Um Conto Chinês



No futebol Brasil e Argentina, que se enfrentam duas vezes em setembro, não atravessam fases muito boas, não. Mas no cinema os argentinos seguem goleando os brasileiros.

Assisti ontem a mais uma excelente produção cinematográfica de nossos “hermanos”, como costumamos chamá-los, e os argentinos seguem no auge de sua forma. O filme “Um Conto Chinês”, do diretor Sebastián Borensztein, é excelente. Aborda temas como solidão, relacionamentos, amizade, perdas, acolhimento, acaso e sincronicidade, entre tantos outros, com uma fina ironia. É leve, gostoso de ver, mas ao mesmo tempo denso e profundo.

Trata da história de um veterano da Guerra das Malvinas que tem uma vida reclusa em Buenos Aires e começa a vê-la transformada depois de encontrar um chinês que não fala uma palavra de espanhol e é arremessado de um táxi na capital argentina.

É um filme belíssimo. Os argentinos continuam com ótimas safras no cinema, enquanto os brasileiros ainda investem mais no cinema comercial, com filmes que nos remetem às novelas da Globo.  E aí acho melhor ficar em casa e ver TV. Pelo menos é mais barato e você tem mais opções.

O que chama atenção, no entanto, é como nossos vizinhos, que enfrentaram crise econômica muito grande recentemente, diferentemente do boom que vínhamos tendo no Brasil, conseguem produzir e investir em arte.

Como fazem os uruguaios, com uma população que não chega a 4 milhões de habitantes, mas com uma taxa de alfabetização de 98%.

Talvez esteja aí a diferença com o Brasil. O investimento e a preocupação com cultura e educação, incluindo o esporte como instrumento de inserção social. Talvez esteja aí a explicação não apenas para os bons filmes argentinos e uruguaios, mas para a conquista da Copa América pela Celeste, apesar do pequeno tamanho do país e de sua população, especialmente se tivermos como parâmetro o Brasil.

Mas deixando o esporte de lado fica a dica para quem gosta de um bom filme. Não perca “Um Conto Chinês”, um filme que ainda me trouxe boas lembranças sobre minha passagem pela China por conta dos Jogos de Pequim-2008. Só que deixo essas lembranças, que poderiam render vários contos, para outro post. Um bom sábado a todos, João



  • Dani

    Oi João, tem um outro filme argentino passando que eu recomendo. Estreou agora no grande circuito, não sei se você já viu, deixo como dica pra você e pros demais seguidores do seu blog. O nome é Medianeras, também fala muito da solidão, do mundo virtual, dos relacionamentos, eu gostei bastante. Em termos de cinema temos que reconhecer que eles estão dando de 10 a 0 na gente (falo como você do bom cinema, não do cinema puramente comercial, de bilheteria, João). Bjs. e bom sábado pra você também, Dani

    • janca

      Valeu pela dica, Dani. Este filme está na minha lista, se não conseguir ver hoje _e acho que não consigo_ quero ver se assisto nos próximos dias. Bom sábado pra você também, João

  • Lily Martins

    Janca, o cinema uruguaio vai bem, obrigado, mas tem problemas de distribuição para o exterior desde os anos 90. Um dos clássicos ainda é Whisky, que indico para quem não assistiu porque pode ser encontrado nas locadoras das principais cidades do Brasil.

    • janca

      Sinceramente não sabia destes problemas que você cita, mas realmente sou fã do cinema do Uruguai, embora confesse que tenha tido mais acesso aos filmes argentinos, de muita qualidade, aliás, e tive a oportunidade de ver “Whisky”, sim. Um filme pessimista e talvez até por isso interessantíssimo. Valeu pelo comentário, João

  • Dani

    Vi o filme que você recomendou ontem mesmo. Achei muito bom, mas teria trocado o final. Gostei muito de Um Conto Chinês, mas preferi Medianeras. Acho que fala mais pra nossa geração. Bjs. Dani

  • janca

    Oi Dani, fizemos o circuito inverso. Eu vi hoje “Medianeras _Buenos Aires na Era do Amor Virtual” e achei bárbaro o filme. Acho que melhor do que “Um Conto Chinês”, me identifiquei muito com o rapaz _rs. Um filme muito bom tendo a arquitetura como pano de fundo, mas discutindo outras coisas, um filme extremamente humano e bonito. Valeu pela dica, se bem que já estava na minha lista. Ah! E parece que um bom filme que vai estrear, embora eu não saiba quando, é “O Palhaço”, com Selton Mello e Paulo José. Filme brasileiro, claro. Se não me engano Selton Mello está na direção, o que considero sinal de qualidade. João

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