Soberania nacional?!?



Reproduzo abaixo coluna que publiquei ontem no diário L! seguida de três notinhas para quem interessar:

“Muitos gostam de bradar contra a Fifa, acusando-a de querer violar a soberania nacional por conta da liberação de bebida alcoólica em estádios de futebol durante a Copa. Longe de ser um defensor da entidade que dirige (e mal) o futebol mundial, considero que neste caso ela tem todo o direito de querer que o Brasil respeite os compromissos que assumiu.

Há quase cinco anos, quando o país foi escolhido sede do Mundial de 2014, o então presidente Lula deu uma série de garantias à Fifa, entre as quais a venda de álcool nos estádios, já que um dos patrocinadores da entidade é justamente uma marca de cerveja. Errou Lula? Não. Erra o Congresso ao fazer disso um cavalo de batalha e erra o governo Dilma ao desrespeitar o acordo com a Fifa, fugindo de suas responsabilidades e jogando o problema para os Estados resolverem. Se o Brasil não poderia cumprir o prometido, que não aceitasse receber a Copa lá atrás.

A questão é complexa e segue polêmica, já que das 12 cidades que vão receber jogos do Mundial pelo menos cinco têm legislação que não permite a comercialização de bebida alcoólica em estádios, entre as quais São Paulo, palco de abertura da Copa, e Rio, onde acontece a final.

Ao optar por ficar em cima do muro na Lei Geral da Copa, transferindo a responsabilidade para os Estados e municípios sobre a venda de cerveja, o Brasil passa mais um sinal de que não se preparou para o evento. A garantia de Lula para a Fifa, afinal das contas, foi dada em 2007. E o Mundial começa em pouco mais de dois anos, sendo que em 2013 já teremos a Copa das Confederações.

Num país em que até hoje as estimativas sobre o custo do evento variam de pouco mais de 30 bilhões de reais até cerca de 120 bilhões de reais tudo parece possível. Não se trata de subserviência ou de desrespeito à soberania nacional, trata-se da velha falta de planejamento, do descaso com os bens públicos e do famoso “jeitinho brasileiro” de sempre empurrar a coisa com a barriga.

Se o Brasil se candidatou e aceitou ser a sede da Copa nas condições exigidas pela Fifa deve arcar com a palavra, que assegurava privilégios aos parceiros da entidade durante o evento. Em vez de tentar descumprir o que prometeu, o país deveria discutir pontos graves que passaram em branco e tendem a gerar os mesmos problemas do Pan de 2007, cujo orçamento acabou multiplicado por dez enquanto o legado acabou reduzido a quase nada.

Deveríamos saber quanto vamos gastar com a Copa, aonde o dinheiro será aplicado, quais as prioridades para o país, como indenizar mais de 150 mil pessoas que podem ter suas casas e propriedades desapropriadas, de que forma canalizar investimentos para beneficiar, de fato, nossa população e não apenas os turistas que passarão 30 dias aqui e depois irão embora. Em outras palavras, parar com firulas e jogar de verdade.”

* A Lusa e o abraço: Simpática coluna de Mauro Beting, em que se solidarizava com a torcida da Portuguesa, rebaixada no Paulista. Mas mais do que de um abraço o clube precisa de reformulação e de política de médio e longo prazo, cuidando inclusive da base. Insisto que a diretoria desmanchou o time e Jorginho disse amém para tudo. Foram responsáveis pela queda. Falta de planejamento dá nisso. E em Geninho, rebaixado no Comercial.

* O estrangeiro: Em tempos de xenofobia, discriminação e racismo no futebol, recomendo a leitura da edição de abril da revista Devarim, da Associação Israelita do Rio. Dirigida por Raul Gottlieb, traz textos que fazem a gente olhar para o outro e lembra uma noção básica da vida em sociedade, o respeito às opções individuais de cada ser humano. Pois nascemos com obrigações, mas com direitos também. E por eles temos de lutar.

* “Diário da queda”: Lançado no ano passado, o livro do jornalista Michel Laub, analisado pela revista Devarim, é muito interessante. Parte da questão judaica para falar sobre os traumas e desafios da experiência humana. Uma obra ficcional do mesmo autor de “O Segundo Tempo”, que conta a relação entre dois irmãos tendo como pano de fundo antológico Gre-Nal de 1989. Para quem não leu recomendo. Os dois.



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