Meia-entrada



Fifa e governo brasileiro seguem divergindo sobre a questão da meia-entrada na Copa de 2014, um direito garantido a estudantes e idosos (pessoas com mais de 60 anos) de acordo com leis brasileiras.

O governo não quer mudar a legislação para aumentar os lucros da Fifa, enquanto a entidade bate pé no regime de exceção durante o Mundial.

Acho que a discussão deveria ir além disso e chegar ao cerne da questão. Não sou contra a meia-entrada, mas tenho posição parecida com a da atriz Beatriz Segall.

Se o governo dá o benefício a estudantes e idosos deveria ressarcir entidades ligadas ao cinema, teatro, circo, espetáculos musicais e, por que não?, jogos de futebol, já que cada vez aumenta o número de ingressos para quem paga meia, onerando quem paga inteira e onerando os próprios organizadores.

Quem fica com o ônus de um benefício dado pelo governo a um grupo de cidadãos é a iniciativa privada e, só para ficar no exemplo do teatro, todos sabem da dificuldade que é colocar uma peça em cartaz. Sendo que teatro, como cinema e o próprio futebol, é cultura.

Não questiono o benefício, mas a forma como ele é dado, agora explicitada pela crise com a Fifa.

E questiono alguns mecanismos. Com o aumento da expectativa de vida, idoso hoje não é quem completou 60 anos. Não seria quem tem mais de 70? Sem falar no número de carteirinhas de estudante espalhadas por aí.

No início da lei quem mais se beneficiou foi… a União Nacional dos Estudantes, que tinha o monopólio de expedir as carteirinhas. Depois isso mudou, mas assim como a Previdência Social, a meia-entrada tem que ser revista, o que não quer dizer que tenha de ser varrida do mapa. Pelo contrário.

Mas há muita gente com mais de 60 anos que tem condições de comprar o teatro inteiro. E à vista. Por que pagar meia, então?

O contexto tem que ser analisado, tanto para o caso da Previdência quanto para o da meia-entrada. Número de anos de contribuição e serviço, por exemplo, quando falamos da primeira, além do fator idade. E quais devem ser os verdadeiros beneficiários da segunda, que não tem aproximado as classes C, D e E dos cinemas e teatros e tem afastado as mesmas dos jogos de futebol, com preços proibitivos mesmo para quem paga meia.

Em vez de ficar numa queda de braço com a Fifa, questões como essa, da meia-entrada, deveriam servir de reflexão para os brasileiros, reflexão muito mais ampla do que uma Copa do Mundo, pois se trata de política pública, política de Estado, algo que não há no Brasil.



  • Fred

    Você fala da bagunça que é a lei mas esquece da falta de política dos produtores e organizadores de futebol, cinema e teatro no Brasil. Falta política de classe para eles como falta política pública (aí você tá certo) para o governo. Todas as partes envolvidas teriam que repensar a meia-entrada e outras coisas também.

    • Paulo América

      Repensar não porque direito adquirido é direito adquirido.

      • Paulo América

        Fred, a discussão não é essa, mas como você tocou no assunto qual a qualidade da ministra além de ser irmã do Chico? O que ela fez até agora?

        • janca

          Oi Fred, oi Paulo, para começar acho que a classe artística também tem grande parcela de responsabilidade, quer incentivos, sabe reclamar, mas às vezes se esquece de contrapartidas e de seu papel social. A questão deveria ser discutida por todos, pois envolve todos os setores. Agora dizer, Paulo, que a única qualidade da ministra é ser irmã do Chico é brincadeira. Isso não é mérito nem demérito. E ela tem um trabalho cultural, pelo que me consta, de base, que deve ser considerado, inclusive em Osasco. Abs.

  • Fred

    Janca, você que acompanha os bastidores veja só que coisa feia o PT tá fazendo minando a Ana de Hollanda na Cultura. Aqui em Brasília ela é a bola da vez. Um abraço do Fred

    • Paulo América

      Perguntei e meu comentário aguarda moderação. Pergunto de novo: qual a qualidade da ministra e o que ela fez até agora?

      • Fred

        Amigo, não sou eu quem modera. A Ana de Hollanda é mais que irmã do Chico, tem experiência na área (Funarte, secretária da Cultura em Osasco, MIS), tem tido lutas inglórias mas começa a se firmar no ministério. Luta pela verba de cultura, trata das mudanças da lei Rouanet, que está anacrônica, conversou com todos os setores envolvidos nas leis de direitos autorais por causa do mundo digital que tem prejudicado os artistas, ela se aproximou da “base”, que são os canteiros de cultura em cada recanto do país e tem um projeto muito bom de incentivo às produções locais. Tão minando ela como minaram o Juca Ferreira.

        • Paulo América

          Blá-blá-blá pra não dizer que ela não fez nada até aqui. Não é uma técnica, não é da área, não deveria estar lá.

          • janca

            Não tenho condições de avaliar a gestão da Ana de Hollanda, mas pelo que tenho lido querem emplacar o nome da Marta Suplicy para a pasta para a senadora fazer campanha por Haddad em São Paulo. Isso sim é uma piada. Ceder ministérios para contentar políticos e o fim da picada. Sou contra a Marta na Cultura como sou contra o Aldo no Esporte. Político é especialista em tudo? Lembrando que a gestão da Marta, que considero ter sido uma prefeita melhor do que Maluf, Pitta e Kassab em SP (o que não é muito difícil), foi um desastre no Turismo. Abs.

  • Barcelusa 2012

    Janca, pelo que vimos ontem a Lusa voltou a ser Lusa. Não gostei nada do jogo. Você viu? Abraço pra você e seus leitores, Barcelusa 2012 (envergonhado pelo começo do Paulista)

    • janca

      Como eu gosto de brincar foi muito mais Lusa do que Barcelona, aliás de Barcelona não teve nada. Vi o jogo sim, em casa, pela TV, e confesso que dormi em alguns momentos. Jogou muito mal a Portuguesa, não conseguia marcar, não tinha ligação do meio-campo com o ataque, o time parecia bem pior do que o do ano passado. Marco Antõnio e Mateus fazem falta. Mas como a base foi mantida, calma. Vamos esperar quarta contra o Palmeiras. E quem jogou bem _e teve muitos méritos_ foi o Paulista, que parece muito bem montado pelo Sérgio Baresi. Abração e bom domingo pra você, Janca

  • Alexandre

    Janca, nesta questão da meia-entrada concordo parcialmente contigo.
    Na verdade, quem fica com o ônus é somente cliente que paga inteira, e não a empresa. Se por exemplo, um cinema cobra R$20 pela inteira e em média 50% dos espectadores compra meia, certamente o valor cobrado de todos seria R$15 se não houvesse esta legislação. A receita privada, na prática, não é afetada.
    Não sou contra a meia-entrada, mas acho que a legislação poderia ser mais rigorosa:
    – Mínimo de 65 anos para idosos;
    – Substituição do benefício a estudantes por um benefício a menores de 18 anos ou, no máximo 21 anos, pois não faz sentido cobrar meia-entrada de alguém que, embora estudante, possui ou deveria possuir renda própria, sem contar que neste novo sistema a fiscalização seria muito mais simples.
    Quanto a ressarcir as entidades privadas pelo benefício, sou totalmente contra, pois, como já disse, elas na prática não são afetadas.
    Já a lei Rouanet, na minha forma de entender, é muito falha. Não faz sentido uma empresa privada direcionar recursos públicos (de impostos) para patrocínio de outra empresa privada sem ser obrigada a injetar também recursos próprios. Ou seja, faz cortesia com chapéu alheio, que se transforma em publicidade gratuita.

    • janca

      É pelo menos uma questão para ser debatida, pois do jeito que está não acho legal e há muitas brechas para mudanças. Abração, João Carlos

    • janca

      Ah! Mas mais uma consideração. Não acho que seja o público que paga a conta, se o produtor ou organizador coloca o preço da entrada lá pra cima para compensar o pessoal que paga meia pode ter uma queda na arrecadação e afugentar uma parcela que não tem direito à meia-entrada e gostaria de ir ao espetáculo. Por isso acho que alguma forma de desonerar o produtor ou organizador deveria haver, sim. E quanto às leis de incentivo, como a Rouanet, acho que todas deveriam ser mudadas. Há muita margem para discussão e debate, mas como tudo no Brasil parece que o processo anda a passo de tartaruga. Veja o Vale Cultura, até hoje não saiu do campo das ideias… Abs.

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