Viver, por Kurosawa



No ano passado vi um filme incrível quando estava no interior do Paraná que recomendo para quem ainda não viu. Não é novo, data do início dos anos 50 e tem como diretor Akira Kurosawa. Chama-se simplesmente “Viver”.

Conta a história de um burocrata no Japão que vive no automático. Como um zumbi. Até que descobre estar com câncer. Sua relação com a vida, o trabalho e os outros muda radicalmente.

Escrevendo agora acho que lembra muito “A Revolução dos Bichos”, livro de George Orwell da década de 40, por mostrar como é difícil mudar. Seja a mudança individual, seja ela coletiva.

Não acredito em mudanças abruptas. Se há uma revolução volta e meia acaba havendo a revolução da revolução. E depois a revolução da revolução da revolução até chegarmos um período de estagnação nem sempre melhor que os anteriores.

Penso mais no micro do que no macro, embora “Viver” trate de ambos.

Curioso que digito essas linhas após trocar e-mails com Gustavo Vieira de Oliveira, advogado e filho mais velho de Sócrates, que como jogador e principalmente cidadão marcou tanto minha adolescência.

Gustavo falava de Sócrates como pai. Das lições que aprendeu com ele. A capacidade de sonhar, de não pisar no próximo, de respeitar o direito dos outros e viver intensamente.



  • Lily Martins

    Ando um pouco sumida mas vez ou outra dou meu pulinho por aqui. Viver de Kurosawa é lindo mesmo. Filme profundo, triste, alegre, melancólico, pitadas de humor, filme que faz a gente pensar. João. Boa dica pra quem não viu. Acho que é o melhor do Kurosawa. Sou fã do trabalho dele. Boa quinta pra você também, Lily

  • Lily Martins

    Antes que me esqueça um outro filme muito bom e muito mais recente do que Viver, que pode ser dos anos 50 mas é muito atual, é A Partida. Também fala de morte e da vida e do que fazemos dela(s). Lily

    • nilú

      Oi Lily, tem um outro que eu adorei ver, apesar de muita gente não gostar de filmes que falam da morte, eu aconselho, ” As Invasões Bárabaras” Denys Arcand , é de 2003, uma delícia !!! Bjs pra vc

      • janca

        Oi Lily, oi Nilú, espero que vocês estejam bem… “A Partida” eu vi e achei tocante mesmo, lindo filme, trata a vida e a morte com extrema delicadez. “Invasões Bárbaras” não vi, Nilú, vou ver se assisto até o final do ano… Valeu pela dica, bjs. pra vocês, João

      • Johannes

        Invasões Bárbaras, tá anotado…muitos falaram bem desse filme…espero assistir em breve, assim vou iniciando o processo de assistir filmes com mais conteúdo…ultimamente tenho optado só por cinema-diversão e eventualmente documentários, que são os filmes que me prendem mais a atenção…abraço a vocês

      • “Invasões Bárbaras” é muito interessante, oferece uma outra dimensão ao espectador; nós vemos o que já está dentro de nós.

        Quanto ao Kurô (olha a intimidade), confesso que não conhecia Viver… Mas costumava me deliciar assistindo Dersu Uzala, extraindo de cada respiração daquele velho caçador, um aprendizado. Fica também esta dica para quem deseja ver um exemplo de ser humano, tal qual o Magrão.

        Já é Quinta-feira? Fim de Ano? Que preguiiiiiiiiiiiiiiça…

        Abraço a todos,

        O Maltrapa

        • janca

          Veja “Viver” que vale muito. O final é demais. Vou ver “Invasões Bárbaras” sim, ainda mais depois das recomendações suas e da Nilú, espero que consiga entender _rs. Imaginava que o filme tratasse de outra coisa, fosse algo mais na linha da aventura, que não me interessa tanto. Ah! Já que falamos de cinema, tem um outro que é bárbaro (como as “Invasões Bárbaras”, talvez). “A Pele Que Habito”, do Almodóvar. Achei que era uma coisa e o filme era outra coisa (não costumo ler resenhas…). Vi esta semana e é uma pancada. Interessantíssimo. Um thriller psicológico. Bem estilo Almodóvar. Mais um abraço, Janca

  • nilú

    Bom dia João
    As mudanças são lentas, difíceis e se não forem bem estruturadas acabam não se sustentando por muito tempo, não sendo mudanças, apenas pequenos intervalos de melhora. As lições de Sócrates, mostram um homem, bom, frágil, sensível e por isso mesmo com certa dificuldade de viver nesse mundo, né? Mas jamais devemos deixar de tentar melhorar e sonhar. Abs. Nilú

    • janca

      É, Nilú, as mudanças têm de ser bem estruturadas, sim. Hoje estava lendo entrevista do filósofo Luiz Felipe Pondé para a “JP”, revista da Joyce Pascowitch e ele coloca algo que penso também. Era sobre os gregos, que segundo ele “viam temas como paixão e emoção com desconfiança e associavam a ideia da felicidade à possibilidade de uma vida que não é vítima de afetos”. Tópicos como autocontrole, domínio da vida e do sofrimento são fundamentais. Mas até que ponto podemos ter domínio sobre a vida? Até que ponto não existe um fluxo que de repente nos atropela? Podemos chegar a um meio termo, que é o que Pondé coloca. Ele diz uma coisa muito interessante. Que “a sua vida é sua obra de arte”. E que “a moral social é inventada pelos fracos que não aguentam a falta de sentido”. Não sei aonde estou… Assunto complexo esse… E eu me confundo tanto com a vida… Mas Sócrates, com suas qualidades e defeitos, o jogador do Corinthians, da seleção e grande cidadão brasileiro, eu admirava bastante. Era um ser mutante. E pensador. João

      • Adoro os gregos, mas não estou tão certo quanto “à possibilidade de uma vida que não é vítima de afetos”. Conheço alguém que passou 30 anos em comunhão e harmonia com a esposa, mas só se sentiu vivo quando, já com 50 anos de idade, uma paixão inesperada o levou à separação. O novo casamento já dura mais de uma década. Antes, mesmo sendo intelectual engajado, ativista político, humanista e revolucionário, não sabia o que era a felicidade, o que só alcançou porque se entregou aos sentimentos, profundamente – são palavras dele.

        Por sua vez, o sofrimento que uma desilusão causa ao nosso coração, pode ser motivo de profundas transformações em nossa forma de se relacionar com o mundo e com os outros. Precisamos do atrito para caminhar, ou ficaremos dando passos em falso forever.

        Abração.

        • janca

          Eu concordo com você, Johannes, a gente acaba sendo vítima de afetos, sim, e desilusões, ainda mais querendo viver intensamente, mas com o tempo vamos aprendendo a domá-las um pouco. Hoje me relaciono muito melhor com as pessoas do que há tempos atrás. Se bem que tenho muitos amigos, sempre me dei bem com eles, às vezes você leva uma rasteira, tropeça, até cai, depois levanta. E com meus amigos me dou muito bem. Se me desse mal, não seriam meus amigos _rs. Abração, Janca

          • janca

            Ops, desculpe o erro, Maltrapa. A Nilú foi quem me alertou sobre ele. Quando quis dizer “concordo com você” era concordo com você, Maltrapa, não Johannes, porque você acabou falando sobre a questão de sermos vítimas de afetos e assino embaixo do que você escreveu. Não que não concorde com o Johannes _rs_, mas me referia ao que você escreveu. Confuso esse amigo de vocês… Bração pra todos, Janca

  • Dani

    Oi Lily. Sua dica é excelente. A Partida foi um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos. Uma história comovente e que faz a gente parar para pensar na vida. Boa quinta, boa sexta, bom sábado, bom… para vocês todos, para você, João, e para você, Lily, bjs. Dani

    • janca

      Concordo com você, Dani. E agora tem a dica da Nilú também, já ouvi falar muito bem do filme que ela indicou, não me pergunte o porquê de não ter visto na época em que saiu. Gosto muuuito mais de ver no cinema do que em DVD. O meu é quase um objeto de decoração _rs. João

  • Fabrício

    Janca, palpite pra Santos x Barcelona? Meu palpite Santos 2 a 1. Jogo do Barcelona hoje de dormir. Jogo-treino. Domingo é o que vale. Dá Santos?

    • janca

      Oi Fabrício. Sabe que dessa vez estou sem palpite nenhum? Muro total. Quando o Inter ganhou do Barcelona, todos falavam no Barcelona e esqueciam que tinha um time brasileiro _e dos bons_ do outro lado. Agora não chegam a se esquecer do Santos especialmente por conta do Neymar, o que deve evitar o menosprezo e aumentar a carga de responsabilidade para o time da Vila. Mas não tenho ideia do que vai acontecer domingo. Nem palpite. Só sei que vou torcer muuuito pelo Santos. Grande abraço, Janca

      • Vai dar Santos 2×0; palavras de um rubro-negro. E se tudo for como desejo, Ganso vai arrebentar!

        E os desejos – o que são os desejos ante a realidade, senão sua principal ferramenta de mudança?

        • janca

          Boa essa. De fato os desejos são nossa grande ferramenta de mudança. Os desejos e a iniciativa de realizar nossos sonhos. Abração de novo, Janca

          • Pedro

            Com Ganso e Neymar Santos pode surpreender o Barça. Eles não jogaram nada ontem diante de um time medíocre. Era para terem metido dez, demoraram pra fazer 1 a 0, ganharam de quatro decepcionando o público. Cada time medíocre neste Mundial, Janca e Antropólico, acham não?

          • Pedro, na minha opinião, é indisfarçável o caráter político da nova fórmula do Interclubes, pois se o real interesse público fosse respeitado, os demais continentes ainda deveriam percorrer um longo caminho até ser considerado “um dos melhores” em nível mundial.

            Esses jogos pré-final são de uma chatice atroz, e servem apenas a interesses de uma minoria. Além do mais, A Dona Fifa sai bem na fita, recebendo os louros por “democratizar” a competição. É a mesma babela do neoliberalismo, extinguindo fronteiras financeiras e barreiras alfandegárias, como se Honduras estivesse em condições de competir com A China…

            Enfim, análises patavínicas à parte, vai dar Ganso!

            Abraço do Maltrapa

          • janca

            Vou torcer pelo Ganso por sua causa, Maltrapa. Mas também sou fã dele. E gosto muuuito de suas análises de futebol e geopolítica, esses jogos são de uma chatice atroz mesmo e servem para atender aos interesses de uma minoria, de democráticas não têm nada. Aquela história de passar uma imagem, uma aparência disfarçada pois a essência é podre. Abração e bom sábado procê, Janca

          • Valeu, Janca! E vamos torcer para o Ganso estar num bom dia – o futebol dele é, na minha opinião, maior do que o de Neymar.

            E como o assunto desta postagem é cinema, estive assistindo ao “O que é isso, companheiro?”, na manhã de hoje, e me inspirei para mandar um recado ao Charles Elbrick, embaixador americano sequestrado em 69. Leia aí que cai bem numa tarde nublada de sábado!

            Abraço maltrapilho.

            http://oantropolicomaltrapilho.blogspot.com/2011/12/watch-out-fellow-charles.html

          • janca

            Vou ler, sim, e comentar, Maltrapa. Sobre o Santos, que vexame. Não só o Ganso mas ninugém estava num bom dia. Parecia que ficaram com medo do Barça, tremiam diante do Messi. Já na entrada o olhar do Neymar para o argentino, não sei se você reparou, foi de receio. Falava com um amigo por telefone e até comentei isso. Ihhh, acho que o Neymar está com medo, sentindo-se muuuito inferior ao Messi. Nada a ver com o olhar entre Romário e Baggio antes da final de 94. E Muricy não é Telê. Mestre Telê é insuperável. Pena. Foi vergonhoso. O Santos curvou-se em campo. E agora vão começar as críticas e jogadores e comissão técnica têm de aceitá-las, foi um dia triste para o futebol brasileiro, achou não? Abs. e ótima tarde de domingo pra você, Janca

          • Concordo totalmente com sua análise, Janca: foi um dia triste para o futebol brasileiro, e a grande questão a ser respondida foi o por quê de se encarnar o malfadado complexo de vira-latas! Senti também o olhar fuleiro do Neymar; e o Messi “nem aí”. Por que diabos simplesmente não jogaram bola? E que hora para falhas como a do primeiro gol – típica de um zagueiro que está com as pernas bambas. Ganso foi nulo, e Neymar se apequenou ao perder aquele gol feito. Ou será que chapeuzinho no goleiro só vale em time xinfrim?

            E eu, que na antevéspera do jogo me deliciei com o 1º tempo inteirinho de Fla 3×0 Liverpool, tive que engolir minhas expectativas; foi bem triste…

            Abração e boa 2ª Feira a todos os Garfields da vida.

            O Maltrapa

          • janca

            Gozado você citar os Garfields da vida _rs. Mas ontem foi um dia triste para o futebol brasileiro mesmo, humilhação em campo, bastava terem jogado bola. Poderiam ter perdido, mas não deste jeito. Amanhã volto ao assunto, Maltrapa. Graaande semana pra você, Janca

  • Adriano

    Não sabia que o Sócrates tinha um filho advogado. Interessante o que escreveste sobre ele neste e num post anterior. A mensagem dele segue adiante. Abs. Adriano

    • janca

      Segue sim, Adriano, embora o futebol continue nas mãos de Teixeira e cia., né? Mas os sonhos de Sócrates continuam vivos, sim. Abs. Janca

  • Pedro

    O que aproxima o Sócrates de todos nós é a capacidade que ele sempre teve de se mostrar ele mesmo, com seus defeitos e qualidades. Humano. Não divino. Me lembra mais Maradona do que Pelé. Pra vocês não?

    • janca

      Talvez sim, embora fora de campo ainda ache que Sócrates desse de dez no Maradona. Dentro de campo a comparação entre eles é boa. Dois mágicos com a bola no pé. Sem a bola, era muito mais o Sócrates, Pedro. Abs. e um ótima dia pra você. Até segunda não vou postar nada, dou um refresco a vocês _rs_, mas terço volto com tudo. Espero… E até lá sigo acessando blog e comentando diariamente os comentários de vocês. E respondendo e perguntando e interagindo. Abração, Janca

      • janca

        Ah! Sobre times medíocres neste Mundial acho sim, mas Santos x Barça tem tudo pra ser um jogão. O Barça entrou com o freio de mão puxado ontem, o adversário era fraquíssimo para não dizer outra coisa. Venceria no momento em que quisesse. Fez quatro e se tivesse forçado um pouco o ritmo teria feito dez. Mas quatro foram mais do que o suficiente, não? Abs.

  • Felipe

    Janca, acompanho seu blog, vi seus elogios ao Romário, o que você tem a dizer agora que ele passou a defender o COL? Sempre achei lobo em pele de cordeiro, sem comparação nenhuma com o Sócrates, que você também tanto defendia.

    • janca

      Ops, calma aí, Felipe. Disse que o Romário até que vinha sendo uma grata surpresa como deputado _ou parecia ser. Mas também sempre tive um pé atrás em relação a ele. Não há a menor comparação com o Sócrates, nunca houve. A menor. Discordo de Romário quando ele diz que não considera Ronaldo um escudo para Teixeira. Claro que é. A estrutura do COL é podre, só não vê quem não quer, tanto que as pessoas são indicadas não por serviços prestados ou experiências administrativas anteriores. Se fosse esse o critério a filha de Teixeira (e neta de Havelange, o cara que renunciou ao COI barrando investigações sobre suposto recebimento de propina) não teria sido escolhida para atuar em cargo tão importante no comitê… Abs.

  • Lucas Feitosa Melo

    COVARDES !!!
    Neymar e CIA, não foram jogar, foram ficar admirando e reverenciando Messi e o time do Barsa.
    Quando Messi caia em campo, já tinha logo três jogadores do santos prontos para da a mão para levantar Messi .
    Medíocres !!!!
    Santos, um time covarde e medíocre que não foi jogar , e sim admirar e recensear o argentino e o time Barsa .
    Vergonhoso !!!

    Lucas Feitosa Melo
    28 anos
    Salvador –Bahia

    • janca

      Oi Lucas, recebi vários e-mails de santistas revoltados com a atuação do time hoje. Confesso que também fiquei… pasmo! Parecia que o time não entrou em campo… Os jogadores estáticos, assistindo ao Barcelona jogar, tiveram a sorte de não levar de seis, oito ou dez. O Muricy, que acho um técnico bem mais competente do que o Mano, hoje lembrou o treinador da seleção brasileira. Com medo. Calado. Sem saber o que fazer. O que teria conversado com seus jogadores? Por que tanto medo? Tanta reverência. Complexo de vira-lata? Hoje, infelizmente, pareceu. Foi uma vergonha mesmo. Grande abraço, Janca

  • Felipe

    Janca, isso que dá a imprensa badalar tanto os times europeus. O Santos entrou, desculpem o termo, com o cu na mão. Deu dó.

    • janca

      Calma, Felipe. Acho que você tem razão ao dizer que foi um dos maiores fiascos do futebol brasileiro dos últimos tempos, o Santos entrou apavorado em campo, respeitou demais o Barcelona, só faltou limpar as chuteiras do Messi, deu no que deu. Agora começa a caça às bruxas mas até a semana passada o Neymar era idolatrado e não entrou em campo sozinho. Não entendi o Muricy. Talvez fique mais humilde, derrotas, por maior que seja o clichê, podem nos ensinar muitas coisas. Se quisermos aprender. Grande abraço e uma ótima segunda e uma ótima semana pra você, Janca

  • Felipe

    E isso que dá o Neymar viver de propaganda. Muita badalação e na hora h neca de futebol. Nadinha, nadinha, nadinha. Vexame maior do que o Inter no ano passado, Janca

  • Janca o santos podia ter feito igual o são paulo quando foi campeão contra o barça trocava passes com rai,toninho cerezzo,palhinha,valber,fez o mesmo jogo do barçelona e olha que o barça tinha na época o melhor time do mundo e o são paulo tinha telê no banco pois ele fez pintado jogar bola e ficar um capeonato inteiro sem levar tres cartões amarelo.abrc.

    • janca

      Oi Walter. Acho o time do Barça de hoje melhor do que o do início dos anos 90, se bem que tenho enorme dificuldades para comparar épocas e estilos de jogar diferentes. Mas não há dúvida de que a estratégia do Santos _se é que o time teve alguma_ foi extremamente falha em Yokohama. Extremamente falha. Abração e boa terça pra você, Janca

  • Marcos

    Solução é simples: fora Muricy.

    • janca

      Acho que de simples não tem nada, Marcos. Mas retomo o assunto mais tarde respondendo aos comentários do post seguinte, ok? Grande abraço, Janca

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