Copa: nota 0,5



Na semana que vem a Fifa volta a pressionar o Brasil. Quer saber a quantas andam os preparativos para o país receber a Copa. E as notícias continuam não sendo as melhores.

A questão dos estádios, apesar dos problemas com o Beira-Rio, que até pode vir a ser substituído pela nova arena do Grêmio, é a que menos preocupa.

As obras de mobilidade urbana seguem quase na estaca zero. A pouco mais de dois anos do início da Copa apenas 5% do previsto em 2007 avançou até aqui, o que representa uma nota 0,5 no quesito. Cuiabá, Fortaleza e Natal são tidos como os casos mais graves.

O Mato Grosso, que assim como Fortaleza, optou pela construção do Veículo Leve sobre Trilhos, o VLT, como principal obra de transporte para a Copa, não sabe se conseguirá entregá-lo até o início do Mundial.

Fortaleza começaria as obras para viabilizar seu VLT apenas na última segunda, com atraso de mais de quatro meses e ainda com sérios problemas devido às desapropriações, contestadas por muitos moradores locais. É o mesmo caso de Natal, que espera entregar uma via tripla para levar ao estádio das Dunas em abril de 2014, mas não sabe se as obras no aeroporto para a Copa ficarão prontas antes do início do evento.

Já no Rio de Janeiro o que mais inquieta a Fifa é a falta de hotéis para todos, especialmente para todo o tipo de bolso. De acordo com estimativa da entidade são necessários pelo menos mais 30 mil quartos até 2014, 70% dos quais para torcedores menos endinheirados, ou seja, fora da categoria luxo ou superior.

Os cariocas admitem o problema e prometem 48 mil novos quartos, mas até 2016, a fim de atender às exigências do COI para a Olimpíada de 2016. Já as da Fifa vão continuar causando confusão. E muita bagunça, sem falar na discussão, nos próximos dois anos.



  • Lourenço

    Porto Alegre tá confuso com estádio e com hotelaria. Trânsito da cidade piora a cada dia. Vi um estudo que não temos nem 15 mil leitos na cidade. Durante a Copa em dia de jogo importante o número de turistas pode ser maior do que isso.

    • janca

      Confesso que não tenho os dados sobre Porto Alegre, mas as 12 sedes do Brasil pra Copa estão defasadas quando o assunto é hotelaria. Mas pelo contingente esperado de turistas Brasília preocupa mais do que Porto Alegre. Não chega a 20 mil leitos disponíveis e por ser a capital do Brasil, receber um jogo da seleção, outros seis da Copa, abrir a das Confederações em 2012, preocupa e muito a Fifa. As autoridades brasileiras deveriam parar para pensar no assunto e, mesmo com cerca de cinco anos de atraso, começar a preparar e planejar o Mundial no Brasil. Abs. e uma boa quinta pra você, Janca

  • Rafael

    E quanto a São Paulo? como anda os preparativos para o mundial ?
    Queria ver a mobilidade de turistas e moradores tendo que pegar o metrô para chegar em Itaquera.. lá na zona leste! Acho que isso é um absurdo!
    O mais sensato a fazer seria abrir o mundial no Pacaembu, ou no parque antárticam que são regiões mais centralizadas, e com metrôs e várias linhas de Onibus próximas, sem falar nos hotéis e na beleza da região!

    Valeu Janca!

    Abraço!

    • janca

      Mas em outros lugares, Rafael, como na Alemanha, em 2006, os estádios eram longe do centro e isso nunca representou um problema. Não vejo a localização do estádio do Corinthians como um problema para a Copa, ainda mais com feriado decretado em dia de jogo e com antecipação de férias escolares. Mas em mobilidade urbana, que deveriam estar mexendo para deixar um legado para a população que perde horas em transporte durante a semana, pouquíssimo está sendo feito. Os políticos parecem mais preocupados em vender uma falsa imagem para vencer a eleição de 2012, agora que ficou federalizada com a entrada do Serra. Preocupação real com a cidade não vejo desde os tempos de Luíza Erundina e já se vão uns 20 anos de sua gestão na capital paulista. Abs.

      • Tattoo Metal

        Janca, vc disse na Alemanha. Europa, país de primeiro mundo, onde politicos olham pelo povo e bem-estar de todo o país, e por aí vai. nesse caso estamos falando de BRAZIU. Não preciso entrar em maiores detalhes né? Abraçø!

        • janca

          É verdade, mas veja o que está acontecendo na Europa também. Neste momento não na Alemanha, mas na Grécia principalmente. E também em Portugal, Itália, Espanha, Irlando… A zona do euro está confusa pacas. Sorte da Grâ-Bretanha que não entrou nessa… Abs.

  • Olavo Pasqualotto

    Fala Janquinha, beleza?
    Acho lamentável o que está ocorrendo no Ceará. Uma falta de planejamento absurda que acarretará no despejo de vários moradores de regiões pobres. Confesso que não conheço o Estado do Ceará, tampouco Fortaleza, mas pelo que andei lendo nos últimos dias, parece que o negócio é realmente sério. Diversas famílias serão despejadas para que se possa viabilizar a reestruturação do sistema de transporte público da cidade. Isso deveria ter sido realizado há muito mais tempo, dando condições para qu as famílias se realocassem em outras áreas. É preciso respeitar a dignidade do ser-humano. Não é porque a Copa está vindo aí que o Governo pode passar por cima de todo mundo. Em relação ao sistema hoteleiro, não creio que o Rio de Janeiro apresentará este problema. Por ser um pólo turístico, a iniciativa privada tem interesse em investir lá, pois os hotéis serão utilizados pós Copa e Olímpiadas. Por outro lado, temo quanto à cidades como Cuiabá. Será que algum investidor privado vai arriscar seus fundos para construir um hotel que provavelmente só dará lucros durante o período da Copa? Fica aí a reflexão. Até mais Janca.

    • janca

      As desapropriações têm sido um problema sério que estamos acompanhando há algum tempo, Olavo. Sobre sua reflexão em relação a cidades como Cuiabá de fato é uma situação complicada, investir na construção de um hotel que depois pode virar elefante branco. Mas há alternativas de hospedagem que, bem exploradas, podem ser uma boa oportunidade durante a Copa. Até aluguel de casa por temporada, hotel-contêiner, flats, pensões, albergues. Afinal vem turista de todo tipo durante o Mundial. Até aqueles que não querem gastar muito. Abs.

    • Maurovski

      Olá, Olavo e João. Você não é daqui (Fortaleza), Olavo, mas parece adivinhar o que está acontecendo, talvez por ter coisa parecida aí no RJ. Falo das desapropriações sem pudor que o governo ameaça fazer, e deverão ocorrer mesmo. Às famílias que moram há mais de 20 ou 30 anos, ao longo do trajeto onde passará o VLT, são oferecidas indenizações que variam de R$ 20.000 a R$ 40.000. Além de serem números irrisórios considerando o mercado, não se leva em conta os valores imateriais. E o pior, se não aceitarem, acabam expulsos à força pela nossa gloriosa “justiça”. Tudo porque não se fez um planejamento anterior e com critério. Deixam tudo pra última hora, quando deixam e se é que fazem. Mas esse é o país dos Teixeiras, Sarneys, Lulas, Sanches, Calheiros, Collors, Malufs, Babalhos, e tantos outros, que mandam e desmandam, e fazem de tudo pra continuar no poder. Cabe a nós dar cabo deles da única maneira que podemos, protestando e votando…

      • janca

        Oi Maurovski, tenho lido sobre o que acontece em Fortaleza, o governo até tinha dito que deixaria a área onde acontecerão as desapropriações para uma segunda etapa do projeto, mas não interessa, é uma questão muito séria principalmente se os valores não são compatíveis com os terrenos ou os imóveis desapropriados. Sem falar que, como você coloca, há gente que mora há mais de 30 anos em locais afetados. E isso acontece também no Rio, em Cuiabá, em Natal… Num país de Sarneys, Teixeiras, Malufs, Collors, Marins, Barbalhos e tantos outros estamos perdidos. Podemos protestar e votar, mas às vezes parece que as opções ficam entre o seis e o meia dúzia, ainda mais com os conchavos políticos que vemos por aí. Não vejo nem no PT nem no PSDB, com todas as alianças espúrias que fazem, boas opções. Enfim… Fica o desabafo. Abração, João

  • Márcio

    O problema da mobilidade urbana e do famoso “legado” da Copa do Mundo já foi resolvido.
    Em dias de jogos será decretado feriado nas cidades que receberão as partidas da Copa. Simples assim. Resolveram todos os problemas com uma canetada, como sempre ocorre neste país.
    Se, eu disse “se”, os estádios ficarem prontos até 2014, somente estes serão os “legados” deixados pela Copa e, em muitos casos, a opção será a escolha da cor do elefante, branco, amarelo, azul, fica a gosto do freguês.
    Esqueci do outro legado que será deixado, qual seja, o rombo nas contas públicas do país, com dinheiro público usado na contrução de todas as arenas, seja através de “financiamento” por parte do BNDES, ou utilização de dinheiro municipal, estadual ou federal, diretamente.
    E lembrar, que no início o grande presidente da CBF e do COL disse que todos os estádios seriam construídos com o dinheiro da iniciativa privada. Só por essa fala esse Sr. já merecia ir para a cadeia.

    • janca

      É, Márcio, é a história do Pan, que custou dez vezes mais do que o prometido e o previsto inicialmente e deixou um legado ridículo, sendo repetida aqui… Abs.

  • Fiscal do Aurélio Miguel

    Salve Janca,

    aqui em Curitiba também tá feio.O Atlético teve uma máquina especial que faria trabalhos de adequação na baixada, retirada das obras na calada da noite, por falta de pagamento, além disso está enfrentando dificuldades na desapropriação de imóveis próximos do estádio,por parte da prefeitura e proprietários.E aí em São Paulo,como andam as coisas?

    Abraços.

    • janca

      Em São Paulo também vão complicadas, principalmente quando o assunto é mobilidade urbana. Mas o estádio do Corinthians tem tudo pra ficar pronto a tempo e a tendência é que seja bem bonito. Arenas não são nosso principal problema, são a mobilidade urbana (incluindo aeroportos) e hotelaria, segundo a Fifa. Valeu pelas informações de Curitiba, grande abraço, Janca

      • Orlando

        Olá Janca…olha eu aqui novamente. Lembra-se que vc. disse me disse que eu era um cidadão que não conhecia as prioridades de SP no episódio em que vc. descia a lenha no SPFC quando se falava de mobilidade urbana e que Hotel não seria necessário (nitidamente com pirraça por ser o SPFC que solicitava ajuda da prefeitura?) Agora você está preocupado com mobilidade urbana? Estranho não é mesmo? Antes não podia se falar na tal de mobilidade urbana, agora pode? Quem era contra antes, não pode falar nada agora. Hoje realmente entendo as suas críticas naquele episódio – Andrés Sanches fazendo escola….

        • janca

          Mobilidade urbana nada tem a ver com hotelaria. Você acha prioridade da Prefeitura de SP sair construindo hotéis? Eu não. Definitivamente você não conhece as prioridades de SP. Educação, saúde, moradia e mobilidade urbana que, repito, não é hotelaria. Hotelaria é questão da iniciativa privada, meu caro. Só falta agora o governo investir em… hotelaria. Pode ser prioridade pra você, pro cidadão comum não é. Mas mobilidade urbana é outra história, você parece confundir as estações.

          • Paulo

            Janca, parabéns pelo saco de responder os comentários no seu blog, mesmo quando um burro como esse Orlando se manifesta. Vai começar discussão clubística e não era isso que devíamos discutir aqui. Gente como ele tem a visão estreita e não enxerga meio palmo adiante do nariz. A Prefeitura não tem que bancar hotel do São Paulo nem de ninguém.

  • reinaldo de barros

    Olha, o Lula é o culpado disso tudo, trazer a copa para o Brasil sem nenhuma estrutura, foi uma armação para os politicos tirarem um dinheiro por fora em grandes obras.
    Todos sabiamos disso, mas todos teimosos, acreditanto em papai noel.
    Sem falar que com a Nike selecionando os jogadores, escalando via CBF à MANO, que nao sabe nada de futebol, nao sabe escalar, nao tem voz ativa, nao sabe substituir, é teimoso com uma mula, e ja vimos esse filme na copa america, um time com R-10 e cheio de medios volantes que nao sabem sairem jogandos faça o favor, vamos dar vexames na abertura e nao vai ter final com o Brasil no maracanã POR CULPA DA CORJA DA CBF.

    • janca

      Nunca fui contra a Copa no Brasil, acho que era (já começo a colocar no passado, embora ainda seja) uma tremenda oportunidade para o Brasil, ainda mais com a Europa em crise aguda por conta do euro, os Estados Unidos deixando de ser a potência que já foram e nosso país ganhando maior importância no cenário mundial. Mas tinha que ser uma Copa conduzida de jeito diferente, com planejamento, não do jeito que está sendo (ou não está).

  • reinaldo de barros

    OS BRASILEIROS QUE NAO SE ILUDAM PELA COPA NAO, VEXAME NA CERTA SE CONTINUAR DO JEITO QUE ESTA, A CBF ESTA MUITO MAL ADMINISTRADA, MUITO MAL, POR QUE PERMITIR QUE A NIKE MANDE NO NOSSO FUTEBOL ? TEMOS QUE PROTESTAR, MOSTRAR PARA ESSAS ANTAS DA CBF QUIE O POVO NAO É BÔBO E BURRO.
    A ESPANHA VAI SER CAMPEAO DA COPA AQUI NO BRASIL, ESTAO MUITOS ORGANIZADOS, TIME PRONTO E JOGANDO BONITO, SEM MEDO. O BRASIL NAO TEM BASE NENHUMA, NENHUMA.
    O ITAQUERAOI VAI SER MANCHADO COM UMA ESTREIA VEXATORIA, E O BRASIL VAI FICAR NO MEIO DO CAMINHO, DEPOIS VAO QUERER ACHAR UM CULPADO, SE EU FOSSE O MANO CAI FORA AGORA. A FEDERAÇÃO SUISSA ANTES DO JOGO DISSE: O MANO MENESES TEM UM HISTORICO INSIGNIFICANTE, ELES FALARAM UMA PURA VERDADE.

  • Fred

    Devia ser Copa nota zero. Vergonha a Copa, vergonha a seleção do Mano. Será que o cara não se enxerga?

    • janca

      O Mano? A situação está mesmo ruim, quase dois anos de trabalho jogados no lixo, Fred. Abração, Janca

  • janca

    Oi Paulo, sobre seu comentário acima não se trata de burrice ou inteligência, mas muitos torcedores, como parece ser o caso do Orlando, ficam cegos por conta da paixão clubística. Sou contra qualquer tipo de ajuda da Prefeitura de SP a Palmeiras, São Paulo e Portuguesa por motivos eleitorais, como parece ser o caso do Kassab, que se ofereceu a auxiliar os três depois de ter dado uma mão (ou melhor as duas e mais os braços) para ajudar o Corinthians, o que também não acho correto. Estádio privado com benefícios e recursos públicos não. No caso do São Paulo e seu hotel não haveria dinheiro envolvido, mas mudanças na lei de zoneamento para auxiliar o Tricolor a construir sua arena. Ah! E segundo estudo que tenho em mãos São Paulo tem quase 80 mil leitos de hotel, o que ainda seria insuficiente para a Copa, embora seja quase o dobro do que tem o Rio, que aparece em segundo lugar entre as sedes na casa dos 40 mil. Abs. pra você, Janca

  • j dias

    Vi outro dia na internet, que o Brasil perde cerca de DOIS BILÕES de reais com os feriados que já existem, estes senhores dos destinos dos brasileiros, e que não fazem nada a não ser em seu próprio beneficio, só podem estar de brincadeira dando feriados nos dias e locais de jogos desta seleção e tecnico fracassado. Aposto mil por cem como esta seleção do jeito que está, não chega ao final no novo maracaã.

    • Tattoo Metal

      Meu caro J Dias…sabe porque tao querendo dar feriado pro povo em dia de jogo? Pra nao lotar transporte publico, o transito melhorar e tapar o sol com a peneira pra turista achar que essa merda de país é sério. Abraçø@!

  • Ricardo Araujo

    Janca, se me permite alguns pitacos. Em todos os mega eventos os números são hiper dimensionados. As demandas são e as exigências idem. 1 ano antes do Pan, num evento patrocinado por um órgão de classe, travei um debate com um especialista de tráfego da Coppe-Rj, em que este afirmava que o pan causaria um “nó” no trânsito do Rio. Eu afirmava o contrário, que isso seria impossível (que por N razões não vou chatear vc em enumerá-las). Como vimos, o Pan não causou transtorno algum à cidade. Ahhhh, mas o Pan é pequeno frente Copa e Olimpíadas. Ok, e apesar disso mantenho a mesma afirmação. Essas teorias do caos, como colocou um amigo e estudioso alemão de impactos e legados de mega eventos esportivos, são colocados pelos organizadores e alguns setores interessados no fornecimento de produtos e serviços para facilitar vendas e etc e tal. Grande parte da imprensa acaba fisgada e ajuda a disseminar certas coisas, algumas delas bobagens inacreditáveis. Lendo algumas matérias, a impressão é de que o país irá “engarrafar”, “parar”, “pifar”, e “apagar” ! E isso é falso. As cidades que mais receberão turistas, serão aquelas que hoje já recebem turistas praticamente de igual monta. Não receberemos essa quantidade absurda de pessoas que alguns “profetas” propagam (que tb te pouparei da chatice de escrever uma lista de razões). A Copa não será um insucesso se eventualmente a linha x de metrô não ficar pronta a tempo. Ou se a expansão do aeroporto Y tb não estiver concluída. Ou se na Olimpíada, A Baía de Guanabara não estiver despoluída. Não percamos o foco. O interesse primordial das pessoas numa Copa, por incrível que pareça, é assistir jogos de futebol. Em visita recente a Los Angeles fiquei preso 2 horas num terrível engarrafamento, o aeroporto estava caótico, o vôo atrasou, e olha que LA já realizou uma Olimpíada. Em Nova Iorque, Londres e Paris já passei por situações semelhantes. Portanto, o principal nesses eventos é que tenhamos estádios condizentes (infelizmente vários não serão economicamente sustentáveis, mas essa é outra discussão), e que a nossa rede hoteleira seja compatível com o impacto demandado. E aí vale o registro que eu talvez já tenha postado aqui. 85% do público de megaeventos esportivos procuram hotéis de no máximo 3 estrelas. Ou seja, hotéis baratos, e próximos a regiões centrais. Não é um público PJ, e sim um público PF. SP por exemplo, recebe fundamentalmente o turista PJ, e adaptou sua rede para isso. No Rio acontece o contrário. O maior fluxo de turistas vem de férias e não a negócios. Como o parque hoteleiro é um investimento privado, será difícil investir num modelo que não se sustente no pós evento. De tudo que se fala sobre infra estrutura, meu receio maior repousa em duas áreas: hotelaria e comunicações. Precisamos acelerar a implantação de zonas wi-fi, aumentar a velocidade média de navegação na net, e disponibilizar tecnologia 4G (essencial não apenas para os turistas, mas principalmente para a imprensa que irá cobrir os eventos).
    Fora isso, acredite, o resto são expectativas super dimensionadas, tendo na retaguarda interesses dos mais diversos. Abs e desculpe a xaropada.

    • janca

      Mas o ponto que eu questiono, Ricardo, é outro. A questão do legado. Não vejo a “teoria do caos” em relação ao trânsito, por exemplo, ainda mais se anteciparem mesmo as férias escolares e decretarem feriado em dia de jogo. Mas o que sobra depois pra população brasileira? Quase nada se nada for feito. E o caos volta na semana seguinte à Copa. O caos diário que temos no trânsito, nosso deficiente transporte público, com as pessoas levando até quatro horas (ou mais) para ir e voltar do trabalho… Enfim, qual o legado? Em 2007, no Pan, haviam prometido mil e uma coisas, até o metrô indo até a Barra, o que hoje ainda não aconteceu, e um custo total de 400 e tantos milhões de reais. No final gastaram quase 4 bilhões de reais e nada. O legado foi risível. Abs. e bom final de semana, Janca

      • Ricardo Araujo

        Janca, o foco é tão distorcido, em termos de legado (têrmo que acabou virando uma panacéia), que é preciso entender que , fundamentalmente, a Copa, que é um evento esportivo, precisa deixar um legado…esportivo !!!!!! Uma Copa é uma oportunidade de outros investimentos, mas o principal legado deve ser a construção ou revitalização de sua infra estrutura esportiva. Existe uma distância grande entre realidade e fantasia. O fato, por exemplo, do ex-presidente Lula ter “prometido” que os futuros novos estádios da Copa seriam bancados pelo investimento privado, não pode frustrar ninguem, pois acreditou nisso quem quis, já que essa não é a prática em lugar nenhum do mundo. Só os EUA possuem capital privado suficiente para isso. Ou seja, foi uma promessa inconsequente que não pode ser debitada nas costas da “Copa”. As obras estão em andamento, mas se muitas delas só ficarem prontas após o evento, isso não afetará o sucesso da Copa. O Rio hoje é uma das cidades mais bem servidas do mundo em termos de infra esportiva, graças ao Pan. A idéia de que um evento seja responsável por recuperar décadas de abandono da infraestrutura geral de uma cidade, é ilusório e embute expectativas exageradas. A Olimpíada, pelo fato de ser um evento 100% concentrado numa mesma cidade, certamente representará um “legado” mais visível para o Rio, mas, sinceramente, esperar que haja uma grande transformação em nossas cidades apenas por conta da realização de 2,3 ou até 4 partidas de futebol em cada uma delas, acho excessivo. Como disse antes, há um superdimensionamento das expectativas em todos os níveis, inclusive em termos de “legado”. E por favor Janca. Vamos esperar o possível, mas dentro da realidade.

        • janca

          Oi Ricardo. Pelo jeito discordamos totalmente neste quesito. O legado esportivo que você diz que o Pan deixou para o Rio foi mínimo. Está quase tudo abandonado e os próprios atletas reclamam disso, muitos dos quais acabaram se transferindo para São Paulo para treinar em instalações paulistas, como o Esporte Clube Pinheiros, que não têm ligação direta com o Pan. Mesmo o Engenhão foi construído com problemas estruturais, está repleto de goteiras, por exemplo, já teve que passar por uma reforma, foi repassado para o Botafogo e é a prova de que não basta mexer na infra esportiva se ninguém olhar para o entorno. Sua localização e acesso são terríveis. o carioca que o diga. O Pan prometia um Maracanã pronto e adequado aos padrões da Fifa. Ficou? Não, tanto que agora o governo tem que gastar 1 bilhão de reais para reformá-lo de novo. Sem planejamento e uma política esportiva corremos o risco de ficar com vários elefantes brancos que daqui a alguns anos podem acabar como os da Grécia. Na ruína. Na Alemanha, para ficar apenas em um exemplo, o legado não foi apenas esportivo. Foi o orgulho nacional, o resgate da autoestima, um legado que não é mensurado apenas por coisas “práticas pou concretos. Ao contrário do que você diz, Ricardo, sigo discordando de você, a Copa é muito mais do que alguns jogos de futebol. Muito mais. Bom domingo, Janca

          • Ricardo Araujo

            Janca, desculpe. mas vc confunde o legado físico com incompetência de gestão. Os equipamentos existem. A gestão é que é pífia. São coisas diferentes. Vc quer mobilidade urbana como legado ? Ok. Constroi-se linhas de metrô etc. Mas se a gestão for ruim, não funcionará. Eu sou gestor esportivo e especialista em planejamento e exploração comercial de arenas, e confesso que infelizmente, o Brasil não possui possui muitos poucos profissionais competentes nessa área. Mas gestão tb é legado, e o Pan deixou esse legado, apesar de vc não reconhecer.
            Como vc citou, os grandes mega eventos há muito tempo servem primordialmente para exaltação da imagem que um país deseja projetar no mundo, ao contrário dos mega eventos do passado. A África do Sul desejou mostrar ao mundo um país diferente e “livre” do apartheid. Na Alemanha, além da necessidade de revitalizar a estrutura ESPORTIVA do país, o objetivo foi mostrar ao mundo uma nova Alemanha, reunificada, e como em 15 anos conseguiram tirar a parte Oriental de suas dificuldades. teve como objetivo mostrar a pujança da nova China Pequim

          • janca

            Oi Ricardo. Desculpe mas sigo discordando de você. Você coloca como se o objetivo de todo o país que abriga um evento como Copa ou Olimpíada fosse se mostrar para o mundo. No caso da Alemanha e da China sim, mas no da África do Sul, não. Nem no da Grécia em 2004 nem o da Inglaterra agora com Londres-2012. Lá eles consideram o principal objetivo fortalecer o esporte do país e revitalizar uma área londrina que estava degradada. Cada caso é um caso. Agora eu te pergunto: Como gestor esportivo que legado deixou o Pan? Aonde está a ótima estrutura esportiva? O Engenhão? O Maracanã, que foi colocado abaixo por causa da Copa quando estaria adequado às exigências da Fifa? Centro de treinamento para ginástica??? Maria Lenk, que depois ficou às moscas e caindo aos pedaços? Remo? Na Lagoa? Se você nomear o legado esportivo, as estruturas deixadas talvez eu mude minha opinião. Mas não é o que vejo quando vou ao Rio. Legado esportivo quase zero. É o que acho, Ricardo, e não sei se temos poucos profissionais capacitados nessa área. Talvez tenhamos poucos profissionais capacitados atuando em eventos como Pan, Olimpíada e Copa, daí o resultado tão pífio. São sempre os mesmos, os amigos do chefe, sejam amigos do Teixeira, sejam amigos do Nuzman.

  • Ricardo Araujo

    Desculpe, a mensagem truncada. Acho apenas que vc mistura vários conceitos diversos. Quanto aos equipamentos do Rio, é certo vários foram mal planejados e os que acompanham meu blog sabem disso, mas equiparam a cidade sim senhor. O Engenhão, apesar dos equivocos técnicos de construção, está sendo bastante útil e ainda será. Um estádio que pode receber eventos de características olímpicas de alto nível tranquilamente. Possui duas arenas indoor das melhores do mundo (desconheço qq problema de goteiras, essas sim presentes no Ibirapuera). O parque aquático depois de alguns anos de incompetencia de gestão (nada a ver com “legado”), está sendo finalmente bem aproveitado servindo de centro de treinamento para vários esportes. O velódromo infelizmente sofre pela má gestão, mas está lá, e em visita recente verifiquei que não está caindo aos pedaços. O Maracanã não tem relação com “mega evento” e sim pelo fato de ser gerido pelo poder público, quase sempre incompetente e irresponsável, como a última e escandalosa reforma. Quando vc diz que o “PAN” prometia, é falso. Quem prometeu foi o Governo e os políticos que usam os mega eventos como bode expiatório para suas loucuras.
    Ainda sobre a Alemanha, nem ela escapou da incompetencia. Leipzig, o estádio-orgulho da ex-Alemanha Oriental, está às moscas como sempre esteve. Londres se tivesse reconstruído Wembley como estádio olímpico, não precisaria ter gasto £ 500 milhões para construir um outro elefante que ainda não sabem o que será feito dele. Em suma, os megaeventos são grandes oportunidades, mas não podem se transformar em panacéias capazes de operar milagres. Abs

    • janca

      Ricardo, desculpe mas você mistura A com B com C. Dizer que a Alemanha não escapou da incompetência não é verdade. A Alemanha deixou um legado esportivo incrível depois da Copa de 2006. O futebol do país tem centros de treinamento fantásticos, fantásticos, fantásticos e a seleção voltou a ser forte, vide desempenho não só em 2006, mas também em 2010 e até agora, em 2012. As categorias de base são ótimas, têm toda a estrutura e o futebol do país se renovou. Quando você diz que escrever que “o Pan prometia” é falso, não é falso não. Você culpa apenas os políticos, só que os responsáveis pelo projeto do Pan apresentaram um orçamento de 400 e tanos milhões de reais e estouraram o orçamento quase dez vezes, tendo que recorrer ao governo federal. O Engenhão teve problemas na construção devido ao atletismo, esqueceram de uma pista e tiveram que colocar mais dinheiro no estádio. É mal localizado, não tem transporte público adequado pra chegar lá, não tem estacionamento, nada. Há três anos sofria problemas na estrutura e Botafogo e o governo discutiam quem pagaria a reforma. Estive duas vezes no velódromo e está longe de ser a maravilha que você pinta. Mal utilizado, vai passar por reforma. O Paraue Aquátido já passou por duas obras depois do Pan. O Maracanã, que estaria segundo o próprio COB adequado aos padrões da Fifa não ficou, tanto que foi colocado abaixo e está consumindo 1 bilhão de reais em nova obra. Não vejo o Rio como uma excelência esportiva depois do Pan. Espero que melhore com a Olimpíada, o que vão fazer com a região portuária é importantíssima, mas desejo que não gastem dez vezes mais do que o prometido. O exemplo do Pan não é para ser repetido. Abs.

      • Ricardo Araujo

        Janca, apesar de incompetencias e desvios, o pan custou dentro da realidade. O orçamento inicial, feito em 2003, é que por incompetencia e falta de experiencia, foi estimado totalmente fora da realidade. R$ 3,8 bi para construir um mega evento do zero é pouco, acredite (mesmo com desvios e desperdícios). R$ 400 milhões é que era um delírio. Qual a experiência de orçamentos de megaeventos a Secretaria de esportes do Rio e a Suderj possuiam ???
        O orçamento inicial de londres era de £ 4,5 bi, e já está em £ 9,6 bi !!!! E com um elefante branco (mais um) a caminho !!!
        Um legado importante da Copa da África, por exemplo, foi o maior espaço que as empresas sul africanas conseguiram dentro do continente, ampliando seu mercado em 15%. E, aí novamente discordamos, a Copa foi teve como objetivo principal se mostrar para o mundo sim, admitido pelo próprio Joordan em vários eventos.
        Não foi a Copa que dotou a Alemanha de estrutura esportiva muito menos de outras infras. Eles já possuem isso há muitas décadas. Quando digo que o Rio tem uma boa infra esportiva, significa que a cidade hoje poderia sediar mundiais de várias modalidades, com pouquíssimos investimentos em estrutura (mesmo com N falhas de projeto e desperdícios). O que eu quis dizer é que não podemos confundir objetivo com realização. O legado de um mega evento esportivo precisa ser esportivo em primeiro lugar (incluindo recursos humanos, inclusão esportiva etc). É claro que o legado esportivo precisa ser sustentável sob todos os aspectos, o que infelizmente não acontece no Brasil. Os projetos, via de regra, são mal planejados e realizados, e por favor não pense que estou “defendendo” vários desses absurdos que tem ocorrido por aqui. A origem do meu troll (rsrsrs) é a observação de que estamos perdendo o foco, e colocando reforma de porto, despoluição de baía e ampliação de aeroporto, como “responsabilidade” da Copa. Não é. Precisamos disso prá ontem, com Copa ou sem. O sucesso da Copa será avaliado pela sua realização em si, e pelo legado esportivo que deixará. Não pela construção de eventuais linhas de metrôs, porque isso sabemos, já deveria ter sido construído há muito tempo. Abs e prometo que o troll acabou.

        • janca

          Discordamos de novo, Ricardo, mas tudo bem. Se o grande intuito da África do Sul foi se mostrar ao mundo não deu certo, porque não houve crescimento no turismo para o país e a Copa foi marcada por problemas de segurança e hotelaria bem sérios. Se o Brasil não tem competência para fazer orçamento é assustador. Então não se aventure a fazer uma Copa ou uma Olimpíada. E o Pan deveria ter servido como experiência. Londres tem um teto máximo para gastar com os Jogos, no Brasil o limite é o infinito. A infra de esportes da Alemanha não era como ficou depois de 2006, com centros de treinamento e tudo. Ficou incrível. Era boa, agora está fantástica. Concordo que o legado de um evento esportivo tem que ser em primeiro lugar esportivo, mas se é assim na África não deu certo. Metade dos estádios está às moscas e o futebol não melhorou. Veja a Grécia com Atenas-2004. O esporte acabou no país. Enfim, visões diferentes. Para mim o Pan não deixou legado esportivo quase nenhum e custou dez vezes mais, o que é o fim da picada, você mesmo admite. Mas revitalizar áreas degradadas é uma coisa boa, embora concorde que não precisamos de Copa ou Olimpíada para isso _mas deve ser um efeito positivo para 2016. Pelo menos um, Ricardo. Abração, Janca

          • Ricardo Araujo

            Pois é Janca, nem sempre dá certo. Na África não deu, na Grécia não deu, na Copa Coréia/Japão tb não deu. Enfim, tudo não passa de uma grande oportunidade. Alguns aproveitam, outros não. Vamos torcer para que o nosso balanço ao final seja positivo, apesar dos “elefantes verdes” que virão. Abs

          • janca

            Risos. Espero que sejam verdes, melhor do que brancos, Ricardo. Valeu pelo debate e pela troca de ideias, Janca

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