A parcialidade da mídia



Reproduzo abaixo coluna que publiquei ontem no LANCE! sobre a atuação da imprensa e a visão que muitos têm dela, que várias vezes não bate com a minha. Aproveito para dizer que sábado, dia 11, volto a publicar novos posts e até lá sigo respondendo comentários e interagindo com os internautas neste espaço.

“Não é de hoje que encontro leitores, ouvintes e espectadores que questionam a isenção no jornalismo e contestam a imparcialidade da imprensa quando se trata de futebol, política, economia ou outros tópicos mais.

Volta e meia me deparo com internautas reclamando que os jornalistas e os veículos de comunicação não são imparciais ao contrário da imagem que alguns querem passar. Que tomam partido por mais que insistam que não, posicionam-se, dão mais destaque para os times A, B e C do que para as equipes D, E e F. Costumo dizer que muitas vezes eles têm razão, outras não, mas que eu mesmo não acredito na imparcialidade apregoada aqui e acolá, seja no campo do esporte, que gera muita paixão sem falar nos interesses financeiros, seja fora dele, no campo da política partidária, por exemplo, ou mesmo no setor cultural.

A  isenção absoluta não existe e nunca existirá, como já dizia o psiquiatra e terapeuta norueguês Tom Andersen, conhecido no Brasil pela obra “Processos Reflexivos”, que trata, entre outros, da teoria sistêmica e das relações humanas. Como lembra o pensador, cada indivíduo tem uma percepção da situação à que “pertence” e pessoas diferentes terão percepções distintas de determinada realidade, transformando uma situação exterior em múltiplas realidades.

Um conceito interessante que Andersen fez questão de reforçar é que temos na gente “diversas pessoas” e nos tornamos uma em determinada circunstância, outra num contexto diferente, embora tenhamos características básicas que nos tornam “aquela pessoa”. A “realidade” depende não só do contexto mas também do observador, que influi no sistema observado e se torna parte dele. Modificando-o, portanto.

Isenção absoluta, então, não existe. Ao fazermos um tratado de física ou matemática estamos colocando um pouco da gente lá, inclusive na escolha do assunto estudado. No campo do direito o espaço para a interpretação é colossal e no jornalismo não seria diferente como não é.

Na hora de definir o espaço que cada clube vai ocupar no jornal, que notícias devem ter prioridade, que linha de raciocínio seguir, qual a parte mais ou menos importante de uma entrevista, o que deve ser descartado, o que deve ser destacado os editores e repórteres estão tomando decisões. E em cada decisão há um quê de subjetividade.

Sem falar nos donos de veículos de comunicação que têm suas linhas editoriais para serem seguidas. Ao estabelecer as diretrizes, por mais que alguns batam na tecla da imparcialidade absoluta, insisto que isso não existe. A definição de uma linha já pressupõe um quê de subjetividade.

Se Corinthians e Flamengo têm destaque maior do que outras equipes, um dos principais pontos de reclamação dos que preferem agremiações rivais, talvez seja porque atraiam mais interesse, despertem muita discussão, torcida contra ou a favor, gerem enorme audiência e movimentem grandes recursos. Inclusive porque, por mais que muitos digam que o foco da mídia é no “social”, ela também é negócio.”



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