Segurança privada



O Ministério da Justiça apresentou projeto que permite a contratação de empresas de segurança privada para zelar por jogos de futebol e shows, entre outros.

A ideia não é nova mas é boa. Seria uma forma de deixar mais à vontade a Polícia Militar, que em vez de destacar parte do seu aparato para coibir a violência dentro de estádios poderia atuar em regiões mais necessitadas de seus serviços.

A segurança passaria a ser responsabilidade dos organizadores dos jogos, que teriam de contratar uma empresa privada para garantir a tranquilidade dos torcedores e dos protagonistas do evento.

O Estado não pode mesmo cuidar de tudo, ainda mais de jogos de futebol _há outras prioridades que considero mais importantes. Alguns podem até argumentar que clubes sem expressão não terão condições de contratar um esquema privado de segurança. Mas em suas partidas a tendência é a menor presença de público.

Apesar de ainda estar em fase de discussão, o projeto, por si só, é interessante. E o próprio debate que gera também. Pois daí pode sair coisa boa. É o que espero.



  • Tonico

    A discussão é boa e tudo questão de prioridade. A polícia tem outras prioridades mais importantes do que cuidar dos marmanjos do futebol. Os clubes podem muito bem pagar essa conta sendo que pagam muito mais pelos jogadores e faturam uma grana alta.

    • Beto

      A discussão não é simples como você coloca, caro Tonico. Segurança privada não tem prerrogativa de prender, polícia sim. Sou contra sua utilização em shows e jogos de futebol e principalmente dentro de ônibus, pois o projeto do governo é mais amplo do que isso. Abraços, Beto

      • janca

        Oi Beto, pelo que entendi você é contra a utilização de segurança privada em shows e jogos de futebol, sem falar em ônibus, pois como você mesmo aponta o projeto do governo é mais amplo do que isso. De qualquer forma discordamos neste ponto. Jogos de futebol têm de ter a segurança paga pelos organizadores, pelos mandantes (ops, clubes mandantes, digo _rs) e não cabe à polícia civil ou militar cuidar dos marmanjos, como colocou o Tonico. Há outras prioridades, Beto. E o contingente de policiamento é restrito. Claro que se acontece um crime dentro do estádio cabe à polícia prender, apurar, enfim, fazer seu papel, não à segurança privada. Mas não cabe a ela fazer a segurança de shows musicais, jogos de futebol e até em ônibus tenho minhas dúvidas. O responsável pela empresa tem de cuidar da segurança dentro deles, por que seria papel da PM? Porque é transporte público? Talvez… Não estou fechado nessa questão, mas minha posição, no momento, segue sendo favorável à segurança privada. Abs.

  • Johannes

    Bom dia João Carlos,
    Poderia funcionar como um complemento importante, embora eu pense que a participação da polícia dentro dos estádios seja indispensável , pois a segurança particular também comete abusos contra o cidadão e vice-versa, as questões legais involvidas que acredito sejam muitas.

    • Beto

      É isso o que eu disse, caro Johannes, estou com você nessa parada. A polícia dentro dos estádios é algo básico porque pode prender. Segurança privada não. Muitas vezes exorbita de suas funções e causa mais confusão. Eventos de grande porte como Rock in Rio, jogos de futebol e outros afins só com PM. Questão de segurança pública. Abraços, Beto

      • janca

        Bom dia, Johannes, bom dia Beto, já respondi pra você no seu comentário acima, Beto, entendo a posição de vocês, mas sigo com a minha. Acho que o debate é preciosíssimo. De fato muitas vezes a segurança privada comete abusos, assim como cidadãos _vide os bebuns no trânsito_ também. Para eventos de grande porte, como Rock in Rio e jogos de futebol, pelos motivos que coloquei respondendo a seu comentário anterior, Beto, sou favorável à segurança privada. Valeu pelos comentários e por enriquecerem a discussão no blog, João Carlos

        • Johannes

          João,
          Há algo que eu não coloquei anteriormente e também acho importante, e que talvez se relacione com o tema que você levantou. O governo brasileiro, tanto na era FHC quanto na era Lula, não se caracterizou por uma prestação de serviços de qualidade aos seus cidadãos, e adora “privatizar” determinadas funções que são do governo. Detalhe é que os impostos continuam sendo cobrados da mesma forma, um exemplo são as estradas que foram concedidas a empresas, mas ninguém reduziu nosso IPVA ou as taxas dos departamentos estaduais de trânsito. A CPMF tinha sido criada para a saúde e o dinheiro foi parar noutros setores. Os governos estaduais de uma forma geral têm efetivos de polícia militar por habitante inferiores ao que recomenda a ONU, e acho que esse é um ponto maior a se discutir. Acho que segurança privada é uma alternativa a se considerar, mas como você mesmo colocou é algo para ser debatido, porquê além de todos os outros aspectos que nós colocamos aqui, o governo adora passar a batata quente e fazer de conta que não têm nada a ver com o pato, mas pra receber os impostos a mão é sempre pesada e aberta.

          • janca

            Putz, Johannes, não é que você fez eu parar para pensar melhor? Tudo bem, vivo mudando de ideias sobre algumas coisas, ainda continuo achando que eventos como futebol ou Rock in Rio devem ser de responsabilidade, no caso da segurança, do setor privado, tem muita gente lucrando em cima deles _deste eventos, digo, e podem garantir a segurança contratando empresas privadas, sim. Mas você tocou num ponto importantíssimo. Defendo a redução da participação do Estado regulamentando nossas vidas, mas desde FHC tem havido um movimento de privatização dos serviços e alguns, essenciais como educação e saúde, são relegados a décimo plano quando deveriam ser tratados com todo respeito, pois é direito do cidadão. E você tem razão. Viu que a carga tributária bate recorde e mais recorde? O governo não para de arrecadar. E para quê? Devolve o que arrecada para o cidadão? Não. Não perdemos uma Bolívia em termos de PIB só com corrupção? Não é isso? Sei que haja faxina pra ajeitar isso tudo, haja faxina… Valeu pelo comentário, Johannes, que é muito enriquecedor ao debate. Grande abraço, João

  • Evandro Marques

    Bom dia,
    Desde ontem, quando li seu post, estava aqui pensando no assunto. Realmente acho que você tem toda a razão. Um evento particular, como uma partida de futebol ou um show não pode mesmo ter como “seguranças” a polícia militar. Como já foi dito tanto no post como aqui nos comentários, a polícia tem que arcar com outras responsabilidades e poderia atuar melhor na prevenção de brigas se não precisasse estar dentro do evento pra manter a ordem. Concordo também que é um assunto pra ser muito bem discutido. Agora pela manhã assisti a uma reportagem na Globo que falava justamente do despreparo da segurança privada, especificamente em bancos, onde ontem um segurança matou um cliente dentro do banco após uma discussão. A reportagem falou também da falha no treinamento desses seguranças, que acabam tendo a autorização para portar uma arma apenas com umas poucas horas de aula. É claro que não acho que a segurança dentro de um estádio ou de um show tenha que ser armada, não faria muito sentido, mas digo quando a preparação desses profissionais para atuarem nesses eventos. Eu acho que uma medida assim passa primeiro por uma qualificação melhor dessas segurança para que não haja qualquer tipo de abuso. A policia militar deve atuar sempre no entorno desses eventos, estar presente na rua, mas não dentro dele. O Estatuto do Torcedor diz que o clube mandante deve se responsabilizar pela segurança no estádio, mas essa responsabilidade é sempre repassada para a polícia militar as custas do nosso suado dinheirinho. Enfim, gostei dessa ideia, apesar de estar evidente a falta de preparo da segurança privada pra qualquer tipo de evento.

  • Johannes

    Bom Dia João,

    Eu gostei muito do tema que você levantou e da mesma forma que você parou pra pensar nessa coisa dos governos que arrecadam cada vez mais fazendo cada vez menos, eu também “ruminei” sobre a questão da CBF, federações estaduais e clubes, que sendo entidades de caráter privado se beneficiam do poder público obtendo segurança para seus eventos, que embora reunam muitos cidadãos (o que no meu entender obriga o estado a estar presente de alguma forma) não deveriam ser um fardo para o estado como têm sido. Esse ponto que você levantou é muito relevante. O comentário que o Evandro Marques fez acima sobre o despreparo da segurança privada é o o que me faz temer pela adoção dela nos estádios. Ele discorreu muito bem sobre o assunto e segurança armada nos estádios seria de fato uma temeridade , penso eu, posso imaginar uma organizada partindo pra cima de segurança privada, seria sangue na certa pois ninguém respeitaria ninguém. Por outro lado as organizadas trucidariam qualquer segurança desarmada, porque a quantidade nesse caso faria a diferença. Mas é isso, o debate enriquece e as pessoas colocaram muita coisa pertinente tanto a favor como contra a segurança privada que vale a pena “ruminar”, como diz o bom caipira. Grande Abraço

  • Acho que a segurança privada na copa e outros eventos é necessário,mas o treinamento ficará por conta de quem,das empresa ,do Governo ou do candidato.As leis no nosso Brasil deve mudar, para que as condições de trabalho seja desenvolvida pelos profissionais.Na Europa os profissionais tem amparo legal para prestar o serviço em locais privados.
    Espero que tudo acabe bem.

  • adilon milhomem

    bom senhores,vi os comentarios de voceis,e acho que os senhores tem que conhecer mais a portaria 387,e a lei 7.102,que fala os poderes e deveres da segurança privada,esse beto ai que disse que a segurança privada nao pode prender, ta meio equivocado,porque qualquer cidadao pode prender uma pessoa.ja na questao de seguranças cometer abusos de poder,sim claro tem muitos que cometem,mais a policia e pior ainda,porque os seguranças tem apenas 30 dias de formaçao, e a pm tem 12 meses.entao a policia deveria ter mais preparo. senhores pra quem nao sabe a segurança privada e hum complemento da segurança publica,tendo atividades como escolta armada segurança pessoal e transporte de valores,sendo fiscalizada pela policia federal e ministerio da justiça.a segurança privada precisa ser rapidamente valorizada e vista pelos poderes.beto e outros ai que nao sabe,no brasil o contigente de seguranças e maior que o exercito brasileiro e policia militar juntos.os vigilantes nao e vigia e nem guarda,sao agentes de segurança privada.

  • Luiz Eduardo Hunzicker

    Bom que este tema seja abordado. Quanto ao poder de polícia, conforme entendimento jurídico:não é competente quem quer,mas quem pode mediante o diploma legal. Quanto a prisão em flagrante diz: qualquer um do povo PODE e o policial DEVE prender em flagrante aquele que esteja cometendo um delito. Sou favorável ao emprego da vigilância privada conforme padrão FIFA, pois tratam-se de jogos diferenciados, em outro nível. Nos jogos dos campeonatos regionais ou nacional a coisa é diferente, onde a análise do potencial de riscos, o tipo de partida decisiva ou não, partida que define rebaixamento, comportamento emocional de grupos de torcedores e o planejamento prévio devem balizar a segurança a ser aplicada, podendo ser utilizada a vigilância privada integrada com a Polícia Militar, a começar na área de maior risco no interior do estádio – a separação das torcidas – deve ser prioridade. Veja como é verdade: a falta do que acima mencionei foi determinante para os fatos animalescos em Joinville. Este novo conceito de vigilância em campos de futebol deve ser implantado passo a passo, com a presença em contingente menor que em anos anteriores da PM dentro do estádio,o contingente de vigilância privada e uma delegacia móvel da Polícia Civil, funcionando integradamente, até que os baderneiros componentes de torcidas organizadas sejam banidos deste ambiente. O Brasil foi contaminado por esta praga por causa da impunidade e isto terá que ser resolvido de imediato. É preciso voltar aos velhos tempos, onde ir assistir um jogo de futebol representada um prazer nas tardes de domingo. Havia manifestação de torcidas de forma respeitável e hoje não pode o mal superar o bem e retirar do cidadão responsável o direito de saborear uma partida de futebol, independentemente do ganhar ou perder. As torcidas organizadas ganharam espaço no estatuto do torcedor chegando a ser entes jurídicos, só que formadas por arruaceiros, bandidos,baderneiros e aproveitadores.

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