A Europa no buraco



Reproduzo abaixo, pra quem não teve oportunidade de ler, coluna que publiquei ontem no L! e mostra os cortes em cultura e esporte feitas por uma Europa em crise. Algumas discussões colocadas lá fora, especialmente na Espanha, onde boa parte dos clubes está pra lá de endividada, servem para o Brasil, que tem de encontrar seu próprio caminho. Ah! Abaixo da coluna seguem três notinhas para vocês debaterem a questão comigo. Se quiserem, claro.

“Economistas belgas e noruegueses preparam um estudo sobre a retração dos investimentos em esporte e cultura no Velho Continente devido à crise do euro. Em conjunto, Espanha, Grécia, Itália e Portugal, quatro dos países mais afetados economicamente, teriam reduzido de 2010 para 2011, segundo dados preliminares, 61% do que aplicavam no esporte. E isso às vésperas da Olimpíada de Londres, que não teria aquecido o mercado europeu de 2011 pra cá mesmo no campo esportivo.

Na cultura, os cortes seriam menores, mas devem ultrapassar a casa dos 50%. Para se ter uma ideia, os portugueses decidiram simplesmente extinguir o Ministério da Cultura, enquanto a Itália, com 11 times na divisão de elite tendo cortado mais de 30% dos gastos de 2010 para o ano passado, também sofre nos dois setores. O esportivo e o cultural. Só para ficar em um exemplo, o Scala de Milão, o teatro europeu mais conhecido internacionalmente, tem um déficit anual perto dos 25 milhões de reais.

O desemprego na zona do euro está próximo de 12% e nos casos de Espanha e Grécia começa a se aproximar dos 30%. As perspectivas não são nada boas, porque com a inadimplência em alta e o poder de consumo em queda, os países não conseguem arrecadar mais e as contas públicas seguem caóticas.

O que isso tem a ver com o esporte? Tudo. Afinal ele é, como já estão sentindo na região, um dos primeiros setores ao lado do cultural a sofrer ajustes. E por sofrer ajustes entenda-se perder recursos. Públicos e privados.

Na Espanha, onde reina o pânico com a crise do euro e a corrida aos bancos pela população assustou economistas, sem falar na catástrofe que atola a Grécia e aumenta a força dos extremistas, sempre um perigo à sociedade, as dívidas dos clubes de futebol já se aproximam dos 2 bilhões de reais. E nos bastidores começa uma disputa entre dirigentes esportivos e a classe política, que nem sempre falam a mesma língua.

No país detentor do título de campeão mundial de futebol, o governo quer reter um terço das receitas de TV dos clubes que não estiverem em dia com o fisco, além de formar um conselho para analisar a política salarial e a de compra e venda de jogadores dos principais times do país.

Os governantes acham que não têm sentido os clubes gastarem uma fortuna em salários e fazerem contratações caríssimas se não têm equilíbrio nas suas contas e vivem endividados. Parte dos direitos econômicos sobre os atletas passaria ao Estado, que a usaria como garantia em caso de calote.

Os dirigentes de futebol têm feito reuniões aqui e acolá para discutir o assunto, já que veem nisso uma interferência indevida da União. Segundo eles, se o Estado não consegue controlar suas próprias contas, não pode querer dar exemplo de boa gestão bem em cima do futebol, um dos poucos setores do país, ao lado do tênis e de outras modalidades esportivas, com notícias positivas no exterior.”

* Atenas-2004: Os gastos com a Olimpíada de 2004 estão longe de representarem uma explicação para a crise grega, mas já no início da década passada, tendo os Jogos como pretexto, o governo começou a gastar mais do que podia. Com balanços maquiados, os gregos empurraram a situação com a barriga até não poderem mais. E as dívidas com o evento, que seriam pagas até 2030, tendem a acabar em calote;

* Tesoura espanhola: Com a crise no país e a fuga de capitais o Partido Popular resolveu deixar esporte e cultura de lado. Em dezembro cortou o Ministério da Cultura e juntou-o à pasta de Educação e Esportes. Anunciou redução no orçamento para o setor na casa de 20% e novos ajustes ainda podem ser feitos. O cinema, com corte de 35%, deve ter quase 80% dos longas e curtas programados para 2012/2013 adiados;

* Corrida aos bancos: Clubes de futebol das regiões mais afetadas, caso de Espanha, Itália, Portugal e Grécia, estariam agindo como muitos contribuintes, sacando dinheiro e transferindo-o para o exterior. Apesar da crise, porém, Barcelona e Real Madrid ainda apresentam bons resultados financeiros, enquanto a maioria segue na descendente. O que deve aumentar a diferença entre grandes e pequenos na Espanha.



  • Tarcísio

    Época de crise, cortes em cultura e esporte são sempre os primeiros. A discussão me chama a atenção como economista pelo seguinte. Como fazer para os clubes terem uma administração condizente e responsável? Isso vale pro Brasil também. Flamengo se comprometeu a pagar mais de 2 milhões de reais por mês pro R10, Flamengo tinha esse dinheiro? Flamengo era patrocinado pela Petrobras e devia ao Fisco e ao governo federal, estadual e municipal. Patrocínio tinha que parar como parou. Vasco com Eletrobras a mesma coisa. Governo tem que intervir no futebol? Até onde vai seu papel? Você escreve que a dívida dos clubes espanhóis chega a 2 bi, e a dívida dos clubes brasileiros? A Europa está no buraco, o Brasil está tão longe dele? Com “Pibinho” de 0,2% no primeiro trimestre? Rumo a quinta economia do mundo e mais de 25% da população morando ao lado de esgoto aberto? Que país é esse?

    • Tarcísio

      Falando de Brasil, não basta o governo reduzir juros, pedir pra população gastar pra aquecer o mercado. Isso é ser irresponsável porque o endividamento está no limite. O que o governo deveria fazer é investir, mas investir com responsabilidade. Nas obras da Copa. 1% finalizadas, 5% apenas saíram do papel, isso é uma aberração.

      • Pedro

        Discussão de sempre sobre o papel do Estado. Deve ser enxuto ou deve ser maior e participativo? Até hoje não há um consenso. Não existe modelo ideal. O modelo ideal é aquele que dá certo. O comunismo mostrou que não dá. O capitalismo está mostrando que não dá também. Haverá um meio-termo?

        • janca

          OI Tarcísio, oi Pedro. Pra ser sincero não tenho uma posição definida sobre o papel do Estado, mas prefiro vê-lo mais enxuto. Por outro lado acho que não deve se desfazer de ativos a preço de banana. Se a iniciativa privada pode lucrar administrando um Maracanã da vida, o Estado, que arca com a milésima reforma do estádio, tem que ser ressarcido decentemente por terceirizá-lo depois. Se não o Estado que mantenha o estádio e ganhe dinheiro com ele. Aprenda a fazer negócios, com gestores profissionais e não com nomeações políticas, que só servem pra aumentar a base do governo. Já sobre o incentivo da União pras pessoas gastarem, Tarcísio, também acho irresponsabilidade pura. Porque como você disse o endividamento está no limite. E parece que está mesmo. No caso da Copa lamentavelmente tem sido tratada com toda a irresponsabilidade do mundo. E o governo, que poderia ter investido em obras de infra, nada fez. E não sei se viu agora a Olimpíada, que gastaria cerca de 30 bilhões de reais, já não tem mais teto para os gastos… Enfim, boa quarta pra vocês, Janca

  • Johannes

    Bom Dia João Carlos,
    Lamentável que em qualquer lugar do mundo se reduzam aplicações na Cultura e no Esporte, o país perde a longo prazo, …Espero que a tristeza que o mundo viveu entre 1939-45, Bósnia, Croácia e Kosovo, estejam vivas na memória da Europa e que a xenofobia não ganhe espaço,…….
    sempre que você menciona as ligas e os campeonatos nacionais da Europa, bem como os gastos excessivos e descontrolados de alguns clubes, me vêm a cabeça o bom exemplo da Bundesliga, que parece ser um modelo a ser seguido…também acho bacana os Drafts dos esportes americanos, que fazem com que a distância entre grandes e pequenos nas ligas seja sempre menor, embora lá exista um sistema de franquias, bêm diferente do nosso..

    • Johannes

      ah ..e tão logo a família aumente compartilharei a boa nova…previsão 10 dias..

      • Caraca, 10 dias! Imagino que você já esteja fazendo cara de bobo! Vai dar tudo certo, xará!

        Um abraço e boas energias,

        João Sassi

        • janca

          Bom dia Johannes. Primeiro muito legal saber que em cerca de dez dias a família vai aumentar. Desejo tudo de bom pra vocês. Tudo de bom mesmo. Já sobre a Bundesliga, concordo, mas sobre os drafts norte-americanos acho muito artificiais e não gosto. Mas isso é opinião minha. Quem administra melhor seu time tem desvantagem na hora dos drafts. Sei que a ideia é manter o equilíbrio na competição, mas vejo os mais fortes sendo punidos. Não sei, talvez seja algo meu mesmo, fico achando muitas das competições nos Estados Unidos artificiais demais. Mas sei que muuuita gente gosta e respeito, claro. Boa quarta pra você, João Carlos

        • Johannes

          Valeu Sassi/João Carlos, põe bobo nisso..boas energias a vocês também..

          • janca

            Valeu, Johannes, obrigado. Abração, Janca

  • Pedro

    Bom dia João Carlos, bom dia Johannes. Penso que uma maneira distinta sobre investimentos em cultura e esporte. São os primeiros a serem cortados porque não são tão essenciais ao dia a dia como saúde e emprego. Quando o governo se recupera, volta a investir nos dois. Não disse que são supérfluos (vejam bem), disse que não são de primeira necessidade. No curto prazo, caem os recursos. Johannes, xenofobia cresce justo quando temos momentos assim. Sobra para os mesmos. Árabes, judeus, negros, os diferentes da elite burguesa européia. Foi assim na Alemanha, duas vezes no século passado. O inferno são os outros, como disse Sartre. É assim que agem os europeus. Recentemente li que até na China começa xenofobia. Sempre houve contra coreanos e japoneses. Xenofobia contra europeus e americanos. Crise tem que ter bode expiatório pros governos locais, bode expiatório é sempre o estrangeiro.

    • janca

      No caso da China não sabia, Pedro. Mas momentos de crise tendem mesmo a levar a sociedade pro extremismo, que é sempre perigoso. Entendo o que você quer dizer, num momento de crise a tendência é sobrar mesmo pra setores como cultura e esporte, que podem até não parecerem essenciais no curto prazo, mas são no médio e no longo. Por isso penso que os responsáveis por cultura e esporte devem sempre usar da criatividade pra fazerem mais e mais e mais. E entenderem que são dois importantes instrumentos de inclusão social, quero até tratar disso na minha próxima coluna no LANCE!, terça que vem. Abs.

    • Johannes

      Olá Pedro, assim como você entendo que quando escasseiam recursos, existem áreas prioritárias para investimento, como por exemplo saúde, educação e segurança, apenas lamento a escassez de investimentos em esporte e cultura pois são elementos que podem, quando usados de forma inteligente, moldar o caráter de gerações,..e é sempre triste, mesmo que eventualmente necessário, quando esses investimentos por algum motivo não são feitos, os impactos a longo prazo são dificeis de mensurar,
      Quanto a Xenofobia é um fato mesmo, como você disse, fica sempre mais fácil culpar o outro pelo seus problemas, olhar para seu próprio país e admitir que algo está sendo feito de forma errada nem sempre é a visão predominante,… jogar a culpa no imigrante, no diferente, enfim, ocorre especialmente quando a economia não vai bem, mas é sempre lamentável…até porquê as questões centrais que são as causas dos problemas ficam esquecidas…e isso os políticos e autoridades que fizeram as lambanças nunca acham ruim…Abraço.

  • Alê

    Gostei da idéia do governo espanhol. Clube que deve pra Receita e pro governo não pode ficar gastando feito louco. Primeiro sanear contas, pagar dívidas, depois pensar em contratações milionárias e pagar salários estratosféricos.

    • Sergio

      Se candidatou para o Olimpiada de 2020

      • janca

        Ah! Essa informação faltou no meu texto. Obrigado pela lembrança. Os espanhóis querem, apesar de toda a crise, receber a Olimpíada de 2020. Já Roma, justamente por causa dela, a crise, caiu fora. Abs.

  • Alê

    Tem uma coisa que não entendo. Como o PSG, com essa crise toda, sai gastando essa fortuna toda? Assim é fácil pro Leonardo trabalhar. Acho que ele se alia às pessoas certas, porque gasta como se a Europa estivesse no bem bom.

    • janca

      Se são as pessoas certas confesso que não sei. Mas foi dirigente do Milan, do Berlusconi, agora está ligado com os “xeiques árabes”, pelo jeito dinheiro pra contratar e pagar salários milionários não falta. Mas tem que pensar no longo prazo. No Milan, mesmo com a fortuna do Berlusconi, acho que ficaram muito no imediatismo. Vejo com um pé atrás o que está sendo feito no PSG.

  • Rafael

    Bom dia Janca!
    Parabéns pelo ótimo texto!

    Realmente a situação na Europa não é nada boa, isso não afeta tanto os poderosos Real Madrid e Barcelona, porém em um campeonato que só é disputado pelos 2 times, o restante certamente quebrará.
    Mas o ponto que quero chegar é: Com essa grande crise na Europa os times se endividando, não seria a hora do Brasil (“6ª Economia Mundial” e País do Futebol) investir mais na cultura e no esporte?
    Posso estar enganado, mas uma parte considerável da renda do Barça vem de fora da espanha.
    Seria a hora de valorizar nosso esporte?
    Acho que deviamos nos espelhar nos americanos (Em relação a clubes), pois eles conseguiram trazer jogadores famosos para promover a liga americana, e claro que isso influencia na seleção, que hoje em dia vem jogando um bom futebol.
    O BRICS é a bola da vez no mundo, sabendo aproveitar Janca, poderemos ser novamente, o verdadeiro Pais do Futebol.

    Obrigado.

    • janca

      Bom dia, Rafael. Obrigado pelas palavras e vamos lá, ponto por ponto:
      1) O Espanhol pra mim não tem graça, acredite ou não acho o Brasileiro muito mais interessante. Lá você sabe que vai ganhar um ou outro, Real ou Barça. Aqui há pelo menos cinco, seis times (se não mais) em condições de levar a taça. E mesmo com muita gente achando que o fenômeno mais cedo ou mais tarde se repetirá aqui, com predomínio de Corinthians e Flamengo, eu vejo diferente. Não acho que temos esse risco, não. Mas é opinião minha. Com criatividade, explorando as diferenças regionais, há vários times que poderão fazer frente aos dois mais populares, mesmo que estes recebam verbas maiores da TV. E o Santos é um exemplo disso;
      2) Acho que temos de investir mais em cultura e esporte, sim, mas investir com inteligência. Não dá pro governo ficar mantendo COB, CBB, confederações e federações por aí afora, sendo que elas estão nas mãos dos mesmos há anos e anos. E tem de investir em educação e saúde. Ao lado da mobilidade urbana, considero os dois setores mais importantes pra olharmos hoje e amanhã;
      3) Podemos também vender melhor nossos campeonatos, como fazem os espanhóis, mas com a crise lá fora não sei se ajudaria muito neste momento. Mas é uma ideia. E boa, por que não? O Corinthians pensa nisso quando vislumbra o mercado chinês. O Santos idem com a Europa;
      4) Podemos trazer bons jogadores _e temos feito_ especialmente sul-americanos. Mas poderíamos pensar também em oxigenar o ambiente com técnicos de fora, por que não?
      Grande abraço, Janca

  • O comentários aqui refletem um certo descontentamento quanto à organização econômica mundial – ou, mais especificamente, aos sistemas econômicos adotados até então. O texto do Janca apenas expõe o lado menos glamouroso de países capitalistas desenvolvidos que quase sempre estiveram no topo da cadeia alimentar. Assim sendo, independente de nós fazermos parte desta “elite”, a pergunta a se fazer é: se a conta do Capitalismo não fecha, e se a balança estará sempre em desequilíbrio, por que insistir em doirar a pílula?

    Abraço,

    João Sassi – Borogodó Futebol Clube

    Ps: como economista sou um excelente antropólogo.

    • Alê

      Mas você defende o quê? O comunismo? Deu certo o comunismo?

      • Alê

        Isso é proselitismo político da sua parte. Quer PCB, PC do B, qual sua sugestão?

        • Alê, sou, antes de tudo, apartidário. Aliás, que mania esta a de se enxergar o mundo como algo simplesmente dual, quando, se não sou isso, só posso ser aquilo! Parece até o raciocínio do Bush!

          Não se pode falar mal do Capitalismo por estas bandas que sempre tem alguém me taxando de comunista ou radical; que pensamento raso. Vamos ampliar nossa visão de mundo.

          Valeu, Alê.

          • E antes que se estabeleça qualquer sorte de mal entendido, “por estas bandas” nada tema ver com o autor do blog, por quem expresso enorme admiração por, dentre outras coisas, ser o mais tolerantes dos jornalistas blogueiros que conheço.

          • janca

            Obrigado, Borogodó, obrigado de verdade. Abração, Janca

          • janca

            Ah! E volta e meia escrevo “por estas bandas” também, mas sem estar me referindo ao blog e sim ao Brasil.

  • Luiz Marfetan

    O problema maior e que os clubes não se ajudam. Os clubes pagam jogadores ( alguns, e claro) caros, para que? para enriquecer dirigentes e cbf? Porque os clubes não se unem e dão um basta nisto, enquanto não o fizerem estarão cada dia que passa na mais negra pindaiba. Meu pensamento, os governos deviam intervir sim, principalmente nos clubes de futebol.

    • janca

      Já eu sou contra intervenção, Luiz, mas favorável a uma mudança na legislação, que possa responsabilizar e punir os maus dirigentes por seus atos irresponsáveis no futebol. E no esporte em geral.

  • Tiago

    Sou rubro-negro, não me conformo com o Flamengo endividado até não poder mais gastando o que gasta com alguns jogadores. R10 foi exemplo. Deu tudo errado. E corremos o risco de pagar 40 milhões na justiça. Primeiro paga as dívidas, depois paga salários milionários.

    • Leia o que escreveu o Birner sobre o comportamento da diretoria corintiana em relação ao litígio com o Adriano e sinta a diferença do amadorismo reinante na Gávea. Triste, triste…

  • Maverick 73

    Sou a favor de cortes na cultura. É um absurdo ter que sustentar atores e atrizes para que eles possam fazer suas peças de teatro e lucrar com isso. Eles que se virem. Aqui no Brasil, ha muito incentivo financeiro por parte do governo para a realização dessas peças de teatro. Quem ganha com isso? Posso te garantir que os que mais necessitam de auxílios (os pobres) não. Só os ricos vão a peças de teatro, visto o absurdo que são ps preços praticados por esta modalidade de ‘cultura’. Os atores e atrizes, também lucram bastante e costumam gastar essa grana em drogas e bebidas. Aí chegam no final da vida, quando já não são mais ricos nem famosos, falidos e se fazendo de vítima, pedindo doações. Investimento deve ser em esporte e educação. Esses 2 sim podem ajudar muitas crianças carentes a ter uma vida mais digna.

    • janca

      Entendo sua posição, Maverick, e não vou discordar dela não. Só em parte. E teatro popular? Teatro na periferia? Atuei como voluntário num Instituto, chamado Ana Rosa, voltado pra formação de crianças carentes, o teatro era instrumento importantíssimo pra elas se expressarem , pra aprenderem, pra se comunicar, enfim. Como o cinema. Como a literatura. A música clássica, hoje, tem ajudado muita gente também. Não deve ser vista só como uma coisa de elite. Mas entendo sua tese. E o que acho é que os investimentos têm de ser feitos com inteligência e critérios, especialmente num momento como esse. Você fala que defende investimento em esporte, não em cultura, citando o teatro como exemplo. Mas te pergunto: em esporte de alto rendimento? E a base? Esporte e cultura são duas boas ferramentas pra integrarmos os indivíduos carentes à sociedade. Acredite. E o teatro também. Abs.

  • Lily Martins

    Bom dia João. Boas discussões como sempre. Tenho uma idéia sobre Cultura e Esportes. Por que não deixam os dois na mesma pasta? Junto com Educação, como fez a Espanha, no Brasil já foi assim. Você não defende a redução no número de ministérios? Acho Cultura e Esportes super importantes, mas podiam ficar na mesma pasta, os assuntos são parecidos, leis de incentivo, eventos, promoção cultura e esportiva, esporte de alto rendimento, cultura pra elite, cultura pra base. Você não pensa assim? Ou estou delirando com minhas idéias? Bj. Lily

    • janca

      Oi Lily. Eu defendo a redução do número de ministérios, sim, porque o governo acaba perdendo o controle sobre eles, vide Ministério da Pesca (da Pesca???), usa como instrumento de troca pra obter apoio político no Congresso, caso dos Transportes, do Esporte, do Trabalho… Enfim, hoje acho importante termos um Ministério do Esporte, ainda mais com Copa e Olimpíada chegando, mas não do jeito que está sendo tocado ou que foi por Agnelo, Orlando Silva e agora por Aldo Rebelo. Juntar Educação, Cultura e Esporte não. Educação é prioridade número um, ao lado de saúde. Tem que ter uma pasta só pra ela. Mas que seja bem administrada. Como devem ser cultura e esporte, já que quando se fala em esporte não se deve pensar só no esporte de alto rendimento, muito pelo contrário. Mas no esporte como instumento de inserção social, como também é a cultura. Boa quarta pra você, João

  • Vinicius Posterari

    Janca,

    Tocou num ponto realmente importante hoje. Eu só gostaria de adicionar que estamos falando de países “desenvolvidos” (pelo menos culturalmente, mas em momentos de crise até isso fica em cheque). Difícil comparar porque na terra da banana, ou em terras latinas em geral, é muito comum usar o esporte pra aplicar políticas de pão e circo (Não foi assim que a Argentina venceu uma de suas duas Copa do Mundo?).

    Eu sou totalmente contra o envolvimento excessivo do Estado no futebol, exceto em ações como o Timemania, que até onde entendo usa o nome dos clubes pra divulgar uma loteria e remunera o governo, reduzindo a dívida dos clubes pelos valores que deveriam ser pagos como royalties. Não vou entrar na questão de estádios pra Copa porque afloram paixões (e ódios) clubísticas e que precisam ser avaliadas no formato (sou corintiano, mas não estou defendendo, jamais faria isso)…

    Acrescentando à discussão: quanto à Europa, digo que minhas preocupações infelizmente vão muito além do futebol. Você abordou questões extremamente importante como desemprego, inadimplência… Se você somar a isso as pressões governamentais sobre o câmbio e medidas protecionistas (leia-se uma guerra expansionista do lado vendedor e contracionista do comprador), você chega ao cenário que precedeu a Primeira Guerra Mundial, que culminou nos movimentos anti-semitas que serviram de muleta pra uma Segunda Guerra, também mais econômica do que qualquer coisa… Deixo o comentário caso queira debater sobre isso também…

    Grande Abraço e parabéns pela discussão

    • janca

      Oi Vinicius. Você que tocou em pontos importantes. Espero que não tenhamos uma nova guerra _e não creio nisso_, mas quando vejo os extremistas crescerem, pregando, por exemplo, a Grécia para os gregos, fico extremamente preocupado. E isso tudo tem um cenário por trás. O da crise econômica. O desemprego em massa, a inadimplência, enfim, nesse cenário discursos oportunistas ganham força, bem como medidas extremistas. E encontrar inimigos externos é sempre mais fácil. Sobre o futebol também sou contra o envolvimento excessivo do Estado, exceto, como você colocou, ações como a Timemania. Mas a política do pão e circo não existe só por aqui. Não veio de Roma? E o que me assusta é que lembro que a Alemanha, que desencadeou a Segunda Guerra, por exemplo, e colocou Hitler no poder, é um país onde a educação é forte. A Alemanha acho que aprendeu muito com o que acontece em 1939-1945, percebi isso durante o Mundial de 2006, mas o foco da crise agora não é em Berlim. É na “periferia” da Europa. E preocupa, Vinicius, preocupa. Abs.

      • Vinicius Posterari

        Eu não diria que não creio, mas que espero que não aconteça. E confio num mundo supostamente mais consciente e civilizado pra apostar que não vai acontecer nada tão grave mesmo.
        Ainda assim, acho difícil comparar a Espanha e o Brasil nesta questão. Lembremos que um campeonato brasileiro de alto nível e que preencha bem o noticiário é de grande ajuda quando a situação econômica e social aperta. Triste.
        É fácil quando reparamos, e ressalto que achei o governo do Lula mediano, no governo do Lula. Em meio a tanta coisa, pro bem e pro mal, uma parcela imensa da população acredita que os maiores feitos foram conseguir a Copa do Mundo e as Olimpíadas (que aliás, dado que é no Brasil, mal vai beneficiar o Rio), ignorando inclusive todas as coisas mais importantes que ele fez. E pior ainda, sendo os dois eventos o maior retrato do que acontece no país, que é o investimento em imagem e uma pobreza profunda em infra estrutura e educação (pensemos no Rio com instalações excelentes, mas sem estruturas adequadas pra esporte nas escolas ou sistemas de transporte que comportem eventos de tal magnitude.
        Lembrando o seu post de alguns dias atrás: tem hora que cansa de falar e brigar. Mas vamos seguir em frente porque é um alento passar aqui e ver que tem gente que também se preocupa e que tenta fomentar alguma reação das pessoas.

        Abs

  • Charles Ubiratan

    Dívida por dívida, os clubes brasileiros, já estão há muito tempo ….. Neste quisito eles nos copiam.

  • ADALBERTO FRANCO

    Janca, existem meios para que não precisem cortar verbas da Educação e do Esporte, é só reduzir em 60% os salarios do nossos politícos, safados e corruptos ai sim iria sobrar dinheiro para outras coisas, o povo não sobrevive com um miguado salario? Porque esses safados tem que ter grandes salarios e mordomias? É só reduzir um pouco essa farta lavagem e você vai ver como tudo melhora.

    • janca

      Ah! Sem dúvida. Reduzindo o que se perde com corrupção, o PIB de uma Bolívia, pode ser?, a solução, pra gente, ficaria melhor. E na Europa e Estados Unidos também, pois lá também há irresponsabilidade nas contas e gastos públicos, como se viu na Grécia e Espanha, pra ficar em dois exemplos. E na crise de 2008 nos Estados Unidos. Hipotecas, hipotecas…

  • Corélio

    Eu já pratiquei “profissionalmente” paraquedismo durante 5 anos.
    Sempre joguei (meia boca) futebol. Hoje apenas surfo e ando de bike e skate, mas não vejo de que forma o esporte de alto rendimento pode significar tanto para um país.
    Calma!
    O que estou querendo dizer é que o esporte é excelente para o desenvolvimento de cidadãos, tanto na questão de saúde quanto educação e até civismo, mas quem lucra, por exemplo, com o Alonso e o Nadal além deles próprios e das empresas que os patrocinam? O que isso gera de retorno pra população, além de orgulho e uma falsa ideia de que “os espanhóis são os melhores do mundo”? Alimenta o ego e o que mais?
    E o Real Madrid e o Barcelona, de que forma eles contribuem com o país? Pagando os devidos impostos acredito que não seja, pois as dívidas dos clubes crescem a cada ano (sem contar a injeção de investimentos, digamos, duvidosa, que o Real Madrid recebeu durante o período de Franco). E ai eu pergunto: o quanto a população se beneficia com o fato do Real Madrid e o Barcelona estarem entre os 5 maiores clubes do planeta?
    Sendo assim é correto um país que está com imensas dificuldades financeiras, onde o desemprego é gigantesco, aplicar enormes investimentos onde pouquíssimos se beneficiam? Acredito que não.
    Hoje em dia o esporte é uma máquina de fazer dinheiro para uma “muito pequena” minoria, enquanto que a população não se beneficia em quase nada.
    Vejamos o Brasil. Vamos sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Maravilha. Se pegarmos tudo que já foi investido em obras para estes 2 eventos pelo governo, qual o percentual que será revertido em algum benefício para o povo? Com certeza menos de 1%. Agora, imaginemos pegar toda essa grana investida e aplicada em hospitais, escolas, médicos e professores. A curto, médio e longo prazo com certeza teríamos um retorno incomensuravelmente maior. Disso não tenho dúvidas.
    Acredito que as empresas privadas é que têm que investir no esporte de alto rendimento, e não o governo.

    • janca

      Oi Corélio, agora não conseguirei ler nem comentar suas colocações, à noite leio com calma e te respondo até amanhã, ok? Vou palpitar sobre seu comentário. Debater é preciso. Abração, Janca

    • janca

      Eu concordo sobre a questão do esporte de alto rendimento, acho que deveria ficar a cargo de empresas privadas, questiono muito quando vejo dinheiro público sustentando COB e confederações, como a de basquete, por exemplo. Mas às vezes (pros dirigentes) é mais fácil (e cômodo) receber dinheiro do governo do que da iniciativa privada. O esforço pra consegui-lo talvez seja menor… De qualquer jeito acho importante o exemplo de alguns atletas para inspirarem outras pessoas, muita gente bem ou mal se alimenta disso. O Guga, para o tênis, poderia ter sido muito importante se a CBT tivesse sabido “explorá-lo” melhor, mas não soube capitalizar em cima do efeito Guga. Pena. Mas em linhas gerais penso de forma parecida com você. Abs. e bom feriado, Janca

      • Corélio

        É bem isso mesmo.
        Pouquíssimos se beneficiam destes investimentos.
        O correto seria o governo construir ginásios poliesportivos de pequeno porte espalhados por comunidades carentes. O custo disso seria muito menor do que manter essas confederações, onde impera a corrupção e desvio de verbas, e o resultado seria muito melhor.
        Estive no Japão agora em dezembro para ver o Santos no Mundial, e viajei bastante nos pouquíssimos 8 dias em que estive lá no trem bala, e toda pequena comunidade lá, que mais pareciam vilas, tinham ao menos um campo de baseball. Aqui, as praças públicas só servem de fumódromo pra maconheiro e motel pra pedestre.
        Nenhuma política pública funcionará no Brasil enquanto a corrupção for a maior fonte de renda.

        • janca

          Concordo com você, Corélio. Na China, onde estive em 2008, fazem algo parecido com o Japão. Pequenos parques com espaço pra tênis de mesa, prática de tai chi, aqui não há política pública. E ginásios esportivos _ou estádios_ gigantescos são para um público seleto, que pode pagar, cada vez mais as pessoas comuns ou os mais desfavorecidos economicamente são colocados na marginalidade. Ficam à margem dos grandes eventos, tentam colocá-los à margem da vida. Falta política pública mesmo. Abs. e boa quinta pra você

  • Luis Figueredo

    Fala Janca,

    Antes de mais nada, ótimo publicação.

    Fazia tempo que não comentava no blog. Mas, esse é um assunto que acho muito importante. Todo dia somos desinformados por boa parte da nossa mídia. Apesar de existirem ótimos jornalistas fazendo trabalhos excelentes de apuração, a opinião pública (odeio esse nome, porque não representa nada) ainda é pautada por poucos que espelham suas opiniões como verdades absolutas. Este problema é muito mais grave quando falamos de economia.

    A Economia passada na maioria dos jornais é pautada pelo Sardenberg, que possui uma opinião neoliberal, bastante anti-keynesiana. É uma opinião. Não uma verdade. Existem excelentes economistas keynesianos no mundo. Na verdade, a maioria dos bons economistas. A maioria deles teria um ataque do coração vendo as notícias de economia do Brasil. Simplesmente não condizem com a realidade. São extremamente simplificadas e não levam em conta os dados (ahh mas para que dados, se eu tenho a opinião do Sardenberg?)

    Heheh precisava desabafar.

    ===========[ Crise Europeia ]=========

    A crise era uma coisa já prevista pelos próprios economistas que criaram o Euro. Sim, e mesmo assim eles criaram o Euro da maneira como ele é hoje. NÃO é verdade que puro endividamento gera crise. Se fosse assim, Alemanha, EUA, Japão, UK estariam quebrados à 300 anos.

    As dívidas são diferentes, a Espanha não tinha dívida alta antes da crise [1], pelo contrário, tinha superávits altissimos e estava reduzindo substancialmente sua dívida/per capita. Mas, o endividamento das instituições privadas do país, levaram o país para o buraco (SIMM, a culpa não foi simplesmente do governo).

    A Grécia tinha uma dívida pública alta, mas lembre-se que as agências de risco falavam que ela era confiável e por isso ela pagava taxas muito pequenas de juros (sendo uma dívida controlada, não causaria nenhuma crise), mas de reprente, olhou de novo para a Grécia e falou: “ei, não confiem nesse país”, e bum, a Grécia estava pagando juros nas alturas, o que fez a dívida crescer exponencialmente. [2]

    A culpa no final não é da Espanha, não é da Grécia, ou Itália. Os países periferícos da Europa não fizeram nada diferente do que a Alemanha sempre fez. O problema é que é impossível manter a mesma moeda em países tão economicamente desiguais sem uma política economica conjunta. A Alemanha, o país mais rico, só quer dos problemas delas e assim só atrapalha mais os outros perifericos. O Euro fez entrar bastante capital no país no início do século, a Alemanha aproveitou essa entrada de capital para sair da crise que se encontrava. Isso fez aumentar a inflação do país em relação aos outros países da Europa, atrapalhando ainda mais a existência do Euro (um país mais rico com a mesma moeda de um país mais pobre, deve ter uma inflação menor para que tenha mais poder de consumo em relação ao mais pobre, o que retrataria a realidade).
    A culpa da crise do Euro, não é dos países que mais estão sofrendo. A culpa é de como o Euro foi mal consolidado. Agora, se for para culpar um país pela crise, obviamente deve-se culpar a irresponsabilidade Alemã, que agora está fazendo exatamente o mesmo que o FMI fez com a Argentina, mas com a Grécia e com a Espanha. Pode apostar, se o Euro não acabar, ou se a Alemanha continuar tão irresponsável, acontecerá na Espanha o que aconteceu na Argentina. A Argentina saiu mais forte da crise, rezemos para que a Espanha e a Grécia lembrem do exemplo do nosso vizinho.

    Para entender a crise grega em 4 minutos (simples, mas divertido):
    http://www.youtube.com/watch?v=mEVqeaFHsHE

    [1] http://krugman.blogs.nytimes.com/2012/04/25/leveraging-deleveraging-and-fiscal-policy/
    [2] http://krugman.blogs.nytimes.com/2012/06/04/soros-on-the-euro/

    =========[ Olimpiadas Gregas => BOM NEGOCIO SIM ≃=========
    Na realidade, apesar da dívida. As olimpíadas foram ótimas para Grécia. Se tivessem mais 3 olimpíadas, ou se a Grécia tivesse se endividado mais durante as olimpíadas, talvez não estivesse nessa situação. Com mais investimentos no país, a Grécia não teria um saldo negativo na balança comercial e poderia ter superavits para pagar as dívidas. Além disso, aumentaria a inflação o que diminuiria o poder de consumo da população em relação ao resto da Europa melhorando ainda mais o saldo da balança comercial, e o ciclo continuaria assim!

    Abraços,

    Luis Figueredo!

    • janca

      Mas com as contas maquiadas, como aconteceu com a Grécia, fica fácil culpar os outros. Poderia fazer mil Olimpíadas que seguiria atolada em problemas. Governo, assim como os clubes, tem de gastar com responsabilidade. Abs.

  • Luis Figueredo

    Fala Janca,

    só para complementar sobre os comentários da galera no blog. Ainda tem muito preconceito com o Brasil e muita idolatria sem sentido pela Europa.

    Só para acabar com alguns mitos (não estou falando que você concorde com os mitos, mas vejo muitos comentários com estes papos que alguém disse e a gente acredita sem dados).

    1) Dívida dos clubes do Brasil.

    Vi um cara aqui falar que a gente ensinou aos times Europeus a se endividarem. Besteira. Só o Barça, o ano que foi campeão de tudo (Liga, Champions, Mundial) fechou a temporada no vermelho em 21 milhões de euros. No ano anterior teve que pegar 150 milhões de euros emprestados para pagar salários durante o verão. A verdade é bem o contrário, nos aprendemos esses vícios com eles.
    http://www.theweek.co.uk/football/13393/barcelona-forced-borrow-money-pay-wages
    http://espn.estadao.com.br/futebolinternacional/noticia/196216_BARCA+FECHA+ANO+FISCAL+NO+VERMELHO+MAS+INVESTIRA+R+100+MI+EM+CONTRATACOES

    2) Nós pagamos os maiores impostos do mundo

    Isso só é menos ruim do que ouvir o Sandenberg falando que pagamos mais impostos neste ano do que no ano passado (duhh, óbvio, o Brasil cresceu, a inflação cresceu e só um revolução poderia fazer a arrecadação de impostos ser menor).
    Bom, o fato é que pagamos de impostos cerca de 35% do PIB. Isso ainda é bem inferior a países como UK, França, Itália, Noruega etc. A dinamarca, por exemplo, paga em impostos cerca 50% do PIB. Isso é ruim? Bom, vocês que me digam.
    Serviços de qualidade só vêm com impostos altos. O resto é ilusão.

    http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_tax_revenue_as_percentage_of_GDP

    3) Gasto público é muito alto

    Durante a crise batemos recorde de aumento em gastos publicos (18 ou 19% do PIB). Só a França, no mesmo ano gastou 14% só no sistema de previdência. Os EUA gastaram 11% só nas forças armadas. Somos um país com poucos gastos públicos. Gastamos em média 5.5% do PIB com funcionarismo enquanto os EUA sem saúde pública gastam 8-9%. Isso é outra lenda Vejistica!

    4) Extremistas só em país periferico

    Outra lenda, o partido nazista alemão está ganhando cada vez mais força. Na França, a extrema direita nunca esteve tão bem (principalmente com os jovens). O louco doente extremista que matou 77 pessoas ano passado não era da Grécia, era da Noruega.

    Abraços,

    Luis Figueredo

    • janca

      Nunca disse que extremistas só existem em país periférico, pelo contrário. A França é exemplo disso. Tampouco afirmei que o norueguês que matou 77 pessoas era grego. Abs.

    • janca

      E outra coisa. Trabalhar cinco meses do ano pra pagar impostos acho demais, ainda mais com o uso que o governo e os poderes fazem de nosso dinheiro. E não acho que um mau exemplo de outro país sirva de desculpa para os descalabros no Brasil. Mas cada um com sua opinião. Erros de fora não justificam os nossos.

      • Corélio

        Se trabalhássemos 5 meses por ano apenas para pagar impostos, e tivéssemos uma saúde pública decente, escolas públicas e segurança, seria quase perfeito, como ocorre na Inglaterra, por exemplo. Mas aqui, esses 5 meses servem apenas para mantermos os políticos corruptos que nós mesmos elegemos. Pra mim não existe nada mais bizarro do que votar no Tiririca como forma de protesto. Bizarro demais.

        • janca

          Penso como você, Corélio, trabalhamos cinco meses por ano pra pagar impostos e fazem o quê da grana dos contribuintes? De certa forma até sabemos… Vide gestão Kassab, em São Paulo, que abandonou a cidade, sem falar nas denúncias de corrupção, gestão PSDB, no Estado, gestão PT, no governo federal. Mudam as letrinhas a filosofia segue a mesma…

          • Alexandre

            O problema é que a partir de duas premissas verdadeiras – (1) os impostos no Brasil são altos e (2) os serviços públicos no Brasil são ruins – os brasileiros, principalmente os de classe média e alta (que, diga-se de passagem, pagam, proporcionalmente, menos impostos que os de classe baixa) costumam chegar a uma conclusão errada: que os impostos deveriam baixar.
            Oras, deveríamos brigar para que os serviços fossem melhores e não, partindo do fato de que eles são ruins, brigar para que paguemos menos por eles.
            O verdadeiro problema tributário no País não é com relação ao montante total, mas a sua distribuição, pois o grosso do que se paga no Brasil é de tributos sobre consumo, ao invés de tributos sobre a renda, como ocorre na maioria dos países desenvolvidos.

          • janca

            O que é ruim é ver o destino que dão aos nossos impostos, muitos perdidos pelo ralo da corrupção. Mas concordo, claro, que deveríamos e devemos pressionar para que os serviços sejam melhores, principalmente nas áreas de educação, saúde e mobilidade urbana.

          • Luis Figueredo

            Alexandre, concordo com sua conclusão.
            A classe média e alta empurrada pela jornalismo econômico fraquissimo das nossas mídias acham que todas soluções do mundo são reduzir impostos.
            Não pagamos impostos tão altos assim. Estamos na média do mundo. Abaixo dos países desenvolvidos. Deveríamos pagar mais sim. É impossível pensar saúde pública universal (saúde é cara, e é por isso que os EUA não implementam) com os impostos atuais (mesmo com 100% de utilização correta dos recursos). Concordo que deveríamos pagar sobre a renda, isso é uma necessidade primordial. Mas você não escuta muita gente pedindo isso. Preferem pedir redução de impostos (que levaria a redução de serviços).

            Outra lenda é que tudo é problema da corrupção. Que somos mais corruptos que outros países. Temos um sistema político que NÃO é corrupto (apesar da mídia e outros Demostenes adorarem gritar isso), mas aonde estão inseridas pessoas corruptas. Como qualquer outro lugar do mundo.
            Nosso problema não é que roubam e falta dinheiro para fazer isso ou aquilo. Pensar assim é procurar agulha no palheiro. Só serve para perder tempo. O grande problema é de gestão. É excesso de burocracia (muitas vezes causada pela iniciativa precipitada de lutar contra a corrupção). Olha para a saúde e educação. É só olhar o tanto dos recursos que são gastos no ano. Sobra dinheiro. Não foram roubados. O problema é que é uma luta para gastar o dinheiro. O mesmo acontece em outras áreas. A burocracia só ajuda os corruptos que conseguem brejas para o dinheiro.
            O problema é que somos Don Quixotes achando que corrupção é o maior inimigo do mundo. Enquanto estivermos lutando contra o moinho, a burocracia atrasa o crescimento. A corrupção se combate com uma PF ativa, com o COAF ativo, com instituições bancárias cooperantes com o BC, com o portal da transparência. E estas medidas levam tempo e estão sendo feitas. Não se combate corrupção com gritos, com gravações ilegais em hotéias, com fotos, com corruptos chamando outros de corruptos, com acusações sem provas.
            Abraços.

          • janca

            Mas a ideia de tributar sobre renda é interessante. E a de lutar por serviços decentes idem. E também acho que a burocracia atrasa muito o crescimento, o que não invalida a luta por um sistema de saúde melhor. E também não invalida o grito de muitos contra a corrupção. Agora dizer que somos mais ou menos corruptos do que outros países é muito difícil, Luis. Devemos ser mais do que alguns, menos do que outros, acho que nem existe índice pra isso, embora a “Folha” tenha feito uma matéria, salvo engano, dizendo que perdemos o PIB de uma Bolívia (ou equivalente) por ano por conta da corrupção. Pode ser??? Abs.

MaisRecentes

Pela saída de Levir



Continue Lendo

Apoio a Jô



Continue Lendo

Os preços da Seleção



Continue Lendo