Chico Anysio em NY



Antes que perguntem o que Chico Anysio tem a ver com um blog esportivo, eu respondo que tudo. O humorista iniciou a carreira comentando jogos de futebol na rádio, voltou a fazê-lo na TV, antes da Copa de 1990, era vascaíno doente, tinha um personagem, o Coalhada, a caricatura de um profissional da bola…

Mas mesmo que não tivesse nada a ver, ainda assim gostaria de lembrar de Chico Anysio.

Estive com ele apenas uma vez, no final dos anos 90, quando fui correspondente da “Folha” em Nova York e tive a oportunidade de entrevistá-lo para o jornal.

Encontrei um Chico machucado, magoado com a TV brasileira, sentindo-se escanteado e tentando ganhar um espaço nos Estados Unidos.

Lembro que contou que mandara uma série de roteiros e projetos para Hollywood e aguardava resposta. Mostrou-se gente, estampou dores, esperanças, desejos, sonhos, vontade de prosseguir…

Ontem, quando vi todas as homenagens que recebeu da Globo, lembrei muito deste encontro em Nova York e fiquei feliz porque o sofrimento de Chico idas e vindas do hospital terminara.

Nas últimas entrevistas para a emissora parecia em paz ao fazer o balanço da vida. E é muito bom estarmos em paz. Digo isso por experiência própria. Em paz com nossos pais, filhos, amigos, conhecidos… Em paz com nossos erros e acertos, como Chico me deu a impressão de estar.

Mas não saía da minha mente o encontro que tive com ele em Nova York… Os choros e risos da vida e o humor para suavizar nossa existência. Um humor inteligente, engajado ou não, divertido, politicamente incorreto, sem ser invasivo ou agressivo, como muita gente faz por aí, divertindo-se com a desgraça alheia. O humor de Chico.

Lembrei também de uma entrevista que ele dera à TV, anos atrás, quando lançava um livro que tinha título de autoajuda, algo como “Dez lições para salvar seu casamento” ou “Como manter seu casamento”.

Acho que foi Leda Nagle, no “Sem Censura”, que perguntou pra ele: “Mas você, que casou tantas vezes, vai dar a receita pra manter um casamento?”. E a resposta: “Claro. O sujeito que fica casado com a dona Maria por 50 anos é especialista em dona Maria. Eu, que casei com tantas mulheres diferentes, não, sou especialista em casamento mesmo.”

Ah! E antes que perguntem se meu personagem favorito era o Coalhada, não, não era. Era Salomé, de Passo Fundo, aquela que tinha contato direto com o general João Baptista Figueiredo. Embora na época eu não entendesse o fino humor do quadro. Só fui compreender de verdade algum tempo depois… Coisas da infância, coisas da vida. Paz.



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