Filme de gente



Peço licença para voltar ao documentário que fiz com três amigos em Israel e nos territórios palestinos e que terá mais duas sessões na Mostra Internacional de Cinema de SP.

Uma será hoje, no Reserva Cultural, avenida Paulista, 900, às 17 horas. Outra, amanhã, no último dia da Mostra, às 15hs40, no Shopping Bourbon.

Como um dos diretores de “Sobre Futebol e Barreiras” posso dizer que cada vez que vejo o documentário fico com uma impressão diferente. Houve dias em que gostei, houve dias em que não.

Fiquei muito impressionado na exibição de segunda da semana passada no Shopping Frei Caneca. Pois consegui assistir ao doc. na telona, sozinho, com calma, e daquela feita adorei. Adorei pois consegui entender o ponto de vista e a posição de cada um dos 11 personagens. Mesmo os de que não gostava, como Eythan e Yasser.

Entender e respeitar as ideias dos outros, daqueles que pensam de forma diferente de você, representam um avanço. Um passo adiante. E o filme me ajudou, do ponto de vista pessoal, a crescer.

Ontem, quando participei do programa “Mulheres”, na Gazeta, um ou outro brincava: O que vai fazer lá??? Mas foi a entrevista mais interessante que dei até agora sobre o filme. A apresentadora Cátia Fonseca foi generosa e perspicaz e fez perguntas que ninguém tinha feito até então. Deu-me a oportunidade e o presente de contar episódios que não tinha relatado em entrevista nenhuma.

Pude falar de cenas que não estão no filme. Cenas que presenciei, como a de uma árabe com seus dois filhinhos passando mal, socorrida por dois jovens soldados israelenses, que prestaram os primeiros socorros. Aparentemente foi queda de pressão, mas eles fizeram de tudo para ajudá-la. E conseguiram. Ficaram com a mãe e distraíram os meninos enquanto vinha a ambulância, que eles dois chamaram.

Contei também sobre minha saída de Israel, quando a chefe de segurança me disse que eu era muito corajoso. Por ir ao Brasil, um país tão periogoso. Eu lhe contei que me falaram a mesma coisa quando fui a Israel. E ela me disse: Mas aqui é muito mais seguro que o Brasil, a gente vê cada cena de violência no Rio que assusta…

É a imagem que passam ou passamos do nosso país ao exterior. O país da Copa e da Olimpíada…

Pude falar sobre os conflitos que tivemos para realizar o filme, afinal éramos quatro diretores, mas no final fico com a definição da Suzana Amaral, brilhante cineasta que esteve na nossa estreia em SP. “É um filme de gente grande, um filme de gente”, foi o que ela disse. Acho que sim. Às vezes eu gosto, às vezes não tanto, às vezes até desgosto, mas insisto que a fotografia e a trilha sonora são dez. O resto tenho mais dificuldades para definir. Mas gosto sim. E muito.

Ah! E para quem mora fora de SP, uma notícia. Fomos aceitos em mais dois festivais que acontecem em novembro. O de Paraty e o Etnográfico do Rio. Bom sinal, bom sinal… E um ótimo feriado a todos, João



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