos, mas faz parte do processo. E concordo sobre a comunicação estar muito ruim. Você falou (ou escreveu _rs) e disse: Um diz A, o outro escuta (ou entende) B e replica C. É isso mesmo. Abração, Janca

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