A Delta e o Maracanã



Como o assunto segue atual e alvo de muita discussão, reproduzo aqui coluna que publiquei no diário LANCE! na terça retrasada.

A CPI do Cachoeira começou, devagar mas começou, a Delta está sendo vendida e com ela lá vão para os compradores os bilionários contratos da empresa que toca as principais obras do PAC e da Copa, num processo por muitos considerado ilegal e imoral, e o Maracanã, de cujo consórcio a empreiteira participava mas saiu depois do escândalo, segue como dúvida para a Copa das Confederações. Assim como os estádios de Salvador, Recife…

E aqui vai minha coluna, abaixo da qual estão três notinhas (não de dinheiro, que dinheiro é com a Delta e o governo, mas três breves observações):

“O Maracanã volta a ficar em evidência com a pressão da Fifa sobre o andamento das obras após saída da construtora Delta do consórcio responsável pela reforma.

A retirada da empreiteira, pivô do caso Carlinhos Cachoeira e alvo de CPI em Brasília, deixa o Maraca em situação complicada, pois além de ter parado de fazer aportes financeiros para o estádio, com a saída da Delta aumentaram os desencontros entre as outras duas construtoras que seguem nas obras. Sem a Delta, que tinha 30% de participação no consórcio, Odebrecht (49%) e Andrade Gutierrez (21%) não têm falado a mesma língua.

A Fifa insiste que, caso o estádio não esteja “100% pronto” em junho do ano que vem, não poderá ser usado na Copa das Confederações. Se isso acontecer será uma lástima, pois além de ser a principal arena do Brasil e estar consumindo R$ 859 milhões na reforma, o Maracanã já poderá ficar sem jogo da Seleção no Mundial. Só receberá a equipe se ela chegar à final. Caso contrário, não. E uma Copa sem o Brasil no seu principal cartão postal esportivo é um absurdo. Um dos três jogos da equipe na primeira fase teria que ser lá.

Mas as denúncias contra a Delta atingem a esfera esportiva não apenas por conta da reforma do estádio mas também por causa de outras obras da construtora ligadas ao Mundial de 2014 e à Olimpíada de 2016. É o caso da Transcarioca, corredor que ligará o aeroporto do Galeão à Barra da Tijuca, segunda obra de infraestrutura para os dois grandes eventos abandonada pela empreiteira.

Sem falar em serviços de mobilidade urbana em outras cidades brasileiras com jogos na Copa de 2014. É o caso do Distrito Federal e de Belo Horizonte. Na capital mineira foram detectados indícios de sobrepreço em serviços da Delta para melhorar o transporte da cidade, mas tanto o prefeito Marcio Lacerda, do PSB, quanto o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, do PCdoB, querem que os trabalhos continuem.

Não é de hoje que os valores das obras de construtoras, grandes financiadoras de campanhas eleitorais no Brasil, são questionados e dão problemas. O próprio Maracanã é claro exemplo disso, já que o orçamento inicial das obras, em torno de R$ 700 milhões, subiu para quase R$ 1 bilhão e só caiu novamente após ação do Tribunal de Contas da União.

O Engenhão, hoje sob administração do Botafogo, também tornou-se símbolo de mau uso de recursos públicos. Erguido para os Jogos Pan-Americanos, teve orçamento inicial na casa de R$ 60 milhões. Quando as obras terminaram o custo ficou próximo dos R$ 400 milhões. E no meio disso tudo poucos se lembram mas lá estava a Delta Construções, que vencera a licitação de 2003 por valor questionado na época e depois acabaria deixando o negócio nas mãos da OAS e da Odebrecht. Sempre as mesmas, sempre as mesmas… E não é que agora a história se repete com a saída da Delta do Maraca? Pepinos, pepinos, põe pepino nisso…”

* Assim como já havia descartado o Morumbi, que está fora do Mundial de 2014, para a Copa das Confederações, a Fifa avisa que a possibilidade de o Engenhão abrigar jogos do torneio de 2013 caso o Maracanã não fique pronto a tempo é nula. Se o estádio não estiver preparado, o Rio não terá partidas da competição no ano que vem. Recife e Salvador também correm risco de ficar de fora;

* Natal e Fortaleza, que serão sedes da Copa de 2014, também têm serviços da Delta, investigada por suposto oferecimento de dinheiro a políticos em troca de favores, na berlinda. A acusação em relação ao trabalho da empreiteira no Rio Grande do Norte e no Ceará versa sobre o material usado em obras de mobilidade urbana, considerado de qualidade duvidosa. Obras em Recife também estão em xeque.

* Com contratos milionários com o governo do Rio e também com a Prefeitura de São Paulo, a receita bruta anual da construtora teria aumentado de cerca de R$ 700 milhões, valor atualizado, em 2004, para R$ 3 bilhões em 2010. Na capital paulista tem contrato bilionário para varrição do lixo. Detalhe: a cidade comandada por Gilberto Kassab, do PSD, está uma sujeira só. De limpeza não tem nada.



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