Box 21



Num momento em que racismo e xenofobia voltam a ser discutidos na Escandinávia, inclusive em estádios de futebol, onde a presença de grupos de extrema direita estaria aumentando nas arquibancadas, li um romance policial que recomendo.

“Box 21”, do jornalista Anders Roslund e de Borge Hellstrom, fundador de uma organização sem fins lucrativos para ajudar a reinserir ex-presidiários na sociedade, é uma obra que prende a atenção de quem gosta de histórias policiais. Com um detalhe: o próprio Hellstrom, um de seus autores, é um ex-presidiário.

O livro aborda uma das questões que afligem a região, a do tráfico de seres humanos, especialmente mulheres trazidas clandestinamente do Leste Europeu, com ênfase nos países bálticos e destaque para a Lituânia.

Segue o estilo das obras do escritor sueco Stieg Larsson, morto em 2004, e que era especialista no assunto. Nos anos 90 ele chegou a fundar, inclusive, a revista Expo, que tratava de racismo, xenofobia, violência e crimes cometidos por grupos de extrema direita não só na Suécia, mas na Escandinávia como um todo.

Com a recessão econômica e um sentimento anti-islâmico cada vez maior o problema tem se agravado e chamado a atenção das autoridades _vide o que aconteceu na Noruega, onde um extremista matou mais de 70 pessoas recentemente, e o que tem ocorrido em estádios de futebol escandinavos, onde gritos e cânticos de teor racista e xenofóbico têm crescido, sem falar nas brigas fora dos estádios.

Problemas com torcedores não acontecem apenas no Brasil. Só que na Europa, aparentemente, as razões são diferentes. E talvez até mais preocupantes.



  • Lily Martins

    Oi João, parabéns por seu blog que sai do lugar comum. Estudo cinema e literatura e romances policiais do gênero que você menciona estão virando moda na Suécia e nos países escandinavos como um todo. Os romances policiais suecos costumam tratar mesmo dessas questões. Há várias causas para o fenômeno, várias causas que vejo citadas para tentar explicá-lo. A recessão econômica, como você coloca, seria uma delas. O inverno rigorosíssimo seria outra. Com as ondas migratórias principalmente dos países árabes a xenofobia cresceu. Falta de perspectiva é uma outra. Arrumar um bode expiatório, tendência que nós, humanos, temos, mais uma. A Dinamarca por pouco não fica fora da zona do euro por decisão dos próprios dinamarqueses, que têm restrições a outros países da Europa e temiam seri engolidos por eles, perdendo sua identidade e características próprias. No futebol imagino que isso tudo esteja ocorrendo e que o hooliganismo cresça mesmo, pois o futebol reflete o que acontece com a sociedade como um todo. Espero ter dado minha contribuição. Lily

  • janca

    Obrigado, Lily, mas fiquei com uma dúvida. Quando você fala sobre a Dinamarca, por decisão própria, quase ter ficado fora da zona do euro isso não quer dizer que o país seja fechado. Não necessariamente. Preservar suas raízes culturais você não acha uma preocupação importante? Não estou dizendo que a Escandinávia não tenha problemas, pelo contrário, o post, ao abordar os romances policiais de escritores locais que fazem tanto sucesso, trata justamente disso. Mas ir contra a globalização não significa, necessariamente, ser contra o estrangeiro e o “diferente”, entende aonde quero chegar? Por isso não entendi tão bem essa parte da sua colocação. De qualquer jeito obrigado pela contribuição e pelos elogios, João

  • Lily Martins

    Acho que não me expressei bem. Não quis dizer isso. Também penso que ir contra a globalização e o movimento de valorizar as características regionais é extremamente positivo. O que quis chamar a atenção é para as características da Escandinávia serem diferentes das do resto da Europa Ocidental. Talvez pela própria localização, talvez pelo tamanho de seus países, talvez pela história, que é diferente, a Escandinávia vive meio à parte do resto da Europa, tanto a Ocidental quanto a Oriental. Como mostram os romances policiais, mesmo que a imagem que o mundo tenha seja de países com ótima qualidade de vida, há movimentos perigosíssimos de extrema-direita. A violência doméstica e os índices de suicídio também são altos. Quis mostrar este outro lado e contribuir assim para a discussão. Em nenhum momento afirmei ser contra uma volta às origens, pois não sou, sou contra os rumos que a globalização tomou. Mas essa é uma outra história. Lily

  • janca

    Agora acho que entendi melhor, pois como você também sou pela contracorrente quando se fala da globalização e pela valorização das características locais e regionais, contra a pasteurização da vida, enfim. O que não justifica a não-aceitação do outro, do diferente, muito pelo contrário, a meu modo de ver, é o que legitima a existência e a aceitação do outro e do diferente. Curiosamente _fica a dica pra você_ estava lendo “O Suicídio” de Émile Durkheim, um estudo de sociologia extremamente interessante escrito, se não me engano, no final do século retrasado (talvez no início do passado), ele fala muito dessa região, a Escandinávia. Tenta encontrar explicações para o porquê de o suicídio acontecer mais em determinadas regiões do que em outras, entre tantas outras coisas, já que o tratado tem mais de 500 páginas. É pesado, li pouco mais de 20%, em algum momento termino. Ou não _rs. Mais uma vez grato pela contribuição, João

  • André França

    A trilogia do Stieg Larsson é muito boa. Li todos os livros dele, não sabia que tinha uma revista nem que tinha morrido em 2004, porque os livros dele são bem recentes. Legal seu post, André França

    • janca

      Eu também li e gostei mais do primeiro, se não me engano. Mas há romances policiais escandinavos menos badalados e melhores, na minha opinião. Ele morreu sim em 2004, acontece que os livros do Larsson só fizeram sucesso após sua morte, no Brasil foram lançados há menos de quatro anos, novamente salvo engano meu. E sei que depois houve uma grande disputa entre os herdeiros do autor sobre os direitos sobre sua obra. Abs. João

  • Johannes

    Bom Dia João Carlos,

    Como comentei aqui no blog com você outro dia, penso que a velha relação crise econômica e xenofobia é mais ou menos como macaco e banana, vira e mexe estão juntinhas….infelizmente. Das reportagens que vi em 2010 na época da Copa, lembro de uma onde imigrantes africanos vindos de países que faziam fronteira com a África do Sul eram hostilizados em cidades sulafricanas, pois os locais diziam que eles tomavam seus empregos, enfim essas relações do mundo globalizado são complexas mesmo, e quando a extrema direita quer alçar postos no poder ou nos parlamentos sabem tirar proveito disso, como em geral o sabem os politicos de carreira, incintando as massas e tirando vantagens políticas. Apesar do racismo existir no Brasil, ele têm um viés mais aquisitivo do que racial, face a formação multiétnica do brasileiro, acho que é uma das beneces tupiniquins….
    Em relação aos autores suecos, infelizmente não vou poder comentar nada rs…da Suécia mais contemporânea conheço só o time de 58, o bom time de 1994 e o Thor Heyerdaal (arqueólogo/antropólogo)….ah e têm as belas suecas…como esquecer..rs

    • janca

      Então até que você conhece bem a Suécia, Johannes _rs. Abs. João Carlos

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