A medicina e a Copa-14



Recebo a grata notícia de que o Hospital das Clínicas e a Fifa irão oferecer treinamento a médicos que irão atuar nos estádios da Copa de 2014.

Fico muito feliz ao saber que um dos coordenadores do curso será  André Pedrinelli, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC, centro de excelência já credenciado pela Fifa para o Mundial.

Conheci dr. Pedrinelli em janeiro do ano passado, quando tive um acidente patético na Suécia, tombo digno das videocassetadas do Faustão. Escorreguei no gelo, a temperatura era de 17 graus negativos, e eu, que nunca tinha quebrado nenhuma parte do corpo, fraturei o braço esquerdo em dez pedaços. Sorte que sou destro.

Tive sérios problemas na volta ao Brasil, já que não deveria ter sido liberado para pegar avião, mas acabei tendo autorização para viajar pelos médicos suecos, com pressurização, despressurização, cheguei a correr risco de morrer. Mas não morri e aprendi muito com a queda.

Dependia das outras pessoas para fazer (quase) tudo. E elas ajudavam. Vi muita solidariedade e passei a ficar mais humilde. O problema é que quando melhorei muitas vezes voltei a deixar a humildade de lado. Tento resgatá-la sempre que me lembrodo que a queda me ensinou. Mas às vezes parece que cismo em esquecer.

No Brasil, quando cheguei esfacelado, fui na hora atendido pelo dr. Pedrinelli, que havia sido muito bem recomendado. É um médico humilde, simples, bacana, otimista, humano. Principalmente humano. E sua secretária e seu assistente também.

Fiquei quase quatro meses com o braço imobilizado, fazendo muita fisioterapia. Graças ao trabalho de fisio e à competência do dr. Pedrinelli não precisei operar, colocar pinos, nada. E hoje meu braço está novinho em folha. Melhor do que o direito.

Na Suécia tinham até me avisado. Quando chegasse ao Brasil, iriam tentar me operar, até porque para o médico é a solução mais fácil e o hospital _e a própria equipe médica_ ganha mais dinheiro. Mas com o dr. Pedrinelli não foi assim. Optou por um tratamento conservador e como a evolução foi boa me safei da “faca” e dos pinos.

Sou muito grato a ele. Ainda há médicos preocupados com o ser humano. Dr. Pedrinelli mostrou-se um deles e ganhou minha admiração.

Trabalha há tempos com o futsal, esteve em Joanesburgo antes da Copa de 2010 participando de um seminário, está sempre se atualizando e nada melhor do que saber que é um dos coordenadores do curso da Fifa para médicos que atuarão no Mundial do Brasil.

O curso prático será na próxima quarta-feira, no Parque São Jorge. Na ocasião serão discutidos assuntos como a qualificação dos médicos, o número de profissionais necessários por jogo, a comunicação entre eles dentro e fora dos estádios, sem falar na parte prática, com simulação, para 45 médicos credenciados, de casos que necessitem atendimento especializado em arenas esportivas.

Pelo menos na parte médica tudo indica que a Copa está em boas mãos. Espero que seja assim mesmo.



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