Heleno e os números primos



Por questão de hábito, não costumo ver um filme depois de ter lido o livro em que ele é baseado ou ler um livro depois de ter visto o filme que foi feito a partir do primeiro. Uma vez ou outra quebro a regra. Farei isso com “Heleno”, que estreia amanhã nos cinemas.

Gostei muito de “Nunca Houve um Homem como Heleno”, livro de Marcos Eduardo Neves, que conta a trajetória de Heleno de Freitas, grande ídolo do Botafogo que morreu aos 39 anos de idade, vítima da sífilis, num sanatório. Como escreveu Ruy Castro, para Heleno a “vida era uma festa interrompida por momentos de lucidez”. Ele foi o carrasco dos adversários e, eu acrescentaria, de si mesmo.

Apesar de já ter lido o livro agora vou ver o filme, que dizem ser ainda melhor. E a atuação de Rodrigo Santoro interpretando o jogador parece que está espetacular.

Ao escrever sobre Heleno lembro-me de “A Solidão dos Números Primos”, de Paolo Giordano, que vi entrecortado na TV para depois ler o livro, infinitamente melhor. Conta a história de Mattia e Alice, o sofrimento humano, os encontros e desencontros entre os protagonistas, um menino e uma menina solitários que são como números primos. Divisíveis apenas por um e por si mesmos. Como escreve Giordano, “estão em seus lugares na série infinita dos números naturais, comprimidos entre dois, como todos, mas um passo adiante em relação aos outros, são números suspeitos e solitários”. Números incríveis.

Recomendo o livro de Giordano, um italiano que nasceu em Turim, e também o filme sobre Heleno, pelo que já me disseram sobre ele. Mas só vou vê-lo na telona semana que vem. Até lá estarei “ausente”, embora respondendo, na medida do possível, os comentários de vocês. E segunda, dia 2, volto a postar. Desde já um ótimo final de semana a todos, João

 



  • Dani

    Oi João. Até o Jabor falou bem do filme, ele que critica quase todos (hehe), deve ser bom. Gosto de filmes que retratam uma época. Li o dos números primos, que você uma vez até postou aqui no blog, é um livro lindíssimo. Fiquei impressionada pela história, pelo final, pelos encontros e desencontros como você chama. Até segunda, dia 2, fico à espera do post pra começar abril, bj. Dani

    • janca

      O livro (“A Solidão dos Números Primos”) é fantástico mesmo. Não tem relação com o esporte (se bem que no início aparecem as aulas de esqui da garota Alice), mas com a vida de todos nós. Ou pelo menos de alguns de nós. Até segunda, quando volto a postar, João

  • Cassio

    Vi o trailer e gostei. Filme de época. E os jogos de futebol do Botafogo nos anos 40 parece que são bem retratados. Foi isso que achei vendo o trailer.

    • Cassio

      É prova de que futebol e arte se misturam. Cinema e futebol.

      • janca

        Também acho. E personagens dramáticos, que pensam e que sofrem, como (quase) todos nós, são os melhores. Caso de Heleno. Abs.

  • André L. R.

    Bons ingredientes tem o filme. Mistura futebol e uma história trágica de um dos maiores jogadores do futebol brasileiro. O Rodrigo Santoro lembra o Heleno, que era considerado galã, não sei como ele aprendeu a jogar bola como o Heleno pra poder representá-lo, tenho uma amiga que viu o filme e gostou, numa cabine, qualquer coisa assim, é jornalista. Se der vejo sábado. Um outro personagem que devia ser representado no cinema é o Castilho, goleiro do Fluminense.

    • janca

      Deveria ser cabine de imprensa, André, a que teve em SP perdi por motivo de viagem, mas semana que vem vejo o filme. E o Castilho daria um baita personagem mesmo. Que eu saiba nunca fizeram um filme sobre ele. Queria ler uma biografia… Abs.

  • André L. R.

    Quem falou do Jabor elogiando o filme, não quero dizer que seja por isso, ele é amigo do diretor ou qualquer coisa assim. Não que seja por isso, temos que ver pra ter nossa própria opinião.

    • janca

      Não sei disso não, aliás confesso que não sei quem dirigiu o filme. Mas o produtor ou um dos produtores é o Rodrigo Teixeira (não confundam com Ricardo Teixeira _rs), um agitador cultural que conheci no final dos anos 90, durante a Copa América de 99, na verdade, e para quem trabalhei num projeto, o Camisa 13, a fim de levar histórias de 13 dos principais times brasileiros ao cinema no início da década passada. Deu muito trabalho, mas dinheiro nenhum (rs). Pelo menos não para mim. E o projeto vingou _ou parte dele_ na literatura, mas não nas telinhas, o que é uma pena. Do grupo de discussões para auxiliar o Rodrigo Teixeira de que participei surgiram ideias incríveis. Ah! E talvez ele (Rodrigo) tivesse alguma ligação ou algum contato com o Arnaldo Jabor, que também é cineasta, não tenho certeza. Enfim, isso é o menos importante. O principal é que parece que o filme (sobre o Heleno), com o qual o Rodrigo flertava já naquela época, é bom. Abs.

  • Fabio

    Valeu pela dica cultural. Pelas dicas.

  • Deivide Soarez

    Janca, com o Heleno era Cachaça na cabeça e paz no coração. Este sempre foi o lema do grande Heleno. CACHAÇA NA CABEÇA E PAZ NO CORAÇÃO. Um outro jogador que deve ser retratado em filme é o Sampaio Correia de Oliveira, atleta do Moto Club do Maranhao na década de 70. O cara tinha o nome do grande rival do Moto, e isso gerava alguns conflitos dentro do clube. Além disso, tinha um estilo Don Juan, conquistador. Infelizmente também morreu vítima do alcool, como muitos outros jogadores.
    Abraços Janca.

    • janca

      Oi Deivide. Sabe que não conhecia o Sampaio Correia de Oliveira? Deve ser uma baita história, ainda mais tendo sido jogador do Moto e levando o nome do principal rival… Incrível. Vivendo e aprendendo. Grande abraço, Janca

  • Emerson Luiz Fonseca

    Recomendo o Filme ” Maldito futebol clube”.
    Quem já viu levanta a mão!

    • janca

      Confesso que nunca tinha escutado falar dele, Emerson. Do que se trata? Abs. e uma ótima sexta pra você, Janca

      • Antonio

        The Damned United (Maldito Futebol Clube) é a história do Brian Clough, que ganhou tudo pelo Nothinghan Forest e do Derby County, durante a passagem dele pelo Leeds United, principalmente. Vale a pena.

        • janca

          Legal, Antonio. Vou ver se consigo o DVD pra poder ver. Como disse desconhecia o filme e a história. Obrigado a vocês pela dica.

  • Emerson Luiz Fonseca

    Hoje sou “atormentado” por um fato ocorrido no final dos anos oitenta.
    Este fato me motivou a começar escrever o livro de ficção baseado no evento sobrenatural ocorrido naquela noite no estádio Paulo Machado de carvalho.
    (“O fantasma do Pacaembu”) ainda não esta acabado e não sei quando vou terminar.
    Não sou escritor, mas alguma coisa me força a escrever sobre aquilo.
    Penalidade máxima para o time da casa, bola na cal e vejo um garoto de boné branco atrás do gol, tive inveja da visão que o moleque tinha do lance.
    Bola num canto, goleiro no outro.
    No dia seguinte vendo os melhores momentos com meu velho, comentei que na hora do pênalti eu gostaria de ser o garoto atrás do gol. Acreditem ou não na hora do pênalti não tinha ninguém atrás do gol. Eu não sou louco e nem mentiroso e um dia eu saberei quem era aquele garoto. Estou descobrindo coisas sobre o estádio que é de arrepiar.

    • janca

      O Pacaembu, Emerson, assim como o Maracanã e o Morumbi, pra ficar em apenas outros dois exemplos, deve ter histórias incríveis. Não acredito em bruxas, mas… O Moacyr Scliar, escritor de Porto Alegre, do Brasil e do mundo que morreu no ano passado, deixou um livro infantil sobre o Cruzeiro, time da capital gaúcha que já figurou entre os grandes, ao lado da dupla Gre-Nal, e depois decaiu, decaiu, decaiu, especialmente quando “perdeu” seu estádio, que deu lugar para a construção de um cemitério vertical. Fiz uma entrevista com ele incrível quando estava (eu) na “Folha”. Ele era colunista do jornal. Abs. e mais uma vez uma boa sexta, Janca

      • Piccoloto

        Realmente, esse Emerson Fonseca fumou um basiado dos fortes antes do jogo. Ou tomou um ácido.

        • Emerson Luiz Fonseca

          Na mosca!!! PICCOLOTO. Fumei um “basEado”, depois do jogo,em casa. Ácido…,só citrico!
          Se liga, não pense “PICCOLO”.

          • janca

            Oi Emerson, valeu mais uma vez pelas dicas. E uma coisa que tenho aprendido na vida é a não me estressar com alguns comentários. Abração e bom final de domingo, Janca

  • Leandro

    Túlio Maravilha e suas histórias pelo Brasil dão um outro filme ou livro legal, Janca

    • janca

      Claro, Leandro, mas tudo depende da linha em que o filme, documentário ou não, ou o livro for conduzido. Já até comentei aqui que vi, num programa da TV Record, que o presidente do último time que o Túlio defendia, neste projeto de chegar aos mil gols, era não só o presidente do clube, mas narrador dos jogos da equipe… Imagine só… Presidente, narrador e corneteiro… Haja pressão para os jogadores atuarem. Era um time do interior de Alagoas…

  • Emerson Luiz Fonseca

    MALDITO FUTEBOL CLUBE ( The damned united) conta a história repleta de humor e confrontos de Brian Clough e seus fatídicos 44 dias no cargo de dirigente de um time campeão de futebol da Inglaterra( UNITED F.C). O problema é que ele não terá ao seu lado o fiel parceiro Peter Taylor. Resultado? Em pouco mais de um mês, Brian surpreende, provando sua agressividade e brilhantismo à frente do seu time.
    O link abaixo leva ao treiler. veja e depois nos fale se gostou. o filme ocorre nos anos 70.

    http://www.youtube.com/watch?v=Pw3d2sdNacc

  • Emerson Luiz Fonseca

    Desculpe, o time e o Leeds United, e não United F.C.

    • janca

      Ok, Emerson, valeu pela informação, abração, Janca

  • janca

    Finalmente consegui ver o filme e, apesar de estar longe de ser espetacular, ainda assim recomendo pelas atuações de Rodrigo Santoro e Alinne Moraes, que estão ótimas. É um filme de época, anos 40, Copa de 1950, da qual Heleno ficou de fora, uma época em que não fumar é que era politicamente incorreto… E vale também, óbvio, pela história do polêmico e endiabrado Heleno de Freitas. Uma estrela solitária.

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