Daniel Piza



Conhecia apenas de vista o jornalista e escritor Daniel Piza, do “Estadão”, que morreu na semana passada, aos 41 anos de idade, vítima de um acidente vascular cerebral. Conhecia-o por suas colunas culturais, pois gostava de ler seus textos sobre cinema, literatura e música muito mais do que os sobre esporte.

Piza demonstrava muita sabedoria e cultura e era dele a biografia de Machado de Assis intitulada “Um Gênio Brasileiro”, que tanto sucesso e polêmica causou.

O que mais me chamou a atenção, no entanto, foi texto publicado no blog que mantinha no portão do “Estadão” em 25 de dezembro, cinco dias antes de morrer. Reproduzido pelo jornal na edição de segunda passada, três trechos acabaram me marcando.

O primeiro: “Perdi minha mãe e, apesar das falas pseudo consoladoras do tipo “É a vida” (não, é a morte mesmo) e “Tudo vai ficar bem” (defina “bem”), a dor ganha intervalos, mas a ausência fica.” Ele tinha razão. Quem já enfrentou o luto sabe que tanto clichê que temos de ouvir não serve para (quase) nada. Às vezes é melhor o silêncio. E não é que por ocasião de sua morte, cinco dias depois de ter postado este texto, os clichês voltaram?

O segundo (e não faço ideia a quem ou a que episódio ele se referia): “Tive também uma decepção pessoal, que abalou minha confiança, me tirou alguns quilos, me fez ver de novo como nossos melhores esforços podem ser os mais injustiçados, como a ingenuidade é amiga da vaidade, como a efusão brasileira pode ocultar inveja ou egoísmo.” Repito: “…como nossos melhores esforços podem ser os mais injustiçados, como a ingenuidade é amiga da vaidade…”

E o terceiro: “Somos carne e pensamento, um não se dissocia do outro.” Será mesmo? Imagino que sim, imagino que sim. Não sei se gostaria que fosse assim, não sei se gostaria que não, mas imagino que sim. João



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