Quem paga a conta?



Reproduzo aqui coluna que publiquei ontem do diário LANCE! sobre possível uso de segurança privada nos estádios e indenização a torcedores/clientes em caso de danos físicos e/ou materiais em arenas particulares, mas também em livrarias, restaurantes, lanchonetes e outros locais mais dado o crescimento da violência urbana:

“O excelente trabalho do repórter Rodrigo Vessoni na série publicada pelo LANCE! sobre a violência de facções organizadas em confrontos ligados ao futebol trouxe-me à mente uma ideia que não é nova, mas que continuo achando válida. Se as brigas entre torcedores fora dos estádios, muitas marcadas via redes sociais, são um caso de segurança pública, as que acontecem dentro das arenas deveriam ser de responsabilidade dos clubes.

O time mandante cuidaria da segurança dentro dos estádios, evitando deslocamento de policiais para as praças, inclusive porque a polícia tem outras tarefas a cumprir mais importantes do que cuidar de “marmanjos” nas arquibancadas. Dentro das arenas, portanto, os clubes arcariam com gastos com segurança privada, garantindo a tranquilidade do torcedor. Talvez sentindo no próprio bolso o custo para manter a ordem do espetáculo que organizam, os dirigentes mudassem a relação promíscua que muitos têm com as uniformizadas.

Quem vai a uma partida tem direito, entre outras coisas, a ver garantida sua integridade física. E ela é responsabilidade dos clubes, que faturam com o espetáculo, a bilheteria, o marketing e a venda de direitos de TV, não do governo ou do poder público. Fora dos campos é que a história muda, especialmente em estações de trem, metrô, terminais de ônibus e outros pontos afastados do local onde o jogo acontece.

A questão de quem arca com o custo deve servir não apenas ao futebol, mas a restaurantes, livrarias, cinemas, teatro e outros locais comerciais. Recentemente houve uma onda de assalto a cantinas e lanchonetes em São Paulo, um arrastão atrás do outro, especialmente nos bairros de Pinheiros e Vila Madalena. Muitos consumidores que estavam jantando tiveram documentos, celulares, cartões, dinheiro e outros objetos roubados. Quem deveria pagar a conta? Para mim o estabelecimento onde o cliente estava, pois se presume que ele garanta a segurança do usuário que paga (e bem) para se divertir e comer fora.

O mesmo se dá em casos de assaltos dentro de um estacionamento, cinema ou “shopping center”. Ou em livrarias, caso da Cultura, que considero a melhor do país principalmente pela qualidade de boa parte dos profissionais que trabalham lá.

Para quem não se lembra, em 2009 um rapaz foi atacado por um “lunático” munido de um taco de beisebol dentro da Cultura do Conjunto Nacional, um dos pontos mais conhecidos de São Paulo. Ficou quase um ano na UTI até morrer. Não é que o assassino já havia estado antes no local e cometido atos de vandalismo? Mas pôde voltar à livraria para agredir e matar um jovem que, pelo que me consta, nem conhecia.

A Cultura deveria indenizar a família do morto, pois é função dela garantir a segurança de quem está lá dentro comprando livro, DVD, o que for. Como cabe aos restaurantes indenizar quem paga por seus serviços e é assaltado e agredido lá dentro. E cabe aos clubes proteger a torcida e indenizar quem for prejudicado ou atacado. Pois insisto que é deles, os clubes, o espetáculo.”



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