Um minuto de silêncio



O minuto de silêncio poderia ser para a dupla Andrés Sanchez e Ricardo Teixeira. O segundo nomear o primeiro diretor de seleções da CBF é de matar… Mas isso deixo pra amanhã.

Meu minuto de silêncio não é para alfinetar ninguém e se fosse para esse duo certamente seria para criticá-lo até não poder mais… O minuto é para homenagear Cláudio Coutinho.

Amanhã completa 30 anos da morte do ex-técnico da seleção, que comandou o Brasil na Copa de 1978, na Argentina.

Tido como teórico do futebol, criador de termos como ponto futuro e overlapping, Coutinho fazia palestras e dava recomendações a setores do time, que era dividido na hora das preleções. Tinha um jeito próprio de trabalhar e foi um incompreendido, inclusive por mim, ainda mais depois do título de “campeão moral” na Argentina.

Fez belíssimo trabalho no Flamengo. Despertou a ira dos paulistas. Lembro de um amistoso entre Brasil e seleção paulista, no Morumbi, em que o estádio inteiro torceu contra a amarelinha por conta de Coutinho, considerado carioca demais apesar de ter nascido no Rio Grande do Sul. Foi xingado por todos durante 90 minutos, inclusive por mim, um garoto na época.

Era o contexto do final dos anos 70 de bairrismo acirrado entre paulistas e cariocas… Hoje os tempos mudaram. Cresci e virei um grande admirador do trabalho de Coutinho, que faz falta a nosso futebol.

Fica aqui minha singela homenagem a ele e para quem for ao Rio, uma dica de passeio. Não deixe de ir à Pista Claudio Coutinho, na Urca, com entrada pela Praia Vermelha, pertinho do Pão de Açúcar. Um dos cenários mais bonitos do mundo…

Curioso… Escrevia sobre “um minuto de silêncio” quando recebo a notícia de Frederico de Assumpção Filho, primo-irmão da minha mãe, de quem sempre gostei muito e a quem carinhosamente chamava de tio Fredinho. Estava bem doente, com enfisema pulmonar. Acabou o sofrimento dele. Lá vou ao velório. Bom sábado a todos, João



  • Leonardo

    Janca, boa recordação. Coutinho foi um injustiçado do futebol, seja por sua ligação com os militares, por sua ligação com o Flamengo, com o futebol carioca, por suas inovações que não eram compreendidas. Foi um visionário no sentido próprio da palavra. Gostei do seu texto e de seu reconhecimento de que quando era criança e o criticava o fazia pelo contexto da época. Bom poder vê-lo com olhos diferentes hoje. Um abraço, camarada, Leonardo, carioca da Urca

    • Filipe

      Janca, o minuto de silêncio tem que ser pra morte do nosso futebol. Teixeira e Andrés são as raízes podres que estão enterrando de vez nossa seleção. Vou torcer pra Itália na Copa de 2014.

      • Dani

        Oi João, não vou dizer bom velório pra você, sobre a morte do primo da sua mãe, mas lembrar que as coisas não acontecem por acaso. Acredito nisso. Você escrevendo sobre um minuto de silêncio e sendo chamado, neste meio tempo, pra ir a um velório… Mas em relação ao Andrés e ao Teixeira, aliança maldita mesmo, nem quero perder tempo e energia com isso, mesmo sabendo que deveríamos… Isso sim é um câncer, João. Bom sábado a todos também, ficam meus votos a quem vai e a quem fica… Você deve estar no velório… Dani

      • janca

        Como você, considero a dupla citada raiz podre do nosso futebol, sim. E Teixeira tem conseguido desvalorizar cada vez mais nossa seleção, que anda bem maltratada. Aliás seleção dele, pois a trata como se fosse um objeto particular. Da CBF e de seu presidente, não do povo brasileiro. Abs.

  • Leonardo

    E que bom que conheça a Pista Cláudio Coutinho, não sabia que paulista conhecia esse lugar, tão típico da Urca, Janca. Um abraço pra você

    • Filipe

      Sou mané (de Floripa pra quem não sabe o que é manézinho) e não conheço a pista. Mas também não conheço o Rio, Leonardol (hehehe). Quando for conhecer sua cidade certamente vou seguir a dica e passear nessa pista que vocês falaram. Abs. pra você

  • Lucas

    Com certeza mais velho do que você, minha visão sobre o Claudio Coutinho era outra. Representou o atraso para nosso futebol. Melhor técnico na ocasião chamava Rubens Minelli e por politicagem na antiga CBD foi preterida por um carioca que não entendia nada de bola. O resultado foi uma das piores Copas do Brasil, parecida com a de 1990 e com interferência do nefasto almirante Heleno Nunes. Militar e futebol não combinam.

    • Filipe

      Ninguém tá falando de milico. Tamos discutindo se o Coutinho foi bom técnico ou não. Se quiser falar de milico, falamos. Copa de 78 foi comprada pela Argentina, ok? Filipe

      • Dani

        Provas não tenho, mas também acho que a compra foi comprada de alguma forma. E pelos milicos… Milicos e esporte se misturam, sim. Prefiro vários milicos (vários milicos são ótimas pessoas, Lucas) do que mil Teixeiras e Andrés. Bjs. Dani

        • janca

          Não sei se a Copa foi comprada, Dani, mas quem comandava a Argentina em 1978 eram os militares, que souberam usar politicamente o Mundial a seu favor. Bjs. e bom domingo, João

    • janca

      Hoje, olhando em retrospectiva, não acho que o Coutinho tenha representado o atraso em nosso futebol, não. Na época paulistas e gaúchos queriam Minelli, sim, pelo brilhante trabalho no Inter e no São Paulo, mas Coutinho não era um mau nome, não. Tanto que o Brasil, depois de ter começado a Copa aos trancos e barrancos, conseguiu engatar e fazer uma boa campanha, chegando a um belo terceiro lugar. E por pouco não disputa a final… Grande abraço, Janca

  • Lucas

    Digo mais: brasileiro não sabe perder. Brasil perdeu aquela Copa porque a Argentina era melhor. Como perdeu a de 1998 porque a França era melhor do que a gente. E tenho dito.

  • ERISAMI

    SE A ARGENTINA ERA TÃO BOA POR QUE, JOGANDO EM CASA, EMPATOU COM O BRASIL E PERDEU PRA ITÁLIA? E POR QUE MILITAR NÃO PODE SE ENVOLVER COM O ESPORTE? É CRIME POR ACASO?

    • Lucas

      Perdeu quando podia perder. Meteu 6 no Peru o que o Brasil não conseguiu fazer. Venceu a Holanda na final. Título merecido, mas nós brasileiros não sabemos perder. Os militares não entendem nada de esporte, nem de economia. Veja como entregaram o Brasil depois daquele maldito golpe de 64. Futebol e política não se misturam, Erisami.

      • janca

        Infelizmente não é verdade, Lucas, basta analisar um pouco a história das Copas e das Olimpíadas para ver que, na prática, futebol e política se misturam o tempo todo. Talvez o ideal fosse outro, mas o mundo ideal só existe na nossa cabeça. Abs.

    • janca

      Oi Erisami, também não acho crime nenhum militar envolvido com esporte. E acho que a Argentina de 1978 não era tão boa assim, não, estamos de acordo. Nem fez campanha tão brilhante assim. Perdeu para a Itália, empatou com o Brasil em casa e poderia ter perdido, teve enormes dificuldades contra Polônia e Holanda… Você está certo. Grande abraço e bom domingo pra você, Janca

  • ivan santis

    O Coutinho era um Lazaroni melhorado ou Lazaroni é um Coutinho piorado. Fica essa pergunta. A verdade é que esse senhor só adquiriu prestígio depois de sua morte trágica. Mania de brasileiro supervalorizar quem morre. A respeito do duo que vc despreza, vc é mais um que deixa no ar que o Andres não vale nada, porém não mostra nada que comprove isso. Caro jornalista se vc tem alguma prova que o Andres é essa peste que muita gente pinta, eu suplico que vc mostre pro seu público leitor. Se não tem prova, vá procurá-las, investigue, depois vc as publica, blz? Pro meu Timão ele simplesmente é um dos maiores presidente que já tivemos. T+!

    • janca

      Para o futebol brasileiro acho Teixeira e Andrés um câncer, amigo. Não estou dizendo que o Andrés é corrupto, você que está insinuando isso, o que estou dizendo é que soube se aproximar da CBF, do então presidente Lula, conhecido corintiano, viabilizar a construção da arena corintiana, graças a benefícios e recursos públicos, agora se torna diretor de seleções, um cargo para o qual não o sinto preparado, tudo por suas relações com Ricardo Teixeira, que considero péssimo dirigente. Se você pensa o contrário, direito seu. Sobre Coutinho, acho que era muito mais preparado do que Lazaroni e o resultado do Brasil na Copa de 1978, na Argentina, quando chegamos em terceiro, mostra isso. Não há comparação com o que aconteceu em 1990, Ivan. Abs. e bom domingo pra você, Janca

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