A nova (velha) face da Fifa



A Fifa tenta mudar e melhorar sua imagem. A tarefa não é fácil, ainda mais se levarmos em conta as estratégias em discussão na entidade.

A primeira medida tomada foi a nomeação do jornalista suíço Walter de Gregório para a chefia do departamento de comunicação da entidade, que ele assume em outubro.

Joseph Blatter quer que Gregório prepare fortes ataques contra a imprensa inglesa, que acusou integrantes do Comitê Executivo da Fifa de terem comprado votos nas eleições para a escolha das sedes das Copas de 2018 (Rússia) e 2022 (Qatar).  Também quer que o novo diretor “venda” uma nova face da Fifa para o mundo. A nova velha face, na verdade. Que mostre suas atividades sociais nos cinco continentes, enfatize mudanças preparadas para dar mais transparência a suas ações, enfim, que passe adiante o conceito de que a Fifa está se mexendo.

O problema, a meu ver, é que se mexe para acabar no mesmo lugar.

Uma das mudanças sugeridas a Blatter ele refuta em aceitar. A limitação do mandato do presidente, que passaria a ficar quatro anos no cargo com direito a uma única reeleição. João Havelange, que o antecedeu, ficou no posto 24 anos. O próprio Blatter já está há 13 e tem pelo menos outros três pela frente.

As reformas, mesmo a nomeação de um comitê externo de controle da entidade, devem ser apenas paliativas. Até porque o comitê de controle seria comandado por pessoas ligadas, direta ou indiretamente, ao próprio Blatter, que chegou a cogitar o nome de seu amigo Henry Kissinger para chefiá-la.

O trabalho de Gregório não será fácil. Ainda mais se não tiver autonomia. O próprio programa Goal, que a Fifa incentiva em países carentes, como os africanos, para desenvolver cultura e esporte com ênfase no futebol local, virou alvo de denúncias de desvio de verbas. Está à beira de uma “CPI”.

Se não mexer a fundo na entidade _e Blatter não é o nome certo a fazê-lo_, a Fifa não irá mudar.

Mesmo a tentativa de aproximação com Michel Platini, que comanda a Uefa, não leva a nada. Apenas a uma sobrevida do próprio Blatter, que tenta apagar o fogo amigo vindo do Velho Continente.

Ainda que prepare Platini para sucedê-lo, Blatter deixará descontentes Ricardo Teixeira e Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, que cogitam ocupar seu lugar quando o suíço deixar de comandar a entidade.

Platini, também de olho na Fifa, tem evitado atacar Blatter. Mas não é se aproximando do francês _certamente não é fazendo política_ que a imagem da Fifa e a de Blatter irão melhorar. Até porque dependendo de como o jogo político for realizado o que já está feio pode ficar ainda pior.

Gregório terá muito trabalho. Em 20 e 21 de outubro haverá congresso da Fifa, quando serão anunciados, inclusive, os locais de abertura e encerramento da Copa no Brasil. E o próprio Mundial de 2014, com Dilma afastada de Teixeira, tem trazido muita dor de cabeça a Blatter. O que é bom sinal, aliás. Mais preocupado eu ficaria se ele estivesse tranquilo como parecia estar com Lula…



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