Histórias do xadrez



Já que nessa semana acontece o Grand Slam de Xadrez, reunindo alguns dos melhores jogadores do mundo no Ibirapuera, em São Paulo, gostaria de contar para vocês uma experiência que tive com a modalidade, que para muitos não é esporte, em 1997.

Era correspondente-bolsista da “Folha” em Nova York quando Garry Kasparov enfrentou o Deep Blue, supercomputador da IBM.

Considerado na ocasião o maior evento de xadrez da história por muitos analistas, o confronto, uma revanche já que o russo havia vencido a primeira disputa entre eles, mobilizou um dos vários prédios de Manhattan.

Os jornalistas, entre os quais este que vos escreve, ficavam em outro andar tendo cada um uma mesa muito bem aparelhada para seguir os lances do duelo entre o homem e a máquina.

Apesar de jogar xadrez de forma totalmente amadora ou justamente por isso o que mais me chamou a atenção foi a reação dos jornalistas. A cada lance, que muitas vezes demorava uma eternidade para acontecer, eles ficavam emocionados, pegavam pranchetas, anotavam, confabulavam sobre o que significava e o que poderia acontecer em seguida. Ficavam extasiados como se tivessem visto um golaço. E eu, olhando, estupefato com a reação, curioso…

Como não ficava pensando no lance seguinte, ia comer um biscoito, tomar um suco ou um refrigerante, enquanto os demais discutiam tudo freneticamente.

No final ganhou a máquina e Kasparov chegou a protestar que ela havia sido programada para pensar em um número maior de jogadas e possibilidades do que havia sido acertado ou divulgado antes do desafio. Sei que acabou em confusão. Só não em empurra-empurra pois não era a especialidade do Deep Blue…

Para mim, porém, o que ficou na memória foi aquele fuzuê todo, mas também a importância do xadrez. É um jogo que treina a concentração. Tenho um primo de 15 anos que é fera na modalidade e tem se saído muito bem na escola, em física, matemática, ganha competições de ciências exatas aqui e acolá porque, imagino, conseguiu desenvolver a concentração e a disciplina. Coisa que eu, muito mais velho que ele, ainda não consegui. Talvez se começar a jogar xadrez com afinco chegue lá. Afinal nunca é tarde para começar.



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