O silêncio dos bons



Hoje, excepcionalmente, pediria para não mandarem comentários. A partir de amanhã, voltamos ao normal. Vocês comentam, eu respondo, vocês comentam de novo, eu rebato e por aí segue a carruagem (ops, caravana)…

O silêncio dos bons é pretensioso demais. Porque se trata do meu silêncio. E quem disse que tenho algo de bom?

Depois de tanto atacar a gestão de Ricardo Teixeira e comemorar a renúncia do dirigente, decidi ficar calado sobre José Maria Marin. Não por achar que o novo presidente da CBF signifique o novo, pois segundo ele próprio declarou sua administração representa o continuísmo da anterior, da qual era o vice mais velho.

Já escrevi demais sobre Marin pra só levar pancada na cabeça. E há horas em que você cansa, dar murro em ponta de faca machuca. Remar contra a maré não é pra qualquer um. E eu confesso que estou sem fôlego. E sem estômago.

Marin, como disse várias vezes neste espaço, é o político das antigas. Não nega entrevista, sabe lidar com os poderosos, abre uma torneira aqui, outra acolá e vai ganhando apoio. Inclusive na mídia. E de gente forte, graúda. Desapontado, não tenho nem o que dizer. Mudança na estrutura, que tanto gostaria de ver, nada.

Tenho sempre em mente “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, uma sátira ao stalinismo que segue muito atual, apesar de escrita nos anos 40. Os porcos e os homens, os homens e os porcos.

Amanhã sigo postando sobre política esportiva, economia do futebol, bastidores do mundo da bola, preparativos para a Copa e a Olimpíada, orçamentos, psicologia do esporte, ideias para usá-lo como instrumento de inserção social e por aí afora. Mas neste momento fico em silêncio. Sobre CBF hoje nada. Pela minha saúde física e mental.

Uma ótima quinta a todos e até amanhã, quando trarei uma questão de marketing esportivo pra vocês discutirem comigo, João



  • Evandro

    Venho até aqui dizer, apenas, que tenho a mesma opinião que a tua.
    Calaremo-nos, então.

    • janca

      Oi Evandro. Tinha dito que hoje não responderia comentários, até havia pedido pra não comentarem nada sobre meu post de hoje, apenas sobre o de amanhã e o seguinte e o seguinte e o seguinte, mas… Gostei de ler seu comentário. E queria agradecer pelas palavras. O que se passa no futebol brasileiro, o que se passa na política brasileira, o que vivemos hoje, enfim, é de dar nojo. E às vezes um minuto de silêncio “fala” mais do que um milhão de palavras. Abração e boa quinta pra você, que seja melhor do que a minha, Janca

      • Evandro

        Muitas e muitas vezes me sinto como você , Janca, incapaz e minúsculo diante dessa podridão toda. À verdade é que precisamos de vozes capazes de fazer barulho, incomodar essa gente que imunda a política e o esporte, porque se com isso é impossível que algo mude um dia, sem isso podemos simplesmente nos render.
        Acompanho teu blog porque acredito que as suas palavras sejam importantes nessa luta por mais moralidade, pelo espaço proporcionado aos debates e por me fazer crer que há gente disposta a mudar tudo isso. Mas te compreendo, porque há dias que ficamos roucos de tanto gritar, e ver tão pouco mudar.
        Você tem toda razão: A indignação nem sempre precisa de palavras. E por hoje, já falamos demais.
        Abraços e que os outros dias sejam muito melhores do que este. Força sempre!

        • janca

          Evandro, queria dizer um muitíssimo obrigado mesmo pelas suas palavras. Acho que você entendeu bem o que eu quis dizer. É me sentir “incapaz e minúsculo diante dessa podridão toda”. É perceber que há interesses muito mais fortes em jogo. É se decepcionar quando você se sente usado. É ficar sem voz depois de tanto gritar. Não me considero santo, nem nada, muito menos paladino da moralidade. Odeio moralistas. E ainda acho que podemos fazer a diferença. E vou começar a me dedicar, inclusive via blog e minha coluna no L!, pouco a pouco a outros pontos, como o que podemos fazer para pelo menos melhorar a vida de quem está ao nosso redor. Pensar mais no micro do que no macro, mas sem me esquecer do macro. Ciente, no entanto, que há uma barreira. Que quem está no comando tem o poder. E pode usá-lo de diferentes formas. Para intimidar, para humilhar, para… Outros dias virão. A indignação às vezes prescinde das palavras mesmo. Evandro, obrigado de verdade. Mesmo não te conhecendo pessoalmente você foi um grande amigo hoje. Um grande amigo. Abs. e vida que segue, outros dias virão, Janca

          • Evandro

            Estaremos juntos sempre nessa luta, Janca.
            Abração.

  • Rico

    Pelo menos o Marim tá dando um jeito no time. Barrou a convocação de Jucilei, Elias, Ronaldinho e alguns desconhecidos do Leste Europeu. De futebol, pelo menos, ele entende.

    • janca

      Oi Rico. Sobre a seleção concordo. O Marin não é bobo. Sabe que uma seleção forte faz muita gente esquecer de outras mazelas do nosso futebol. Mas hoje fico me perguntando, eu que critiquei tanto o Teixeira (e continuo crítico à sua gestão na CBF, que banalizou nossa seleção no final, sem falar das denúncias de corrupção, todas gravíssimas), a queda de Teixeira beneficou quais pessoas? Tem gente que faturou com ela, pois o Marin, como disse, é político das antigas. Sabe manejar bem, inclusive a mídia. Como sabem muitos políticos que têm verbas pra campanhas publicitárias em rádio, TV, jornal e revistas e muitas vezes o dinheiro fala mais alto. Ou pode falar. Sobre a seleção, tenho dito isso. Melhorou com o Marin. Gostei mais uma vez do time ontem. Se ele não tivesse intervido e o Mano continuasse no ritmo em que estava estaríamos perdidos. Com o Marin a seleção vai melhor. Mas e o resto? E, bem ou mal, ele mesmo diz que representa o continuísmo, mas muitos se esquecem disso.

      • Rico

        Concordo Janca, concordo. Mas vou te dizer que já desisti do Brasil (país) ha muito tempo. Não vejo nenhum futuro por aqui. Não tenho mais interesse em ser honesto e fazer as coisas certas. Eu juro que tentei, mas infelizmente fui vencido. Aqui não é país de gente séria. Aqui é o país da bagunça, do jeitinho, da malandragem. Isso nunca vai mudar, é cultural. Quem faz as coisas certas por aqui, se dá mal. Infelizmente é assim. E a culpa não é só dos políticos, como todos costumam dizer. Afinal, eles não caem lá de para-quedas, quem os coloca é o povo. Cada povo tem os representantes que merece. O povo brasileiro não merece ninguém mais do que Sarneys, Collors, Lulas, Renans Calheiros. Essa é a dura realidade.

        • janca

          Oi Rico. O pior é que nem tenho muito o que dizer… Talvez seja cultural, talvez o problema seja a falta de investimento em educação, talvez seja o financiamento das campanhas políticas, quem banca depois quer retorno, o próprio sistema eleitoral, sem falar no tributário, tanta coisa, tanta coisa. E o papel da mídia nisso tudo… Talvez a própria mídia seja um reflexo da sociedade, por que não? Mas quando vejo um faxineiro achar uma carteira, entregar pra administração do estádio, que procura o dono, devolve-lhe os documentos, isso não deixa de ser um refresco. Mas que a estrutura é podre é, não tenho a menor dúvida. É fogo…

          • Um ex-brasileiro

            Janca, concordo com você, é cultural. Mas está muito além da educação, Veja só, vim para os Estados Unidos com 20 anos de idade, há exatos 20 anos atrás. A América pode não ser perfeita, mas é um país onde todos são quase iguais, onde um policial para você na freeway, mas também para o bilionário no Lamborghini, e se tanto você, quanto o bilionário, estiverem errados, os dois vão parar na mesma cadeia, e vão enfrentar os mesmos processos, e podem ficar o mesmo tempo presos. O povo aqui se sente seguro, porque o estado serve ao povo, e não o contrário, porque nossas crianças aprendem nas escolas que há mais de 200 anos, um grupo de pobres peregrinos veio fugindo na noite escura da tirania na Inglaterra e fundou um país onde TODOS sem exceção teriam chances, não todos seriam iguais, porque Deus fez todos diferentes, mas todos teriam acesso as mesmas chances, e o que eles fizessem delas, dependeria da habilidade pessoal e da sorte de cada um. Daí surgiram os Hewlett e Packard, o Bill Gates, e o Michael Zuckerberg. Todos eles classe média, mas que tiveram chances e puderam chegar onde chegaram. Claro que existem diferenças e corrupção, também, mas o povo Americano como um organismo vivo, reage contra a corrupção, e como um organismo vivo quando encontra um invasor, luta para exterminar esse foco de doença. Como eu disse não é perfeito, mas aqui construi minha vida e de minha família, porque aqui fui dado as chances que nunca teria no Brasil, e hoje tenho minha empresa, minha casa própria, o meu filho mais velho está entrando na Universidade, e o curso dele já está pago, e o Brasil ficou apenas como uma lembrança de futebol, praia, e calor, há muito tempo no passado, já que renunciei a minha cidadania brasileira há muito tempo também, e nem visto para visitar o Brasil eu tenho mais. Como eu dizia a diferença está aí: os Estados Unidos foram formados por pessoas livres que fugiram da Inglaterra para construir o melhor lugar do mundo para suas famílias viverem na Liberdade que lhes tinha sido tirada na Europa. O Brasil foi construído a partir de criminosos degredados da Europa, que não chegaram ao Brasil por escolha, mas porque o Brasil era um grande presídio perpétuo para onde os piores da Europa eram enviados contra a vontade. Então daí, geneticamente, nasce esse sentimento de inferioridade, esse ódio e desprezo pela terra em que se vive e pelo seu semelhante que leva as pessoas a adorarem essa cultura do informal, do jeitinho, da corrupção e da criminalidade, que perpassa a mais profunda psique do povo brasileiro e leva com que eles votem nesses bandidos criminosos que dominam tanto a situação quanto as oposições da política brasileira, incluída aí o microcosmo da CBF. Fico triste, porque o Brasil por todas as bençãos dadas por Deus, mereceria um lugar no conselho das grandes nações da Terra, contudo seu povo parece geneticamente inepto para ocupar esse posto. E esta é uma tristeza incomensurável. Perdoe-me pelo enorme post, mas já que estamos todos desabafando aí vai o meu…

          • janca

            Claro, aí está seu desabafo. Concordo que as origens da sociedade norte-americana e brasileira são muito diferentes, mas as coisas mudam ou podem mudar. Acredito nisso. É um processo que pode demorar muito, mas acredito em mudanças. Discordo que o povo brasileiro pareça geneticamente inepto para ocupar um lugar de destaque no mundo, isso não, isso não existe, temos gente de muito valor, de muito valor mesmo. Uma miscigenação que acho bárbara, um sincretismo que acho incrível, mas também temos nossos canalhas, como têm os Estados Unidos, a Europa… E a cultura não é algo estático, ela está em constante evolução. Enfim, com pequenas revoluções podemos ir avançando. Veja a Europa, berço da civilização, e as duas Guerras Mundiais… Não aconteceram aqui. Aqui houve outros crimes contra a humanidade, tivemos a escravidão, uma dívida até hoje não paga com os negros e que jamais poderá ser quitada. Mesmo com as cotas, as quais defendo, sim. Já sobre um tratamento mais igualitário, em termos de punição, para os crimes nos Estados Unidos concordo, algo que não acontece por aqui. Pois alguns são mais iguais do que os outros, podem mais do que os outros e a lei não é igual para todos. Abs. e sucesso nos States, Janca

  • Dani

    João, sou suspeita pra falar e se você não quer falar nada podemos conjecturar. Até em momentos difíceis como sinto que está o seu hoje seus posts merecem todos os parabéns e não posso me omitir nem deixar estampado aqui meu ponto de vista. Sua coluna no jornal e seus posts que falam de tudo, cultura, psicologia, bastidores, economia, música clássica, políticas públicas são únicos. Você usa o futebol pra falar de tanta coisa diferente. Você agrega qualidade. Você não esconde seus dramas, suas angústias, você não se coloca como mais do que ninguém, você escreve. Escreve bem e foge do trivial. Continue assim, amigo, pra escrever sobre Fla x Flu, quem tem mais chances de ganhar o Brasileiro, quem pode cair, se um time tem que jogar no 3-5-2 ou 4-4-3 qualquer um escreve. Não desista. Não mude porque os outros querem que você mude. Não mude porque seus textos podem incomodar. Mude se você quiser. E força. A vida é mais do que a CBF, não é você que às vezes escreve coisas assim? Dani

    • janca

      Nem precisava ter escrito aqui, Dani. Obrigado pelos elogios ao blog, à coluna, tento abordar aspectos diferentes do esporte, com um outro viés, que é o meu e portanto único, só discordo que qualquer um possa escrever sobre se o time tem que jogar de um jeito ou de outro. Eu não consigo. Não tenho conhecimentos técnicos pra falar a respeito, embora já tenha caído em roubadas _rs_, não no L!, pra tratar um pouco da questão tática, que não é minha praia. Tenho meus pitacos, minhas ideias, mas há gente mais gabaritada. E eu escrevo que a vida é mais que a CBF? Sei não, mas que é muuuito mais que a CBF é. Pelo menos a minha que não dependo da entidade. Nem direta nem indiretamente. E que já sugeri propostas, numa coluna no L! depois reproduzida neste espaço, para mudanças na entidade e no futebol brasileiro. Mudanças estruturais. Parte das quais bate com as sugeridas pelo próprio L!, parte não, mas debater é preciso. E aqui vou tentar falar mais de coisas que podem ser construídas para o bem do futebol, do esporte e da sociedade em geral e deixar um pouco de lado algumas questões mais políticas. Pois como disse cansei de dar murro em ponta de faca. João

      • janca

        Ah! E a questão econômica é importantíssima também. Tenho dados preliminares de uma pesquisa bárbara sobre a crise do euro e seus efeitos no esporte e cultura, vou tratar disso em coluna futura no L!. São as duas primeiras áreas a sofrerem cortes. E podem servir de exemplo pra gente. Pois os clubes estão endividados e sanear suas dívidas é imprescindível. Em momentos de crise ou bonança.

        • Dani

          Como leitora, nem como amiga, é bom alguém ver o futebol com ótica diferente. Cansei do 4-3-3, 3-5-2, Neymar é craque, Ronaldinho tá gordo, Alemanha e Espanha são favoritas pra Eurocopa, esquema tático do Palmeiras mudou, Santos tem muitos talentos individuais, um outro olhar areja. Sua coluna de que mais gostei foi Álbum de Figurinhas, não sei se reproduziu por aqui, não vi, devia. O lúdico, a criança, o futebol no aprendizado. Dentro da Sala de Aula foi outra, usei os dois textos em classe.

          • janca

            Mais uma vez obrigado, Dani. Tento escrever textos com focos e temáticas diferentes todas as semanas e todos os dias no blog. Fico contente que tenha gostado. E agora você escreveu certo. É 4-3-3, acima você tinha escrito 4-4-3, seu time joga com 11 + o goleiro? Aí é sacanagem _rs.

  • Flavio Rodrigues

    Leio sempre seus post, as vezes concordo, as vezes descordo, mas neste caso fiquei muito contente ao ler e ver que alguém está vendo o mesmo que eu!!!

    • janca

      Obrigado pelo comentário, Flavio. Apesar de ter pedido que não comentassem hoje, tenho gostado muito do retorno. E, como sempre, respondido os comentários. Acho o debate e a troca de ideias fundamentais. Talvez eu tenho demorado demais pra ver melhor as coisas e só agora, por isso, pretendo focar mais no micro, onde acho que podemos fazer uma mudança maior no futebol e no esporte em geral, do que no macro, embora jamais esquecendo deste último, como pano de fundo e como pano de frente também. Grande abraço, Janca

  • renato sa

    .

    • janca

      Demorei pra entender seu comentário vazio, Renato, acho que sou meio devagar. Depois entendi e agradeço. Um minuto de silêncio. Grande abraço, Janca

  • Kaniatti

    Sinceramente, a única diferença que vejo entre RT e JMM, é que RT, queria apenas o benefício próprio (e não era tão cara de pau). Já JMM, é bastante clubista e ficou tanto tempo afastado da política que esqueceu das técnicas (vide episódio da medalha), mas isto é questão de tempo. Reclamamos tanto de RT, mas daqui a pouco, teremos um cidadão com uma lábia melhor do que a do RT, com um apoio maior que o do RT e com o “bucho” lotado, igual o RT (isto se ele não der outro “vacilo” público). Mas do jeito que estão as coisas, não me impressionaria nada se tivéssemos um segundo episódio público, afinal, quem impera, não é a corrupção e sim, a impunidade.

    • janca

      Oi Kaniatti, não entendi o que você quis dizer com um segundo episódio público, mas o que lamento é que, na estrutura, nada mudou. JMM de fato é mais clubista, até acho que deveria se aproximar mais dos clubes brasileiros _e de todos eles_, tirar um pouco o poder das federações, o que duvido, tem dado mais ênfase à seleção, mas até aí RT ganhou três Copas do Mundo pelo Brasil, outros tantos campeonatos importantes, montou um Brasileiro de pontos corridos contrariando a própria Globo e que pegou e que é interessante e nem por isso considero um bom dirigente. Acho que fez muito mais mal para o nosso esporte do que bem. Só lamento que Marin tenha outro tratamento, como se fosse o novo, quando não é. Se fosse não teria sido o vice do outro nem o indicado pelo próprio RT para o cargo. Mudam-se os nomes, mas…

    • janca

      Desculpe, Kaniatti, só agora relendo seu comentário entendi, claro, o que você quis dizer com segundo episódio público. O primeiro foi o das medalhas. Mas o que mais me assusta é o que você diz sobre o Marin ter mais lábia do que o Teixeira e saber conduzir melhor as bases e a imprensa. Daí tende a ter apoio. Abrindo as torneiras, então, e incentivando os parceiros da CBF a fazerem o mesmo… Isso é poder.

  • Miguel

    Também muitas vezes discordo de ti, ainda bem que começou a ver as coisas. A quem interessava a queda do Collor? A quem interessava a queda do Teixeira? Fácil, veja quem ganhou força e poder com a saída do Collor, quem ganhou dinheiro com Itamar/FHC, Lula/Dilma. Quem ganhou dinheiro com a queda de Teixeira? Quem ganhou poder? Janca, uns defendiam a queda do RT por idealismo e se fuderam porque tudo continuo igual. Outros defendiam por interesses financeiros e se deram bem. Você demorou pra abrir os olhos, Janca, caia na real. Foi massa de manobra e quando o fulano vê que foi usado perde a esperança. Seu silêncio é isso, não é?

    • janca

      Miguel, não me arrependo de ter defendido a queda do Collor, era jovem e idealista e acho que foi um momento importante de nossa história. Hoje sou velho (não tão velho assim _rs), mas mantive um quê de idealismo, sim, talvez mais do que devesse, não sei. Não me arrependo de ter defendido inúmeras vezes a saída de Teixeira, mas hoje de fato faço questionamentos que não tinha feito antes de sua saída da CBF. E muita gente se beneficiou com a entrada do Marin. Fato. Gente que defendia a saída do RT, a meu ver, por idealismo, por mudanças no futebol. E hoje vejo que talvez a história seja um pouco diferente. E os interesses também.

  • Miguel

    Não acho que você foi burro, foi ingênuo. Foi usado. Saem os homens e entram os porcos que andavam sobre dois pés. Se você fala tanto de Revolução dos Bichos deve conhecer o final da história. É o futebol brasileiro. Meus pêsames, Janca

    • janca

      De uma forma ou de outra a batalha continua, Miguel. Nem que seja com pequenas transformações, transformações no micro, pois o macro é difícil de entender. E com ele difícil de brigar. Uma hora cansa.

  • Miguel

    Controle da mídia gera polêmica, mas faço uma pergunta pra ti. Um jornal que recebe anúncio de prefeitura e governo em geral (seja do estado ou federal) é um jornal livre? É um jornal de rabo preso? Que tipo de jornalismo pode praticar? Você nunca pensou nisso?

    • janca

      Miguel, com todo respeito você acha que sou idiota. Não sou. Acho que, mesmo com anúncios, o que for, pode tentar manter sua linha, por que não? Dinheiro não compra tudo, amigo.

      • janca

        Mas _e aí talvez concorde com você_ compra alguns, sim. Compra até “consciência”.

  • Miguel

    A Veja contra-atacou e denunciou o Lula com o Mendes. A Veja é neutra? A Carta Capital? Acorda, Janca. Na CBF é a mesma coisa. A CBF anuncia, os parceiros da CBF anunciam, a Copa vai gerar muita propaganda e muita verba publicitária, Ronaldo e Pelé na TV defendendo a organização, é você quem ganha dinheiro? O Brasil é um país livre?

    • janca

      Dinheiro da CBF ou dos parceiros da CBF? Não, não ganho não. Nem de governo. Agora algum país é realmente livre? Liberdade absoluta existe? Deveria existir? Vivemos em sociedade. O que defendo é liberdade de pregarmos nossas ideias, desde que não preguemos preconceito, racismo, discriminação, nada disso. Partidos nazistas deveriam existir? Não a meu ver. Então sou contra a liberdade? Porque sou contra a existência de partidos nazistas, que preguem “extermínio” de judeus, negros, ciganos, a homofobia e outras coisas mais? Acho que não. Mas liberdade de expressão, com respeito, claro que defendo. Por isso acho o controle da mídia complicado e vejo com os três pés atrás, já que estamos falando de homens… e porcos também.

  • Miguel

    Tu não querias comentários, é hora de falar, Janca. CPI da Mídia já.

    • janca

      Não sou contra, o que sou contra é centrar uma CPI no Policarpo, da “Veja”. A questão é outra. E mesmo os ataques ao Policarpo, sem querer polemizar, servem a A ou B. Ou não?

  • DONIZETE

    Você pede para não comentarmos seu post, mas é difícil deixar passar em branco, pois o que você escreveu, é o sentimento dos verdadeiros admiradores do futebol brasileiro.
    Mais uma vez, parabéns Janca pela sua habilidade em criticar, sem ser grosseiro ou parcial.

    • janca

      Pô, Donizete, acho que pedi pra não comentarem mas no fundo queria que comentassem sim. E muito obrigado pelas palavras. Também pretendia hoje, depois de postar, ficar em silêncio, para só voltar a comentar os novos posts e responder críticas, elogios, o que for, a partir de amanhã, mas não consegui me segurar. Obrigado mesmo pelo que escreveu, num dia com tanta notícia, vide Ronaldinho Gaúcho x Flamengo, vitória e grande atuação do Brasil, é ótimo saber que há gente que se preocupa com o que está acontecendo nos bastidores. O que há por trás das notícias. Porque muitas vezes algo há. Grande abraço, Janca

  • janca

    Mas como disse uma amiga minha nem tudo está perdido. Meu irmão perdeu a carteira num estádio de futebol no final de semana, não é que o faxineiro encontrou, a administração entrou em contato com ele e terá os documentos de volta? Dele e dos três filhos. Show!!! Ainda há esperança nesse mundo…

  • Sempre Fiel

    sou solidário ao texto! E VAI CORINTHIANS!!! 😉

    • janca

      Valeu Sempre Fiel. Abs. Janca

  • Herlan Lima

    Existe uma passagem na bíblia que diz: Não a nada que esteja no oculto qua não venha ser revelado, isso mais cedo ou mais tarde acorrerá com o corja da CBF. Meu grande desprazer em ver tudo isso é que quando conseguimos nos livrar de pessoas oportunistas sem nenhuma moral ética para conduzir o nosso país em geral, acabamos enfiando os pés pelas mãos, pois aquele que não era corrupto quando se vê dentro de um sistema de falcatruas e facilidade para o enriquecimento ilícito acaba se vendendo pelos prazeres que o mundo dos gananciosos os proporcionam. “Isso é Brasil meu povo” País onde ninguém respeita a moralidade! abraços

    • janca

      Oi Herlan. É, a situação não anda muito boa mesmo. No governo, na organização da Copa, no COL, na CBF e até uma parte da imprensa parece que sucumbiu… Motivos devem ter. Abrem-se as torneiras, alguns barões podem fazer a festa. E o povo, ó. Abs.

  • Carlos Otsubo

    Janca, muito bom suas colunas aqui no Lancenet!! Ainda bem que saiu do Grupo Globo, imagino que não pela grandeza profissional que deve ser trabalhar lá, mas sim pela liberdade em opinar e escrever sobre política no futebol sem ter um interesse envolvido.

    O envolvimento e a preocupação em um futebol mais sustentável da ESPN, de vcs d Lance e entre outros para um futebol são coisas louváveis, principalmente em um país como o nosso

    • janca

      Oi Carlos, obrigado pelas palavras e desculpe pela demora em responder seu comentário. Vou te confessar uma coisa que é interessante. Muita gente pergunta sobre como é trabalhar nas Organizações Globo, sabe que lá nunca fui censurado? Nunca disse nada que fosse contrário à minha vontade ou às minhas opiniões. Vou te dar um exemplo. Certa feita participei de um programa e a Globo defendia a fórmula mata-mata e não os pontos corridos para o Brasileiro. Não iria defender o mata-mata se eu preferia _e preferia_ os pontos corridos. Pude defender os pontos corridos, desde que fundamentasse minhas opiniões. E foi o que fiz. Jamais me disseram fale isso ou fale aquilo ou você não pode falar isso ou não pode falar aquilo. Jamais fui censurado na emissora, prezo muito a liberdade de expressão e, da minha forma, vou seguir defendendo o direito de dizer o que penso. Sem ofender os outros, sem nada. Mas passar o que eu penso e defender meus pontos de vista. Que podem mudar com o tempo, pois mudar de ideias e opiniões faz parte do processo. E o direito de expressão é garantido pela Constituição. Obrigado de qualquer jeito pelas palvras, Carlos. Grande abraço e boa sexta, Janca

      • Carlos Otsubo

        Janca, acho que me expressei mal. Não acredito que a globo vá censurar a opinião de um comentarista, mas muitas vezes sinto a falta de alguns assuntos mais delicados nos temas de alguns programas. Um exemplo, ainda não vi a um comentarista abordando o background do Marin.

        Por vezes ao ler algumas matérias sobre a Copa do Mundo 2014 pelos sites vejo uma diferença enorme entre a globo.com e os demais sites.

        A Globo tem grandes profissionais, mas as vezes não vejo grandeza neles pela omissão de alguns assuntos.

        • janca

          Agora entendi melhor o que você quis dizer, Carlos. De fato às vezes faz falta uma análise mais aprofundada das coisas, mas isso é possível em outros canais da emissora, os canais pagos, digo. E lembro que quando o Ricardo Teixeira caiu a reportagem no “Jornal Nacional” foi extremamente elogiosa à sua administração. Mas hoje penso que em outros veículos foi extremamente crítica e me pergunto se por trás de tudo não há uma agenda que muitas vezes desconhecemos e quando começamos a conhecer melhor nos assustamos. Pois um campeonato de pontos corridos agora sem virada de mesa, no mesmo formato há anos, os títulos com a seleção, recursos conseguidos pela entidade, enfim, são pontos positivos. Sigo achando que os negativos, como as denúncias de corrupção, o loteamento da CBF pra amigos e parentes de RT, o uso da entidade como se fosse propriedade dele, sem citar outras situações mais, mancharam demais sua gestão. Só que o tratamento dado a Marin por alguns que atacaram RT mudou. E não mudou porque acham bonito o tom de cabelo do novo presidente da CBF. Tem algo por trás e é algo forte e poderoso.

          • Carlos Otsubo

            Perfeito, por isso espero que continue com sua liberdade atual

          • janca

            Obrigado, Carlos, mas estou tendo que lutar por ele. E estou lutando. Acredite. Abs.

  • GMFEIJÓ

    Prezado Janca. Como sempre belo post, o Brasil precisa muito de jornalista e escritor como você, sou seu grande admirador, seria humanamente impossível deixar de comentar seus pots, por isso peço desculpas por faze-lo. Janca lá se vão 64 anos e eu sempre acreditei que uma dia veria o nosso Brasil livre dessa Roubalheira vergonhosa que estamos assistindo. Essa semana li uma coisa, não me lembro onde, que dizia: ” Brasil!!! País onde o Grafite é Crime e a Corrupção é Arte! Fiquei pensando e analisando, exclamei: Sensacional, Perfeito. Essa maldita Corrupção tomou conta do País em todos os seguimentos. E o pior de tudo é que nada acontece com esses Corruptos, Corruptores e Corrompidos. Estamos vendo aquele Circo chamado CPI do Cachoeira, palhaços de Terno e Grata, Bicheiro Mudo, Musa da Contravenção e para completar, pasme, desfile de Misses. Ou seja, uma verdadeira Palhaçada, que todos nós sabemos não vai dar em nada. Agora jamais podemos calar, estamos numa Democracia, temos o direito e dever de falar tudo o que está errado em nosso País. Portanto prezado Janca, continue assim, não mude nunca, pois como eu disse, são de jornalista honesto, intigro, como você que o Brasil está precisando. Me desculpe, mais jamais deixarei de comentar seus post. Parabéns grande Janca, que Deus te abençõe.

    • janca

      Muito obrigado, GMFEIJÒ. O país onde grafite é crime e a corrupção é arte é um bom resumo do que vemos por aqui. Também acho que temos o direito e o dever de falar tudo o que achamos de errado, censura não, o tempo da ditadura já foi (já foi mesmo?), mas tem hora em que cansa dar murro em ponta de faca, como eu mesmo escrevi. E de repente, se trabalharmos o micro, como escrevi várias vezes aqui, discutirmos ideias que possam melhorar nossa rua, nosso bairro, nossa comunidade, seja pela música, seja pelo esporte, tendo o macro como pano de fundo (e muitas vezes de frente), podemos avançar. Pode até ser a passos de tartaruga, mas podemos avançar. De qualquer jeito precisamos de políticas públicas decentes, de uma mídia decente e não comprometida com A, B ou C, pautada menos por interesses comerciais e mais pela qualidade do jornalismo, com menos receita de bolo e mais informação, opinião, debate, discussão… Divergências de opiniões sempre vão existir, mas as opiniões, desde que não incentivem racismo, xenofobia, homofobia, violência contra A, B ou C, devem ser respeitadas. E colocadas, como estamos fazendo aqui. Grande abraço pra você, valeu pelo comentário, Janca

  • GMFEIJÓ

    Janca voltei para corregir dois erros: não é grata e sim gravata. Não é intigro e sim integro. Obrigado e desculpe a falha.

  • Vinicius Posterari

    Muito bom lembrar de “A revolução dos bixos” nesse momento tão perverso. O que desanima ainda mais, Janca, é que a CBF nem apagar ou mudar as regras precisa, porque nunca as teve, ou nunca as seguiu, tanto faz…

    Grande abs

    • janca

      Mas agora joga pesado de outra maneira, como também fazem alguns governantes, já que tem verbas publicitárias para gastar, parceiros comerciais que podem injetar dinheiro em empresas jornalísticas via anúncios, por exemplo, daí a calar jornalista pode ser um passo. Isso assusta. Pois os tempos de censura deveriam ter acabado. E lá vem Olimpíada de Londres. Logo mais, Copa do Mundo. Mais dois anos, nova Olimpíada, agora no Rio. Quem comanda tem o poder. Financeiro, inclusive. Que pra alguns fala mais alto.

  • Adriano Manteiga

    Força, Janca!

    Sei que é difícil lutar contra essa cadeia mafiosa do Brasil, mas segue em frente, nao desiste!
    O que voce faz tem uma importancia muito grande e por isso incomoda a cadeia.

    Como já falei aqui várias vezes, me sinto – e acho que muitos outros também – de certa forma representado com teus textos contra as safadezas.

    Acho que voce tem o meio e o conhecimento pra ajudar a evitar toda essa sacanagem que tao fazendo com o Brasil através dessa Copa principalmente.

    Por favor, segue colocando a boca no trombone! Continua apurando e dando porrada em quem tem que dar! O Brasil precisa muito disso.

    Um forte abraço e um ótimo fim de semana.

    • janca

      Obrigado, Adriano, obrigado de verdade e fico feliz que você se sinta vez ou outro representado pelo que escrevo. E quando não se sentir fique à vontade pra criticar, reclamar, protestar, fazer valer seus argumentos, pois debate de ideias é fundamental pra qualquer sociedade, que deve ser oxigenada. Liberdade de expressão é importantíssimo. Realmente não devemos deixar nos calar. E não vou deixar, não. Abração e um ótimo final de semana pra você também, Janca

  • cosme

    parece que o brasileiro já mudou a cara do futebol brasileiro,sem ter mudado nada,o brasileiro tem este triste costume,o culpado são os outros,nunca eles mesmos,vergonhoso…

    • janca

      É que o mudar pra não mudar tem muita coisa por trás, coisa que nós, simples mortais, nem imaginamos. E quando começamos a imaginar… Ah! As torneiras que a CBF, o COB, seus parceiros e patrocinadores, o governo, de que nível e esfera for, podem abrir… Eta torneiras complicadas… Complicadas pra nós, simples mortais. O mal que elas fazem. Confesso que às vezes dá vontade de desistir e realmente parar de dar murro em ponta de faca, adequar-se a um sistema que parece mais forte do que tudo. Mas às vezes não. Sonhar ainda é preciso.

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