Mickey Mouse e Bin Laden



Enquanto a segurança para o Jogos de Londres, que começam em julho, segue na ordem do dia, lembrei de um episódio ocorrido na Olimpíada de Atenas, em 2004.

Os gregos gastaram o que tinham e o que não tinham para garantir a tranquilidade do evento, os primeiros Jogos depois do 11 de Setembro, mas mesmo assim tiveram várias brechas na segurança, que felizmente não levaram a nenhum problema sério.

Ao entrar no centro de imprensa, por exemplo, a fiscalização das credenciais era feita na base do “olhômetro”. O funcionário, guarda ou voluntário que estivesse no local olhava o crachá do jornalista, via rapidamente se a foto batia com o rosto de quem o portava, às vezes conferia o nome com algum documento pessoal, muitas vezes nem isso.

Foi por isso que dois jornalistas britânicos decidiram fazer uma experiência. Não lembro ao certo se mexeram em suas próprias credenciais ou se criaram outras duas falsas, muito parecidas com as originais. Mantiveram as fotos, mas trocaram os nomes. Na de uma deles puseram “Mr. Mickey Mouse”. Na do outro, “Mr. Osama Bin Laden”. Não é que conseguiram entrar?

No dia seguinte publicaram matéria ridicularizando a segurança local e acabaram detidos por algumas horas, gerando uma crise entre os organizadores gregos e a mídia britânica.

Os gregos pensaram tanto no macro para realizar os Jogos que se esqueceram do micro. Mesmo assim foi uma Olimpíada incrível. Que melhorou a mobilidade urbana de Atenas, mexeu em uma área periférica da cidade cujo acesso era complicado até então, ampliou as instalações esportivas, mas… Lamentavelmente com a crise que vive o país de um tempo pra cá, em colapso econômico, tudo acabou abandonado depoois e o esporte do país respira por aparelhos. Não só o esporte.

As autoridades gregas foram muito irresponsáveis de uns anos pra cá _nem me refiro aos gastos com os Jogos, cuja conta até hoje não fechou e não se sabe quando e se fechará_, gastaram o que não tinham, maquiaram os balanços, comprometeram o que não podiam e o resultado está aí. Caos generalizado, corrida a bancos, dinheiro (de quem ainda tem) embaixo dos colchões ou fugindo para o exterior, coisa que já vimos por aqui, nos últimos tempos da ditadura e nos governos José Sarney e Fernando Collor, por exemplo.

Irresponsabilidade dá nisso. Em desemprego, crise, cisão social, tudo o que se possa imaginar. E, por que não?, em Mickey Mouse e Bin Laden.



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