Um “gringo” pra seleção



Reproduzo, abaixo, coluna que publiquei ontem no diário LANCE! e em que trato, mais uma vez, da questão do técnico pra seleção brasileira. Com a ideia, a ser debatida, claro, de trazer um estrangeiro para comandá-la.

“A seleção é um produto nacional, composta por jogadores brasileiros, mas por que não podemos ter um técnico estrangeiro a comandá-la?

Para muitos pode parecer um contrassenso, ainda mais sendo a próxima Copa do Mundo justamente no Brasil, mas não vejo assim. Seria uma forma de reciclar nosso futebol e, por incrível que pareça, voltar às nossas origens. Porque vejo boa parte dos técnicos brasileiros babando para o que é feito na Europa e tentando copiar o modelo europeu com resultados risíveis, enquanto o técnico estrangeiro poderia fazer justamente o contrário.

Como os europeus admiram nossa forma de jogar (ou admiravam) e muitos têm verdadeira adoração pela maneira como o Brasil atuou em 1970, no México, ou em 1982, na Espanha, poderiam ajudar a recuperar nossa essência.

Ótimos profissionais lá fora existem e em abundância. Para ficar em dois exemplos mais do que batidos poderíamos citar Pep Guardiola, do Barça, e José Mourinho, do Real Madrid. O argentino Marcelo Bielsa é outro que admiro muito. Qualquer um deles teria a maior honra e prazer de dirigir o Brasil no Mundial de 2014. E poderia contribuir para o resgate de nosso futebol.

Craques nós temos, vide a geração de Neymar, Leandro Damião, Ganso, Lucas, Oscar e cia., sem falar nos “velhos” Kaká e Robinho que, bem “explorados”, ainda têm muito a oferecer à seleção.

Não sou contra os técnicos brasileiros e acho que Muricy Ramalho tem feito um bom trabalho no Santos, que tem mostrado enorme amadurecimento neste início de temporada, mas neste momento não consigo ser a favor deles. É uma classe desunida, à mercê dos dirigentes e que há tempos deixou a criatividade de lado para entrar num “cientificismo” de araque.

Com todo o respeito ao Mano Menezes, para me restringir ao trabalho do atual técnico da seleção, em quase dois anos no comando ele formou um arremedo de time, uma equipe que nem cara tem, como já admitiu o próprio Andrés Sanchez, que quer acabar com o período de experiências. Mas que experiências? O vexame que passamos na Copa América? Os jogos contra Gabão, Bósnia e outras equipes do mesmo naipe quando a CBF percebeu que não tínhamos condições de enfrentar os grandes do futebol europeu sob o comando de Mano?

Temos uma Olimpíada pela frente e quase nada foi feito para preparar o Brasil para tentar ganhar o inédito ouro no futebol masculino. Deveria ser prioridade, mas a CBF chegou a dizer que não era mais, agora voltou atrás e ameaça sacar Mano Menezes se o Brasil der vexame.

Vamos a Londres sem planejamento, pois o que falta fora dos campos nos preparativos para o Brasil receber o Mundial de 2014 falta também para a seleção, tratada com todo o descaso.

Se importamos mão de obra em outros setores, por que não podemos fazer o mesmo no futebol? Técnicos de gabarito no exterior não faltam e poderiam fazer a diferença para o nosso futebol. Uma diferença de que precisamos. Para ontem.”



MaisRecentes

Nova caminhada



Continue Lendo

O desabafo de Cuca (ainda)



Continue Lendo

As críticas de Cuca



Continue Lendo