Tom Andersen



Muitos internautas e leitores em geral costumam questionar veículos de comunicação, “acusando-os” de não serem imparciais.

Lembram que jornalistas tendem a puxar sardinha para seu time de coração e dão mais atenção a uns do que a outros. Que são parciais. E são mesmo.

Digo isso porque sou da opinião de que a imparcialidade absoluta simplesmente não existe. Seja do jornalista, seja do veículo de comunicação, que tem um posicionamento, por mais que queira se blindar numa suposta imparcialidade.

Tenho lido material de um pensador norueguês, o psiquiatra Tom Andersen, para curso de formação que estou fazendo. Em “Processos Reflexivos”, Andersen lembra que cada indivíduo tem uma percepção da situação à que “pertence”. Outra pessoa terá uma nova _a sua_ percepção dessa mesma realidade, ou seja, a mesma situação exterior pode ser tornar múltiplas realidades.

E cada um de nós tem em si “diversas pessoas”. Assim cada ser é uma série de pessoas. Torna-se uma pessoa em dada circunstância, outra, em circunstância diferente. Mas temos características básicas que nos tornam “aquela” pessoa. Portanto é ao mesmo tempo certo e errado dizer que uma pessoa é muitas pessoas ou que todas essas pessoas são a mesma pessoa. E que a “realidade” depende do contexto e do observador que influi no sistema observado, tornando-se parte dele.

Portanto a imparcialidade absoluta não existe. No jornalismo e na vida.

Mas já que estamos falando de Tom Andersen, queria lembrar algo que ele escreveu sobre a Noruega, cuja realidade difere muito da do Brasil. Contou que um terço do orçamento do governo vai para serviços sociais e de saúde, por isso os impostos são tão altos. Aqui a carga tributária também é elevada, embora não pese sobre os mais ricos como deveria, mas o dinheiro é muito mal distribuído e some pelos buracos da corrupção. História já conhecida e sobre a qual a mídia coloca o dedo dia sim, outro também.



  • Barcelusa 2012

    Primeiro título do ano ontem, Janca. Começamos bem. Perdemos o Mateus e o Marco Antônio mas o time segue no mesmo ritmo, não achou? Foi ao jogo? Não fui por causa da chuva. Abs. Barcelusa

    • janca

      Também não fui, Barcelusa, muita chuva. Vi boa parte pela TV e gostei da Lusa. Dos titulares e dos reservas. Jogou pra frente, conseguiu se impor e ainda levou o Troféu Dr. Sócrates. Tem prêmio melhor? Estou esperançoso para chegar às semifinais do Paulista, vamos ver, começa sábado já. Abs. Janca

      • Fiel

        VAMOS SER REALISTAS. A LUSA TÁ BEM, MAS O CORINTHIANS NÃO JOGOU NADA. NÃO JOGA BEM DESDE O FINAL DO ANO PASSADO APESAR DO TÍTULO. TEM QUE ABRIR OS OLHOS PORQUE PRIORIDADE É LIBERTADORES. NÃO GOSTO MUITO DO TITE MAS NÃO VEJO OUTRA OPÇÃO, FELIPÃO PODERIA SER

        • janca

          Trocar de treinador agora acho impossível e vejo o trabalho do Tite no ano passado, mesmo sob muitas críticas, como positivo. Mas que o time tem que melhorar e priorizar a Libertadores não resta dúvida. Até porque o Paulista é muito longo e tem uma fórmula de disputa muito ruim. Muitos times, competição muito inchada, seria legal se a Lusa ganhasse, mas para o Corinthians seria uma conquista a mais, sem o peso de uma Libertadores ou mesmo de um Paulista dos tempos em que Sócrates era jogador. Abs.

    • O importante é terminar o ano bem “Barcelusa”.
      rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

  • Alice

    Dificilmente se vê num blog de esporte uma citação ao Tom Andersen, que apesar de ter vindo ao Brasil é pouco conhecido aqui, pouco reverenciado no exterior e pouco mencionado inclusive em textos e trabalhos na área psiquiátrica ou na psicologia. Tive o prazer de conhecê-lo em Porto Alegre, era uma pessoa muito preocupada e antenada em trabalhos com famílias. Tenho críticas à terapia sistêmica que ele seguia, mas a compreensão do indivíduo de Tom Andersen e das relações era uma forma de complementar o pensamento psicanalítico, que é minha área de formação e atuação. Como você trata no texto de jornalismo, quero salientar que você tem razão no que diz, muitos propagam que são imparciais, imparcial ninguém é. A subjetividade impede que sejamos imparciais. Não sei se você sabe que até em ciências exatas como a matemática a parcialidade nos trabalhos é um dado, foi campo de estudo de um bom trabalho na UFMG, se não estou equivocada. Parabéns pela diversidade dos posts que você publica, conheci seu blog hoje, alertada por uma colega que já tinha comentado aí antes, é diferente mesmo.

    • janca

      Tenho achado interessante o que aprendi sobre o papel da equipe reflexiva, que pode ser interessante em alguns casos, em outros não. Você tem que ter jogo de cintura. Na terapia e na vida. Também tenho uma série de questionamentos e dúvidas sobre a teoria sistema, que de uma forma ou de outra acaba excluindo _ou alguns terapeutas o fazem_ o próprio pensamento psicanalítico, como se fosse uma coisa menor, quando não é. Muito pelo contrário. A teoria sistêmica fala muito do “e + e” não do “ou isso, ou aquilo”, mas às vezes teoria é uma coisa, prática, outra. Ou muitas vezes é. A teoria sistêmica tem grandes méritos e trouxe muitas contribuições, deve ser respeitada, mas como disse também tenho questionamentos, que são legítimos e devem ser feitos. Contestar pode ser saudável, embora haja momentos em que o melhor é calar. Obrigado pelo comentário e tenho gostado muito do que estou lendo sobre Tom Andersen e seus escritos, mesmo em relação a ele tenho vários pontos de discordância, mas não dá para negar que o trabalho é interessantíssimo. Foi feito na Noruega, em outro contexto, o que não quer dizer que não possa ser usado _e é_ em outros lugares, em diferentes situações, como o Brasil. Pode sim. Abs. João Carlos

    • Maurovski

      Bom dia, Alice. O blog do Janca é especial mesmo. A começar pelos textos, que sempre abordam temas interessantes e atuais olhados de forma diferente. E o melhor deste blog é a atenção dispensada a nós, pobres mortais. Quanto ao tema em cartaz, não sou da área, portanto, não tenho como me aprofundar sobre Tom Andersen, mas acredito que a imparcialidade fica ainda mais difícil de se conseguir quando se está envolvido com paixão ou com outros interesses. Segundo disseram aqui, a subjetividade nos impede que sejamos totalmente imparciais e que ela não existe de forma absoluta, então calculemos quando se a tem sob variáveis fortes como essas influenciando? E se os influenciados não têm força ou poder para manter sua própria opinião?

      • Alice

        Bom dia, Maurovski. Quando paixão está envolvida a imparcialidade fica ainda mais difícil de ser conseguida e nunca será. Note, porém, uma coisa: sentimentos estão sempre envolvidos. Paixão, raiva, ciúme, inveja, seja no futebol, seja em outra atividade humana. Não é só paixão ou só paixão que “cega”, como se diz no amor e no futebol. Do ponto de vista da terapia sistêmica, entendo que não seja sua área, vejo algumas limitações e prefiro trabalhar as relações do ponto de vista do indivíduo. Da visão e do mundo interior de cada um. Jamais descartando o exterior, mas trabalhando a visão da realidade (que é uma visão apenas) daquele indivíduo que quer ser ajudado. Muitas vezes ele próprio não sabe em quê. Qual o pedido, qual a demanda. Isso vamos trabalhando juntos.

        • janca

          Oi Maurovski, oi Alice, primeiro obrigado pelas palavras elogiosas, Maurovski, mas como digo é mais fácil responder os comentários porque não recebo tantos. Sempre que possível tento responder cada um, às vezes não dá, especialmente quando são muitos e começam a se tornar mais agressivos. Mas achei interessante sua questão sobre os influenciados às vezes não terem força para manter sua própria opinião. Porque acho que isso faz parte da vida e é saudável. Somos mutantes. Temos nossa essência, nosso “eu”, mas vamos mudando com o tempo, os acontecimentos, os contextos, as relações, com a vida. Às vezes o que pensamos hoje já não pensamos mais amanhã. E também acho interessante, Alice, até discuto muito isso, a possibilidade de trabalharmos a família _e não só a família_, muito mais do que isso, as relações dentro da gente mesmo. Com o nosso mundo psíquico, que é riquíssimo. Ótimo dia pra vocês também, Janca

  • Imprensa Vendida

    A imprensa é parcial, bom que você admite. Faltou dizer que é corintiana, trata o Corinthians diferente e dá muito mais espaço pra ele que pros outros paulistas. No Rio é flamenguista. Por isso não acredito no que leio.

    • janca

      Não acho que seja corintiana, não. Acho que a questão não é essa. O Corinthians e o Flamengo têm mais espaço? Têm, pois há mais pessoas que torcem por esses dois times, há mais gente que torce contra, geram mais interesse. Mas não descarto que a paixão (contra ou a favor _rs) aumente quando se fala desses times e que isso pode ter um reflexo na própria imprensa. Que têm mais espaço, têm. Que a cobertura acaba sendo diferente, acaba. Para melhor e para pior. O que não quer dizer que a imprensa seja “vendida”, como você colocou ao se identificar (ou não se identificar) no blog. Abs.

  • É, meu amigo, é o chamado “papel social”, que varia, de acordo com a situação em que estejamos. O Janca jornalista pode não ser o Janca pai, que pode não ser o Janca filho, o Janca amigo, o Janca aluno, o Janca professor, e por aí vai.

    Quanto à imprensa, concordo. Não há imparcialidade total. O problema é que há companheiros seus que exageram e torcem descaradamente para um time e, o pior, destorcem os fatos.

    Abraço!

    • janca

      Isso pode ser, Roberto _a coisa de A ou B torcer loucamente por um time e acabar distorcendo os fatos ou enxergando os fatos pelo viés do que sentem. Paixão pode cegar… E o papel social varia como você bem colocou. Por isso somos vários. Como pais, como filhos, como tios, como primos, como amigos, como profissionais, como professores, como alunos… Abração pra você e desculpe pela demora em responder, Janca

  • Francisco Jose Muniz

    O grande problema é que a maioria das pessoas nunca vai entender isso. No curso de História aprendemos que há historiadores marxistas, liberais, positivistas, etc. Assim, a mesma história é contada de maneiras diferentes.

    • janca

      É exatamente isso, Francisco. Uma história, infinitas versões, múltiplos olhares, múltiplas histórias. Abração e ótimo dia pra você, João

  • Oscar de melo

    Concordo plenamente quando diz que ninguém é totalmente imparcial,se assim fossem,não seriam humanos.Porém,alguns extrapolam e se tornam pegajosos e chatos,não é o seu caso,mas de muitos jornalistas que veêm o que querem,brigam com as imagens e juram estar certos,e até botam dúvidas onde não tem,assim como quem acha pelo em ovo.
    Já na política social,discordo,pois no Brasil se investe no social,pouco mais investe.Porém mesmo esse pouco é contestado por quem gosta mais da oposição,como dinheiro mal gasto e compra de votos.Portanto,esse assunto também temos várias vertentes, com verdades,mentiras,certo e errado,com visões pessoais.
    Abraço.

  • Oscar de melo

    Esqueci de dizer que gostei do texto,muito expressivo e corajoso.

    • janca

      Obrigado, Oscar. Grande abraço pra você e um ótimo domingo, Janca

  • Está correto Janca mas, por ser Jornalista o cidadão deveria se ater em certos casos a dar a informação e deixar que o leitor tire as suas conclusões. Vou dar um exemplo: fiz um comentário no blog do Quartarollo dizendo que o San7os (rsrsrs) caiu para a série B em 1982 e foi “convidado” a participar da série A de 1983 (taça de ouro série A, taça de prata série B) do qual se tornaria vice campeão.
    Quartarollo (santista) disse que não pois os critérios eram diferentes; naquela oportunidade a colocação nos campeonatos regionais serviam de critério para acesso à série A. Na opinião dele e dos santistas de uma maneira geral, por ser de critérios diferentes dos de hoje, não vale a comparação. No entanto, ao aceitarem o “reconhecimento” da CBF dos “títulos nacional” dos anos 60 os critérios são aceitos numa boa. Ou seja, quando é para dizer que caímos não vale, mas quando é para sermos campeões vale. Qual a sua opinião?

    • janca

      Minha opinião é que até essas discussões são subjetivas. Vou dar uns exemplos. Há quem não considere o Corinthians campeão mundial porque não ganhou a Libertadores. O Mundial é reconhecido pela Fifa, argumentam vários corintianos. Ou seja, ser reconhecido pela Fifa é OK, mas pela CBF não? Eu, particularmente, claro que considero o Corinthians campeão mundial, mas que há quem conteste há. Muitos dizem que o São Paulo disputou a Série B (segunda divisão) do Paulista num ano em que foi campeão. Eu não vejo assim. Disputou um outro grupo, formado pelas equipes mais fracas e com pior desempenho, chegou às semifinais, enfrentou os “grandes”, ganhou e foi campeão. Mas entendo quem encare de outra maneira. Até hoje há quem conteste o título da Portuguesa (dividido com o Santos) em 1973. Eu não. Quem errou a contagem dos pênaltis foi o Armando Marques, não a Lusa. Quem foi campeão em 1987, Flamengo ou Sport? Para mim, o Flamengo. Para a CBF, o Sport. Pergunte para vários uruguaios, vão dizer que a Celeste é tetracampeã mundial, pois consideram os títulos olímpicos de 1924 e 1928 títulos mundiais, já que não havia Copa naqueles anos. Eu não considero. Considero a partir de 1930 o Mundial de futebol, pois foi neste ano que se realizou o primeiro. Enfim, as coisas são mais complicadas do que parecem. Abs.

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