Samba e tango



Ontem recebi por e-mail trecho que dizia o seguinte: “A imagem alegre do brasileiro esconde algo depressivo. Uma melancolia oculta que em vez de dançar o triste tango, samba. E que gargalhadas até altas horas na mesa de bar, regadas a copos de cerveja, são sorrisos para espantar a tristeza.”

Fiquei pensando que faz todo o sentido. O brasileiro até hoje tenta se esconder atrás do samba e do futebol, da batucada e de uma suposta alegria, contribuindo para passar uma imagem estereotipada do país que muitas vezes não condiz com a realidade.

Até hoje tende a se curvar para os Estados Unidos e o Velho Continente, como se tivéssemos que adotar um ou outro como modelo, quando podemos achar e ter o nosso. E que está longe de ser o das escolas de samba, que como o futebol, viraram essencialmente em comércio, desfigurando o próprio carnaval.

É por se rebaixar tanto na imagem que faz de si próprio que aceita situações injustificáveis. Como a de Daniel Alves, vítima de racismo no empate do Barça contra o Espanhol.

Em vez de reagir, protestar, fazer valer seus direitos, prefere abaixar a cabeça. Como se as agressões fossem naturais, quando não são.

É aí que os agressores viram vítimas e as vítimas, culpadas, como se fossem eles os responsáveis pelas ofensas.

Mesmo sistema que acontece em tantos casos de violência doméstica que não saem da esfera familiar. Quando a vítima prefere o silêncio e se torna cúmplice.

Certamente o post que começa com o trecho que coloquei lá em cima não é sobre racismo, violência e xenofobia. Mas faz parte de um blog que recomendo para quem gosta de futebol e cultura. Chama-se “Lançamento Longo” (lancamentolongo.blogspot.com) e é do jornalista Eugenio Goussinsky, profundo conhecedor do esporte.

Uma ótima quinta a todos, João



  • Dani

    Oi João, sempre boas discussões, boas reflexões. De vez em quando nada como um Google. Entrei no blog que você mencionou, é muito bom mesmo. Gostei. Obrigada pela dica. Bom dia pra você, bj. Dani

    • Fabiana

      Também gostei da dica. Tem muita coisa boa por aí que a gente desconhece. E essa coisa da xenofobia tem que ser repensada por nós brasileiros. Somos vítimas dela mas também algozes. É o caso do Haiti e hoje faz dois anos do terremoto e queremos impedir a entrada deles no Brasil. Isso é perigoso. Vamos abrir os olhos antes que seja tarde.

      • janca

        Oi Dani, oi Fabiana, bom dia pra vocês também. O racismo e a xenofobia têm que ser pensadas por todos, porque somos um país racista e preconceituoso também. Em relação ao Haiti, até postei sobre isso e tenho tratado do assunto, concordo que seja perigoso o que nosso governo resolveu fazer. Fechar as fronteiras pode ser um direito, estar de acordo com a lei, mas nem sempre o “legal” é o mais decente a ser feito. O Haiti virou um caso humanitário e não é fechando as fronteiras que o Brasil está agindo para resolver o problema. E nossas tropas estão lá desde 2004… Reconstrução do Haiti, pelo jeito, zero. Zero, zero, zero. João

  • Dani

    Deixa eu comentar a questão do racismo e da xenofobia, fui escrever e perdi o eixo. A relação entre vítima e algoz muitas vezes tem componentes sádicos, componentes masoquistas. Quem apanha, se tem relação mesmo que indireta com o agressor, pode querer justificar o comportamento do outro colocando a “culpa” em si próprio. É a relação opressor-oprimido. O Dani Alves é um dos 11 melhores atletas do mundo e poderia pedir ação contra a torcida do Espanhol, mas também vai sofrer consequências. Calado sofre consequências, de boca aberta também. Dilema difícil o dele, mas nessas horas o silêncio é pior, né? Bom dia pra você e quem acompanha seu blog, Dani

    • Maurovski

      Não acho que ele esteja em um dilema, Dani. É o comportamento típico do brasileiro que possui uma posição de destaque, acomodar-se diante de um tema/situação polêmica. Posicionar-se, emitir opinião, na visão dessas pessoas, poderá causar-lhes estragos ao seu status quo. Já vi o Samuel Eto’o querer abandonar um jogo diante do Zaragoza, quando estava no Barcelona por conta de insultos. Foi impedido pelos companheiros. A partida ficou alguns minutos interrompida. E nos dias seguintes os jornais espanhóis repercutiram bastante a notícia. Já pela atitude passiva do Daniel Alves, a torcida do Espanyol recebeu nota 10 de seu presidente pelo comportamento.(http://www.gazetaesportiva.net/noticia/2012/01/bastidores/ofensas-racistas-a-daniel-alves-causam-reacoes-diferentes-na-espanha.html).
      E sua declaração em 08/02/2011 mostra toda sua ‘tolerância’: “Sofri muito racismo na Espanha. Uma pena, mas já aprendi a conviver com isso. No início me chocava bastante, mas agora não dou importância” (http://www.lancenet.com.br/selecao/Daniel-Alves-Aprendi-conviver-Espanha_0_423557678.html#ixzz1jFFPQ56O ) Note, que ele não dá importância ao tema. É triste!!!

      • Dani

        Oi Maurovski. Pra nós, simples mortais, pode parecer cômoda a posição do Daniel Alves, mas se ele for bater de frente com a torcida e o racismo pode virar um contra um milhão. Não sei se muita gente iria ficar ao lado dele. Acho que é uma decisão pessoal. Quando ele diz que não dá importância, duvido. Não estou defendendo que ele não faça nada, acho que deveria fazer porque estes atos racistas são criminosos, mas a decisão de fazer ou não fazer não é tão fácil. É individual. Bj. Dani

        • Dani

          Repensando eu me penitencio. Calar pode parecer consentimento. Nessas horas o pior talvez seja mesmo abaixar a cabeça. É que não quero condenar o Daniel Alves porque ele passa de vítima pra algoz. É vítima antes de qualquer outra coisa. Mas melhor gritar.

          • janca

            Oi Dani. Entendi o que você quis dizer, mas se formos pensar bem o que colocou o Maurovski é muito sério. Ninguém tem que aprender a conviver com o racismo, que é crime. O Daniel Alves ficando acomodado como tantos outros que fizeram o mesmo diante de uma situação como a do jogo Barça x Espanhol acaba se comportando como a mulher que apanha do marido e depois inventa desculpas para si mesma para justificar a agressão. Calar às vezes é necessário, mas o silêncio já causou muitos estragos à humanidade. Enfim, entendo o que você coloca, Dani, mas nessas horas algo tem que ser feito. Se não viramos coniventes. Não precisamos ser Dom Quixote e levar tudo na cabeça, mas há momentos em que temos de nos posicionar. João

          • Maurovski

            Com certeza é melhor gritar. E ele estaria longe de ser algoz. Calar em determinadas situações é omissão. E esta pode ser tão davastadora quanto a própria ação. E lembre-se do que dizia Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.” Ah! Sou novo por aqui. Perdoem meus maus modos, Dani, João e todos, nem lhes desejei um Bom Dia!!!

          • janca

            E eu tinha errado seu nome ou apelido, seja o que for, escrito com um “i” no meio e um “y” no fim, acho que já corrigi aonde errei. Abs.

  • Argentino

    Janca, o samba da raiz esconde uma melancolia que é diferente do samba do Sambódromo e das escolas. As marchinhas eram muito bonitas, o samba de hoje é qualquer coisa menos samba enquanto o tango manteve a essência. A Argentina hoje ganha do Brasil com o tango e com o futebol. Viva Messi!

    • Barcelusa 2012

      Prefiro fado, Janca. A Lusa manteve a base mas tá mais fraca do que no ano passado. Minha opinião. Concorda? Vem gente por aí? Abs. pra você e seus seguidores, Barcelusa 2012

      • janca

        Oi Argentino, oi Barcelusa. Sobre o samba acho que você tem razão, Argentino, mas não sei se quem ganha em campo, Brasil ou Argentina. Entre os dois, aposto no Uruguai _rs. E o pior é que é sério. Sobre a Lusa, Barcelusa, pelo jeito está vindo um ou outro, a base realmente foi mantida, mas um jogador importantíssimo foi embora: o Marco Antônio. Já dava sinais de que sairia no final da temporada passada e de fato saiu. Vai fazer falta pois a Lusa não contratou ninguém à altura. Mas vamos esperar o Paulista… Com a Lusa tudo pode acontecer. Abração pra vocês, Janca

  • Rodrigo Fogão

    Sou como o Maurovski, outro novo por aqui. Gostei muito do que você escreveu, Maurovski, silenciar é a pior coisa que tem. Você vira cúmplice de uma situação que depois vai atingir outros e outros e outros e outros. Muito bom o blog do Eugênio também, tinha lido um texto muito bom dele no blog do Juca. Acho que ele é colaborador do Juca ou do Uol. Rodrigo e dá-lhe Foooogo

    • janca

      Não sei se conhecia essa declaração do Martin Luther King, mas segue muito válida, Maurovski. Vide o que aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial, quando grande parte da Europa, na França, inclusive, silenciou e aconteceu o que aconteceu. Ah! Rodrigo, em relação ao Eugenio, tem um blog muito bom mesmo, embora eu mesmo não seja de seguir blogs, parece uma contradição _e acho que é, ok_ mas não sou muito chegado à internet, nem a novas tecnologias, faço apenas o básico. E o Eugenio volta e meia tem algum texto publicado pelo Juca, sim. Que aliás é um baita jornalista, coloca como poucos o dedo na ferida. Abs. pra vocês, Janca

      • Maurovski

        Rs…é apelido mesmo, João. E obrigado por corrigir e reconhecer, muitos não se dão ao trabalho nem têm essa educação. Quanto à declaração, sempre a conheci como sendo dele. Assim como esta outra, que também é atribuída a ele e que se relaciona muito bem ao caso do Daniel Alves: “O que afeta diretamente uma pessoa, afeta a todos indiretamente.”…Abraços!

        • janca

          Pô, boa declaração também. E é a pura verdade. Grande abraço pra você e valeu pela contribuição, João. PS. Imaginei que fosse apelido _rs.

  • Andreia

    Janca, vi o que você tem escrito sobre o Haiti e acho que o Brasil está no seu direito de fechar as fronteiras. Se não fechar, o tráfico humano vai continuar e os haitianos vão continuar sendo vítimas dos coiotes, aqui não temos emprego nem para todos os brasileiros, como vamos arrumar para o pessoal do Haiti? Não se trata de xenofobia, mas de um pé na realidade. Utopia é coisa boa mas não enche barriga de ninguém. Pense nisso.

    • janca

      Pode não encher a barriga, Andreia, mas talvez preencha a cabeça. Um pouco de utopia é necessário, sim. Os coiotes, como você diz, têm de ser combatidos, mas não é assim que temos de enfrentá-los. E continuo dizendo que se trata de uma catástrofe humanitária e que o Brasil tem que receber os haitianos sim. Não cabe só ao Brasil acolhê-los, mas cabe também ao Brasil. Abs.

      • janca

        Outra coisa, Andreia. Se você pensar bem acha certo criarmos um muro seja ele físico ou simbólico para barrar os haitianos? Vamos ter um novo Muro de Berlim? Copiar o que os norte-americanos fazem na fronteira com o México? Acho que não. Inclusive porque não reduz a criminalidade e os próprios norte-americanos são prova disso. Mais uma vez abs. Janca

  • Marcos

    João, por ter um filho que mora por lá, vou a Europa duas vezes por ano, sempre aproveitando para passear por vários países. O que vejo atualmente, é a tristeza da população consciente, que sabe o que acontece por lá. Gente pedindo esmola nas ruas e desemprego assustador. Sempre alguém me pergunta como está a vida no Brasil. Sei que aqui no nosso país, a vida não é a maravilha que o governo tenta pintar, mas dizer que o brasileiro esconde as tristezas no samba e no futebol, para os dias de hoje, é um exagero. Abraço.

    • janca

      População consciente? Nunca é bom generalizar. Se fosse tão consciente não teria os políticos que têm nem estaríamos vendo tantos atos de xenofobia e racismo, que afetam principalmente os africanos e árabes. E a vida por estas bandas não anda tão melhor. São poucos os que podem ir duas vezes por ano à Europa. A grande parte ainda luta por saúde, educação e direitos básicos, Marcos. Grande abraço, Janca

  • Janca boa noite quanto ao brasileiro esconder a tristeza em samba,futebol,cerveja e outras mais é compreensivel, pois com um país enorme e muito mais rico em todos os aspectos em vista de muitos paises da Europa, a maioria dos brasileiros vivem numa pindaiba que da dó com essas migalhas que o governo estipula. Outro detalhe este povo da Europa já teve o sabor de sentir o gostinho de ganhar bem,ter um salário digno mais abusaram e agora estão passando por dificuldades mas logo eles se recuperam e nós que vivemos para pagar as mordomias destes abutres dos três poderes e fora os assessores dos mesmos e isto é pouco em vista doque eles roubam de nossos cofres público e ainda um maldito ministro do stf teve a coragem de dizer que eles são a lei isto é um absurdo. Janca gosto quando vc puxa um assunto para debate mais acho vc mureteiro quando se trata de falar destes trastes, pega muito leve e não tenha receio pois a verdade não mereçe castigo,abrc

    • janca

      Acha que eu fico em cima do muro? Acho que não, talvez seja meu jeito de escrever… Até poderia pegar mais pesado, mas da minha forma sabe que acho que não pego tão leve assim? E vou dando minha opinião e puxando debates, como você colocou, não sou muro, não _rs. Abração pra você, Walter, uma ótima sexta, Janca

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