Erudição…



Ao ler um livro de psicologia para um curso que faço, veio-me à cabeça que há gente que parece ter necessidade de escrever ou falar de maneira complicada apenas para mostrar erudição. O resultado é que acaba tendo dificuldade para chegar a seu interlocutor. Para que simplificar se podemos complicar?

Fico no exemplo da obra que acabo de ler. O próprio subtítulo mostra que é para poucos. Se para bons, não sei (rs)… Diz ele: “Uma Análise Epistemológica e Hermenêutica da Prática Clínica”.

Poderia dar centenas de exemplos, vou ficar apenas em um.

Página que abro agora por acaso traz o seguinte: “Chiari e Nuzzo, interessadas em favorecer a conversação sobre as ideias construtivistas e construcionistas sociais, elaboraram uma sistematização, dentro do que se poderia chamar de construtivismos psicológicos, justapondo definições de diferentes autores, procurando estabelecer uma diferenciação metateórica, e adotando como critério de diferenciação a relação entre conhecimento/realidade.”

Penso nisso lembrando não apenas de campos como o da psicologia, sociologia, filosofia e afins, mas também o do mundo do futebol.

Muitos técnicos agem como um Rolando Lero ou Conselheiro Acácio, aquele personagem de “O Primo Basílio”, de Eça de Queirós, usado pelo brilhante escritor para caçoar da “intelectualidade” portuguesa, que vivia na mediocridade. Falam, falam, falam e não dizem nada. Tentam usar palavras complicadas para esconder suas fraquezas. Acham que enrolam e de fato enrolam. Mais eles próprios do que os outros.

Isso já aconteceu em 1990 com Sebastião Lazaroni, aconteceu em 2011 com Mano Menezes. Que deveria repensar a postura e sair de um suposto academicismo. O futebol, como a psicologia, é para a sociedade, não para um grupo fechado que se acha detentor da verdade e do poder, mesmo que não vá dizer isso claramente. Mas nas entrelinhas…

A erudição, por mais que pareça, é simples. Não complexa. Enfim, um bom dia a todos, João



  • Dani

    Oi João. Antes do meu almoço natalino, entrei aqui pra ler e não dava pra deixar de comentar. Essa impressão tenho faz muito tempo. O saber tem de ser disseminado. Tenho duas amigas psicanalistas que falam sobre esse academicismo, Freud tem livros que a gente lê hoje em dia e são atuais e fáceis de compreender. Uma teoria não precisa nem deve se esconder atrás de palavras difíceis. Há áreas, como Medicina e Biologia, só pra ficarmos em duas, tudo bem, Matemática, pra ficarmos em três, que têm seus próprios jargões e um saber que é necessário. Como é necessário no futebol, na preparação física, na nutrição… Em todos os setores. Mas o saber é diferente do falar difícil. Não precisamos ficar só nas teias da complexidade, temos que achar uma luz para o caminho da simplicidade. Bom almoço pra você também, mais uma vez feliz Natal, Dani

    • janca

      Oi Dani. Um ótimo domingo pra você, um domingo com amigos e com uma erudição que faça sentido… Bj. João

  • Ferraz

    Desconhecia o Conselheiro Acácio, mas Rolando Lero não falta (haha). Lembro bem do Lazaronês, o Tite é outro assim, o Luxa nem se fala. Juntam palavras difíceis para não comunicar nada e acha que estão nos enganando. Os bobos são eles, Janca. Abrs.

    • janca

      Sei não… Quem disse que não somos nós? _rs. Grande abraço, Janca

  • Gustavo

    Isso porque vocês não falaram nos livros de direito. Sou advogado, me formei pela USP, o curso é muito bom, mas o jurisdiquês é péssimo. Tem gente que quer complicar mesmo para esconder as próprias deficiências. Abraço pra vocês, Gustavo

    • janca

      Os de direito imagino, sim, Gustavo. E concordo com o que você diz. Não que todos façam isso, mas alguns sim. E aproveito para compartilhar contigo outro trecho para boi dormir: “Concretude mal colocada (é) tratar como concreto o objeto putativo do significante, em vez do próprio significante.” Gostou? Então tá _rs. Abração, Janca

      • Fábio

        Sou advogado, Janca, e posso dizer que direito ganha da psicologia. O que tem professor que enrola…

        • Bruno

          No ramo de economia o bom professor é o que sabe se comunicar e que não se coloca acima da classe, mesmo detendo o conhecimento. A economia pode parecer complicada, mas não é tanto assim, faz parte das ciências humanas e quando bem ensinada, como é na PUC do Rio, o aluno sai preparado para o mercado de trabalho.

          • janca

            É, Bruno, você tocou num ponto certo, que é o da formação e o da preparação para o mercado de trabalho. Grande abraço, Janca

    • janca

      Oi Gustavo, já corrigi o que você pediu para eu ajustar. Abs. pra você, boa quarta, Janca

  • Cassio

    Em sociologia, Janca, você encontra vários trabalhos acadêmicos que são compreensíveis. Que são acadêmicos mas compreensíveis.

  • Cassio

    Complementando: não sei se você faz parte do mundo acadêmico, se não faz, não tem ideia do ego dos professores. Isso prejudica o trabalho deles e contato com o mundo e com o público. Prejudica advogados, economistas, sociólogos mas imagino que principalmente psicólogos.

    • janca

      Não faço parte, não, mas imagino e já ouvi falar muito do ego… Ego de muitos acadêmicos e profissionais, egos inflados que mais atrapalham do que ajudam. Inclusive a própria pessoa. Imagino, como te disse, o que se passa no mundo acadêmico. Até porque fiz faculdade, tive aulas com bons e maus professores, não faço parte do mundo acadêmico mas… Não estou tão distante assim dele. Abs. Janca

  • Cassiano

    Muito psicologismo, pouca psicologia, muito economês, pouca economia, muito jurisdiquês, pouca justiça.

    • janca

      Essa é boa, Cassiano, e talvez você tenha mesmo razão. Na obra que terminei de ler há muito pouca coisa sobre a prática clínica propriamente dita e quando aparecem casos contratos passa a impressão _pelo menos para mim passou_ de que servem mais para enaltecer a “competência” da autora/terapeuta do que para servir ao leitor/terapeuta em formação. Coloquei competência entre aspas pois não conheço pessoalmente a autora e não posso avaliar seu trabalho, apenas o livro em questão. Sobre o qual fiquei com várias ressalvas. O que é bom. Pois discordâncias e divergências de opinião fazem parte da vida. Grande abraço, Janca

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