A Europa no buraco



Reproduzo abaixo, pra quem não teve oportunidade de ler, coluna que publiquei ontem no L! e mostra os cortes em cultura e esporte feitas por uma Europa em crise. Algumas discussões colocadas lá fora, especialmente na Espanha, onde boa parte dos clubes está pra lá de endividada, servem para o Brasil, que tem de encontrar seu próprio caminho. Ah! Abaixo da coluna seguem três notinhas para vocês debaterem a questão comigo. Se quiserem, claro.

“Economistas belgas e noruegueses preparam um estudo sobre a retração dos investimentos em esporte e cultura no Velho Continente devido à crise do euro. Em conjunto, Espanha, Grécia, Itália e Portugal, quatro dos países mais afetados economicamente, teriam reduzido de 2010 para 2011, segundo dados preliminares, 61% do que aplicavam no esporte. E isso às vésperas da Olimpíada de Londres, que não teria aquecido o mercado europeu de 2011 pra cá mesmo no campo esportivo.

Na cultura, os cortes seriam menores, mas devem ultrapassar a casa dos 50%. Para se ter uma ideia, os portugueses decidiram simplesmente extinguir o Ministério da Cultura, enquanto a Itália, com 11 times na divisão de elite tendo cortado mais de 30% dos gastos de 2010 para o ano passado, também sofre nos dois setores. O esportivo e o cultural. Só para ficar em um exemplo, o Scala de Milão, o teatro europeu mais conhecido internacionalmente, tem um déficit anual perto dos 25 milhões de reais.

O desemprego na zona do euro está próximo de 12% e nos casos de Espanha e Grécia começa a se aproximar dos 30%. As perspectivas não são nada boas, porque com a inadimplência em alta e o poder de consumo em queda, os países não conseguem arrecadar mais e as contas públicas seguem caóticas.

O que isso tem a ver com o esporte? Tudo. Afinal ele é, como já estão sentindo na região, um dos primeiros setores ao lado do cultural a sofrer ajustes. E por sofrer ajustes entenda-se perder recursos. Públicos e privados.

Na Espanha, onde reina o pânico com a crise do euro e a corrida aos bancos pela população assustou economistas, sem falar na catástrofe que atola a Grécia e aumenta a força dos extremistas, sempre um perigo à sociedade, as dívidas dos clubes de futebol já se aproximam dos 2 bilhões de reais. E nos bastidores começa uma disputa entre dirigentes esportivos e a classe política, que nem sempre falam a mesma língua.

No país detentor do título de campeão mundial de futebol, o governo quer reter um terço das receitas de TV dos clubes que não estiverem em dia com o fisco, além de formar um conselho para analisar a política salarial e a de compra e venda de jogadores dos principais times do país.

Os governantes acham que não têm sentido os clubes gastarem uma fortuna em salários e fazerem contratações caríssimas se não têm equilíbrio nas suas contas e vivem endividados. Parte dos direitos econômicos sobre os atletas passaria ao Estado, que a usaria como garantia em caso de calote.

Os dirigentes de futebol têm feito reuniões aqui e acolá para discutir o assunto, já que veem nisso uma interferência indevida da União. Segundo eles, se o Estado não consegue controlar suas próprias contas, não pode querer dar exemplo de boa gestão bem em cima do futebol, um dos poucos setores do país, ao lado do tênis e de outras modalidades esportivas, com notícias positivas no exterior.”

* Atenas-2004: Os gastos com a Olimpíada de 2004 estão longe de representarem uma explicação para a crise grega, mas já no início da década passada, tendo os Jogos como pretexto, o governo começou a gastar mais do que podia. Com balanços maquiados, os gregos empurraram a situação com a barriga até não poderem mais. E as dívidas com o evento, que seriam pagas até 2030, tendem a acabar em calote;

* Tesoura espanhola: Com a crise no país e a fuga de capitais o Partido Popular resolveu deixar esporte e cultura de lado. Em dezembro cortou o Ministério da Cultura e juntou-o à pasta de Educação e Esportes. Anunciou redução no orçamento para o setor na casa de 20% e novos ajustes ainda podem ser feitos. O cinema, com corte de 35%, deve ter quase 80% dos longas e curtas programados para 2012/2013 adiados;

* Corrida aos bancos: Clubes de futebol das regiões mais afetadas, caso de Espanha, Itália, Portugal e Grécia, estariam agindo como muitos contribuintes, sacando dinheiro e transferindo-o para o exterior. Apesar da crise, porém, Barcelona e Real Madrid ainda apresentam bons resultados financeiros, enquanto a maioria segue na descendente. O que deve aumentar a diferença entre grandes e pequenos na Espanha.



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