O técnico e o manager



A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, encontra-se em uma encruzilhada. Começou bem sua gestão, mas tem cometido uma série de equívocos que podem vir a comprometê-la.

Um deles é dar muito poder a Vanderlei Luxemburgo. Pois Luxemburgo, desde os tempos em que treinava o Corinthians, passou a querer ser manager, não apenas técnico, controlando todo o departamento de futebol, com uma função gerencial que incluiria a estruturação do centro de treinamento do clube e o comando das categorias de base. Questões que dizem respeito à direção de futebol, não ao treinador. Ou pelo menos assim deveriam ser.

Luxemburgo teria de se limitar a dirigir o time, e Patrícia Amorim, a presidi-lo. Trocar ideias é uma coisa, extrapolar funções, outra. Se Luxemburgo tem poder demais, caberia à dirigente impor limites.

Patrícia, que começou afastada da CBF, já se aproximou da entidade, o que não acho tão saudável, não.

Chegou a trazer Zico, um dos maiores ídolos da história do Mengão, para trabalhar com ela, mas acabaram rompidos e o ex-jogador se afastou do clube bem magoado com ela.

A “O Globo”, a presidente disse que Zico lhe causava tal admiração por sua trajetória em campo que a intimidava, o que dificultava o contato entre eles. Não é uma explicação que convence…

Com a má fase do time no Brasileirão, não acho que ela deva seguir o caminho mais simples e trocar de treinador. Mas tem que mostrar que a presidente é ela, não Luxemburgo. Que ele comande a equipe no gramado, o que tem competência de sobra para fazer, e tente conseguir de volta os bons resultados no campeonato. Mas manager, não. Não acho que Luxemburgo tenha nascido para isso. E o Flamengo pode conseguir nomes melhores para a função.



  • Reinaldo Alagoas

    Puta, até que enfim vc decidiu falar do meu Flamengo. Luxa deixou de ser técnico faz tempo. Pede pra sair, porra, já vai tarde. Persistir no erro não adianta. Demissão pra ontem, caralho!

  • Paulo

    Sair agora não. Tem que ficar até o final do campeonato e arcar com a responsabilidade se não conseguir nem Libertadores. Quanto não ganha o Wanderley? Não vem reclamar do time que não adianta. Conseguiu Ronaldinho Gaúcho e tal.

    • Barcelusa 2011

      Contratem o Jorginho. Barcelusa rumo à Série A!

  • Marcos A. Freire

    Em trabalho de longo prazo técnico tem que exercer função de manager mesmo. É a realidade mundial, não só a do Brasil. Abraços do Marcos Freire, consultor de esportes

    • janca

      Com todo respeito é meio utópico falar em trabalho de longo prazo pra técnico no Brasil, não? Ainda mais em time popular, três ou quatro derrotas já fazem o treinador balançar… Abs.

  • Olha, no ninho de cobras que é essa gestão é ruim com Luxemburgo e pode ser pior com ele.

    João, você certamente sabe quem é Luiz Augusto Velloso, o presidente que vendeu a geração de Djalminha, Marcelinho e outros sem sanear o clube. Pois o Velloso é o diretor executivo do futebol. Obviamente, um cargo de fachada. É Vanderlei quem decide tudo.

    E o que você acha que seria do Flamengo com o Velloso decidindo tudo? Um desastre.

    Claro, o ideal seria a saída dos dois para a vinda de profissionais, mas convenhamos, qual a chance disso acontecer? A indicação de Velloso é política. E em 2012 é ano eleitoral do Flamengo. Sem Luxemburgo, qualquer Dorival Junior se perderia em um ano assim. Pergunte ao Cuca como foi em 2009, por exemplo.

    Aproveitando, parabéns pelo blog. Abs.

    • janca

      Oi Tiago, vou ser muito sincero com você, conheço o Luiz Augusto Velloso, claro, mas não sabia que ele foi este desastre que você diz quando presidiu o clube. De fato em ano eleitoral, ainda mais com tanta discussão em torno de mudanças no estatuto, a situação fica ainda mais complicada. Mas sabe que eu acho que um Dorival Júnior poderia se sair melhor do que o Luxemburgo, por exemplo? Não acho legal o Luxemburgo mandando em todo o futebol do Flamengo, um profissional com capacidade técnica para cuidar de assuntos gerenciais e administrativos do departamento seria muito melhor do que o técnico decidindo sobre assuntos ligados ao CT. Já vi essa história antes e o resultado não foi dos melhores. Luxemburgo se saiu melhor quando se preocupa com o que acontece no gramado, não fora dele. Abração e valeu pelo comentário e pela contribuição ao blog, João

  • Tarcísio Rezende

    Luxemburgo como manager seria mais ou menos como colocar o Tiririca como presidente da Câmara dos Deputados, fala sério!

    • Guilherme

      Do jeito que são as coisas no Brasil não duvido de ver o Tiririca como presidente da Câmara nem o Luxemburgo como Manager. Como bem escreveu o Tarcísio era só o que nos faltava. Como bom tricolor das Laranjeiras quero vida longa para o Luxemburgo como manager do Flamengo.

      • Ferdinando

        Luxa/Manager = Raposa/Galinheiro. Só no Corinthians e no Flamengo uma coisa dessas pode acontecer. Luxa/Manager. Experiência na seleção do nosso amado treinador na seleção não bastou dona Patrícia Amorim?

      • Cassiano

        Bom tricolor das Laranjeiras existe? O Fluminense, aquele da virada de mesa? O Flamengo é o único entre os grandes do Rio que não caiu. E quando ganhava ninguém falava nada do Vanderley. Atacar pedra quando perde é fácil.

    • janca

      Essa foi boa, Tarcísio _risos. Abração, João

  • Johannes

    Boa Tarde João Carlos,

    Pensando no que você escreveu, eu vejo pelo menos uma dificuldade na questão técnico/manager . Aqui no Brasil o cargo de técnico é muito volátil, e a função de gerente de futebol deveria ser algo a longo prazo, pois gerenciar categorias de base e outras questões ligadas a marketing, cts, etc acho que demanda isso. Apesar de achar que a estrutura ideal na maior parte dos casos, seria manager e técnicos trabalhando cada qual com sua função, mas em estreitíssimo contato, creio que a estrutura deva ser vista caso a caso, contexto a contexto. Alex Ferguson, se eu não estou errado, é o tipo técnico-manager, e seria um exemplo bem sucedido. Se você me disser que ele é exceção, eu não teria como argumentar em contrário, pois no momento não lembro de outro. Quanto ao Luxa não tenho muita simpatia por ele, nem gostaria dele como técnico/manager do meu time. Mas ele até que deu uma melhorada nesse último ano, pelo menos em relação as entrevistas que eu assisti.

    • janca

      Acho que a chave da questão é essa, Johannes. O cargo de técnico no Brasil é mesmo volátil, enquanto a gerência de futebol deveria ser algo pensando no longo prazo, por isso é tão complicado por estas bandas associar uma função a outra. Fora que cai o técnico cai com ele, normalmente, toda a comissão técnica. E a do Luxemburgo não é nada barata, o Santos que o diga… Abração e boa noite pra você, João Carlos

      • Johannes

        É e têm as tais das multas recisórias, geralmente bem salgadas…

  • Nilú

    Eu até entendo a timidez que pode ter existido por parte da Patricia Amorim em relação ao Zico, vc não João? Mas esse fato não justifica sua aproximação da CBF e muito menos dar assas para o Luxemburgo, que sempre acaba indo além dos seus limites, mais negativamente que positivamente. Isso é uma opinião minha, ok? Boa noite. Nilú

    • Cassiano

      Entender eu também entendo, mas se a Patrícia Amorim admirasse tanto o Zico não teria feito o que fez com ele. Podou seu trabalho no Flamengo. Falou, falou, falou e falou e até hoje não entendi sua saída da Gávea. O filho dele empresariava mesmo jogadores do Flamengo? Ficou tudo no ar e quando fica tudo no ar boa coisa não tem por aí. Também apenas opinião minha como torcedor.

    • janca

      Oi Nilú, acho que você tem razão, dá para entender a timidez da Patrícia Amorim diante do Zico, mas não justifica mesmo a aproximação com a CBF nem os amplos poderes dados ao Luxemburgo, que realmente tem a tendência de ir além de seus limites e aí a coisa acaba mal… Boa noite pra você também, João

  • Rodrigo Amarante

    A Patricia parecia um nome diferente dentro do futebol mas acho que entendeu como funciona o jogo e que não adianta bater de frente com CBF, coisa e tal. Isso poderia prejudicar o Flamengo como prejudicou o São Paulo na questão do Morumbi.

    • janca

      Não sei, Rodrigo, acho que bater de frente às vezes acaba sendo necessário para quem está na vida. Abs. João

      • É DA FIEL

        O Morumbi não foi pra Copa porque não tem nem estacionamento decente. Nada a ver com polêmica SÃO PAULO CBF. Nada a ver. Se liga. O Itaquerão vai dar de 10 a 0 e desenvolver a zona leste da capital.

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