A arte de fazer política



A mil dias da Copa, o que me vem à mente hoje é… a homenagem que Juca Kfouri fez a ex-reitora da PUC-SP, Nadir Kfouri, que nos deixou essa semana.

Sabia que era tia do jornalista, mas não sabia que NÃO era a ela que ele se referia em seu programa na CBN quando dizia que estava “na hora de tomar seu remédio, dona Nadir”. Ontem, ao ler a coluna de Juca na Folha, fiquei sabendo que a dona Nadir sempre citada na rádio era uma outra pessoa, que já partiu há dois anos.

Essa outra Nadir não conheci, mas estive uma vez com a ex-reitora da PUC que se recusou a cumprimentar o então secretário da Segurança Pública de São Paulo por ter comandado a invasão da universidade em plena ditadura. Invasão violentíssima, diga-se de passagem. Mas para Erasmo Dias Nadir Kfouri não estendeu a mão. Repito: em plena ditadura. Isso é fazer política.

Mulher de corajem, que como o próprio Juca coloca “deixou um nome que é a melhor herança que qualquer familiar pode deixar aos que ficam”. E para os que não tinham parentesco com ela deixou a lição de como se pode fazer política. Pois foi o que fez, com muita coragem, a tia de Juca.

E era como fazia a mãe do colunista da “Folha” e do UOL, dona Luíza, que foi diretora do colégio em que fiz o primário. Com sua dedicação, firmeza e carinho por todos os alunos ela me ensinou muito. E ajudou a formar gerações.

Pessoas como elas ainda existem por aí. Pessoas que podem fazer a diferença quando estamos a mil dias do início da Copa e aparece o ministro do Esporte, Orlando Silva, e começa a falar em afrouxar os prazos para licitações. O que só mostra que tudo ficou para a última hora. E ficando para a última hora, os preços explodem. Explodindo os preços, alguns vão faturar ainda mais enquanto a maioria da população brasileira certamente perderá e muito. Brasil, Brasil…

Pessoas como dona Nadir e tia Luíza fazem falta… O principal é que o exemplo ficou. Ah! O Exemplo ficou, sim.



  • Lily Martins

    João, que bonitas e carinhosas palavras para tratar de um assunto espinhoso, que são os mil dias pro início da Copa no Brasil. Você sempre nos surpreendendo. Um dia leve pra você. Lily

    • janca

      Obrigado, Lily, um dia (agora já tarde) leve pra você também, João

  • Marcos A. Freire

    Vc. está certo, Janca, fazer política também é isso, protestar e enfrentar os poderosos. Pensei muito no que você escreveu e consegui uma luz entendendo melhor o que pode ser fazer política. Uma arte como você tão bem colocou. Parabéns.

    • janca

      É uma arte que tanto a mãe do Juca quanto a tia tinham, ambas fazem falta… Abs. Janca

  • Johannes

    Bom Dia João Carlos,

    Pessoas de bem e cidadãos interessados num país com mais lisura e igualdade se aproximando da política seja ela partidária ou na forma de mobilização social..é isso que necessitamos como um sujeito perdido no deserto precisa de água…e mais bons exemplos. Fundamental colocar pessoas de bem nas câmaras municipais, estaduais e federais.

    • janca

      Também acho. E realmente precisamos de bons exemplos, Johannes, e de gente decente nas três instâncias do Poder Legislativo, níveis municipal, estadual e federal, e também do Executivo e do Judiciário. Abs. e valeu pelo comentário, um bom resto de sexta pra você, João Carlos

  • Dani

    Gostei muito do que você postou, Janca. Parabéns pelo blog mais uma vez, Dani

  • janca

    Muitíssimo obrigado mais uma vez, Dani. Bom final de sexta pra você, Janca

  • André

    Sobre o ministro dos esportes nada a declarar. Afrouxar as licitações agora é o ó do borogodó. Uma tragédia anunciada para o povo brasileiro. Muito grave tudo o que vem acontecendo. Sabia que mês que vem completa quatro anos da escolha do Brasil como sede? Tão pouco foi feito e agora pra fazermos tudo vamos afrouxar as leis. Quedê a transparência?

  • André

    Tão grave quanto é a dona Dilma nomear novo ministro do PMDB para o turismo, um setor que seria crucial para a Copa de 2014 e as Olimpíadas dois anos depois. Que merda de país.

  • Nilú

    Oi João
    O Juca e vc também, pelo que conta a respeito da família da tua mãe, vem comprovar uma frase batida que ouvi ele dizer uma vez: “Quem sai aos seus não degenera”, no sentido positivo no vosso caso, é claro. Quanto a atitude da tia dele, adoria ter visto a cara daquele carrasco no momento. Isso me fez lembrar também como os jovens eram diferentes naquela época…
    Ótimo fim de sexta. Nilú

    • janca

      Pô, Nilú, muito obrigado pelo comentário tão bonito. Também gostaria de ter visto a cara dele no momento em que ela se recusou a lhe estender a mão. Em pleno regime militar. É, acho que os jovens daquela época eram diferentes, sim. Veja a UNE como se encontra hoje… Pena que alguns daqueles jovens hoje… se esqueceram que foram jovens, né? Sobre a família da minha mãe você pegou num ponto certo. Tenho muita admiração por ela, que ajudou a fazer de mim quem eu sou. Com meus erros, defeitos e qualidades também. Bom final de sexta pra você, João

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