As guerras e a Copa



Ao assistir _bem pouco, porque a cobertura extensiva cansou demais_ às análises sobre os dez anos do 11 de Setembro, fiquei fazendo  um paralelo com a Copa no Brasil.

A comparação é legítima quando se pensa nos custos. Até hoje não há um consenso _só diferentes estimativas_ sobre quanto os atentados que completaram dez anos ontem custaram à economia norte-americana e mundial.

O governo George W. Bush apresenta cifras diferentes das de Barack Obama sobre os gastos com as guerras no Iraque e Afeganistão, que mataram mais de 120 mil civis nos dois países, economistas, historiadores e sociólogos, idem. Há quem fique na casa dos bilhões de dólares, há quem chegue ao trilhão e há até quem fale em trilhôes de dólares _seriam mais de três, de acordo com alguns. Não há certezas, mas cifras “jogadas”.

No caso da Copa certamente veremos algo parecido. Consultando diferentes ministérios ou você não consegue informações ou, se consegue, vê que são desencontradas, especialmente nos que tiveram mudanças no comando, mas inclusive naqueles, como é o caso do Esporte, em que o ministro segue o mesmo.

O fato é que ninguém sabe ao certo o custo da Copa para o Brasil. O próprio Ministério do Esporte, contando “apenas” obras nos estádios, aeroportuárias e de mobilidade urbana, falava em cerca de 15 bilhões de reais, depois em 30, alguns falam em 50… Não há um consenso.

Reportagem de capa da “Folha” de ontem dizia que o custo da Copa pode explodir, o que é sabido há tempos, e que para o Ministério Público os projetos são falhos e falta transparência aos números.

A matéria lembra que portal do governo afirma que o evento irá exigir pouco menos de 25 bilhões de reais, embora muita gente dentro do próprio governo trabalhe há muito tempo com cifras bem maiores, lembra que site de entidade de empresários estima custos superiores a 80 bilhões de reais e que, no final, a Copa poderá ter orçamento que passe dos 100 bi. É possível, se levarmos em conta que a Olimpíada, dois anos depois, vai custar mais de 40 bilhões de reais e é concentrada apenas em uma cidade, não em 12, como o Mundial.

O que sei é que terminada a Copa vai haver uma guerra de números. Uns dirão que foi gasto X, outros baterão o pé no Y, um grupo ficará com Z, a história se repete, o 11 de Setembro está aí para comprovar.



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