Romário, Cohen e Maluf



Quando estava no Sportv lembro de algumas conversas com o jornalista Renato Maurício Prado sobre os mil gols de Romário. Eu era adepto da campanha pelo milésimo gol do atacante, ele tirava um sarro com aquele bom humor que lhe é natural. A gente se divertia no Redação, programa então comandado por Marcelo Barreto, hoje nas mãos de André Rizek.

Na época eu pensava se Romário havia perdido a mão _ou o pé_ e estaria errado em seguir jogando mesmo sem as condições ideais. Empurrando o fim da carreira com a barriga. Sempre achei que era uma decisão pessoal e que tínhamos que respeitar qual fosse a que ele tomasse.

Se Romário tomou a decisão certa ou não, sei que continua nos holofotes, hoje como deputado em Brasília. Confesso que torci o nariz quando ele foi eleito, mas como já disse anteriormente tenho gostado de sua atuação na Câmara. Uma surpresa positiva. E que mostra que jogador de futebol, seja no campo político, seja no campo esportivo, quando encerra a carreira ainda tem muitas alternativas.

Fiz todo o preâmbulo sobre Romário para falar de… Arnaldo Cohen.

Li no “Estadão” entrevista com o pianista brasileiro, que deve parar com recitais no ano que vem, e pensei. Aposentando-se dos palcos agora não é que uma de suas últimas apresentações terá sido na Sala São Paulo para homenagear os 80 anos de Paulo Maluf? Aquele mesmo que teria desviado quase 1 bilhão de dólares dos cofres públicos para o exterior? Arnaldo Cohen precisava disso?

Melhor jogadores de futebol _lembra a história do Fusca de Maluf após a conquista do tri em 1970?_ e pianistas ficarem longe do político. Mas não necessariamente da política, como tem provado Romário. Pois continuo achando que esporte e música são importantes instrumentos de inserção social. Contanto que longe das mãos de Maluf, Teixeira e cia., claro.

 

 



  • Alexandre

    Vc. tá certo, cada um para quando achar melhor. O Romário fez muito pelo futebol, pelo meu Vasco e pela seleção e tá mandando bem em Brasília. Tem que continuar apertando o Ricardo Teixeira. Quanto ao Maluf, sem palavras. Quanto ao PT, caro Janca, sem palavras também. Hoje corteja o Maluf. Todo mundo puxa o saco do cara. Por isso odeio política.

    • janca

      É inacreditável vermos PT, PCdoB e cia. puxando o saco, como você bem coloca, de Paulo Maluf. Mas não são só eles. Michel Temer, vice da República, esteve na sua festa de 80 anos, a cúpula do PSDB de SP idem, vide o governador Geraldo Alckmin. Há limite para tudo e esses todos passaram do limite. Se bem que não sei quem é pior, Maluf, Sarney, Collor, Arruda, Teixeira… Como diria Milton Leite, “meu Deus”. E olha que sou agnóstico _rs. Boa terça pra você, Janca

  • Guilherme

    Gosto muito de música clássica e não entendi a postura do Cohen. Ele tem um jeito pernóstico de se comportar, muita vaidade, nunca chegou a ser um virtuoso. Fica de bom tamanho pro Malufão (quaquá). Se puder continue falando de música de vez em quando, fui à Fundação Cultural Ema Klabin por indicação sua e queria deixar registrado aqui que gostei muito da casa e da apresentação de instrumentos antigos. Gui

    • janca

      Eu também não. Talvez o cachê fosse bom, não sei. Decisão dele, enfim, é legítima, mas continuo achando que há limites pra tudo na vida. Não conheço pessoalmente o Arnaldo Cohen, mas sempre me passou essa imagem de ser um pouco pernóstico. Quando digo um pouco quero dizer um muito. Mas conheço gente que o adora, que o conhece pessoalmente e diz que é uma pessoa fantástica. Opiniões,opiniões… Sobre não chegar a ser um virtuoso, como você coloca _rs_, acho que de fato não chegou a ser top entre os pianistas brasileiros. E quanto à Fundação Ema Gordon Klabin que legal que você foi e gostou. Ganhei o dia _rs. Boa terça e valeu pelo comentário, João

  • PP

    Maluf foi quem mais fez obras em São Paulo e virou bode expiatório pra tudo. Nada foi comprovado contra ele, muito promotor querendo aparecer. Se liga meu. Prefere o PT ou o PSDB? Ouviu falar no Mensalão? Tem mais. Qual o problema do Arnaldo Cohen tocar na festa do Maluf? Ele ganhou pontos com isso. Ganho dinheiro. Dinheiro legítimo. ou o senhor vê alguma falcatrua na festa? Como já disse se liga. Tá chovendo no molhado, meu.

    • janca

      Imagino que você, seja quem for, esteja tirando um sarro. Não vou discutir as obras do Maluf, nem PT nem PSDB _os dois aliás bajulando nosso “brilhante” ex-governador. Sobre o Arnaldo Cohen tocar na homenagem aos 80 anos do Maluf, direito dele. Deve ter ganho um bom dinheirinho mesmo. Mas não vejo que tenha ganho pontos com isso, não. Talvez com você, que se diz malufista, ok. Abs.

  • Rodrigo

    Nada foi comprovado contra o Maluf? Cara, vc deveria ter vergonha de dizer isso. Vc poderia até defender (não que seria válido, mas…) que não se faz política sem se envolver em alguma meleca, ou que um cara como o Maluf ganharia muito mais grana na iniciativa privada, então ele faz uns ajustes por fora no próprio salário, ou então dizer que o mundo é dos espertos, enfim, esses argumentos levam em conta os fatos que ocorrem, mas negar que o Maluf seja UM DOS pilantras que existem na política, é uma visão extremamente estreita… Tudo bem vc ser do PP, mas defenda a ideia do partido, não quem a usa em benefício próprio.
    Abraço!

    • janca

      É, Rodrigo, defender quem usa a política em benefício próprio realmente não dá. Grande abraço e valeu pelo comentário, Janca

  • Luiz Cruz

    Acho que o Cohen entrou nessa história que nem Pilatos no Credo. Ele provavelmente foi contratado como profissional e tocou. Alguém está dizendo algo da empresa que fez o catering do evento? Ou do espaço alugado para tal? Vc disse que os pianistas devem afastar-se dos políticos. Concordo, se afastar quiser dizer não se imiscuir, estar isento etc. etc. Que eu saiba, Cohen não tem nada a ver com Maluf e tudo indica que seu contrato tenha sido meramente profissional. Quanto a aposentar-se, não creio. Penso que ele vai deixar de dar recitais, que são mais trabalhosos e difíceis de divulgar, para apenas ser solista de orquestras e música de câmera. Decisão tomada por alguns dos maiores pianistas do mundo, como Martha Argerich. Quanto a não ser um dos melhores pianistas brasileiros, depende do critério. Se for gosto pessoal, vale tudo, mas se se tomar uma média da crítica internacional e o número de compromissos no exterior, sem dúvida está entre os dois maiores ainda vivos. Esse seria um critério objetivo. Gosto, como sabemos, não se discute.

    • janca

      Com certeza gosto não se discute, você tem todo o direito de ser fã dele. Sobre o aniversário do Maluf, ele foi contratado como profissional para homenagear o ex-governador e cada um tem o direito de homenagear quem quer ou quem paga bem. Há uns que fazem isso, outros não. Ele preferiu homenagear e receber o cachê, direito dele. Mas vai se aposentar dos recitais sim, pelo que me informaram deve se dedicar a gravações e a aproveitar a vida, o que também é mais do que direito dele depois de anos e anos de carreira. Afinal a de pianista começa bem cedo. Cohen acho que começou um pouco mais tarde do que a maioria, mas mesmo assim é uma carreira sacrificante. Sobre ser um dos dois maiores pianistas brasileiros vivos discordo. E você cita crítica internacional e número de compromissos no exterior, algo que não quantifiquei. Acho que o trabalho no Brasil também é importante. E nesse sentido prefiro Arthur Moreira Lima, que foi um pianista mais reconhecido no exterior do que Cohen e fez um trabalho bonito de divulgação da música clássica no Brasil. Nelson Freire nem se fala.

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