O último a saber



Fiquei surpreso, mas não deveria, com entrevista do volante Marino, que ontem à noite defendeu o Icasa contra a Ponte Preta, pela Série B, e logo depois do jogo anunciou que segunda irá para o Atlético-GO, “subindo” para a Série A.

Explico minha surpresa. Pela forma como o jogador de 25 anos explicou sua transferência a Goiás a impressão é  de que foi o último a saber. Desconhecia detalhes da negociação e de como ela fora conduzida e não soube explicar o porquê de Corinthians e Grêmio, que estariam interessados em seu futebol, terem perdido a batalha para os goianos.

E é possível que tenha sido o último a saber do negócio. Pois isso é praxe no Brasil, onde jogadores vivem à mercê do que querem clubes e empresários e terceirizam suas vidas e carreiras.

Não estou dizendo que Marino tenha sido manipulado ou algo do gênero, pois também desconheço detalhes do negócio. É claro que atuar na Série A pelo Atlético-GO parece bem mais interessante do que permanecer na B com o Icasa, só que a questão não é essa.

Atleta no Brasil muitas vezes ainda é joguete e está longe de ter consciência de classe. Ao contrário de espanhóis e italianos, que até greve fizeram adiando o início de seus campeonatos para exigir seus direitos, inclusive o de jogadores que acabam encostados ou não sendo utilizados.

No tênis a realidade também é outra, vide o Aberto dos Estados Unidos, onde atletas reclamaram de estarem jogando em quadras ligeiramente molhadas, correndo o risco de contusão, tendo sido forçados pela organização, já que tem chovido muito em NY. Irritados, enfrentaram representantes da ATP (Associação de Tenistas Profissionais).

Mas entendo que a realidade no Brasil ainda é muito diferente. A cultura é outra.

O que chama a atenção no caso Marino não é só o desconhecimento do jogador, que parece ter delegado mesmo sua vida e carreira a terceiros. Mas também a garra com que defendeu o Icasa até o último instante. Foi emocionante. Contra a Ponte parecia sua estreia no Verdão do Cariri, como é chamado o Icasa. Nunca a despedida.



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