Devarim e Hebron



Na ordem do dia volta a questão palestina. Reconhecido pela Fifa, mas ainda não pela ONU, o Estado Palestino conta com o apoio de Dilma Rousseff, a primeira mulher a abrir a Assembleia Geral das Nações Unidas na próxima quarta-feira, para passar a fazer parte da organização.

Deve consegui-lo apenas como membro observador, assim como acontece com o Vaticano, o que já será um passo adiante, como é um passo adiante sua seleção disputar as eliminatórias da Copa, embora já tenha sido eliminada no gramado, e significa que os dois lados têm de voltar a negociar o mais rapidamente possível.

A saída do conflito, se é que ela existe e acho que existe, sim, tem de ser pela via do diálogo, não da violência.

Como estive em Israel no ano passado por conta do documentário “Sobre Futebol e Barreiras”, do qual sou codiretor, o assunto cada vez mais me interessa. Neto de avó materna judia, a região sempre provocou minha curiosidade, mesmo minha avó não sendo sionista. Tanto que eu já havia estado em Israel antes de realizar o filme.

Sobre a experiência que resultou em “Sobre Futebol e Barreiras”, tive a oportunidade de escrever para a Revista da Associação Religiosa Israelita do Rio de Janeiro (ARI), que se chama Devarim.

Como consta do editorial da publicação de setembro, na qual está meu artigo, a inquietação constante é característica do povo judeu. O dito onde “há dois judeus, há três opiniões” reflete essa realidade.

Aprendi que em hebraico devarim, plural de davar, significa mais do que meras palavras, mas símbolos, conceitos, ideias, pensamentos. É também o quinto e último livro da Torá, que traz a soma das palavras e das coisas em si.

Seguindo a ótica da inquietação, fica a dica para quem mora em São Paulo ou estará na capital paulista no final do mês, comecinho de outubro. O Centro da Cultura Judaica de SP apresentará o Videobrasil, festival de videoarte política israelense com início no dia 30.

Um dos vídeos mais polêmicos e que merece ser visto chama-se “H2”. Feito pela artista Nurit Sharett, ele mostra o cotidiano de jovens mulheres palestinas em Hebron. Localizada perto de Tel Aviv, Hebron, que não fiz questão de conhecer até para não passar mal pois lá a barra é pesada, é uma cidade dividida em um setor que pertence aos palestinos (H1) e outro ocupado por Israel (H2). Em H2 a realidade dos palestinos é complicada, como mostra o vídeo de Sharett e também nosso documentário, pois se não fui para Hebron e preferi ficar em Tel Aviv, meus amigos foram.

Fica aqui uma dica para quem se interessa pela região, videoarte, cultura, política… Uma boa iniciativa do CCJ, o Centro de Cultura Judaica paulistano.



  • Nicolás

    Em Hebron não é fácil para nós, judeus, entrarmos, quer dizer, sempre há um risco maior devido às animosidades. Sou favorável à criação de um Estado palestino desde que respeitem o direito de que os judeus israelenses vivam em paz. Não quero um grupo terrorita como o Hamas no comando porque isso não significa a paz. Não vi esse filme sobre Hebron, estudei em Israel já faz mais de dez anos, gosto do assunto, quero deixar registrado que por questões de segurança não pude ir a Hebron, que achei ponderado seu post, vou tentar ler seu artigo na revista e ver seu filme quando passar aqui no Rio se é que ainda não passou. Você tem mais informações a respeito? Sobre seu filme aqui no Rio?

    • janca

      Oi Nicolás. O nosso documentário mostra um pouco essa questão, o receio dos judeus israelenses de entrarem nos territórios palestinos, a situação é realmente complicada. A gente tentou humanizar a questão e acho que conseguimos ao sair um pouco do macro para analisar o micro, embora, como você poderá ver no documentário, os dois estão intrinsicamente ligados. No Rio o filme ainda não passou, mas quando for passar aviso, pode deixar. Grande abraço, Janca

  • André Ungaro

    O melhor filme que tem sobre judeus e palestinos que já vi é um de garotos, um que mostra garotos judeus e palestinos e tem um momento em que eles se entendem quando o assunto é futebol, uma linguagem universal, todos torcem pelo Brasil. Era outra época, hoje nem sei se torcem mais pelo Brasil com a desvalorização da nossa seleção, mas legal seu post. E também fiquei com dúvida sobre seu documentário, se já estreou ou não. Se puder nos informar seria legal porque o assunto me interessa, Janca. Abs. André Ungaro

    • André

      Oi xará. O filme do Janca vi no FAM, um festival conhecido em Florianópolis e é muito bom. Ele estava lá acho com os outros diretores acho mas fiquei com vergonha de conversar depois. É muito bom, porque fala do problema com respeito aos dois lados, tem um pouco de humor e tem futebol pra quem gosta de esporte como ele. Espero ter contribuído, se tiver a possibilidade de ver, reconheço que não sei em que festival está passando agora, talvez o próprio Janca possa te informar melhor, você não deve perder. Acho que vai gostar como eu. Abraço do seu xará

      • janca

        Oi Andrés. Eu vi o filme que você citou, André Ungaro, e também achei incrível. Tive que procurar na internet o nome pois havia esquecido, é “Promessas de um Novo Mundo”. Fantástico. E tem uma cena que um dos gêmeos israelenses fala sobre torcer para o Brasil na Copa, acho que era a Copa de 2002, e o garoto palestino diz a mesma coisa. Sobre nosso filme vai estrear em breve, assim que tivermos a data informo, pode deixar. E passou no FAM, sim, pena que você não veio conversar conosco, André, mas obrigado aí pelos elogios ao doc. Grande abraço, Janca

        • janca

          Ops, quando escrevi Andrés é André no plural, nada a ver com o presidente do Corinthians _rs. Abs. de novo aos dois, Janca

  • Lily Martins

    Não sabia que a ONU tinha membros observadores como o Vaticano. Você não acha que seria melhor o Estado Palestino virar membro efetivo? Precisaria de quantos votos? Fui atrás disso e encontrei informações desencontradas. Alguém tem idéia?

    • Dani

      Oi Lily, eu acho que seria melhor virar membro efetivo, não sei o que o Janca acha. Acho que precisaria de 129 votos numa assembleia com 193 países _dois terços do total. Mas mesmo que consiga tem que passar pelo Conselho de Segurança da ONU e aí vai ter veto dos Estados Unidos. Resumo da ópera: vai virar membro observador como o Vaticano. Bjs. Dani (depois o João dá a opinião dele). João, parabéns mais uma vez pelo filme, vi o trailer e achei bárbaro. Quero ver quando estrear por aqui.

      • janca

        Ops, cá estou eu pra responder também, Dani. Primeiro obrigado pela explicação, segundo também acho que os palestinos farão companhia ao Vaticano na ONU, pelo andar da carruagem. E acho melhor, por enquanto, que seja assim. Nesse ponto sei que penso diferente de você, mas palestinos e israelenses têm que chegar a um acordo sobre a criação e a viabilização de um Estado Palestino de fato para, aí sim, entrar na Assembleia Geral com direito a voto e tudo mais. Enfim, pensar diferente faz parte. Valeu pelo comentário, bom sábado pra você, João
        PS. Sobre o filme também gostei do trailer _risos. E o documentário vale a pena ver. Pra gostar ou criticar. Assim que for estrear no Sudeste aviso. Vai ser logo… João

        • Ibrahim

          Ficar que nem o Vaticano não adianta nada. A Dani tem razão, adianta fazer parte da Assembléia podendo votar.

          • Cerqueira

            Não é entrando ou não entrando na assembleia que um verdadeiro estado palestino vai ser criando. Quero ver a reação em Israel e Cisjordânia e Gaza quando sair o resultado. Vai gerar mais violência. Flavio

          • janca

            Também acho que falta muito pra criarem um Estado Palestino de verdade. Mas a entrada na ONU, mesmo como observador, já é um passo. Depois é preciso que todos voltem às mesas de negociações. E o dia seguinte em Israel e nos territórios palestinos também quero ver. Muita celebração, imagino, mas sem violência de lado a lado, espero. Abs.

  • Barcelusa 2011

    Hoje tem Lusa, a Ponte tropeçou, o dia é nosso. Sei que a questão do Oriente Médio é mais importante, mas tô de olho na Fonte Luminosa. Mais três pontinhos e respiramos tranquilos na frente. Não deixe de comentar o jogo depois, Janca, e vou ver seu documentário quando estrear. Barcelusa rumo à elite do Brasileirão!!! Vamos triturar o Bugre!!!

    • Dani

      Não, o jogo da Lusa é mais importante _hehehe. Brincando contigo, Barcelusa. Dani

      • janca

        Risos. Janca
        Ops, pode não ser mais importante, mas vou ver pela TV. Também vou estar de olho na Fonte Luminosa, Barcelusa. Abs.

        • Barcelusa 2011

          Tá bom, mas seus amigos são mais corajosos do que você. Foram pra Hebron e você não. Tava lendo sobre Hebron na internet, não sabia desta coisa de H1, H2, pra mim H era só de H20. Barcelusa rumo à Série A do Brasileirão!!! Vai começar…

          • janca

            Mais corajosos… Talvez. Digamos que eu fui mais prudente _risos. Abs. e bom jogo.

          • Barcelusa 2011

            Não disse que a gente triturava o Bugre?

          • janca

            É, o Jorginho e os próprios jogadores acharam que o time não foi tão bem hoje, mas valeu pela vitória e pelos três pontos fora de casa. Eu gostei da atuação, especialmente dos contra-ataques. O Guarani jogou não foi mal, pelo contrário, pressionou muito, mas a defesa da Lusa e o goleiro, especialmente, se saíram muito bem. Abs. Janca

  • Marcos Steinberg

    Li seu artigo na Devarim e gostei mesmo discordando de alguns pontos. Quero ver o filme quando passar no Rio. Parabéns por dar vozes aos dois lados. Parabéns também à direção da revista pelo espaço dado ao seu cinema e a seu documentário, Marcos

    • janca

      Pô, brigadão, Marcos, mas o documentário não é meu, é do grupo que fez. Eu ajudei… a atrapalhar. Mas foi uma experiência bacana. Abração, João

MaisRecentes

Del Nero apoia Doria-18



Continue Lendo

A dívida do Verdão



Continue Lendo

O clima para Rodrigo Caio



Continue Lendo