O Maraca é de quem?



A reforma do Maracanã segue provocando polêmica. O governo do Rio espera aprovação da Alerj, a Assembleia Legislativa do Estado, para empréstimo de 126 milhões de dólares junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina. A justificativa é que o valor das obras, orçadas anteriormente em 705 milhões de reais, aumentaram graças a novas exigências da Fifa, dentre as quais a de demolir a cobertura do estádio.

Usando como parâmetro o câmbio de 1,8 real por dólar, o empréstimo representa cerca de 226 milhões de reais, diferença entre o orçamento inicial e um outro orçamento de 931 milhões de reais, considerado irregular pelo Tribunal de Contas da União.

Apesar de o orçamento ter recuado para 859 milhões de reais, a Secretaria de Obras do Rio explica que os recursos do Banco da América Latina continuam sendo necessários e não cobrem os empréstimos que o Estado precisa obter para a obra, que ainda terá 400 milhões de reais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES.

Inconformado com a situação um grupo de cariocas formou uma organização para discutir as políticas públicas do Rio. O “Meu Rio”, movimento que objetiva aproximar o cidadão comum das decisões que afetam a cidade e o estado fluminense, faz campanha contra o empréstimo e pede maior discussão com a sociedade civil.

Segundo Leonardo Eloi, um dos fundadores do “Meu Rio”, “pisou no Maracanã, mexeu com o carioca”. Ele reclama que o plano inicial era reformar o estádio por meio de uma parceria público-privada, mas que ela está sendo paga com recursos do governo estadual e do BNDES. Diz ainda que após a Copa sua administração passará para a iniciativa privada, o que o governo não confirma, embora esteja negociando com Flamengo e Fluminense o gerenciamento da arena pós-2014.

Para Eloi, como se trata de dinheiro público o cidadão tem o direito de saber como serão aplicados os recursos obtidos com possível empréstimo junto ao Banco da América Latina. E como eles serão pagos depois. Reclama ainda de falta de transparência em todo o processo, já que o orçamento para a reforma do Maraca parece uma sanfona. Da casa dos 700 milhões de reais aproximou-se de 1 bi, com a perspectiva de ir para 1,1 bilhão de reais, e agora recuou para 859 milhões. Com o aumento do dólar não se sabe em que patamar terminará.

O “Meu Rio”, que protesta na Alerj contra o empréstimo, diz não receber apoio financeiro de empresas e órgãos públicos tampouco de partidos políticos e representantes eleitos. Alega que entrou na briga pelo Maraca porque o estádio é dos cariocas e não da Fifa e quem paga por ele são os contribuintes do Estado do Rio. A sorte está lançada. Faz algum tempo, aliás.



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