A sobrevivência dos cartolas



Abaixo reproduzo coluna que publiquei ontem no LANCE! e que trata do processo de globalização no futebol mundial, dos cartolas brasileiros, de cinema e do Oscar. O troféu de Hollywood, não o jogador do Internacional, que para mim deveria estar na seleção de Mano. Que aliás não está jogando nada… Como escreveu o jornalista Lúcio Ribeiro ontem na “Folha” por que não Guardiola como técnico do Brasil? Aproveitando que Ricardo Teixeira é tão amigo de Sandro Rosell, o presidente do Barça, e ajudou o dirigente a ganhar dinheiro público com amistoso da seleção, ele não poderia retribuir dando uma mão pra seleção? Precisamos de técnico pra ontem! E feito o desabafo segue a coluna que mencionei:

“Em 2004 o norte-americano Franklin Foer, editor da revista “New Republic”, lançava nos Estados Unidos “Como o Futebol Explica o Mundo: Um Olhar Inesperado sobre a Globalização”, traduzido no ano seguinte para o português. Para escrevê-lo, Franklin viajou por vários países, entre eles o Brasil, e pôde constatar “que, em vez de destruir as culturas locais, como preconizava a esquerda, a globalização deu nova vida ao tribalismo e que, longe de promover o triunfo do capitalismo apregoado pela direita, fortaleceu a corrupção”.

Conheci o jornalista em sua passagem por São Paulo e ajudei-o na marcação de entrevistas no Rio. Almoçamos com seu primo brasileiro Marcelo Waimberg, que foi quem me procurou, e conversamos um bocado sobre a situação do futebol brasileiro.  Franklin debruçou-se sobre os bastidores do esporte nacional, foi ao Rio atrás de Eurico Miranda e histórias do Flamengo, da Seleção, da CBF, de Pelé e de Teixeira. Quando recebi o livro notei que o capítulo sobre o Brasil, embora tenha sido um dos que menos gostei, recebera o título de “Como o Futebol Explica a Sobrevivência dos Cartolas”.

O título, pelo menos, é sugestivo. Porque passa ano, entra ano e eles continuam aí, atolados por denúncias de corrupção e interligados, impedindo que nomes fora do meio possam ganhar força no esporte, perpetuando-se no topo, preparando terreno para entregar o clube, federação ou confederação a seus pares quando de sua saída, manipulando estatutos para favorecê-los, impedindo a rotatividade no poder.

Se a mentalidade dos cartolas continua a mesma, o futebol e a obra de Franklin Foer pelo menos me proporcionaram a oportunidade de conhecer muitos lugares e muita gente interessante. Dentro e fora do Brasil.

Lembrei do livro de Franklin não por acaso, mas por conta da situação da CBF e de Ricardo Teixeira e também por causa do cinema e do Oscar. Pois estreou na sexta-feira o filme “Tão Forte e Tão Perto”, do diretor inglês Stephen Daldry, o mesmo de “Billy Elliot”. “Tão Forte e Tão Perto”, indicado ao Oscar de melhor filme, é baseado na obra de Jonathan Safran Foer, irmão de Franklin, cujo título é “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto”. O livro é muito melhor do que o filme, incomparavelmente melhor, embora o segundo valha ser visto pelas atuações do garoto Thomas Horn, no papel de Oskar Schell, um menino que perde o pai no 11 de Setembro, e do veterano ator sueco Max von Sydow, sem falar nas lindas imagens de Manhattan e do Central Park.

Conheci Jonathan, que já havia escrito “Tudo está Iluminado” e preparava o lançamento de “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto”, por intermédio de seu irmão Franklin. Almoçamos em Nova York e conversamos sobre cinema, literatura e viagens, assuntos que me fascinam. Não falamos de futebol, muito menos de cartolas. Na vida as pausas são fundamentais e o silêncio, tão bem representado pelo trabalho de Von Sydow e especialmente por “O Artista”, que conta a história de um astro do cinema mudo na Hollywood de 1927, também.”



MaisRecentes

A matemática do futebol



Continue Lendo

A melhor do mundo



Continue Lendo

Aprender a perder



Continue Lendo