As organizadas e o Carnaval



A selvageria que tomou conta do Sambódromo paulistano na última terça deixou alvoroçados oportunistas de plantão que pregam a proibição das torcidas organizadas no Carnaval. Como se fossem elas as causadoras de todo o tumulto. Não foram.

Que integrantes e adeptos da Gaviões da Fiel cometeram atos de vandalismo dentro e fora do Anhembi as imagens da TV estão aí para mostrar. Mas uma parte não representa o todo e se a Gaviões está sendo investigada por conta da baderna o mesmo se dá com outras cinco escolas de samba que não são de uniformizadas.

E o sujeito que rasgou as notas e iniciou a confusão diz ter ligação com a Império Casa Verde, não com a Gaviões. Sem falar que Mancha e Dragões da Real, a primeira organizada do Palmeiras, a segunda do São Paulo, não estão sendo acusadas de nada.

Tirar as uniformizadas do Carnaval além de ser um ato autoritário não faria sentido algum.

A questão não é a ligação de uma ou outra escola com clube de futebol, mas com contravenção, como jogo do bicho, suspeita de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e por aí vai.

Sem falar que o primeiro desfile de escolas de samba no Rio, em 1932, começou justamente como uma competição por ideia do jornalista Mario Filho, irmão de Nelson Rodrigues, que daria o nome ao estádio do Maracanã. Ele idealizou o evento justamente para ter notícias para publicar na entressafra dos campeonatos de futebol. E boa parte dos foliões era formada por frequentadores de estádios de futebol. Como é até hoje. E espero que continue assim. Sem selvageria. Seja nos estádios, seja no samba.



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