Henry Sobel



Na minha coluna de ontem no LANCE! houve um momento em que escrevi não acreditar em “santos” e que uma das melhores características do ser humano é justamente a imperfeição.

Dizia isso a respeito do Marcos, que se aposentou há poucos dias e ficou conhecido não só por suas belas defesas, mas também por falar o que pensa, o que é muito bom em determinadas circunstâncias, não tão bom em outros contextos.

O ex-goleiro passou de vez à condição de “santo”, quando uma de suas qualidades é reconhecer as próprias imperfeições. Temos o bem e o mal dentro da gente e cabe a nós administrá-los.

Começo escrevendo sobre Marcos para chegar a Henry Sobel, rabino que tive a oportunidade de encontrar duas vezes neste início de ano e é uma figura que respeito bastante. E que, ao contrário de Marcos, não tem sido bem tratada pela comunidade em geral, inclusive, ou principalmente, por parte da comunidade judaica.

Por isso fico contente quando o encontro em eventos e cerimônias, ligados ou não à comunidade judaica, já que aqueles que o convidam mostram carinho e respeito por sua trajetória que é muito bonita.

Não sou daqueles que acham que Sobel não tem defeitos, pois todos temos, e o maior que vejo no rabino é a vaidade. Mas seu papel para a sociedade brasileira é muito importante e não deveria ser ofuscado por um episódio usado por quem não gosta dele ou tinha inveja de sua projeção e resolveu atacá-lo, escanteando-o e desmerecendo-o.

Sobel foi um dos grandes defensores dos direitos humanos no Brasil, enfrentou a ditadura militar, num trabalho conjunto com dom Paulo Evaristo Arns e o pastor presbiteriano Jaime Wright, e foi o maior porta-voz da comunidade judaica no país, fazendo uma bela ponte entre o judaísmo e as outras religiões, especialmente a católica.

Fica aqui minha singela homenagem ao rabino cujo trabalho infelizmente só vai ser reconhecido por muita gente, inclusive por aqueles que o escantearam, no dia em que ele não estiver mais por aqui. Mas aí será tarde. Não será o primeiro nem o último caso parecido, mas será tarde.

Ótima quarta a todos, dia 18, o número da vida, João



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