A imprensa e a seleção



Não sei se vocês têm a mesma impressão que eu, mas a relação da mídia com a seleção brasileira parece ciclotímica. E em geral acho que é mesmo.

Boa parte da imprensa vinha criticando até não poder mais a seleção, bastaram dois bons jogos contra Dinamarca e Estados Unidos para mudar de lado e posição. Elogios pra cá, elogios pra lá, jornalistas dizendo que se ganhássemos do México a torcida faria de vez as pazes com o escrete e o Brasil voltaria a ser “top”.

A vitória não só não veio como a seleção não atuou bem, alguns voltaram a criticar e até a pedir novamente a saída de Mano Menezes e outros, talvez pra não queimarem a língua, chegaram até a dizer que a sorte estava com os mexicanos, que o futebol deles melhorou nos últimos anos, o que não fazia do resultado nenhuma desgraça, desculpa aqui e acolá…

Vejo tudo de uma maneira um pouco diferente.

Mano desperdiçou quase dois anos de trabalho à frente da equipe? Sim. A seleção tem boas chances de ganhar o ouro olímpico? Tem, inclusive porque a conquista virou prioridade para a CBF e a safra de jogadores com menos de 23 anos é muito boa. O Brasil jogou muito bem contra Dinamarca e Estados Unidos? Sim. Dois jogos bastam pra voltarmos a ser os melhores do mundo? Claro que não, mas servem pra atiçar o ufanismo de setores da mídia e de alguns torcedores. Se viesse a terceira vitória, então… Não veio, o que é até natural e quem já achava que estávamos a caminho do topo mudou de ideia.

O México tinha uma equipe mais experiente do que o Brasil, mais velha, mais madura e mereceu vencer. Não porque teve sorte, mas porque teve méritos. E colocou o Brasil em seu devido lugar. Um time que tem bons valores individuais, tem boas chances de ganhar a Olimpíada, mas tem que ir com calma, sem oba-oba. Como diriam alguns, nem tanto ao céu nem tanto ao mar.

Se perdermos sábado para a Argentina, que vem com tudo, mas nós iremos também, acontece. Não é por isso que deixaremos de ter chances de ganhar o inédito ouro olímpico. Até porque os argentinos nem na Olimpíada desta vez estão e insisto que nossa safra de jovens valores é boa. Tanto que a seleção olímpica não difere tanto da principal, daí a preocupação com a Copa de 2014, pois esse time tem de amadurecer. E tem mesmo.

José Maria Marin, que de bobo não tem nada, quer ganhar o título que Ricardo Teixeira nunca conseguiu, a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. Já deu recado público a Mano Menezes e Andrés Sanchez e disse que acabaram as brincadeiras, as convocações de desconhecidos do Leste Europeu e de Ronaldinho Gaúcho. Mano entendeu o puxão de orelha e obedeceu.

Para Marin, se o Brasil ganhar o ouro olímpico, a torcida volta ao ufanismo de outros tempos e se esquece das mazelas da preparação para a Copa, com todas as obras pra lá de atrasadas, orçamento subindo e legado diminuindo, como já vimos no Pan do Rio. Acha que o povo vive de pão e circo. E a imprensa também. Talvez tenha razão, embora eu, particularmente, acredite que as coisas estejam mudando. E neste sentido espero que estejam mesmo.



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