Privataria



Recentemente foi lançado um livro que está na lista dos mais vendidos e foi quase ignorado pela grande imprensa. Que teve sua parcela de razão ao fazê-lo, pois ao contrário do que afirma a própria obra está longe de ser conclusiva.

“A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., é um relato sobre o processo de privatização no governo FHC e traz denúncias contra José Serra e família no que chama de “o maior assalto ao patrimônio público brasileiro”.

Terminei de ler e achei no mínimo confuso, especialmente as operações que teriam acontecido em paraísos fiscais, com dinheiro passando por diversas contas, saindo do país, depois voltando ao Brasil e irrigando empresas de tucanos que seriam os donos das offshores montadas no exterior.

Denúncias de desvio de dinheiro público aparecem umas após as outras, mas o livro parece ter sido escrito às pressas e não deixa as coisas claras. Mesmo não conclusivo, apresenta farto material para investigação.

Saindo da esfera policial, sigo dizendo que a privatização e o papel do Estado no Brasil deveriam ser mais discutidos.

Sexta conversei com um economista que defende a concessão do Maracanã para a iniciativa privada. Acha que o setor privado poderia administrar melhor o estádio, dando uma grana, por menor que fosse, ao governo do Rio, que se livraria de um fardo. Se continuar gerindo o Maraca, acredita ele, as chances de desvio de dinheiro público são maiores. Dos males, portanto, a privatização seria o menor.

Sei não. Se há desvio de recursos públicos no governo, a iniciativa privada não é feita de santos, não. E eles _os desvios_ têm de ser coibidos. Se o estádio pode dar lucro, não entendo o porquê de o governo abrir mão dele e assumir sua própria incompetência.

Se quisermos um estado mais enxuto não acho certo ele abrir mão de receber o que lhe cabe por estar reformando pela enésima vez o Maraca e só agora gastando quase 1 bilhão de reais.

Podemos diminuir o tamanho do governo mas que ele não liquide seus ativos como se fosse um feirão.

A Copa está aí para discutirmos questões como essa, embora qualquer debate sobre futebol tenda a cair para discussões clubísticas, o que reflete o péssimo nível cultural do brasileiro. Governo que não faz o básico e deixa de investir em escolas e hospitais tem como retorno a população que merece.

Não tão curiosamente assim, o livro de Amaury Ribeiro Jr., apesar de ser sobre o processo de privatização no governo FHC e um ataque frontal com dezenas de acusações a Serra e cia., tem logo no início a presença de Ricardo Teixeira.

Sobre o presidente da CBF, um relato de como teria lavado o dinheiro e reintroduzido a grana no Brasil, num esquema, segundo o autor, semelhante ao usado por Paulo Maluf e também pelos tucanos.

Quando escrevo não achar tão curioso assim Teixeira estar na obra, lembro que o autor do livro se destacou nos últimos tempos como produtor executivo da TV Record, a emissora do bispo que tem atacado Teixeira.

Privatização ou privataria, o assunto deveria ser mais discutido. E não está sendo, não, com boa parte dos envolvidos só jogando para a plateia.



  • Fabrício

    Janca, esse assunto me interessa. Li o livro e achei como você, confuso demais, parece coisa de torcida organizada, PT contra PSDB. Abraço, Fabrício Alvarenga

    • janca

      Oi Fabrício. Acho que o livro levanta (ou relembra) uma série de pontos que devem ser investigados. Na política brasileira infelizmente lembra sim uma disputa PT x PSDB, embora hoje seja contra os dois, o primeiro por ter aparelhado o Estado como um modelo de perpetuação no poder, o segundo por ser péssima oposição e, como situação em SP, ser responsável pelos seguidos governos que mexem em estradas, mas deixam a desejar em saúde e educação. Enfim, boa segunda procê, Janca

  • ABCD

    FHC estabilizou a economia brasileira. PT seguiu a receita dele por isso Brasil tá bem das pernas, sexta maior economia do mundo. Obrigado, Fernando Henrique, ABCD…EF

  • ABCD

    Por que ele não fala do mensalão? Muito mais escândalo no governo do PT.

    • janca

      Aí tem que perguntar pra ele, não pra mim. Cada um pode escrever sobre o que quiser ou sobre o partido, setor, time de futebol, o que for, em relação ao qual tiver mais informação. Abs.

  • ABCD

    Tem também as “faxinas” da Dilma nos ministérios. Não levou metade dos ministros porque ministério e cabide de emprego não acabam mais. Tem até da Pesca.

  • … and a new one just begun!

    Ano novo e velhas práticas! O que se lê no livro é a tentativa de se destrinchar aquilo que foi, propositalmente, feito para ser incompreensível. O assunto ali relatado não versa sobre uma história à parte ou sobre exceções, mas sobre o mega-complexo modus operandi de homens que não merecem a alcunha de figuras públicas. Então, Janca, que não creio ele ter sido escrito às pressas, e sim que o livro mereça mais de uma leitura – e cuidadosa.

    Quanto à privatização, não concordo com o argumento do “vão-se os anéis, restam os dedos”. Ou seja, pensar que é “menos pior” privatizar do que deixar a galera roubar. A lógica das privatizações não significa coisa alguma para o povo ou para o Planeta – ferrovias, portos e hidrelétricas rasgam a mata nativa brasileira para favorecer a grandes corporações, e não o povo. Grandes empresas querem LUCRO, e tudo o que lhe atrapalhar, deve ser eliminado.

    Um livro muito utilizado em cursos de economia (O Longo Século XX, ou The Long Twentieth Century no original em inglês, do economista político italiano Giovanni Arrighi) me deixou uma lembrança da qual jamais me esquecerei: o sistema capitalista dispõe de vários níveis, mas é somente no último desses níveis que as coisas são decididas – é lá que impera a lei da selva.

    Então, Janca, que eu acho pouco nos contentarmos com o que esse sistema vil tem a nos oferecer. Está para nascer uma nova ordem mundial; e esta será, necessariamente, moldada às necessidades da coletividade, e não apenas ao gosto de excrecências da vida como gente estilo Eike Batista (para quem cifrões se equiparam a notas de uma grande sinfonia).

    Aff, falei demais!

    Vâmo que vâmo!

    Abraço humanista e inconformista,

    O Maltrapa

    • janca

      Grande Maltrapa. Sabe que concordo (na maior parte) contigo? Nos pontos em que você fala da privatização, do sistema capitalista, dos jogos que acontecem (jogos políticos) e dos quais nem ficamos sabendo… Vou ver se leio o livro que você citou, desconhecia, deve ser interessante. Mas será que está para nascer uma nova ordem mundial? Acho que está mais para uma desordem do que para uma ordem. Se bem que, para termos uma ordem, talvez seja necessária uma desordem antes… Quanto ao livro, não sei se foi escrito às pressas ou não (talvez tenha me precipitado na avaliação), mas é muito confuso (ou eu sou muito burro, o que também é possível _rs). E os artigos de jornal, contratos etc. etc. etc. que o autor apresenta não facilitam a leitura. Talvez o esquema que o Amaury diz que foi montado seja quase incompreensível mesmo, mas ele poderia ter facilitado para o leitor. Um capítulo parece repetição do anterior… Mas um grande dia pra você também, que adora terça. Afinal hoje é véspera de terça. Tudo tem um ponto positivo. Quer dizer, tudo não. E agora quem escreveu demais fui eu _rs. Abração, boa semana, Janca

      • Hahaha! Confesso que o lance sobre a “nova ordem” foi poesia – desejo meu, mesmo! A despeito de profecias nostradâmicas, não há nenhum documento em papel timbrado que nos garanta a aparição dessa tal ordem renovadora…

        O livro é interessante porque se propõe a explicar o funcionamento do capitalismo que, Era após Era (mercantilista, industrialista, globalizacionista), passa por ciclos de aproximadamente 100 anos que, inexoravelmente, se encerram num caos sistêmico, quando a disputa entre Estados-Nação se torna mais acirrada, dando início a um novo ciclo.

        Minha esperança é que este novo ciclo germine sem o dna mercenário que caracterizou todos os anteriores, qual seja, o da mera disputa pela acumulação de riqueza.

        Resumindo: sem atrito, a gente não sai do lugar. Então, bem-vinda, Dona Desordem!

        • janca

          Oi Maltrapa, talvez esse ciclo esteja mesmo terminando e espero que sim. Mas vamos ver qual será o próximo, a próxima ordem, digo, espero que possamos contribuir, cada um a seu modo, para que seja algo melhor do que a anterior. Se não teremos a revolução, depois a revolução da revolução, daí a revolução da revolução da revolução… Abração e boa tarde procê, Janca

          • Johannes

            Boa tarde amigos, serei breve pois não Li o livro a que se refere a postagem de hoje, deixarei apenas meus votos de um 2012 de muita saúde e prosperidade ao João Carlos, Maltrapa, Dani, Nilu, Lily e a todos os frequentadores do blog. Grande abraço.

          • janca

            Grande abraço, Johannes, e um ótimo 2012 pra você também, espero que esteja tudo bem contigo e com a família também, claro.

  • nilú

    Johannes, tb vou ser breve!!!
    O mundo é muito estranho, mas já escolheram o nome deste novo ser que está vindo para habitar este planeta maluco… Bom ano para vc que está ligado, ainda bem…em Grandes Esperanças!!! 2012 com garra para vc!!1 Nilú

  • janca

    Ah! Algo que esqueci de dizer. Se escrito às pressas ou não de fato não tenho condições de dizer, mas que fiquei com essa impressão fiquei porque a obra tem problemas. Um deles é a “encadernação”, o acabamento. Não sei se por ter sido sucesso _ainda é_ de vendas, minha edição é muito ruim. Até a ordem das páginas está errada. Como ganhei no final do ano e já li, vou ver se reclamo com a editora. Mas dificulta ainda mais a leitura. Da página 180, por exemplo, você é capaz de ir para a seguinte que não é a 181, mas a 179… Isso se repete em várias e várias páginas. Então se o texto e o material já são complicados, numa edição ruim e fora de ordem a leitura é muuuito atrapalhada. Enfim… Abs. e ótima terça a todos, Janca

    • Certamente a editora quis faturar com as vendas de Natal, Janca. Pode ser este o motivo de sua impressão sobre o mau-acabamento da obra…

      Falou!

      O Maltrapa

  • mario sergio

    JANCA !

    Como jornalista deverias estar um pouco mais informado , saiba que o inicio desta investigação começou com o amigo de partido então ex- governador de MG Aecio neves isso não tem nada ver com o PT jogo para torcida ou confusão, estás nitidos demais com provas documentadas e lastreadas em documentos publicos que até agora nem um cacique do psdb veio a publico dar uma satisfação isso é obra de um bando de marginais que praticaram o crime de LESA PATRIA.
    Como voce mesmo me respondeu em um comentario a respeito do hotel do SPFC ,falei em ISONOMIA e voce me disse que um erro nao justifica o outro , sim porem quando se trata de defender ideias só vale o que pensas em dizer que a privatização dos males o menor!!!
    Outra informação o livro do Amaury levou mais de 10 anos de investigação ele tem muito mais material para mostrar aguarde e verás.
    Um erro não justifica o outro ( sic ) são palavras suas.

    grato.

    • janca

      Nunca escrevi que o início da investigação começou com o PT. No livro está claro que começou com uma investigação do próprio Amaury sobre suposta espionagem de José Serra em relação a seu companheiro de partido Aécio Neves. Há muito material a ser investigado pelas autoridades. O que questiono é o acabamento da tiragem que recebi e o texto confuso. Se o Amaury mais material para mostrar não entendo o porquê de ter segurado. Deveria mostrar. E não sou defensor muito menos eleitor do PSDB. Já votei muito no PT, mas hoje tenho dois pés atrás. Ou as quatro patas _rs_, não importa. Abs.

      • Breno

        Janca, política partidária é como torcida de futebol. Coisa de insano, de gente que não consegue ver o outro lado. Esse Mario Sergio acha que tá num FlaFlu (hehe). Hehe nada. Buáááá

        • janca

          Por isso quero fugir dessa coisa maniqueísta. Bem e mal. Meu time é o do bem, o seu, o do mal. Isso não. As denúncias são graves e devem ser investigadas. Mas que José Serra tinha _não sei como anda hoje_ muita força com a grande imprensa e costumava intimidar jornalistas, ah! isso tinha. E intimidar que eu digo era pedir cabeça. O jornalismo não é imparcial e nem sei se deve ser. Cada veículo de comunicação tem uma linha a seguir. Imparcialidade absoluta não existe. Somos o que pensamos. E o que fazemos. Não somos figuras isentas, observadores isentos do sistema, isso não existe. Abs.

  • mario sergio

    JANCA !!!.
    quem está jogando para a galera agora és tu. no inicio da materia voce proprio relata que a grande imprensa tem razão de não divulgar. isso é um serceamento de informação , deixe que o grande publico fique sabendo e depois ai sim tire suas conclusoes. pois não é matéria sem conclusão é um vasto documentario com provas oficiais de documentos publicos.
    Quanto ao nosso amigo Breno, voce não discutir os rumos de seu pais , seu estado , sua cidade
    ai sim é insanidade pura !!!!!!!!!!!!depois não adianta chorar .

    abraços.

    Mario Sergio

    • janca

      Mario Sergio, ter sua parcela de razão em não divulgar foi o que eu escrevi, é muito diferente de dizer que tem razão de não divulgar. Aí você está distorcendo o que eu escrevi e não é certo isso. Agora o que está lá ja saiu muito na própria imprensa, Mario Sergio, por isso entendo que não tenham dado tanto destaque. Não vi o material como conclusivo _opinião minha, que pode ser equivocada_, mas como eu mesmo escrevi que há farto material a ser investigado há. Farto material. E os acusados têm de se explicar. O que lamento também é a edição que tenho do livro, acredite ou não fora de ordem. E se as provas são oficiais, alguém tem que pagar por isso. Porque as acusações, repito, são gravíssimas. Mas tanto não conclusivas que você mesmo diz que o autor não divulgou todo o material que tem. Não foi isso o que você escreveu? Ou eu entendi errado… Mas se não achasse a leitura válida não teria lido nem dado destaque aqui. Abs. e não estou jogando pra galera nem pra ninguém, só coloquei o que eu acho, com todo respeito. Janca

  • Martial Machado

    A atual crise do “estado mínimo” neoliberal europeu e estadunidense, que de vez por todas desmascarou a tese da auto-regulação do mercado não nos ensinou nada. Ao menos no caso do Maracanã.
    Desafinado com a realidade global, o Governo do estado do Rio, proprietário do estádio, insiste cegamente na tentativa de privatização do (ex) maior estádio do mundo.

MaisRecentes

Santos na capital



Continue Lendo

O fico de Ceni



Continue Lendo

A vez de Cássio



Continue Lendo