O quintal de Patrícia



A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, tem sido muito criticada por parte da torcida do Flamengo pelo início do ano tumultuado do clube, mas tem o apoio dos sócios que acham que ela faz um bom trabalho na parte social da Gávea.

O que o torcedor quer é uma coisa, o que o sócio, a maioria dos quais também é torcedora, embora com a diferença de que seja sócia também, é outra.

O primeiro pensa no time de futebol, o segundo pensa não só time mas também no clube, piscinas, quadras, restaurantes, instalações em geral, qualidade do atendimento, na parte social, enfim. E é ele, o sócio, não o torcedor, quem escolhe o presidente. Ou, no caso do Flamengo, a presidente.

Essa é uma questão que tem levantado muita polêmica, seja a eleição aberta a todos os sócios, seja formada por um colégio eleitoral de conselheiros que, em tese, representam o sócio.

Especialmente em cidades que não têm praia, como São Paulo, e não são divididas apenas em dois grandes clubes, os sócios muitas vezes nem torcem para os clubes aos quais são associados. Caso do São Paulo, que hoje tem muito corintiano, palmeirense e santista que mora no Morumbi e se associou ao clube para usar a parte social. Caso do Corinthians e de moradores da zona leste que podem torcer para outros times mas frequentam o Parque São Jorge como sócios. Caso também do Palmeiras, cujo título também é considerado barato perto do título de clubes de elite, como Harmonia, Paulistano e Pinheiros, que não têm times de futebol profissional.

Uma das saídas para o “problema” ou o que eu chamaria de dicotomia de interesses é a divisão do clube em duas partes. Um presidente cuidaria da sede social e seria eleito apenas para isso, outro cuidaria do futebol, cujo departamento seria separado da sede e administrado como algo à parte. Algo à parte que efetivamente já é, embora, na hora da eleição e da destinação de verbas para um e para outro a história seja diferente e normalmente acabe em confusão.



  • Beto

    Janca, achei que era mais uma crítica à Patrícia Amorim, comecei a ler e vi que não. Sou sócio e torcedor do Flamengo e acho que o futebol deveria ser separado da parte social. Mesmo no Rio, que tem praia mas tem trânsito parado na zona sul, nem todos os sócios do Flamengo são rubro-negros. Meu melhor amigo é botafoguense mas sócio do Flamengo porque mora na Gávea. A Patrícia melhorou bem o clube, errou no futebol com Luxemburgo e R10 e Traffic e Golden Goal, mas quem vai à Gávea vê que as coisas no clube melhoraram. Sua sugestão é boa. Imagino que em São Paulo sem praia e com as distâncias maiores e o trânsito pior corintiano sócio do São Paulo, são-paulino sócio do Corinthians não sejam anomalias. E eles votam. Um dia esse problema estoura. Abraço que vou pra Gávea. Bom Carnaval que ninguém é de ferro, Beto

    • janca

      Aoroveite o sol, então, que ninguém é de ferro mesmo. Abs. Janca

  • Paulo

    No São Paulo tem até conselheiro corintiano, que devia ser proibido.

    • janca

      Proibido não, o que poderiam fazer era dividir a parte social do departamento de futebol. No Pinheiros, por exemplo, você tem torcedores de todos os clubes, pois se trata de um clube social sem futebol profissional. Abs.

  • Paulo

    E no Fla o filho do Claudio Coutinho assumiu o futebol para separar os poderes. A Patricia vai cuidar do clube e ele do futebol.

    • janca

      Não é bem assim. Não há separação de poderes, mas com a saída do Luiz Augusto Veloso ela precisava de alguém que tocasse o futebol, de uma espécie de escudo e o Paulo Cesar Coutinho tornou-se vice de futebol, embora as contratações ainda estejam centralizadas na vice-presidência de finanças. Abs.

  • Ricardo Araujo

    Janca, segundo uma pesquisa de 4/5 anos atrás feita aqui no Rio, cerca de 30% dos sócios do Flamengo, Botafogo e Fluminense, não torcem para o clube, e apenas frequentam suas instalações por comodidade. Alguns clubes já separam, em termos de orçamento, a parte social do futebol, ou seja, o social e esportes amadores possuem receitas próprias e não “sugam” receitas do futebol. Eu vejo diferente o que poderia ser a solução. O Flamengo, o Palmeiras, e qq grande clube de futebol, é grande e construiu sua marca através dos anos, por causa do futebol. Ele é o carro-chefe. O Palmeiras, por exemplo, sem futebol seria apenas um clube de bairro, onde ainda pode se jogar bocha (para desgosto do Mustafá), e não seria um clube com milhões de torcedores. A solução não é dividir o comando e sim distribuir o “peso” dos votos. Basta fazer como o Inter e permitir que o sócio-torcedor possa votar para presidente. Aí sim, o peso do torcedor de fato, seria maior do que o do “sócio-frequentador”. Além do que, políticamente favoreceria a oxigenação do clube, desmontando as igrejinhas e panelinhas dos velhos “caciques”. A totalidade dos sócios votaria, não em um presidente, mas numa chapa que funcionaria como uma espécie de “conselho de administração”, NÃO REMUNERADO, que escolheria 3 ou 4 executivos profissionais remunerados (no mercado) que gerenciariam o clube e prestariam contas ao “conselho”. Com isso, outra deformação poderia ser resolvida, que é o presidente teoricamente não remunerado (pois os estatutos caducos dos clubes não permitem) optar, ou por ser um presidente-meio expediente, ou se remunerar “por fora” (a maioria). Resumindo, bato na tecla de que a resolução de muitas distorções que incentivam a má gestão dos clubes, passa pela reforma e modernização dos estatutos. Garanto que funciona pois trabalhei num clube espanhol que funciona muito bem assim. É fácil fazer isso no Brasil ? Quase impossível, pois as igrejinhas dos caciques farão de tudo para impedir. Mas se o Inter conseguiu, existe esperança. Abs.

    • janca

      Oi Ricardo, desculpe só responder agora, mas acho essa solução interessante e uma forma de aproximar o sócio-torcedor do clube. Pois assim o torcedor ganha importância. Mas fico com uma questão. O sócio (do clube), torcendo para o time que for, pode perder espaço. O clube propriamente dito, a parte social, pode ficar em décimo plano, pois a preocupação do sócio-torcedor, que tende a ser a maioria, é com o futebol, enquanto que quem frequenta o clube está com outras preocupações, como as instalações, os serviços do restaurante e assim por diante, que podem ficar abandonadas. Sei que muitos já separam o orçamento do futebol do orçamento do setor social e dos chamados esportes amadores, ainda assim eles acabam se misturando, pois quem é eleito tem que trabalhar para o sócio e para o futebol. E quem o elege é o sócio, não necessariamente torcedor. Mudanças estatutárias são necessárias, na maioria dos clubes, nem para ontem, para anteontem, como costumo dizer, mas que as igrejinhas atrapalham não há dúvida. Grande abraço e bom domingo, Janca

      • Lily Martins

        Não basta separar os orçamentos, Ricardo e João. No Palmeiras é assim e não deu certo. Quem frequenta o clube quer uma coisa, quem é só torcedor quer outra. Conheço muito torcedor de outros times que são sócios do Palmeiras porque o título é barato e a mensalidade também. Gente que mora em Perdizes e vai lá tomar sol, usar as piscinas, jogar basquete. Os tempos mudaram e os estatutos têm que se adaptar à nova realidade. Acho que no Sul mesmo com Inter e Grêmio também é assim, não?

        • janca

          Não, Lily, com Grêmio e Inter não, de um lado porque a rivalidade é imensa, de outro porque eles não ficam tão distantes um do outro, não. E o sócio-torcedor tem muita força no Sul, especialmente em jogos do Brasileirão. A torcida comparece em peso. Assim como o Fiel Torcedor do Corinthians, que já virou sucesso, seja no Brasileiro, seja na Libertadores, esgotando os ingressos.

        • nilú

          Oi Lily, tubo bem com vc? Espero que sim!
          É isso mesmo, os sócios, muitas vezes não estão coligados ao time de futebol que o clube representa.
          Com base,só posso analisar por São Paulo.
          Existem vários clubes, muitos tem lazer e grande número de sócios, como Pinheiros, Hebraica e Paineras, mas não tem times de futebol disputando campeonatos, e mesmo assim , tem orçamentos não muito claros.!
          Não sei se são os estatutos, mas a gestão é que deve ser correta, honesta, seja de onde for o clube, com time de futebol ou sem!Abs. Nilú

          • janca

            Oi Nilú. Sobre os clubes sociais que você citou e que não têm times de futebol profissional, concordo que os orçamentos, ainda mais com as infinitas reformas que fazem, estão longe de ser claros. E cada vez eles recebem mais sócios, cada vez mais usam leis de incentivo para faturar e se promover, ah!, tenho muitas reclamações. Confusão não é só com clube de futebol profissional, não. E igrejinhas temos de tudo quanto é lado… Boa segunda, João

        • Ricardo Araujo

          Lily, estamos de acordo. Separar os orçamentos é o mínimo em termos de gestão. O problema é mudar os estatutos. O Palmeiras não funciona por várias razões, entre elas o fato do clube ser completamente fechado e dominado pelos “capos”. Não existem novas lideranças pois o acesso desses é barrado por um pequeno grupo que se julga dono do clube e o vê ainda como clube de bairro. No Palmeiras, como o sistema é fechado, nem os sócios do clube votam !!! Ou seja, tanto faz se torcem para o Palmeiras ou não. No Rio, os sócios votam, o que causa essa dicotomis de interesses. No Sul, só o Inter mudou o estatuto, e muitas “caras novas” já podem ser observadas na política do clube. Os sócios-torcedores do Grêmio não podem votar para presidente.

          • janca

            Oi Ricardo, interessante o que você colocou sobre o Sul. Também acho que separar os orçamentos é o básico, embora muitas vezes nem isso aconteça, e o grande problema diz respeito aos estatutos, que em sua maioria são arcaicos e favorecem a formação de igrejinhas. Abs. e boa terça pra você, Janca

  • Lily Martins

    Oi Nilú, oi João, você tá certa, Nilú, a gestão deveria ser certa em qualquer lugar, o problema é que quase nunca é, né não? As reformas, João, como a de estádios de futebol servem muitas vezes para beneficiar as construtoras amigas de diretores, conselheiros, é uma maracutaia só. Nos clubes de futebol profissional as pessoas e a imprensa ficam de olho, nos clubes sociais, como você chama, os sócios teriam que ficar de olho e não ficam porque nem sabem o que acontece ou têm mais coisas pra fazer, querem usufruir o clube, não se preocupar com a gestão. A não ser quando afetam o bolso nas mensalidades. Boa segunda pra vocês também, Lily

  • FLAPENTATRIHEXA

    Administrar um clube como O Flamengo nunca será fácil,especiamente pela parte política,lá é um recanto de vaidades.O que falta a esses dirigentes é muita competencia,clube grande tem que ter planejamento antes das principais empreitadas;discute-se patrocínios,gestão;mais o principal que é botar um elenco forte,neca.
    Não adianta a Patricia gostar dos esportes amadores,dar incentivo e querer botar o CRF no ápice,se o carro chefe é o futebol;e nisso estamos atrasados no planejamento,todo ano é a mesma coisa e o torcedor já não aguenta mais tanta passividade e imcompetencia…SRN

    • janca

      Tem razão sobre o futebol do Flamengo. O início de temporada foi dos piores devido à desorganização, quem sabe agora a coisa melhore… E o carro-chefe de fato é o futebol, mas como presidente do clube a Patrícia tem que dar atenção às duas coisas, ao futebol e também à parte social. Abração, Janca

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